sábado, junho 15, 2013

HOMOSSEXUALIDADE


Artigo de Jean Wyllys: "Para não dizer que não falei do Félix"



Sem entrar na questão de se estamos preparados ou não para um vilão gay na novela das nove, o horário de maior audiência da tevê aberta brasileira (levando-se em conta não só o fato de que a maioria do povo brasileiro se informa por meio da tevê; a ainda baixa qualidade da educação formal oferecida pela ampla maioria das escolas públicas; o baixo índice de leitura de livros, mas sobretudo se levando em conta o atual contexto político, marcado pela emergência de um fundamentalismo religioso odioso que se expressa e cresce sobretudo na difamação da comunidade LGBT); sem entrar nessa questão, posso afirmar que Walcyr Carrasco teve uma idéia interessante ou, no mínimo, produtiva para sua nova novela, “Amor à vida”: fazer do grande vilão da trama alguém cuja vilania advém da repressão ou recalque da homossexualidade.

Félix seria então uma denúncia dos impactos nocivos do recalque da homossexualidade ou internalização da homofobia sobre o caráter de gays e lésbicas: estes experimentam inicialmente, desde a mais tenra infância, o sentimento de pertencer a outra raça; com raras exceções, são vistos pelos próprios pais, quase sempre violentamente hostis à orientação sexual ou identidade de gênero que se expressa apesar de toda repressão, como condenados a uma sexualidade vergonhosa e incapazes de lhes gerar uma descendência; por conta disso, para não decepcionarem esses pais e estarem à altura das suas (dos pais) expectativas, muitos são os que desenvolvem um ódio de si mesmo (e, logo, do semelhante; ou seja, internalizam a homofobia), buscando no suicídio ou no fingimento a saída para seu sofrimento, podendo o fingimento incluir a busca pela realização do desejo homossexual no sexo anônimo em banheiros públicos, saunas e parques; realização do desejo sempre seguida de culpa e de mais ódio de si, claro. Félix seria alguém que teria optado por essa segunda saída. Todo seu fingimento – e por conseguinte todo seu mau caráter – é em nome do pai que sempre o rejeitou e reprimiu por causa da homossexualidade. Félix seria um perverso em função da “lei do pai”; teria uma perversão por conta desta; seria uma “père-version” (versão outra do pai), para usar a expressão lacaniana. Não por acaso Walcyr Carrasco havia escolhido, como primeiro título de sua novela, a expressão “Em nome do pai”.

Mas não é esse Félix que estamos vendo na tela ou, pelo menos, estamos vendo apenas parte desse Félix prometido. Este jamais poderia ser tão afeminado ou dar tanta pinta.

Um perverso em decorrência da homossexualidade recalcada e conscientemente preso num armário jamais se exporia tanto quanto Félix se expõe, principalmente por meio do “humor bicha” presente em expressões como “Estou uma gelatina de exaustão”, “Minha pele borbulha com comida gordurosa”, “Eu devo ter salgado a santa ceia para merecer isso!”, “Pelas contas do rosário”, “Deu a Elza”, “Vou arrumar o topete, que ele despencou”. Essas expressões – assimiladas e reproduzidas só por quem vive a cultura gay – associadas à afeminação são bandeiras impossíveis num gay enrustido, casado com mulher, pai de um filho adolescente e herdeiro de um grande hospital de São Paulo!

E a culpa desse Félix defeituoso enquanto personagem não é de Mateus Solano, excelente ator que não precisa provar seu talento a mais ninguém. Solano lê um texto com rubrica que lhe chega às mãos. Seria estranho se Solano não colocasse alguma afetação num texto que diz “Ai, meu Deus, eu só posso ter salgado a Santa Ceia para merecer uma coisa dessas!”.

O problema é do autor da novela, que não se contentou em criar um personagem coerente, mas, antes, quis fazer, dele, um sucesso de público como o foram as vilãs Odete Roitman, Maria de Fátima, Nazaré e Carminha. Carrasco é um homem inteligente, bem-informado e conectado à internet, logo, está a par do enorme sucesso que os perfis das “bichas más” (ou das que se apresentam como “bichas más”) – Hugo Gloss, Cleycianne, Gina Indelicada, Irmã Zuleide, Xuxa Verde, Nair Belo, Katylene e Paola Poder – fazem nas redes sociais. Carrasco quis, portanto, importar, para Félix, esse mar de venenos que tanto seduz os internautas em redes – hoje elementos imprescindíveis na conquista da audiência.

Sem essa maledicência típica de alguns homossexuais (mas não de todos e nem mesmo da maioria), sobretudo típica daqueles que jogam mais aberto com certa feminilidade de estrelas do cinema e da música pop; sem essa maledicência “feminina”, como fazer, do Félix, um vilão amado? Carrasco também é um autor experiente e já declarou ser fã de telenovela antes mesmo de começar a escrever as suas; portanto, sabe que o sucesso de Odete Roitman, Maria de Fátima, Nazaré e Carminha tem a ver com a marca de gênero, ou seja, com o fato de elas serem mulheres. E nunca é demais lembrar que essas vilãs foram e são populares principalmente entre gays e mulheres heterossexuais, que constituem o núcleo duro da audiência das telenovelas. Logo, se Félix fosse um gay enrustido que insistisse numa performance de gênero masculina, seria certamente odiado, mas jamais popular.

Ao associar o “humor bicha” a um personagem gay recalcado capaz de cometer crimes hediondos em nome de sua ambição, Walcyr Carrasco esvazia a função de defesa psíquica e de resistência política que este humor tem. Como já disse, o “humor bicha” que se expressa sobretudo em frases irônicas, anedóticas e de deboche consigo e/ou com seus pares só pode ser exercitado por quem saiu do armário, voluntária ou compulsoriamente. Pois, como disse Freud do chiste, o “humor bicha” é a formação do inconsciente que mais se insere no social; logo, necessita do outro para referendá-lo (Quem está no armário se esforça para não expor sua orientação sexual ao outro ou encena a orientação sexual socialmente aceita e validada). O “humor bicha” é uma estratégia do inconsciente dos homossexuais – inconsciente quase sempre estruturado sob o insulto, a injúria e a humilhação perpetrados pela ordem heteronormativa e, portanto, homofóbica – para defender a mente e o corpo da angústia e de outros sintomas das neuroses. O “humor bicha” atua então como álibi da verdade do sujeito homossexual que, até então (até sair do armário), não fora possível de ser dita. Este humor passa a ser também uma estratégia de resistência política: por meio dele, a comunidade LGBT (sobretudo o seguimento T dessa “sopa de letras”) debocha da ordem masculina que a oprime e dá significado positivo a palavras insultuosas e difamantes. Associar o “humor bicha” a um criminoso frio e egoísta é perder de vista sua função na luta de LGBTs por dignidade, estima e direitos. A redenção de Walcyr Carrasco nessa questão pode vir se e somente se este humor estiver presente em algum dos outros dois gays que fazem parte da trama. Do contrário, estará provado que Carrasco salgou a Santa Ceia!

Quase 50% dos brasileiros ainda são contra o casamento gay, diz pesquisa


Por Diogo Alcântara

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) em parceria com a MDA Pesquisas questionou os brasileiros sobre temas sociais, além de comportamentos. Dos 2.010 entrevistados, quase a metade (49,7%) se posicionou contrária à união civil entre pessoas do mesmo sexo. Outros 38,9% dizem ser favoráveis e 11,4% não souberam opinar ou não responderam.

Direitos homossexuais: a trajetória contra o preconceito

Quando o cenário é de casamento entre pessoas do mesmo sexo (e não apenas união civil), a rejeição aumenta para 54,2%. O número de favoráveis se reduz para 37,5% e o percentual de pessoas sem opinião formada a respeito cai para 8,3%.

A redução da maioridade penal é defendida por 92,7% dos entrevistados. Segundo a pesquisa, a percepção de aumento de crimes praticados por menores de idade é de 69,1%.

A Igreja é a instituição com maior confiança entre os entrevistados (37,5%), seguida da Polícia Federal (13,8%) e do Supremo Tribunal Federal (8,2%). As casas do Congresso Nacional aparecem na lanterna. O Senado tem a confiança de 0,7% dos entrevistados enquanto a Câmara dos Deputados possui 0,6%.

A pesquisa CNT/MDA fez entrevistas com 2.010 pessoas entre os dias 1º e 5 de junho em 20 unidades da Federação. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Quem não sabe o que é amor, só pode odiar




Como tem gente odiosa no mundo, que não é feliz, que não tem consideração pelo outro. Bem, todos nós conhecemos muita gente assim mas por que elas não amam ou se amam, ou porque elas passam a odiar e a querer o mal do outro, ou a serem indiferentes? A gente sempre diz que essas pessoas são mal resolvidas, mal amadas, mal comidas, sem boa autoestima e ainda inseguras, e todas estas teorias podem estar certas.
Para o psicanalista britânico Donald Winnicott, a personalidade é criada ainda na infância. Ele quem concluiu em seus estudos no pós guerra que o brincar nos primeiros anos de vida auxilia na construção da identidade pessoal. Hoje, educadores se baseiam em seus estudos e sabem que os estímulos para uma personalidade estável devem ser criados na primeira infância.

A amamentação e o afeto materno são outros pontos dos estudos de Winnicott. O "desenvolvimento emocional primitivo" tem papel fundamental no adulto.Outro estudo americano na África revelou que a forma de manifestar afeto e o ódio é cultural. Crianças de uma tribo pacifista de coletores que eram amamentadas pela mãe até longa idade foram comparadas a uma tribo vizinha em que as crianças eram amamentadas por leite de cabra em peças de barro e não recebiam carinho para se tornarem guerreiros que chegavam a comer o corpo dos guerreiros adversários a fim de se apropriar das qualidades do oponente. A pesquisa revelou que as crianças aprendiam a amar e a odiar desde cedo.

Em ambos os casos, as crianças desenvolveram personalidades de acordo com o grupo, e não com suas próprias crenças, sendo imputada pela cultura do grupo. O aconchego, percepção, proteção e alegria, por via de regra fornecidos pela mãe, são partes importantes do desenvolvimento humano. Por isso de pessoas sem senso de humor, não criativas, que não se colocam no lugar do outro, ou seja, as mal amadas.

Diz a lenda, que pessoas nascidas durante os meses frios são mais emotivas do que as nascidas em meses quentes, reflexo seria o afeto e proteção dedicada dos pais. Mas é uma teoria sem fundamento, mas que às vezes bate com o horóscopo.

Há também a questão hormonal. A adrenalina e a endorfina, conhecidos e importantes moderadores do humor, se manifestam tanto no amor quanto no ódio. Sensações estas que vem acompanhando a evolução da humanidade. Talvez quem não sabe liberar endorfina com o amor, sexo ou uma boa corrida, se sinta satisfeito em produzi-la depois de um barraco, golpe ou traição. Então se você se depara com injustiças e pessoas que não mostram a menor capacidade de demonstrar solidariedade, não culpe o mundo capitalista ou o fato da pessoa ser estressada. A ela falta ou faltou amor. Mas nada de sentir pena. Se afaste e deixe a vida ensinar a pessoa a viver. Afinal, o ódio e o estresse são venenos mortais para a saúde.

Um homem e uma mulher não é única configuração de família na Bíblia, afirmam teólogos



Nos EUA, em plena discussão sobre o casamento gay, três pesquisadores de importantes universidades de Ioma publicaram há 10 dias um estudo sobre a questão do casamento na Bíblia. Hector Avalos, Robert R. Cargill e Kenneth Atkinson são professores e afirmam que a Bíblia não coloca o casamento como algo entre um homem e uma mulher, ao contrário. Confira o texto na íntegra traduzido por nós:
“O debate sobre a igualdade no casamento muitas vezes centra na Bíblia. Infelizmente, tais apelos, muitas vezes refletem uma falta de conhecimento bíblico por parte daqueles que usam esse complexo conjunto de textos como uma autoridade para decretar política social moderna.

Como estudiosos bíblicos acadêmicos, queremos esclarecer que os textos bíblicos não apóiam a reivindicação freqüente de que o casamento entre um homem e uma mulher é o único tipo de casamento considerado aceitável pelos autores da Bíblia.

O fato de que o casamento não é definido apenas como aquela entre um homem e uma mulher está refletida na entrada sobre o "casamento" no Eerdmans Dicionário da Bíblia (2000): "O casamento é uma expressão de padrões familiares de parentesco em que normalmente a homem e pelo menos uma mulher conviver publicamente e permanentemente como uma unidade social básica" (p. 861).

A expressão "pelo menos uma mulher" reconhece que a poligamia não só permitindo, mas algumas figuras bíblicas polígamos (por exemplo, Abraão, Jacó) foram muito abençoados com várias esposas. Em 2 Samuel 00:08, o autor diz que foi Deus que deu a David várias esposas: "Eu te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio. ... E se tudo isso não fosse suficiente, eu lhe teria dado ainda mais "(Revised Standard Version).

Na verdade, havia uma variedade de formatos e configurações familiares que eram permitidas nas culturas que produziram a Bíblia, e estes variaram de monogamia (Tito 1:6), para aquelas que foram vítimas de estupro forçado a se casarem com seu estuprador (Deuteronômio 22:28 -29) e os comandos leviratos obrigando o homem a se casar com a viúva de seu irmão, independentemente do estado civil do irmão vivo (Deuteronômio 25:5-10; Gênesis 38; Ruth 2-4). Outros insistiram que o celibato era a opção preferida (1 Coríntios 07:08; 28).

Embora alguns possam ver a interpretação de Jesus de Gênesis 2:24, em Mateus 19:3-10, como um endosso da monogamia, Jesus e outros intérpretes judeus admitiram que também houve entendimentos não monogâmicos desta passagem no judaísmo antigo, inclusive permitindo o divórcio e novo casamento.

De fato, durante a discussão do casamento em Mateus 19:12, Jesus ainda incentiva aqueles que podem castrar-se "para o reino" e viver uma vida de celibato.
Esdras 10:2-11 proíbe o casamento interracial e às ordens de Deus, aquelas pessoas que já tinham mulheres estrangeiras para se divorciá-los imediatamente.

Assim, enquanto não é correto afirmar que os textos bíblicos que permitiria o casamento entre pessoas do mesmo sexo, é igualmente incorreto declarar que o casamento de “um homem e uma mulher" é o único tipo permitido de casamento considerado legítimo em textos bíblicos.

Isto não é só nossa moderna opinião, de acadêmicos. Este ponto de vista das várias definições de casamento "bíblico" foi reconhecido por alguns dos nomes mais proeminentes no cristianismo. Por exemplo, o famoso reformista Martin Luther escreveu uma carta, em 1524, no qual ele comentou sobre a poligamia como segue: "Confesso que não pode proibir uma pessoa para se casar com várias mulheres, por não opor as Sagradas Escrituras."

Assim, devemos nos guardar contra a tentativa de usar textos antigos para regular a ética moderna e morais, especialmente aqueles textos antigos, cujos apoios de outras instituições sociais, como a escravidão, seria universalmente condenado hoje, mesmo pelos mais aderente aos cristãos.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário