sexta-feira, setembro 12, 2014

HOMOSSEXUALIDADE

Eleições 2014 - NÃO ESTÁ SENDO FÁCIL




#votelgbt

Não vamos entrar em méritos de qual partido e sistema político-econômico é o melhor ou mais viável. Essa discussão é importante, mas não é o nosso objetivo aqui. Nós partimos de uma constatação simples: o Brasil anda uó para quem é LGBT.

É inquestionável que tivemos vários avanços nos últimos anos, tanto nas instituições (como a aprovação do casamento igualitário pelo Superior Tribunal Federal) quanto na cultura em geral (teve até selinho gay em novela da Globo!). Mas também é inquestionável que esses avanços estão sendo constantemente ameaçados por uma reação conservadora, LGBTfóbica, cada vez mais organizada, a nível nacional. E o Brasil ainda é um dos países que mais matam travestis, transexuais, bissexuais, gays e lésbicas no mundo!

A bancada evangélica do Congresso Nacional, que elegeu 36 integrantes em 2006, saltou para 73 parlamentares nas eleições de 2010. O resultado disso é conhecido: LGBTfóbicos tomaram a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, o projeto de “cura gay” quase foi votado, a presidenta foi pressionada a vetar o kit Escola sem Homofobia. E, neste ano, há um aumento de 47% de candidatos que utilizam o título de pastor no nome da urna.

Claro que evangélicxs não são nossxs inimigxs. Mas a bancada evangélica, especificamente, é formada por LGBTfóbicos que atuam visando o retrocesso das políticas públicas em favor da diversidade! O ódio é a principal bandeira desses políticos e de seus aliados. Quanto mais força essa gente tiver, mais perigoso o Brasil vai ser para xs LGBTs (e para xs negrxs, as mulheres, para todo mundo que não se encaixa no padrão que essas pessoas querem impor).

Se você acha que é impossível que o Brasil se torne um país oficialmente horroroso para xs LGBTs, está na hora de acordar, Alice! Veja o que está acontecendo em Uganda, na Nigéria, na Rússia. Nesses países, LGBTs viraram bode expiatório e estão sendo presxs, torturadxs e condenadxs à morte.

FAZER A EGÍPCIA NÃO RESOLVE NADA

Agora não é hora de se abster. As eleições vão acontecer, e o voto no Brasil é obrigatório. No dia 5 de outubro, a gente tem uma oportunidade real de mostrar força. Agora, mais do que nunca, a nossa força é necessária.

Nas passeatas e protestos, a gente sempre grita: “A nossa luta é todo dia, contra o machismo, o racismo e a homofobia!”. Depois das eleições, a nossa luta vai continuar sendo todo dia. LGBTs correm riscos diários de apanhar, de serem expulsxs de casa, de serem assassinadxs só por serem quem são. Nenhuma eleição vai resolver todos os nossos problemas.  Mas é inquestionável que nossa subrepresentação no Congresso afeta diretamente nossas possibilidades de obter avanços em termos de políticas públicas. Pra cada deputado intolerante, que pelo menos um/a de nós se levante. A gente precisa ocupar todos os espaços, inclusive o Congresso Nacional.

É importante lembrar que nem todx LGBT é pró-LGBT. E que tem muito hétero brigando muito de maneira séria por esse tema. Por isso, a gente tem que votar em quem defenda as LGBTs, independente de orientação sexual e identidade de gênero. Recomendamos também que você se informe sobre os partidos, as coligações e as relações institucionais – a leitura da Cartilha LGBT Eleições 2014, elaborada pelo site LGBT Brasil, é muito esclarecedora.

Nesta campanha, nos esforçamos por listar todxs xs candidatxs, independente de partido político, que se declaram explicitamente a favor de LGBTs (clique no seu estado ou no cargo para ver a lista correspondente). Se você conhecer algumx candidatx que não está listadx aqui, conta pra gente, no votelgbt@gmail.com.

 


"Machismo"




Por RICARDO CHAPOLA - o Estadão

Atenção: a crônica abaixo contém alta dose de ironia

Não é machismo, é preocupação, mulheres. Por que vocês vieram com essa de abrir as asinhas? Se eu tivesse a chance de poder ficar no conforto do lar, cuidando dos afazeres domésticos, ficaria. Mas como tive o importuno genético do pênis, coube a mim e a todos os homens, tal qual um dever natural, zelar pelo provimento da caça, pelas contas pagas, pela escola dos filhos.

Nós, sozinhos, daríamos conta do recado. Mas parece que vocês não acreditaram na gente. Rebelaram-se contra o sistema, achando que aquilo tudo fosse uma espécie de submissão. Não é bem assim, minhas queridas. É que ao dividir com vocês atribuições originalmente masculinas,  a balança do ecossistema se desequilibra: teremos o dobro em geração de renda, mas quem ficará por conta do jantar? Quem passará minhas camisas? E as crianças? Ficarão a Deus dará? É como se, de uma hora para outra, as mulheres resolvessem deixar as amarelinhas de lado para se aventurar ao futebol – tanto inapropriado quanto brutal a vocês.

A gente quer protegê-las de um mundo atroz, não tolhê-las. Queremos poupá-las da selvageria do mercado de trabalho, às vezes demais até para nós mesmos. Tentamos blindá-las ao máximo dos problemas de fora, porque já bastam os que vocês já têm: roupa suja, o supermercado, a casa por limpar, levar o menino para o judô, a menina ao ballet. Nos sentiríamos mal se tivessem que engolir, por exemplo, além disso tudo, mais os desaforos de um chefe chato, é verdade, mas que só se exaltou por agir pela prudência, pois pensa exatamente como todos nós.

O problema é que vocês são teimosas. Descobriram os serviços da faxina, da babá, se deram conta da existência do drive-thru da pizzaria 24h, e foram desbravando, pouco a pouco, um território hostil – e viril. Ganham mais do que muito homem por aí, tão capaz quanto vocês, mas que foi jogado na contramão da natureza. Hoje, é ele quem cozinha, passa os vestidos da mulher, toma conta dos filhos.

Nem ligamos para o fato dos salários maiores, minhas senhoras. Ligamos pela má gestão do dinheiro que vocês fazem, torrando grande parte dos ganhos em roupas, perfumes, ou outros adereços absolutamente dispensáveis. Vejam a gente: na nossa época, o dinheiro ia todo para as contas da casa, nota por nota, com exceção dos R$ 100 do bar de quinta à noite, direito inviolável a quem cumpre, a rigor, com todas as metas estabelecidas pela gente.

Depois é chegar em casa, tomar um bom banho, ficar cheiroso para uma boa transa com a patroa, sem a, nem b. Ou quando há, recorremos por fora: a secretária mesmo, quase todo dia, está louca por uns amassos.

As objeções da mulher ao sexo passaram de exceção a regra. Dizem chegar cansadas do trabalho, alegam dor de cabeça,  preferem passar a noite estudando para o mestrado, lendo, ou bebendo vinho com as amigas. Se forem esses os motivos a gente até vai entender, embora achemos que tudo isso já foi longe demais.

Vocês saíram de casa, ganharam o mercado, algumas são chefes ricas e bem sucedidas. Chegaram à Presidência. Ficaram mais gostosas. Agora ai de vocês se essa gostosura não for exclusividade de apenas um de nós.

Não é machismo.

Só queremos mulheres com boa reputação.
 
* O ministério da Crônica adverte: o texto acima continha alta dose de ironia. Ao persistirem os sintomas citados, um especialista deverá ser consultado. E rápido.

Canal Põe na Roda faz vídeo contra a homofobia.



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