terça-feira, agosto 19, 2014

HOMOSSEXUALIDADE

"O castigo do 'corpo gay'"




Por Fabricio Longo

Seria natural que a “Comunidade Gay” fosse um paraíso de aceitação pronto para receber seus filhos. Entretanto, não é isso que acontece. Ao invés de buscarmos o respeito à diversidade – que gostamos tanto de dizer ser nosso objetivo – seguimos na eterna busca da aprovação dos heterossexuais

GAY [guêi] adj. Informal. 1. Homossexual. Que se refere à homossexualidade: relacionamento gay. 2. Que demonstra comportamentos, particularidades e/ou ações características de homossexual: evento gay. s.m. e s.f. Aquele ou aquela cuja atração (afetiva e/ou emocional) é demonstrada e/ou direcionada a pessoas do mesmo sexo: ela é gay, logo, tem uma namorada. 3. (Etm. do inglês: gay) Alegre, vistoso.

A apropriação de termos ofensivos é um dos pilares da cultura de resistência. A palavra “gay” era utilizada em tom pejorativo por significar “alegre”, para deixar claro que a frescura – ou “alegria” – não era um traço desejável em um homem. Como o machismo necessita da constante afirmação do masculino, transforma tudo que é afeminado – ou seja, gay – em algo desprezível, menor. Chega a ser irônico que a palavra usada para definir homossexuais seja essa…

Ser gay dói. É difícil. Apesar de impressionantes avanços dos últimos 40 anos, perceber-se homossexual ainda envolve muita negação e rejeição. Há o medo de contar para a família, o medo de passar a vida sozinho, o medo de sofrer com a violência das ruas, o medo do preconceito nos espaços de trabalho… Tudo isso parece passar quando vivemos o momento libertador de “sair do armário”, já que admitir essa identidade tira o peso do segredo, de uma dor solitária. Acontece que esse “assumir-se” é uma resposta à pressão social por uma definição. Por mais gostoso que seja, transforma-se em outro pedido desesperado por aceitação, como um “tá bom, sou isso mesmo, já podem me encaixar em X modelo de sociedade”. E não há nada de alegre nisso.

Seria natural que a “Comunidade Gay” fosse um paraíso de aceitação pronto para receber seus filhos, inclusive com as variantes que formam nossa sigla atual, ALGBTTIQ. Entretanto, não é isso que acontece. Ao invés de buscarmos o respeito à diversidade – que gostamos tanto de dizer ser nosso objetivo – seguimos na eterna busca da aprovação dos heterossexuais. Por sermos definidos como divergentes do “padrão de referência”, procuramos obsessivamente “nos desculpar pelo incômodo” e corrigir a nossa falha,  entrando num padrão definido para nós, por aqueles que nos rejeitam.

Alteramos nossos corpos.

“Gay” é um padrão que vai muito além de desejos sexuais ou de identidades culturais. É um nicho social que tem regras rígidas, reproduzidas quase sem pensar. Um “homem gay ideal” precisa ser melhor do que um heterossexual. Mais bonito, culto, bem cuidado, estiloso… É como se a “falha” da homossexualidade tivesse que ser compensada com uma série de qualidades fabulosas de anúncio de revista. Dentes brancos, cabelo liso e bem penteado, corpo sarado, porte atlético, barba desenhada porque a aparência masculina deve ser cultivada. Somos lindos e gays, mas apenas quando parecemos uma coleção de bonecos Ken!

A cada final de semana, as redes sociais são inundadas por milhões de fotos de homens gays, sempre exibindo a felicidade conjunta de festas e eventos badalados. É fumaça, bons drink com energético, corpos brilhando de suor e raios laser iluminando as pistas. Curiosamente, ninguém usa camisa. Somos lindos e nossos corpos conquistados à duras penas nas academias precisam ser exibidos. Ao que parece, é o único meio de sermos desejados e admirados. Validados pela luxúria alheia. Padronizados. Aceitos.

É o “bom estereótipo gay”, já que essa beleza branca e endinheirada nunca é questionada. O gay que incomoda é a “bichinha pão com ovo”. Os “machos sarados” são motivo de inveja entre homens HT e um desperdício na opinião das mulheres. Gordos “nem parecem gays”, e como não são aceitos pelo padrão vigente precisam criar um nicho próprio, a toca dos ursos. Negros são a minoria da minoria, transformada em um fetiche por pau grande.



Nesse mar de generalizações, só temos em comum o estigma da promiscuidade. Nossa liberdade sexual goza do sabor predatório que o machismo empresta à sexualidade de todos os meninos, com a vantagem de que nossos parceiros são nossos iguais, sem repressão. Talvez seja esse o nosso pecado imperdoável, que precisa ser coberto de culpa como forma de punição. Ao sermos reduzidos a nossos desejos sexuais, somos privados de nossa identidade e considerados um pouco menos humanos. Viadosmesmo.
Esse castigo é doloroso porque não importa o tamanho do esforço, pois continuaremos à margem. Somos lindos, mas sacrificamos nossos afetos para manter um padrão inatingível, que nos oprime. Na busca por uma perfeição inventada, criamos outra coisa para rejeitar em nossos corpos e nossas subjetividades. Não há nada de alegre nisso… O que é TÃO gay!


Responda a importante pesquisa do Fórum Global sobre HIV e Homens que fazem Sexo com Homens





Uma importante pesquisa mundial sobre comportamento, atitudes e práticas de homens que fazem sexo com homens está acontecendo via internet. O estudo realizado pela segunda vez pelo Fórum Global sobre HSH e HIV (MSMGF) quer mapear o enfrentamento mundial à Aids na comunidade gay, por isso de sua importância, e ajudar a traçar estratégias futuras. A longa  pesquisa é super interessante, traz links importantes e informações sobre prevenção enquanto as respostas são preenchidas. A MSMGF é uma coalizão de HSH e aliados de todo o mundo, trabalhando contra o HIV pela saúde e pelos direitos humanos dos homens gays e outros homens que mantêm relações sexuais com homens.

As perguntas levam de 20 a 30 minutos para serem respondidas e englobam perfil social, informações sobre prevenção, uso de drogas, depressão, homofobia e acesso à saúde, além de praticas sexuais e sorologia. A enquete ainda questiona sobre futuros tratamentos e produtos que podem ajudar a minimizar a epidemia da Aids no mundo e o preconceito. “A pesquisa está concentrada em diferentes fatores que afetam a qualidade das nossas vidas, incluindo o envolvimento da comunidade, o bem-estar, experiências de estigmatização, conhecimento sobre estratégias de prevenção contra o HIV e DST e acesso a serviços”, esclarece a introcução do estudo, disponível em sete línguas, entre elas o português.

As informações serão utilizadas por organizações para apoiar a promoção de conhecimento, desenvolvimento de políticas, implantação de programas e defesa ligados às questões mais importantes destas comunidades. Os dados da pesquisa atual serão confrontados com o estudo similar realizado em 2012.

As respostas são totalmente confidenciais e o pesquisado pode optar no final em registrar um email para acompanhamento ou ainda conversar com os especialistas da MSMGF por meio de diversos contatos.

RESPONDA A PESQUISA AQUI: http://www.msmgf.org/index.cfm/id/363/lang/pt/

Aprenda a falar o vocabulário gay em inglês com professora divertida e de graça na internet




A professora de inglês Rommie, do Canada, do site EngVid, que promove a língua inglesa com vídeos gratuitos na internet, criou uma aula com vocabulário e termos gays. A aula é destinada a interessados na língua inglesa e para abrir a cabeça dos alunos que planejam viajar para estudar. A canadense afirma que se você for estudar no Canadá, onde ele mora, não deve ser homofóbico pois o país é aberto à diversidade. “Estamos aqui, somos gays, se acostume”, diz a professora que destaca o tamanho da comunidade gay canadense.

Na aula “It's okay to be gay!” (Tudo bem você ser gay), de forma divertida, Rommie explica os termos queer, LGBT, friendly, gay, bissexual, lésbica, trangêneros, além de gírias como “jogar pelo outro time”, "rebater dos dois lados", “parceiro” e “gaydar”. Ao usar gírias, tenham cuidado, alerta a professora, que explica ue alguns termos podem ofender, dica que vale para qualquer língua. O curso rápido em vídeo tem diversas abordagens, como descrever um homem, conversa de banheiro e situações curiosas. Ótimo para aprender inglês!

Confira o video:



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