sexta-feira, setembro 27, 2013

HOMOSSEXUALIDADE

"O pastor que se acha o dono da praça"


Por Débora Diniz



Erro de local e hora não foi das garotas hostilizadas por Feliciano, mas do pastor que se apropriou da rua como se seu templo fosse  

Um pastor com poderes de governante de um Estado laico. Foi a isso que assistimos no último curto- circuito entre religião e democracia protagonizado pelo deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). “Aquelas duas meninas têm que sair daqui algemadas!”, esbravejou o pastor-deputado. Seu mal-estar era um beijo lésbico entre duas jovens. O espaço não era um templo, mas uma festa na praça principal de São Sebastião, uma cidade do interior de São Paulo, cujo maior financiador foi a prefeitura do município. Uma festa ao ar livre, com dinheiro público, auto intitulada “semana socio cultural”, porém tendo um pastor como soberano do Estado. As ordens de Feliciano não bradaram apenas no microfone, mas na força policial que arrastou as garotas para a delegacia.
Poderia ter sido pior. Os números dizem que 350 mil pessoas passaram pela praça para se divertir ou louvar. Os gritos de ordem de Feliciano foram acompanhados por um coro de fiéis também ávidos por vingança. Não sei o que sentiam enquanto gritavam – se nojo das mulheres ou lealdade ao pastor.
As duas mulheres viveram momentos de pânico, e as marcas do corpo são algumas das cicatrizes da violência. Talvez porque a multidão fosse pacífica ou porque também se intimidou com a força policial, não houve um massacre animado pelos gritos do pastor ao microfone. A multidão se aglomerou como abutres em torno das duas garotas – uma apanhava enquanto resistia e gritava, a outra era arrastada. A imagem das duas garotas provoca compaixão pela juventude e pelos corpos miúdos :indefesas na carne, porém convencidas do direito de existir como desejam.
Erra quem resume o evento a um abuso da força policial. Essa é uma das peças mal postas na história, mas há outras que a antecedem. A primeira é o Estado brasileiro financiar eventos que se descrevem como culturais, mas cujas estrelas os assumem publicamente como religiosos. A segunda é o uso do espaço público para fins privados e segregacionistas – a praça é um templo do mundo que recusa proprietários. A rua não é um templo religioso, e a Guarda Municipal não é a encarnação detorquemadas medievais; seu papel é defender o patrimônio do município. Por fim, mas não menos importante, o Estado não reprime com força policial beijos entre duas mulheres. A verdade é que o Estado nem discrimina nem algema lésbicas por estarem no mundo.
O quadro é triste. Se a festa cultural financiada com dinheiro público era “um culto”, como descreveu Feliciano,é urgente uma investigação sobre a moralidade do financiamento. Se era uma festa cultural, nela todas as expressões da diversidade deveriam ser bem-vindas – alguns estavam lá para ouvir as pregações do pastor, outros para se divertir, outros poucos para protestar. O direito à liberdade de expressão é fundamental em nossa ordem política, e as duas moças, além de se beijarem, protestavam. Se há crenças religiosas que consideram o beijo de duas mulheres um ato de vilipendiação ou de baderna – palavras do pastor Feliciano –, essa é um liberdade de pensamento com limites claros de expressão pública. Jamais as duas moças poderiam ser reprimidas com a força policial por suas preferências existenciais. Jamais poderiam ter sido objeto de perseguição por um microfone financiado com recursos públicos.
Feliciano descreveu a praça como um“ ambiente religioso”. Seu argumento para perseguir as moças, convocar a polícia e expulsá-las da vida pública foi o de inadequação espacial: as moças estariam no lugar errado, na hora errada, fazendo algo muito errado. Ora, se há algo equivocado nessa história é que a praça não é um espaço religioso; portanto, o erro de geografia não foi das garotas, mas de quem se apropriou da rua comose fosse um templo. Mas a discussão sobre pessoas certas nos lugares certos é realmente interessante quando proposta pelo pastor, que se crê representante da democracia e é o principal líder dos interesses das minorias n Câmara dos Deputados. Se há mesmo pessoas certas para lugares certos, como entender que ele lidere a Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados?
Feliciano pediu que as lésbicas, os gays ou os transexuais o esquecessem. “Eles estão me fortalecendo. Deviam ter um pouquinho de juízo e me esquecer”, disse o deputado- pastor imediatamente após as garotas serem algemadas em uma viatura policial. Se quer mesmo ser esquecido pelos grupos que não suporta que estejam na praça, Feliciano deve esquecer as próprias pretensões políticas, pois não sabe conviver com o espírito democrático. Seu papel como líder da Comissão de Direitos Humanos é conviver com os fora da norma religiosa.
Ao contrário do que o deputado-pastor imagina, a sociedade brasileira não é um evento gospel que o reconhece como soberano, nem as meninas são como “cachorrinhos latindo”, a metáfora que escolheu para descrevê-las enquanto eram arrastadas pela polícia. Não são latidos o que ouvimos nos últimos dias sobre o incidente, mas vozes de resistência à discriminação. Vivemos em uma democracia em que lésbicas têm o pleno direito de viver na praça, de beijar-se em eventos culturais e de não temer a força das algemas como repressão religiosa.


DEBORA DINIZ É ANTROPÓLOGA, PROFESSORA DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA E PESQUISADORA DA ANIS – INSTITUTO DE BIOÉTICA, DIREITOS HUMANOS E GÊNERO.


Fifa diz que não tolera homofobia no futebol




A Federação Internacional de Futebol (Fifa) afirmou ter uma postura de tolerância zero diante das variadas formas de discriminação. A reação veio após a publicação de reportagem na edição de domingo do Estado, que mostrou o tabu sobre a homofobia no esporte.

A Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI) não fizeram campanhas diretamente relacionadas ao combate à homofobia. Ambas, porém, possuem em seus estatutos e códigos de conduta regras que condenam a discriminação por gênero.

Em janeiro de 2012, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros enviou um ofício à Fifa pedindo uma campanha contra a homofobia na Copa do Mundo que será realizada no Brasil. A entidade ainda espera uma resposta, segundo o presidente Carlos Magno Silva Fonseca. "Nossa ideia era de que houvesse uma campanha como as que já foram feitas contra o preconceito racial, mas não recebemos nenhuma resposta."

A escolha das sedes para as próximas Copas do Mundo e Jogos Olímpicos colocaram diante das entidades um desafio na discussão sobre a questão gay no esporte. Após a Copa no Brasil, em 2014, os Mundiais serão disputados na Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022, países com histórico de violações nos direitos dos homossexuais. A Olimpíada de Inverno, no início de 2014, será em Sochi, também em território russo.

Em agosto, a Rússia aprovou a chamada "lei antigay", que proíbe manifestações públicas a favor dos gays - até 1993, a homossexualidade era crime no país, o que ainda está em vigor no Catar.

"Rússia e Catar se comprometeram a dar boas vindas a todos os torcedores, além de garantir a segurança deles. A Fifa acredita que (os países) vão cumprir a promessa", diz a entidade em nota. A Fifa ainda afirma ter pedido esclarecimentos aos russos sobre a "lei antigay", assim como fez o COI.



Alunos canadenses fazem vídeo para discutir a questão de gênero



Papeis são invertidos em vídeo canadense


Os alunos Sarah Zelinski, Kayla Hatzel e Dylan Lambi-Raine, da Universidade de Saskatchewan (Canadá), do curso de Estudo de Gênero, fizeram um vídeo com o intuito de discutir como a publicidade explora os papeis e os estereótipos de gêneros. O vídeo é dividido em duas partes.

Na primeira parte, os alunos apresentam as propagandas e alguns dados, como, por exemplo, número de violência de gênero no Canadá, sobre o público-alvo e como são colocadas homens e mulheres nas propagandas. Na segunda, as imagens originais são alteradas com a inversão do homem e da mulher nas imagens previamente apresentadas.

“Algumas campanhas retratam a mulher como altamente sexual e submissa. E o homem, como dominante e agressivo”, afirma Sarah Zelinsky. No final do vídeo, os alunos questionam se o espectador achou ridícula a inversão dos papeis, mas o intuito é mostrar como os gêneros estão enraizados culturamente na sociedade.





Novo site ajuda gays a organizarem o tão sonhado casamento



Qual gay nunca pensou em encontrar o amor da sua vida e casar com ele? Ou, ainda, soube da resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que obriga os cartórios a realizarem a união entre pessoas do mesmo sexo, e não sonhou com o seu casamento? Mas, diante essas imaginações veio, em conjunto, também uma listagem de dúvidas e questionamentos.

Como saber com quais roupas os dois devem ir? Vai ou não vai ter lua de mel? Será que podemos usar cupcakes no casamento sem deixar o glamour de lado? Flor na lapela ainda está na moda? E os convites, como devem ser? Onde podemos fazer uma festa bem bacana? Quanto será que vamos gastar com essa comemoração? Fazer uma festa ou ir viajar?

Esses assuntos agora são dúvidas para muitos casais gays. Por isso, a jornalista Laura Fraga e sua colega Fernanda Prestes, ambas de Porto Alegre, desenvolveram um blog para sanar as dúvidas de qualquer gay que quer colocar os pés no altar.

“Mr. & Mr.” tem média diária de visita de 200 pessoas e já tem parcerias com doceria e designer de convites. Então, hora de arrumar o casório. Ops, quer dizer, acessar o site e imaginar a sua cerimônia. E um brinde aos noivos!

www.misteremister.com

Gêmeas do Tegan and Sara fazem clipe falando sobre rompimentos amorosos. Confira





As irmãs gêmeas idênticas que formam a dupla de indie rock Tegan and Sara, lésbicas assumidas, apresentaram um novo vídeo, intitulado “Goodbye, Goodbye” – canção presente no novo álbum da dupla, “Heartthrob”. Para quem gosta da dupla, Tegan and Sara não foge das suas raízes eletrônicas nesse último álbum e traz, novamente, canções dançantes e agitadas.

“Goodbye, Goodbye” tem a presença tecnologias digitais e redes sociais. Elas apresentam o universo de alguns rompimentos amorosos via a inserção de textos no vídeo no meio online. O clipe tem imagens bonitas, uma excelente direção de fotografia, mas a mensagem é oposta ao último vídeo da dupla, que ganhou adeptos no mundo todo por apresentar adoráveis cães. O clipe “Closer” é muito meigo e traz os caninos fazendo a festa quando as moças saem de casa.

Veja “Goodbye, Goodbye”:





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