sexta-feira, agosto 08, 2014

MINHA VIDA GAY

Relato Gay – Marido, pai de dois filhos e gay




Por: MVG

Não são todos os e-mails que recebo que lanço aqui no Minha Vida Gay por um motivo simples: muitos dos relatos são semelhantes, quase que repetições de confusões amorosas e aquela vontade juvenil de desvendar se determinado amigo é gay. Infelizmente, não sou bidú (rs) e fica bastante difícil dar conselhos para os leitores que desejam determinado amigo e fantasiam comportamentos que fazem crer que o tal é gay! Quero lembrar que, com a falência do machismo – homem macho – amigos heterossexuais (e obviamente gays) podem se tratar hoje com muito mais gentileza e carinho. Claro que isso não acontece em todos os grupos sociais, mas os estímulos para formação desse homem mais delicado (ou metrossexual) é uma realidade.

Assim, aos leitores que não tem seus e-mails publicados no Blog ou até mesmo não respondidos, peço para que não se chateiem! Busquem os temas relacionados de seu interesse no Blog MVG porque, se não respondi ou não postei, certamente têm vasto conteúdo por aqui. Ok? Sem ressentimentos! :D

Vez ou outra recebo relatos de homens gays casados com suas esposas, com filhos, vivendo a antagonia entre a heteronormatividade e a real orientação sexual. Acho que o tema é sempre benvindo no Blog MVG por um punhado de motivos:

- Serve como um tipo de alerta para aqueles gays enrustidos (pseudo heterossexuais que no íntimo sabem que são gays e não tem problema de se intitularem assim intimamente) prestarem muita atenção em suas escolhas que à longo prazo podem trazer consequências bastante intensas e traumatizantes. Reprimir profundamente a homossexualidade em detrimento aos anseios e expectativas do círculo social, pais, irmãos e amigos pode ser um grande problema no futuro. Velha história: quanto mais profunda a raíz, mais difícil de transplantar;

- Funciona bem para os gays que não se atrevem a se envolver demasiadamente em relações heteronormativas. Podemos não dar pintar, até ficar vez ou outra com uma mulher. Mas se deixar levar pelas expectativas e cobranças sociais pelo “caminho normal” pode trazer os mesmos prejuízos e dissabores expressos no primeiro ponto.

Relato de “EA”:

Boa tarde MVG.
Admiro seu modo de lidar com a sua vida e desafios: me dão paz .

Tenho 35 anos, sou casado e tenho 2 filhos.

Moro no interior onde trabalho com minha esposa. Nos conhecemos na faculdade. Namoramos 1 ano e após formados ela engravidou e nos casamos. Sempre nos demos bem – amizade, companheirismo, apoio mútuo, fidelidade. Podemos até dizer que éramos vistos como o casal perfeito: nunca brigávamos. Mas alguma coisa nunca ia bem: sexo . Stress, depressão, dia-a-dia corrido: tudo era uma explicação .

Sentia atração por homens há anos. Desde a infância. Gostava demais de alguns amigos – às vezes tanto que tinha ciúmes quando eles paqueravam meninas. Estar com esses amigos me preenchia de tal maneira que poderia ficar meses sem querer “ficar” com uma menina. Levar murros de brincadeira, abraços então… era tocar o céu . Foi assim na adolescência, faculdade. Mas às vezes batia algo – uma falta de não sei o quê, choro sem motivos, saudade do amigo. Masturbação: era só com fantasias e figuras masculinas.

Até que há 1 ano conheci uma pessoa que mexeu comigo. Não sabia que o colega de academia com quem corria era gay. Um belo dia durante o pré-treino ele vira e me fala: “Sei qual o seu conflito . Você gosta de homens, né?”. Meu chão se abriu por debaixo dos meus pés. De amigos a algo mais, um pulo. Após o pico da paixão e da descoberta do sexo com amor veio o conflito: o que fazer com isso tudo? Três meses de cama, depressão total. Vontade de sumir. Crise no casamento, assumi que era gay para família e amigos mais próximos. A cidade toda ficou sabendo. Termino o relacionamento com o “namorado”.

Abri meu coração para minha esposa: “tenho atração por homens. Não dá mais”. Ela desconfiava de que estava tendo um caso. Saí de casa. Dá-lhe terapia, antidepressivos. Minha esposa fala que vai voltar para a casa dos pais com os nossos filhos – a 2 horas de distância. Não aguentei: além de tudo isso perder o convívio com as criaturas mais lindas do mundo – meu filhinhos.

Após meses de choro, terapia, decido voltar para o casamento. Do jeito que a coisa ia a tragédia estava feita. Tudo muito traumático. Ia perder tudo que havia construído – com amor – por conta da minha homossexualidade.

Hoje continuo em terapia. Vivo uma grande amizade com minha esposa – mas sei que não me preenche. Meu casamento é baseado num amor não romântico – mas de amizade . Também é amor . Mas não se sustenta . Sou casado mas ao mesmo tempo parece que vivo só – sinto falta de carinho, de sexo . Quanto tempo vai ser assim ? Depende de mim .

Será que para ser homossexual terei que perder a convivência diária com pessoas que amo? SIM. Minha esposa vai continuar minha amiga? Por mais que ela seja uma pessoa especial, NÃO. Até que ponto devemos seguir nosso íntimo, nossa alma? Planejo fazer da melhor maneira possível, de maneira digna. E existe divórcio tranquilo? NÃO. Vale a pena perder tudo? O que irei ganhar com isso? Serei mais feliz?

São resposta que busco no meu íntimo . Estou seguindo os meus passos em direção à minha verdade.

Ao post da menina que se apaixonou pelo amigo gay aqui está um futuro não muito promissor pro relacionamento dela.

Abraços MVG.

Comentários do MVG:

Oi EA,
tudo bom?

Seu caso – e isso talvez te conforte – é bastante comum e já recebi dezenas deles nesse tempo de Blog MVG.

Existem muitos gays (que se entendem como tal) ou homens sexualmente confusos que assumem um relacionamento normativo e sofrem certas consequências por essa escolha.

Acho você bastante corajoso por ter assumido para sua esposa, embora tenha “voltado atrás”. Posso imaginar o conflito que você vive, não conseguindo encontrar reais intersecções entre o “mundo hétero” e o “sentimento gay”.

Vivemos determinadas regras do jogo e quando nos afastamos delas sofremos certas rejeições e ameaças e isso é um grande problema. As pessoas normalmente radicalizam quando atitudes infringem as “leis” de suas caixinhas porque determinadas verdades – a fundo – desestabilizam, mexem com a moral, com costumes, com a tradição e etc.

Assim como você que optou pelo caminho da heterossexualidade, mesmo sabendo que lá no fundo sempre foi gay, o que costumo aconselhar é que tenha muita paciência. Sei que as mentes poderiam ser mais libertárias, sei que as pessoas poderiam ser mais leves nas questões do afeto e amor, desprovido do sexo, mas nascemos inseridos em certos modelos e padrões que, quando resolvemos entrar e viver dentro, fica difícil de querer rever e transformar.

Excelente relato para mostrar aos leitores como nossas escolhas geram consequências.

Obrigado por colaborar com a sua referência que significa mais conhecimento para mim.

Um abraço,
MVG

Desaparecido




A família do bailarino Heyws Antony de Oliveira, 25 anos, de Jundiaí, SP, está desesperada atrás dele. Gay assumido, o rapaz desapareceu no dia 17 de julho e não há pistas de seu paradeiro. Esperamos que ele seja encontrado com vida e que as autoridades levem a sério seu desaparecimento. Pedimos aos nossos leitores para que compartilhem a notícia para ajudar nesta busca.

Inusitado- Estudante sai do armário para amigos e colegas durante aula de poesia




O estudante norte-americano James Boyle surpreendeu os colegas ao sair do armário de uma maneira inusitada: durante uma aula de poesia. James desabafou aos colegas sobre a orientação sexual e engatou um texto sobre amor.

Ao Gaily Grind, ele afirmou que a decisão ocorreu quando escrevia o poema para a aula e percebeu que teria que, mais uma vez, mudar todos os artigos para o feminino, com a finalidade de que ninguém desconfiasse.

"Embora eu nunca tivesse medo de falar em público, o pensamento de contar os meus sentimentos mais íntimos para uma sala cheia de pessoas sempre esteve vivo dentro de mim", admitiu.

James afirma que foi por meio da aula de poesia que aprendeu a amar profundamente, mas que nunca tinha contado que era gay. "(Quando escrevia para a aula), mudei cada pronome e ficou longe do fato de que a minha musa na época era na verdade um garoto que tinha partido o meu coração".

Após a revelação, a classe ficou ao seu lado e escutou o mais novo poema, participando do momento e se surpreendendo com a atitude de bravura do colega.

Na poesia, ele diz entre outras coisas: "Eu tenho muitas coisas obsessivas, mas em primeiro lugar é que o meu cabelo tem que estar perfeito. Até eu mexer com ela... (...) Depois, há a minha poesia, que eu lutei honestamente nu, e é por isso que mudei o pronome para 'ele'".

Confira a reação da classe:




PRECONCEITO!!

SÃO PAULO- Engula essa, Sukyia!
Casal gay acusa funcionário de restaurante de agressão homofóbica




O que era pra ser um simples jantar de dois namorados em um restaurante em uma rua conhecida pela alta frequência de LGBTs, acabou na delegacia com sangue e boletim de ocorrência. O ator Gabriel Cruz postou em sua página no Facebook, neste domingo, 3, o relato da agressão que seu namorado Jonathan Favari sofreu depois que os dois deram um selinho no restaurante Sukiya, na rua Augusta, em São Paulo. Na web, já está circulando um convite para uma manifestação (mais especificamente um beijaço, ato que casais do mesmo sexo se beijam em protesto contra a homofobia) em repúdio ao acontecido. O evento está marcado para a quinta-feira, 7, às 20h, e tem o nome de “Sukiya: engula sua homotransfobia! Prato principal: língua de boy”.

Gabriel conta: “Ontem à noite, depois de sair de um barzinho na Augusta (sim, na Augusta, um dos maiores points gays que eu conheço), eu e meu namorado fomos comer no Sukiya, um restaurante localizado no número 974. Pedimos nossa comida, sentamos e jantamos. Depois de terminarmos, meu namorado foi ao banheiro e me deu um selinho de ‘até logo’. Assim que me vi sozinho na mesa, dois homens me abordaram, um de cada lado, me acuando. Um garçom e outro rapaz que depois identifiquei como o segurança do local, reprimindo, recriminando, e me hostilizando sobre a atitude singela que acabara de cometer. Usando o tipo de argumentação mais vazia e nojenta (argumentação nada, usando desculpas das mais cruéis e covardes), esses sujeitos bradavam: ‘Não tenho nada contra, mas esse é um restaurante de família; temos que prezar pelo respeito nesse ambiente; tem uma criança na mesa ao lado; vocês têm que procurar um lugar adequado pra fazer isso, aqui não é balada’, e um absurdo ‘desculpa o inconveniente’”.

É curioso notar que sempre em nome da defesa da família que os homofóbicos armam seus discursos. Porém, o ator não se fez de rogado: “Quando meu namorado voltou do banheiro, contei do ocorrido. Fui até a mesa da família que supostamente estaria ofendidíssima com nosso gesto, e perguntei se aquilo os incomodava. O pai disse que de maneira nenhuma, que ele não se incomodou em nada. As crianças, supostas vítimas do imensurável indecoro, continuavam comendo suas refeições, indiferentes a quaisquer uns que viessem a se beijar no campo de visão deles. Meu namorado e eu nos beijamos de novo”.

Bastou o gesto para despertar a violência do funcionário: “Foi o suficiente para o garçom usar de desproporcional força física para tentar nos tirar dali. Com um tranco, me separei do meu namorado, e, em meio àquela confusão surreal que acabara de se instaurar, vi o garçom desferindo socos na cara do meu namorado. Socos. Meu namorado fez o possível para se defender, enquanto eu e o pai da família, que viera de sobressalto desde sua mesa no fim do salão, tentávamos apartar o brutamonte. Sangue pingava do nariz do meu namorado, sangue no rosto, nas mãos, nas roupas, no chão”.

Aqui entra um importante dado que cada vez mais se torna, ainda bem, habitual, nas agressões homofóbicas, a denúncia. Gabriel conta: “Liguei para a polícia imediatamente. Tão imediatamente quanto o garçom foi ocultado para o interior do estabelecimento. Tão imediatamente quanto o segurança nos puxou pra um canto e começou a nos ameaçar. ‘Você vai querer falar de preconceito aqui? Eu vou quebrar a sua cara’, ele me disse. ‘Quer que eu tire mais sangue de você?’, disse ao meu namorado.

Agora outro dado, o despreparo da polícia: “A viatura chegou e fomos para a delegacia, meu namorado como vítima, eu como testemunha e o garçom como agressor-tentando-se-passar-por-vítima. Já não bastasse a indignação e a raiva, nos deparamos com um aparato policial despreparado, machista e desrespeitoso, o que aumenta ainda mais a sensação de impotência. Já na delegacia, durante as cinco horas em que esperamos e esperamos, os policiais e escrivão tentavam insistentemente nos dissuadir da ideia de requerer um inquérito. ‘É mais fácil vocês chegarem a um acordo com o cara, tem dois flagrantes na frente e vocês só vão sair daqui amanhã à noite. Então é mais fácil vocês fazerem um acordo e voltarem pra curtir a noite, ainda dá tempo…’. Apesar do menosprezo com a dor alheia (não, seu policial, não é uma questão de hombridade ferida. É um dever cívico enquanto homem gay agredido levar essa história até as últimas consequências), insistimos. Só sairíamos de lá com um B.O. em mãos e um inquérito instaurado”.

E completou: “Com o B.O. e o corpo de delito em mãos, devemos voltar à delegacia para requerer a abertura de inquérito por lesão corporal leve. Mas, além disso, vamos procurar uma delegacia especializada para levar essa história adiante”.

É uma história exemplar na atitude tanto de Cruz como de Favari e que se repete (recentemente ocorreu algo semelhante no restaurante Capim Santo). Onde um selinho pode ser tão indecoroso? Não há respostas, mas a resposta para o discurso desta irracionalidade está no que o ator escreveu nesta segunfa-feira, 04, no Facebook. “Escolhi não virar estatística, escolhi não ser um número, mas uma voz contra essa luta. A homofobia não é um fantasma impalpável que paira pela sociedade. Ela tem nome, rosto e endereço. Ela tem corpo, tem punhos e tem cara. Ela acontece”.

Outro lado

Procurado, o assessor de imprensa da rede Sukiya, Lincoln Ohnuma, 64, disse por telefone que em nome da empresa lamentou o episódio e disse que “não faz parte da política da casa atitudes homofóbicas. Foi um total despreparo de nosso funcionário. Nosso posicionamento é claro contra qualquer preconceito aos homossexuais, temos inúmeros funcionários gays, e sabemos que o restaurante na Augusta tem uma grande frequência de homossexuais. O Sukiya está tomando providências a respeito do caso”. Ele também disse que, em nome da empresa, lamenta o ocorrido e pede desculpas ao cliente

Trilha Especial: Lara Fabian - "Deux ils, deux elles"



 

5 comentários:

  1. pra q insistir numa historia q não vai dar certo?

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  2. Como disse o autor da carta: os filhos !! A coisa mais linda que tem na vida. Medo de perder as pessoas queridas que construiu durante a vida. E´ claro que apartir de então, deve recomeçar uma vida nova,por hora, sem rumo, e cuidando da saúde (depressão).A depressão e´um dos males que paralisam o ser humano.

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  3. Boa tarde. No momento, me encontro envolvido em uma relação onde o cara em questão, também está casado com uma mulher, possui dois filhos mas, se assume homo. Ainda não teve coragem de assumir diante da esposa ser gay, por medo de ter que se afastar dos filhos (dois meninos), a quem muito ama. Por isso, cremos que num futuro breve, a vida se encarregará de colocar todas as coisas em seu devido lugar. Sei dos riscos que corro ao assumir uma relação como essa mas, o amo com tudo o que há em mim e acredito que, em breve, Deus, a vida, o destino ou quem quer que seja, se encarregará de permitir vivermos esse nosso imenso amor.
    Grande abraço a todos.
    Amigo do Rio de Janeiro.

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  4. Anonimo, acredito que tudo ira se resolver em seu devido tempo. Sera um novo inicio de vida, de verdade, sem falsidades consigo proprio. A verdadeia felicidade e´estar vivendo na verdade , sem conflitos internos e livre. E´muito gratificante ser o que realmetne o e´.

    Meus votos de feliciadade a voces e que tudo se resolva da melhor maneira possivel..

    abraços

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