sexta-feira, agosto 29, 2014

HOMOSSEXUALIDADE

"O país e o armário"




Por Gregorio Duvivier para a FOLHA

"Todo ano, um milhão de mulheres fazem aborto na França. Eu sou uma dessas mulheres. Eu abortei." O manifesto foi assinado por 343 mulheres e publicado no Nouvel Observateur, em 1971.
 
O Estado francês tinha duas opções: prender essas mulheres ou reconhecer que elas não fizeram nada de errado. O Estado não prenderia 343 mulheres. Ou melhor: não essas mulheres. Dentre as assinaturas, estavam as de Ariane Mnouchkine, Catherine Deneuve, Jeanne Moreau, Marguerite Duras. A redatora do manifesto era ninguém menos que Simone de Beauvoir. Não prenderam ninguém.
 
A esse manifesto, seguiram-se outros: 331 médicos assumiram-se a favor da causa. Na Alemanha, mais 374 mulheres assinaram um manifesto em que diziam: Wir haben abgetrieben. Nós abortamos. Entre as mulheres, Romy Schneider e Senta Berger. Em 1975 o aborto deixa de ser crime na França e passa a ser chamado de "interrupção voluntária de gravidez". A interrupção passa a ser "livre e gratuita" até a décima semana de gestação.
 
Estamos muito longe dessa lei por aqui. Nenhum dos candidatos a presidente parece interessado em discuti-la. Tampouco a classe artística está interessada em sair do armário nesse assunto.
 
O Brasil vai na direção oposta. É constrangedor ver todos os principais candidatos se estapeando pelo eleitorado conservador. Não se trata de propor mudanças, trata-se de vender apego à tradição. "Você me conhece, sabe que eu sou o que mais acredita em Deus, o que mais passou longe de dar a bunda, de cheirar pó, olhem só como a minha é filha virgem, olhem só como o meu filho é hétero." Todos estão desesperados pelo voto conservador. Estranhamente, ninguém está nem aí pro voto aborteiro.
 
Se as eleições, como anuncia o plantão da Globo, são a festa da democracia, essa festa, Dona Globo, está meio caída -ou fui eu que bebi pouco. Na minha opinião, tem pastor demais e maconha de menos. A maioria dos candidatos não fede nem cheira -a não ser um deles, que cheira. Um amigo gay outro dia disse que "levantar bandeira é cafona e quem sai do armário é porque quer atenção". Amigo, tudo bem, ninguém é obrigado a sair do armário. Mas você não precisa trancar a porta por dentro.
 
Sair do armário não é um ato exibicionista. Levantar bandeira também não. O manifesto das 343 vagabundas, como ficou conhecido, não permitiu às manifestantes que elas fizessem um aborto. Elas já o tinham feito. Permitiu às suas filhas e netas.
 
Ateus, maconheiros, vagabundas, pederastas, sapatões e travestis do mundo: uni-vos. Porque o lado de lá tá bem juntinho.


30 afirmações para deixar seu namorado apaixonado




A vida pode ser tão agitado, às vezes, ou muitas vezes achamos que no final do dia, ou no começo, a pessoa que você ama merece uma mensagem de carinho, um recados, tarefas, e similares.

Afinal quem não gosta de se sentir, amado, reconhecido e estimulado.

Veja essa lista com 30 frases que você pode falar para a pessoa que você ama para motiva-lo:

1) Obrigado por ser um grande namorado!
2) Estou feliz que você é meu melhor amigo
3) Eu realmente aprecio você.
4) Quando você me ouvi, me sinto amado.
5) Você é o meu homem!
6) Você é meu protetor.
7) Eu o respeito muito.
8) Você é um excelente companheiro.
9) Eu amo estar com você.
10) Você é tão inteligente.
11) Obrigado, que foi muito gentil.
12) Você é tão forte.
13) Você é um trabalhador.
14) Você sabe como me fazer feliz!
15) Eu amo o seu senso de humor.
16) Obrigado por pensar em mim.
17) Eu vou sempre estar ao seu lado.
18) Obrigado por tudo que você faz em casa.
19) Você é um homem bonito.
20) Eu aprendi muito com você.
21) Eu sou um homem melhor, porque você é meu marido. Eu quero dizer isso.
22) Eu quero envelhecer com você.
23) Você é um grande beijador.
24) Obrigado por cuidar de como me sinto.
25) Não há ninguém como você.
26) Os tempos difíceis não importa - Eu estou com você.
27) Eu não trocaria minha vida com você por nada.
28) Você está tão bonito esta noite!
29) Estar com você é o melhor momento do meu dia.
30) Você sabe o quanto eu te amo?

Afirmação Bonus :: Espero que tenha dormido bem na noite passada porque eu estava pensando que ia ficar até um pouco mais tarde hoje à noite!




Fotógrafo transexual documenta processo de mudança de aparência feminina para masculina em série




Revista Marie Claire

"Female to Male" (De feminino para masculino) mostra transformação do canadense Wynne Neilly por meio de imagens, registros da mudança de voz e objetos pessoais. "Meu trabalho me ajudou a me sentir melhor em ser aberto sobre minha identidade trans", disse à Marie Claire
 
O canadense Wynne Neilly é um fotógrafo que se especializou em flagrar, por meio de seus retratos, as diferentes formas de expressão de gênero. Recentemente, ele resolveu voltar o foco para si mesmo e documentar sua jornada de uma aparência feminina para uma masculina.
 
Batizado de “Female to ‘Male’” (De feminino para masculino), o projeto mostra a transformação do corpo do artista ao se submeter ao tratamento hormonal por meio de fotos, registros da sua mudança de voz e objetos que representam algum momento da jornada.  Nas imagens, feitas a cada semana ao longo de meses –ele continua a fazê-las-, o artista anota a data e a quantidade de testosterona que lhe foi administrada: “100 mg”.
 
“Eu venho fotografando a comunidade gay/trans em Toronto há algum tempo, mas nunca tive acesso à intimidade de alguém que passa por essa transição física. Eu estava prestes a passar por essa 'segunda puberdade' e tinha certeza que queria fotografar a mim mesmo a cada semana pelo tempo que sentisse necessário“, contou Neilly à Marie Claire em entrevista por e-mail da cidade canadense, onde o trabalho ganhou sua primeira exposição.

Até mesmo o “male” do título do projeto, entre aspas, diz algo sobre a experiência pessoal do fotógrafo, que se identifica como trans e rechaça a ideia de que todos os indivíduos que se submetem a mudanças de gênero querem ser reconhecidos como homem ou mulher, numa perspectiva heterossexual. “Colocar entre aspas põe em xeque o estigma do que significa ser um indivíduo trans masculino, de que há um só tipo de experiência transexual.”
 
Confira os principais trechos da conversa.
 
Marie Claire - Por que você decidiu documentar seu processo de transição?
Wynne Neilly - Porque eu me identifico como transexual, um artista visual gay, estou sempre pensando sobre como meus ambientes e experiências gays podem ser traduzidos conceitualmente em arte. Assim que decidi começar a fazer o tratamento hormonal senti que era essa experiência que eu queria ser capaz de olhar para trás e analisar em sua totalidade, em algum momento no futuro. Eu venho fotografando a comunidade gay/trans em Toronto há algum tempo, mas nunca tive acesso à intimidade de alguém que passa por essa transição física. Eu estava prestes a passar por essa “segunda puberdade” e tinha certeza que queria fotografar a mim mesmo a cada semana pelo tempo que sentisse necessário.
 
MC - Desde o início, você sabia que queria transformar o material em um projeto artístico?
WN - Eu não tinha uma câmera digital nessa época porque tinha vendido a minha para juntar dinheiro para a mamoplastia [cirurgia plástica de transformação das mamas femininas em masculinas], então usei uma câmera automática bem barata e comecei pedindo a amigos e companheiros de apartamento para tirar as fotos toda sexta-feira (o dia em que tomo a dose de testosterona). Eu não sabia para onde o projeto estava indo quando comecei essa rotina, mas minha prioridade era poder ter uma representação visual dos estágios dessa minha transição. Ao mesmo tempo que comecei a fotografar a mim mesmo, tive contato com os coordenadores e diretores do Ryerson Image Centre [local da exposição]. Depois de verem meu trabalho, chegamos a um acordo que seria uma boa ideia seguir com o projeto e transformar em uma exposição multifacetada da minha experiência.
 
MC - Em geral, transexuais costumam não gostar de ver a imagem ou ouvir a voz antes da transição e você fez exatamente o contrário. Foi um processo difícil?
WN - Sempre será estranho ouvir minha voz antiga e ver minhas imagens de um tempo atrás, mas isso não me afeta tanto porque eu sei que não pareço nem tenho mais aquela voz. É realmente recompensador olhar todas as imagens juntas e ver como mudei. É o que eu mais gosto no projeto como um todo.
 
MC - Seus projetos anteriores também examinam expressões de gênero. Você diria que seu trabalho influenciou sua experiência pessoal de algum modo?
WN - De maneira alguma. Eu sempre fui gay e meu gênero nunca teve nada de binário. Acho que meu trabalho me ajudou a me sentir melhor em ser aberto sobre minha identidade trans, mas definitivamente não teve influência no processo de transição.
 
MC - Por quanto tempo você já documentou sua transição? Pretende fazer um novo projeto no futuro?
WN - Não tenho certeza de quando vou parar de documentar. Não vejo nenhuma razão para parar agora e espero continuar a me fotografar pelos próximos anos. Eu certamente quero exibir esse trabalho de novo quando tiver mais material ao longo do tempo.
 
MC - Como tem sido a reação do público nesta primeira exposição?
WN - Recebi uma maioria esmagadora de reações positivas da exposição. Muitas pessoas tiveram uma reação muito visceral, o que me surpreendeu. É realmente incrível colocar tanto de você e do seu trabalho em um projeto e ver que posso provocar a emoção do público. Tenho tido muito amor e apoio das pessoas aqui de Toronto. É maravilhoso.

MC - Já recebeu algum convite para expor o projeto em outros lugares?
WN - Ainda não. Espero mostrar este trabalho o máximo possível. Gostaria muito que fosse exposto em outros lugares fora do Canadá.






Nenhum comentário:

Postar um comentário