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HOMOSSEXUALIDADE


"Um casal bem normal"


Por Contardo Calligaris




O papa Francisco, recentemente, lembrou que a Igreja Católica não deve se esquecer que ela tem, antes de mais nada, missões positivas --de obras e de fé. Claro, ela pode se opor tanto ao casamento gay quanto ao aborto, mas sem confundir essas preocupações com o essencial de seu ministério. Seria fácil acrescentar que, de qualquer forma, em matéria de proibição, a Igreja só escreveu as páginas mais nefastas de sua história.

Enfim, a fala do papa assinala que provavelmente, aos poucos, o casamento gay se tornará, por assim dizer, usual. Nas próximas décadas, senão nos próximos anos, ele integrará as modalidades habituais de amor e convivência. O casamento gay nos parecerá tão normal quanto o casamento heterossexual.

Visto que eu prezo a liberdade individual, só me restaria festejar. E festejo, mas com uma reserva: não gostaria que a aceitação do casamento gay criasse uma espécie de boa consciência coletiva, segundo a qual estaríamos fazendo as pazes com a diversidade do mundo e a variedade do amor e do desejo.

Nada disso: começaremos a entender e aceitar a diversidade do mundo quando pararmos de imaginar que o casamento heterossexual seja algum tipo de baluarte contra a bizarrice do sexo e do desejo. Ou seja, na hora em que o casamento gay está sendo normalizado, é urgente se lembrar de que o casamento heterossexual só foi e é "normal" em aparência.

Se você quiser chacoalhar um pouco suas ideias em matéria de casamento heterossexual e de "normalidade", ainda há uma chance.

Depois de uma temporada no Centro Cultural São Paulo e outra nos Satyros, "Lou & Leo", de Nelson Baskerville e Leo Moreira Sá, volta brevemente, a partir de amanhã, no Teatro do Ator, em São Paulo, na praça Roosevelt (dia 4 de outubro às 23h, dias 11, 18 e 25 de outubro às 21h30).

A peça dramatiza a história da aventurosa vida do próprio Leo, que faz o papel de si mesmo. Leo nasceu Lou, foi baterista das Mercenárias (famosa banda rock punk dos anos 1980), envolveu-se com tráfico de drogas, passou anos preso (ou presa, no caso, por isso acontecer, inevitavelmente, em presídios femininos) e se tornou homem e ator.

Mais importante aqui é que o grande amor da vida de Leo foi Gabi (na peça, a ótima Beatriz Aquino). Leo e Gabi se amaram e se casaram, no civil, em 2002 (divorciaram em 2012). Se o casal quisesse, o casamento poderia ter sido celebrado no religioso também.

Você perguntará: como foi possível, se Leo, juridicamente ainda era Lourdes? Foi casamento gay em 2002? Nada disso, foi um casamento absolutamente normal, entre um homem e uma mulher: se Leo tinha nascido e estava registrado como Lourdes, Gabi tinha nascido e estava registrada como Carlos.

Para o cartório que os casou, portanto, Carlos e Lourdes eram um casal heterossexual. De fato, Lou (que era quase Leo) queria ser o homem para uma mulher. E Carlos (que já era Gabi) procurava um homem para quem ser mulher.

Em suma, foi um amor improvável. Mas, para que alguém se transformando de mulher para homem pudesse se casar com um travesti (como Gabi se via na época), não precisou que existisse o casamento gay: o casamento heterossexual, em sua "normalidade", foi suficiente.

Claro, a história de Leo e Gabi é um caso extremo, paradoxal. Mas sua estranheza não deveria esconder sua "banalidade". "Banalidade"? Isso mesmo. O casamento de Leo e Gabi é "banal", não porque seria corriqueiro o amor entre um transexual e um travesti, mas porque (sem exagero) o amor e o sexo, em qualquer casal dito heterossexual, são quase sempre tão paradoxais quanto o amor e o sexo entre Leo e Gabi.

Na peça, há momentos francamente engraçados. Um deles é quando se trata dos começos do casal: para Leo, a presença de um pênis entre as pernas de Gabi podia ser supérflua e incômoda, enquanto, para Gabi, talvez o problema fosse a ausência de um pênis entre as pernas de Leo. Lembrei-me imediatamente de um casal heterossexual no qual ambos declaravam que, na transa, nenhum deles sabia mais de quem era o pênis.

Enfim, por sorte dos heterossexuais, a heterossexualidade não implica nem garante nenhuma "normalidade". A grandíssima maioria dos casais heterossexuais são bizarros (ou seja, singulares), a começar por aqueles que passam a vida sem sexo ou quase.

Ou seja, gays ou héteros, somos, de fato, todos anormais.

*Contardo Calligaris, italiano, é psicanalista, doutor em psicologia clínica e escritor. Ensinou Estudos Culturais na New School de NY e foi professor de antropologia médica na Universidade da Califórnia em Berkeley. Reflete sobre cultura, modernidade e as aventuras do espírito contemporâneo (patológicas e ordinárias). Escreve às quintas na versão impressa de "Ilustrada".


Adotar filhos de forma legal é mais difícil para homossexuais

Gays esbarram em conservadorismo de juristas e preconceito, tanto social como na própria família


Tarefa conhecida como trabalhosa e burocrática, adotar uma criança no Brasil é ainda mais difícil quando a vontade parte de casais homossexuais. Do ponto de vista jurídico, não há nenhum entrave para o processo , mas gays ainda esbarram na visão conservadora de alguns juristas e no preconceito social, a começar na própria família, conforme relatos de quem vivencia a situação na prática.
Dos 200 habilitados para a adoção na Vara Cível da Infância e da Juventude de Belo Horizonte desde 2010, oito são famílias formadas por homossexuais – 4% do total, sendo cinco casais femininos e três homens solteiros –, das quais duas ainda não conseguiram guarda provisória ou adoção definitiva. “Percebemos mais casais homoafetivos na fila de adoção. Antes, eles só procuravam (adotar) individualmente, o parceiro não se habilitava”, observa o juiz da vara, Marcos Flávio Lucas Padula.
Já a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) informa que, muitas vezes, a própria Justiça dificulta a inserção do nome das duas pessoas na certidão do filho. “A criança adotada já começa a vida nova com menos direitos. Se uma das partes morrer, ela pode ficar sem a herança”, comenta o presidente da entidade, Carlos Magno Fonseca.
É o caso de duas moradoras de Belo Horizonte, a pedagoga Soraya Menezes e a psicóloga Suely Martins, que há cinco anos adotaram uma menina. Apenas o nome de Suely consta na certidão de nascimento da criança, embora as duas tenham decidido pela adoção e formem uma família. “Estamos com processo na Justiça para alterar a certidão e incluir a dupla maternidade”, diz Soraya.
Polêmica. Favorável ao reconhecimento da dupla maternidade ou paternidade, o juiz Marcos Flávio Lucas Padula reconhece que há setores mais conservadores no Judiciário. “É consenso que nenhum fator intrínseco da homoafetividade implique prejuízos para as crianças. Mas é claro que existem posições contrárias, que divergem sobre possíveis problemas e constrangimentos que a criança possa sofrer”, pondera.
O presidente da ABGLT diz que muitas vezes essa visão repercute em outras etapas da adoção, como na fase de entrevistas com assistentes sociais. “Ainda há muita dificuldade de aceitação em vários setores da sociedade”.
Exemplo disso é a discriminação enfrentada em casa, no trabalho e na escola. “Há o preconceito ‘invisível’, quando a pessoa fala ‘nossa, mas ela é tão educada’, como se tivesse de ser mal-educada por ser criada por duas mulheres”, relata Soraya.
O psicanalista Paulo Roberto Ceccarelli diz que é comum as pessoas centrarem os possíveis problemas da criança na opção sexual de quem cuida delas. “Tenho pacientes com dificuldade de aceitar a adoção pela exposição social. Eles escondem que são gays, e a família finge que não vê”, conclui.


Fort Lauderdale- Cidade da Flórida tem a maior concentração de casais gays dos EUA.





Conhecida internacionalmente pela sua forte comunidade LGBT, São Francisco não é surpreendentemente a cidade dos Estados Unidos que tem o maior número de casais gays em sua população. A dona do primeiro lugar é Fort Lauderdale, no estado da Flórida, segundo dados do Censo 2012 do governo americano, divulgado pelo jornal online Huffington Post


.São Francisco ocupa apenas o terceiro lugar, com 2,5% dos seus lares ocupados por casais gays. A cidade do estado da Califórnia ficou atrás de Seattle (Washington), que tem 2,6%. A primeira colocada, Fort Lauderdale, atingiu 2,8%.
Não só Fort Lauderdale, mas toda a Flórida é famosa por atrair um forte turismo LGBT. Existem 19 resorts gays em todo o estado.
E no Brasil, qual será a cidade que ocupa esse primeiro lugar?

Banco do Brasil apresenta campanha pela diversidade




Pela segunda vez, o Banco do Brasil lança uma campanha direcionada para o público LGBT. Com uma simples mensagem, o banco reforça a sua disponibilidade para atender aos pedidos de diversos casais: "Antes de subir ao altar, conheça o BB Consórcio de Serviços. A ajudinha que você precisa para deixar o nervosismo fora da lista de convidados."

Na rede social Facebook, as reações são, na sua esmagadora maioria, a de dar os Parabéns pela campanha mencionando termos como "inclusão", "respeito", "orgulho" e "diversidade".
A primeira campanha inclusiva do gênero ocorreu em Março deste ano, voltada ao financiamento da casa própria

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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