terça-feira, setembro 24, 2013

HOMOSSEXUALIDADE

"O papa Francisco e os LGBTs".


Por Vitor Angelo



A primeira mensagem do papa Francisco aos LGBTs foi dada na coletiva para jornalistas que fez no avião de volta para o Vaticano, depois de sua visita ao Brasil neste ano. E a segunda foi para o padre Antonio Spadaro, diretor da “La Civiltà Cattolica”, em um longo artigo em que ele reforça sua primeira declaração e desenvolve um pouco mais a ideia.
 
“Durante o voo em que regressava do Rio de Janeiro, disse que se uma pessoa homossexual tem boa vontade e busca a Deus, não sou eu quem vai julgá-la. Ao dizer isto, disse o que diz o catecismo. A religião tem o direito de expressar suas próprias opiniões a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos fez livres: não é possível uma ingerência espiritual na vida pessoal. Uma vez uma pessoa, para me provocar, perguntou-me se eu aprovava a homossexualidade. Eu então lhe respondi com outra pergunta: ‘Diga-me, Deus, quando olha para uma pessoa homossexual, aprova sua existência com afeto ou a rechaça e a condena?’ É preciso sempre levar em conta a pessoa. E aqui entramos no mistério do ser humano. Nesta vida Deus acompanha as pessoas e é nosso dever acompanhá-las a partir de sua condição. É preciso acompanhar com misericórdia. Quando isso ocorre, o Espírito Santo inspira ao sacerdote a palavra oportuna”, diz o papa para a revista jesuíta.
 
Estas duas mensagens do papa aos LGBTs significam uma mudança de postura da Igreja Católica em relação aos gays? A resposta é sim e não.
 
Se pensarmos nos discursos do seu antecessor, o papa Bento 16, que dizia, por exemplo, que o casamento homossexual “ameaça o futuro da humanidade”, podemos enxergar um discurso mais generoso e mais positivo em relação aos gays.
 
Existe uma sensível mudança ideológica no novo pontífice, por um lado, já não é mais a igreja que está no comando de tudo e todos, mas a igreja que quer arrebanhar, conquistar – pois tem perdido fiéis nas últimas décadas. E, neste sentido, o discurso de autoridade que condena, exclui, não cabe nesta nova igreja que deseja ser mais inclusiva.
 
Também no sentido filosófico, existe uma retomada explícita da questão do livre arbítrio. O papa diz claramente: “Deus na criação nos fez livres”. E vai mais longe, a coloca em um terreno esquecido ultimamente pelo cristianismo mas que está no seu cerne, a individualidade. “Não é possível uma ingerência espiritual na vida pessoal”. E não podemos esquecer como a individualidade e fundamental tanto para as questões de orientação sexual e de identidade de gênero.
 
O papa retoma valores fundamentais da cristandade e as coloca em primeiro plano, como o amor ao próximo, e o “atire a primeira pedra quem estiver livre de pecado” que é o avesso do discurso condenatório feito pela Igreja Católica como também em muitas outras religiões cristãs.
 
E melhor, critica a obsessão do catolicismo – podemos entender por extensão o de outras religiões cristãs – de condenar certas posturas o tempo todo, todos ligadas à questão da individualidade. “Não podemos continuar insistindo só em questões referentes ao aborto, ao casamento homossexual ou ao uso de anticoncepcionais. É impossível”.
 
De certa forma, ele prega uma igreja mais tolerante, mas suas ideias não mudaram. Na mesma frase, ele diz: “a religião tem o direito de expressar suas próprias opiniões a serviço das pessoas”. Isto é, a igreja continua não concordando com a homossexualidade, com o aborto e os anticoncepcionais (apesar dele agora coloca-las como coisas secundárias pois existem outras questões mais importante como a pobreza, por exemplo). Quer dizer, suas opiniões continuam as mesmas.
 
De fundo, não existe mudança substancial, mas sim, se antes era a fogueira para os LGBTs, agora é possível ser um colega, um conhecido que apenas não concorda com nossas posturas, ficou mais leve.


Clubes ingleses se recusam a participar de campanha gay



Com alguns dias do início da campanha pela utilização de cadarços coloridos para apoiar a causa gay no futebol, os clubes ingleses estão se mostrando irritados com alguns aspectos do movimento e se recusando a aderir à iniciativa.

Entre as principais causas, alegadas pelos clubes, da não-adesão estão o uso de um tema delicado para publicidade gratuita da empresa por trás da campanha, a falta de organização dos responsáveis e a exposição “forçada” dos times na campanha.

Na noite do último domingo, o jogador do Queens Park Rangers, o meia Joey Barton, havia anunciado sua adesão à campanha ao postar em seus perfis no Twitter e Facebook fotos com sua chuteira envolta por um cadarço colorido.

Depois de alguns dias, outros jogadores do futebol inglês mostraram seu apoio à causa organizada por um grupo que luta pelos direitos gays denominado Stonewall e por um site de apostas da Irlanda, Paddy Power. Os dois enviaram aos clubes esses cadarços coloridos que simbolizam a causa gay.

Liverpool, Manchester United, Tottenham e West Ham (time patrocinado por uma empresa de apostas concorrente), segundo o jornal inglês Daily Mail, não vão aderir a campanha. Ainda de acordo com a publicação, uma foto foi tirada, e postada posteriormente, da entrega dos cadarços para um clube, dando a ideia de que o time já havia aderido à iniciativa.
 
Um funcionário do Tottenham disse ao jornal inglês: “Mesmo que a mensagem da campanha seja positiva e nós apoiamos, infelizmente ninguém nos consultou antes do início do movimento, o que aconteceu com todos os outros clube.”

Gay pode sentir atração pelo sexo oposto sem ser bissexual



Situações retratadas em 'Amor à Vida' por Félix e Eron, homossexuais assumidos que acabam transando com mulheres, não fazem deles, necessariamente, héteros ou bissexuais, segundo especialistas

Se um homem casado com uma mulher sentir, em algum momento da vida, atração por um colega de trabalho, significa que ele é homossexual? E se um homossexual assumido se ver de repente interessado no sexo oposto, ele deixou de ser homossexual? Seriam, então, bissexuais? Estereotipar desta forma é “complicado” e as respostas a todas as perguntas, segundo a psiquiatra e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP, Carmita Abdo, são negativas. “Há quase um século, o pesquisador Alfred Kinsey descobriu que heterossexuais e homossexuais exclusivamente ‘héteros’ ou ‘homos’ é um mito”, justificou.

Kinsey criou uma escala com orientações intermediárias entre os absolutamente heterossexuais e homossexuais com, por exemplo, os interessados no sexo oposto, mas que esporadicamente sentem atração por pessoas do mesmo sexo. A classificação soma sete diferentes condições, tendo como centro a bissexualidade. Cada categoria varia de acordo com a frequência das situações vividas pelos indivíduos. “Depende se foi um caso isolado, aconteceu por curiosidade, se a pessoa estava alcoolizada, em um momento frágil, tudo é relativo”, explicou a psiquiatra.
 
A novela Amor à Vida, exibida pela TV Globo, retrata dois casos que podem servir como exemplos. O personagem Félix (Matheus Solano) demorou a assumir a homossexualidade na trama, mas, mesmo depois de declarar o gosto por homens, teve relações sexuais com a mulher de fachada Edith (Bárbara Paz). O personagem Eron (Marcelo Antony), parceiro de Niko (Thiago Fragoso), já caiu mais de uma vez nos braços da amiga do casal Amarilys (Danielle Winits). “Não significa que por o homem estar atraído pela mulher mudou de homo para hétero”, afirmou Carmita.





O homem homossexual pode sentir atração por uma mulher em especial, pelas características de comportamento ou físicas dela, mesmo que o sentimento não faça parte da orientação sexual dele, explicou a psiquiatra. Em alguns casos, ela pode seduzi-lo e até conquistá-lo afetivamente, porém não necessariamente ele se tornará heterossexual ou bi, acrescentou. É o que também afirmou a estudante de fisioterapia Beatriz Barros, que mantém relacionamento homoafetivo há quase dois anos: “se existisse um vínculo bem próximo, partindo de uma amizade, por exemplo, uma pessoa homossexual se relacionaria com alguém do sexo oposto”. Mas, não quer dizer que a homossexualidade não está bem resolvida, reforçou Beatriz.
 
Tampouco dá para cravar que o indivíduo é bissexual por causa disso. O que pode acontecer, segundo Carmita, é uma confusão durante a formação da sexualidade. Psicóloga há 25 anos, Walnei Arenque, recebe casos em seu consultório de “pacientes que tiveram a primeira relação com pessoas do mesmo sexo e depois de terminarem se questionam se são héteros ou homos”. A certeza, porém, só vem com o tempo e no período de descoberta podem ocorrer equívocos. “No começo não tinha muita certeza do que eu queria, só depois que fiquei com um menino percebi que era homo”, contou Beatriz.
 
“Existem pessoas que vivem em momentos alternados. Ora estão em relacionamento de longa data com alguém do outro sexo e, outra com um indivíduo do mesmo sexo. Isso é mais frequente do que se imagina”, afirmou Carmita. Apesar disso, socialmente a condição ainda não é aceita, afirmou Walnei. Principalmente, quando se trata de um homem homossexual, que busca ter também relacionamentos com mulheres, na opinião da psicóloga.
 
A bissexualidade, com registros de ocorrência desde a Grécia Antiga, sofre preconceito tanto dos homossexuais como dos heterossexuais hoje em dia, disse Walnei. Geralmente, a orientação sexual é vista como "fase" ou "pretexto para sacanagens". “O bissexual ainda não mostrou a sua cara e vai enfrentar uma batalha, assim como os homossexuais, para serem aceitos na sociedade”, acrescentou a psicóloga. Segundo pesquisas da psiquiatra Carmita, apenas 1% das mulheres e no máximo 2% dos homens assumem a condição, contra cerca de 10% que se dizem homossexuais.


Turquia proíbe Grindr, aplicativo de put... de encontros homossexuais!




Adivinha-se um final de Verão mais solitário para muitos da comunidade gay turca, depois do Governo deste país ter proibido o Grindr no seu território.
 
Grindr é a maior rede geosocial (para smartphones) que permite aos seus utilizadores – homens, encontrar outros gays e homens bissexuais que estejam próximos. A aplicação conta já com mais de 6 milhões de clientes em 192 países… 191 desde o dia 11 de Setembro.

Desde esse dia, quando alguém tenta abrir a aplicação na Turquia depara-se com uma mensagem que comunica o bloqueio ao Grindr. A medida é entendida como sendo de proteção e foi decidida pelas autoridades de Istambul.
 




A Turquia é vista como um país moderno e progressista relativamente aos direitos LGBT; nas principais cidades existem vários bares, discotecas e grupos de apoio a comunidade. Mas as raízes islâmicas, mais conservadoras, condenam a prática homossexual.
 
Hayriye Kara, advogada da KAOS – associação LGBT daquele país – explica que não tem conhecimento das razões que levaram o governo a tomar esta decisão, mas pensa que o argumento mais provável seja o da moralidade – um termo ambíguo, também frequentemente utilizado contra as trabalhadoras transexuais.
 
O activista LGBT turco Omer Akpinar vai mais longe, ao afirmar que a censura do Grindr é mais uma medida do governo para proteger a família tradicional e heterossexual, atacar a diversidade sexual na Turquia e suprimir direitos LGBT. Omer denuncia que “qualquer pessoa com um estilo de vida ou identidade que não se encaixam na ideologia do Estado, é privado de seus direitos e liberdades”.
 
Num depoimento à imprensa o CEO do Grindr, Joel Simkhai, mostrou-se zangado com o bloqueio e explicou que o Grindr foi criado para facilitar o contacto entre homens gays e bissexuais, especialmente em países onde a comunidade LGBT é mais oprimida. Simkhai espera que este bloqueio seja retirado o mais rapidamente possível.
 
Entretanto o site de petições AllOut.org está a promover uma petição para que seja devolvida a liberdade no acesso a esta aplicação na Turquia.


Trilha Especial: "Picolé" por Bonde do Role





4 comentários:

  1. Parece q nas novelas da globo essa coisa do gay se relacionar com alguem do sexo oposto é um padrão.

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  2. Filip, e´ otimo que as novelas mostrem temas de homossexualidade para discussao em sociedade. A grande maioria nao conhece nada sobre o assunto, senao ,somente o lado negativo da homossexualidade. E´, portanto , clarear a mentalidade destes e entender que a homossexualidade nao esta somente ligada a promiscuidade. Promiscuidade , traiçao, mentiras nao sao reservadas somente a um grupo, mas e´ de carater universal.

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  3. O problema Andy, é q eu não acho q as novelas mostram o lado positivo, só os esteriótipos. Isso quando o autor não resolve 'curar' o personagem gay fazendo ele se apaixonar por alguem do sexo oposto.

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  4. Filip, sim, pode ate ser, mas criam-se topicos para discutir, como este post em que vc esta dando sua opiniao que deve ser respeitada. Ademais, o topico explica com profissionais , o relacionamento de um gay masculino com o sexo oposto, que e´possivel no ambito apenas sexual.. Pois acredita-se , em certos casos, que o relacionamento e´impossivel..

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