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Sou gay e filho de Testemunhas de Jeová



Pessoal o relato de hoje foi enviado pelo Iury , ele tem 17 anos e pede ajuda de vocês de como lidar com a sua sexualidade e suas duvidas.

 titulo sugerido


Sou gay e filho de Testemunhas de Jeová

Segue o relato:


Olá pessoal, meu nome é Iury tenho 17 anos nasce e moro em Ilhéus , na Bahia , aqui  vou lhes contar um pouco da minha história ( que creio ser um tanto quanto calejada) para que vocês possam me conhecer um pouco e se possível me darem algumas dicas também, ainda que seja por me contar a experiência de vocês quando passaram por essa fase que estou passando. Bom, vamos ao que interessa.

Minha saída do armário contraria um pouco as que venho lendo aqui no blog e as que já me foram contadas. Enquanto a maioria dos jovens gays se acha errado e não quer em hipótese alguma sair do armário meu problema foi justamente ter saído dele muito abruptamente. Vou explicar melhor, eu me assumi gay na 8° série (9° ano), nessa época eu tinha 13 anos e isso não aconteceu com longas conversas em casa ou com amigos, um dia eu simplesmente adicionei uma comunidade no Orkut intitulada “Sou gay e tenho orgulho” , e na mesma semana uma garota me perguntou se não queria ficar com ela  eu respondi que não , quando fui perguntado o porquê  respondi com toda naturalidade do mundo que era pelo simples fato de não gostar de meninas.


Daí em diante é que minha vida virou de cabeça pra baixo com direito a várias chacoalhadas de vez em quando. Meus pais descobriram mina sexualidade pela mesma tia que futuramente viria a me ajudar com a confusão que minha vida ser tornou.

Eu sou filho de pais adeptos a religião Testemunhas de Jeová,  religião essa que condena a homossexualidade sem ressalvas,  por esse motivo eu passei por um interrogatório ( hoje vejo que não foi uma simples conversa amigável) a fim de ser dissuadido em relação a minha sexualidade . 


Já após ter me assumido pra mim e a todos, eu comecei a ver o gostar de uma pessoa do mesmo sexo como um coisa errada e quis sinceramente mudar isso em mim , na época eu orava muito a Deus pedindo pra conseguir reprimir meus desejos e tudo mais que se relacionasse a homossexualidade  – não funcionou. Fiz tudo isso na intenção de agradar meus pais, meu pai principalmente, que é fanático quanto a religião e que parecia ter perdido o amor pelo filho pelo fato dele ser gay ( nas nossas conversas ocorreu todo o drama que sempre ocorre ), nós dois brigávamos muito por causa da minha orientação, o  que me fez pensar em sair de casa e até mesmo em suicídio. 


Graças a minha tia, que na época fazia faculdade de psicologia, e ao relacionamento que sempre tive com ela - ela sempre me tratou como um filho, tanto mais nesse período- é que hoje estou com a cabeça um pouco mais no lugar. Não encontrei apoio na minha casa, entretanto na casa dela eu sempre fui acolhido, não foram poucas as noites que passávamos conversando quando eu brigava com meu pai ou ele me batia e ela, junto com o seu esposo  ,que é meu tio consanguíneo, vinham até minha casa pra literalmente me socorrer. É graças as conversas que tive com ela que com o tempo fui me adequando um pouco mais à complexidade do ser gay e ser homem . Logo quando me assumi , eu mantinha muita amizade com garotas e o único garoto que falava comigo regularmente, mas com algum receio ainda, era meu primo. Nesse período eu era mais afeminado, nutria trejeitos como se eles fossem minha identidade.


Nesse período eu nunca sofri bullying escancaradamente, apenas era rejeitado pelos meninos da minha escola. Mas consegui, com o tempo, melhorar isso e hoje já consigo ao menos manter um diálogo com a maioria deles.  Além disso , hoje, sinto que o processo contrário está acontecendo comigo – estou voltando pro armário social. Apesar de já não ver mais a necessidade de escancarar minha sexualidade ao mundo, eu me sinto assim por que sinto que aqueles que sabem da minha condição ignoram de uma forma negativa – não por respeito ou algo assim- além disso, não tenho um amigo gay se quer, um namorado ou nada que me afirme com homossexual, não que esses sejam um pré-requisitos para ser gay, mas é estranho. 

Todo gay que conheço ( de outros falarem ) vejo com amigos gays, namorado e sempre algo mais, já eu sou o contrário-  já tive experiências sexuais, mas nunca tive um paquerinha ou coisa assim, pra vocês compreenderam um pouco melhor , meu primeiro beijo com outro homem veio depois da minha primeira transa , a qual não foi nada agradável e prazerosa. Somado a esses existe o fato de eu não ser muito festeiro e não ser muito sociável, hoje não sei mais expor a mim mesmo como fazia antes – não sei se atribuo isso à desconfiança em relação ao que os outros podem pensar ou à maturidade ou até mesmo à imaturidade ( já que ainda sou muito novo).


Às vezes sinto que essas questões me atrapalham um pouco, estou num ano decisivo na minha vida – é esse ano que posso entrar numa universidade- e tem horas que não consigo nem sequer me concentrar pensando nessas questões, além disso, eu tenho um pouco de medo também de ficar com alguém na rua e as pessoas verem e começarem a me tratar de modo diferente , fora a possibilidade de poder ser violentado. 

Sinto falta, como já falei , de algo que me afirme para mim mesmo , tem dias que estou louco por sexo , mas não há com quem eu possa me satisfazer – sou um pouco preconceituoso e medroso quando a promiscuidade. Sinto falta de alguém pra rir de besteiras juntos, pra fazer palhaçada e falar de alguns assuntos sem ser julgado, por vezes fico fantasiando como seria se tivesse um namorado ou um amigo gay pra fazer essas coisas e nesses mesmos momentos tenho a sensação  de estar indo com muita cede ao pote.

Enfim, esse é meu drama, o que vocês me aconselham a fazer ?? eu sinceramente já não sei mais , cansei de esperar e de ouvir outros dizerem “ calma , sua vida só está começando “ – eu sei disso mas que comecinho mais chocho em? Tenho a impressão até de que não tenho controle sobre minha própria vida. 

Obrigado pela atenção.
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Postado por Estagiario | (13) Comente aqui!

13 comentários:

  1. Sou português portanto a minha opinião em certos aspetos pode estar desfasada da realidade brasileira.

    Sinceramente acho que você foi mesmo um pouco precoce e impulsivo. Pelo seu relato você não abriu o armário, você escancarou! Com 13 anos parece-me que você ainda era muito imaturo e por isso agiu sem pensar a sua condição familiar e social. Se o seu meio envolvente é tão preconceituoso, a forma como fez o coming-out foi totalmente errada. Da forma que aconteceu só serviu para criar hostilidade, brigas e "tentativas de reconversão". Nunca teria dado certo. Você devia ir preparando a família: ver opiniões, tentar desmistificar certas ideias erradas que podiam existir, etc.

    Depois, é certo que não existe idade para sair do armário, mas não acha 13 anos cedo para fazer esse processo? Possivelmente a sua idade atual seria a altura ideal para começar esse processo. Com calma e lentamente. Você é muito jovem (nem maior de idade é!) teria sido mais prudente ganhar mais autonomia dos pais e até independência (inclusive económica) para iniciar este processo. Assim você estava e está numa posição de dependência o que não ajuda. Por exemplo, a ida para universidade, possivelmente para longe de casa, implica morar fora, noutra cidade...ganha logo outro tipo de independência e margem para gerir esse processo de coming-out de outra maneira (conhecer pessoas gays, ter namorados sem precisar de entrar logo em choque com a família).

    Depois, parece-me que você também tem uma ideia um pouco distorcida da homossexualidade e da saída do armário. Sair do armário não é obrigatório (certo que tem vantagens!) mas há muito gay feliz que nunca (ou ainda não conseguiu) sair do armário. E repito você é muito novo (principalmente com 13 anos), para a vivência da sexualidade adequada à sua idade você não tem necessidade de expor sua intimidade tanto (com 13 anos não é suposto levar pra casa namorado/a pra casar! terá uns amigos - não precisa de os apresentar como os "amigos gays"!- e terá uns namoricos - nada de muito sério e que podem viver em segredo!). Do meu conhecimento a maioria dos gays (pelo menos em Portugal) sai do armário e percebe/aceita realmente sua homossexualidade já no início da idade adulta (muitas vezes durante seu percurso universitário). Você pode ser homossexual e não precisa de "gestos de externalização" de sua condição. Você pode viver sua sexualidade de forma feliz sem se expor tanto. Também acho que não é preciso referir que ser gay não é fácil socialmente e portanto há que saber viver com essas condicionantes. Não é por você se expor e afirmar-se socialmente homossexual que os outros o irão aceitar mais facilmente (não se queira impor pela força....não queira ser um "símbolo" gay da sua zona),

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  2. Continuação....

    Concluindo você pode ter contacto com "mundo gay" sem necessitar de se assumir publicamente para família e colegas no imediato. A sexualidade deve ser apenas e só mais uma característica de si, portanto não deve ser relevada em excesso, porque senão acontece você ser conhecido simplesmente "pelo rapaz que é gay". Você é mais do que isso. Veja que toda essa confusão na sua cabeça o leva a atos como vivencia dos seus primeiros contactos sexuais precipitados, algo precoces, nada prazerosos.

    Vá com calma. Com 17 anos, tem imenso tempo para conhecer pessoas gays, namorar, ter sexo. Sei que nesta idade é difícil controlar as hormonas, mas é preciso ser racional e algo "frio" na análise das situações. Se calhar muitos dos seus problemas surgem daí: não deixar as coisas correrem normalmente, no seu tempo; quis viver tudo no imediato e intensamente (tipicamente adolescente!).

    Mas concordo que deva procurar alguém com quem conversar para o ajudar a pensar as coisas, para desabafar.

    Procure por exemplo algum grupo de apoio ou grupo de jovens gays. Por exemplo aqui em Portugal existe um muito bom: rede ex aequo. Procure no Brasil coisas semelhantes.

    E fundamentalmente... dê tempo ao tempo. As coisas tem tempos certos para acontecer.
    E lembre-se mais do que o aceitar.... os outros tem que o respeitar (eu posso não concordar com as suas "escolhas" mas devo respeitá-las) - eu pelo menos acredito nesta ideia.

    Peço desculpa comentário longo!

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  3. Bem entendo sua realidade. Sei que pessoas da religião de sua família são difíceis. Mas acho que quando você chegar na universidade. Vão surgir pessoas para você conhecer e ver melhorar sua situação. Sei que o problema de você ter poucos relacionamentos de amizade tem muito haver com sua família. Calma o tempo ajuda em tudo e você vai ser feliz e conhecer pessoas legais. Torço para que seja em breve. um abraço.

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  4. Não está voltando pro armário. A impressão é que vc é ansioso demais, apressado, pensa demais. Pare de pensar! Seus amigos gays e paqueras devem aparecer na universidade.

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  5. Realmente, voce esta se precipitando no aspecto sentimental. Como voce mesmo diz e, e´, muito jovem, e esta apenas iniciando a essa fase. Se voce for , uma pessoa ``caseira`` e nao se da muita oportunidade ao meio social de conhece-lo e fazer amizades, e´claro que fica muito mais restrito a ficar sozinho. A saida do armario.tem seu tempcerto e nas condiçoes que lhe e´imposta. No seu caso, de uma familia evangelica fundamentalista. na qual o amor filial nao tem valor se voce for homossexual.( que para mim, cai por terra, todos os valores da religiao crista).. Nao fique aficcionado em encontrar alguem, viva sua vida com naturalidade, faça amzades e no tempo certo, surgirao pessoas na qual terao a atençao voltadas a voce.

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  6. Na cidade de São Paulo tem o Centro de Referência da Diversidade (CRD), nele há grupos de jovens entre outros, ótima oportunidade para falar e conhecer pessoas de verdade que possuam a mesma afinidade. E o melhor é que é tudo gratis pois pertence a prefeitura. Não sei se existe em outras cidades, mas o de são paulo é facil encontrar o end. na internet.
    Helioi

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  7. Meu caro esta é a fase mais dura da vida de não se encaixar, mas tudo tem sua hora, o q vc precisa é focar em outras areas tipo estudar, conhecer pessoas procurar não se isolar, se o sexo casual o incomoda não faça, as coisas tem um curso para acontecer e ocorrem naturalmente, não precisa querer tudo pra ontem, quanto ao armário, procure não ter q dar satisfação nesse aspecto, ainda mais q vc não tem o q expor, a hora q vc tiver confortável e c alguém q te respeite,isto é amar e sendo amado tudo flui natural, sem pessimismo e desanimo nada de se entregar e suicídio não é uma opção vc tem muito a viver e conquistar so procure não se isolar e mude o foco por hora é assim q tudo vira pra ti , boa sorte vc já é um vencedor ao saber q precisa mudar postura.

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  8. Aceite a Jesus,, e sua vida sera tranformada..
    Deus abomina uniao de homem com homem..

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  9. fico me perguntando o que uma pessoa de Jesus fica lendo blogs gays???
    Deus abomina gente como você que condena a todos. Para de ler blog gay e vai ler a bíblia criatura.

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  10. Bom Yuri, lendo seu post, me identifiquei bastante com a sua história. Mas vc tem uma vantagem: desde muito cedo, com 13 anos você já tinha certeza de sua identidade
    sexual. Sofrer, é inevitável, ainda mais quando se trata de pertencer a uma família religiosa ao extremo e conservadora. E se isso já está claro pra você, tudo fica menos complicado. Eu também prtenço a uma família cristã evangéleica e meu pai é muito fechado em qualquer quastão que diz respeito a sexualidade e eles podem até desconfiar de mim porém eu nunca declarei minha condição homossexual para eles, mas apesar disso, eu hoje estou muito bem comigo mesmo. Eu como você, até há uns 3 anos atrás, me sentia muito sozinho, porque não tinha ninguém pra conversar sobre o que eu sentia. Eu frequentava a igreja, mas mesmo conhecendo pessoas que viviam a mesma situação que eu, não podia contar com elas, até porque elas se negavam o que elas sentiam e se fechavam totalmente. Dái eu comecei procurar pessoas com quem eu me identificasse e foi no chat de bate papo, por incrivel que pareça, que conheci um cara que é meu amigo até hoje. Em 2012 arrumei um novo emprego e lá conheci um colega que também é gay e militante pelos direitos LBGT e Direitos Humanos e agente conversa muito, ri muito, falamos de militancia, sobre o mundo gay e com ele eu tenho aprendido muitas coisa relacionadas ao universo gay. Eu sendo gay tinha muitas perguntas, mas não conhecia ninguém esclarecido pra me orientar.´Procure alguém como você. Com certeza voce vai encontrar. Hoje em dia em todos os lugares tem alguem que é homossexual. Puxe conversa e procure se socialiazar, porque a solidão nos pressiona muito e uma hora nos leva a fazer loucura, como já aconteceu comigo. Amor, afeto ou um namorado voce vai encontar sim. Basta vc se abrir para as amizades e disso pode surgir um relacionamento legal. Não vale a pena voltar para o armário e se esconder num mundinho de sofrimentos e depressões. Se sua fam´lia te negar amor, acredite que sempre vai ter alguem pra te estender a mão e te dar aquilo que seus pais te negam. Bola pra ferente, seja voce, não procure ser o que vc não é, só pra impressionar os outros pq quem vai sofrer é vc enquanto os outros vão estar bem. Depois vou postar umas dicas de grupos que vc pode participar. Abraços!

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  11. Olá Iury, sou de Londrina, mas moro em Salvador, já alguns anos. Conheço muito a religião de seus pais, ainda frequento e tenho alguns privilégio nela, além de ter mãe e irmãos que também são.
    Sei que voce passa por uma situação nada fácil, alás bastante complicada. Seguir o lado religioso por causa dos pais ou seu desejo de viver feliz sua vida!!!
    Cara, vou lhe confessar algo, que ninguém sabe até o momento, sou um pouco mais velho que ti, e até hoje ninguém sabe que tenho o mesmo desejo que voce. Pra mim mesmo, já assumi que sou gay e que desejo viver o resto desse sistema com um cara, mas nunca contei para mais ninguém, vivo, como se diz, "dentro do armário", não sei se por comodidade ou devido a alguns problemas que enfrento e que não me permite assumir e viver minha vida da forma que desejo já algum tempo.
    Se for olhar pelos privilégios que tenho, não sou a pessoa correta para lhe falar. Mas como amigo, posso te dizer que, primeiro voce terá que ter muita paciencia com seus pais. Por mais errados que voce ache que eles sejam, lembre-se que eles ainda são seus pais. Depois, vá aos pouco, buscando seu espaço e mostre o que seu coração realmente deseja.
    Há muitos comentários acima do meu, muitas experiencias e talvez, muitas fantasias (desculpa se alguem se ofender), assim tome muito cuidado com a decisão a ser tomada, acima de tudo é sua vida hoje e no futuro. O que tanto eu, como qualquer um aqui possa te dizer, será algo que nós desejaríamos fazer, se fosse conosco.
    Nunca vamos estar em seu lugar ou desejar o mesmo que voce, teremos algo sempre em comum, mas caberá a voce tomar sua decisão.
    Assistir a um filme ontem, que me identifiquei e que acho irá te ajudar ou aumentar ainda mais seu problema (risos), não é o que desejo. Caso queria assistir, chama-se "LATTER DAYS", conta a história de um mormom que se torna gay. Achei muito bom e como já disse, me identifiquei com o mormom e o que ele fez.
    Mais uma vez, lembre-se, sua vida deve ser vivida por voce e não pelo que os outros acham ou dizem, sejam TJ, gays ou parentes.
    Espero que consiga o que deseja e que seja muito, muito feliz.
    Se quiser me escrever e se o blogger autorizar, meu email é keroalgo@hotmail.com.
    Beijos, digo abraço! kkkk

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  12. Iury, gostaria de conversar com vc, skype j.n.r.m@hotmail.com me identifico com sua história.

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