terça-feira, setembro 23, 2014

HOMOSSEXUALIDADE

O casamento hétero não é revolução.


(A imagem acima é de um casamento gay no ano de 100 d.C.)


Por: Roberto Muniz

O casamento é aquele estabelecido pela Constituição Federal. Sim, a letra da lei é infalível, é um processo dinâmico tal como as demandas da contemporaneidade. A União civil entre pessoas do mesmo sexo já foi promovida pela ação judicante do STF, este sim protetor das constitucionalidades e que, pela sua formação heterogênea, torna-se um microcosmo representativo das disparidades de ideias. Portanto, falar em terminologias não resume todas as possibilidades da lei. A nossa Constituição é uma colcha de retalhos metafóricos, simbologias escolhidas para  representar o anseio de uma originalidade contingencial de uma Assembleia Constituinte, atribuição esta advinda do povo. Então, não há fonte mais genuína do que a vontade de uma contemporaneidade. A nossa Constituição permite a reforma, as emendas, como se fôssemos colando os pedaços de um Frankstein elaborado para uma pretensa perfeição. Perfeição esta que nunca será atingida porque é do homem ser humano – parafraseando Guimaraes Rosa. A persecução da lei é o escopo maior de ideias de alto valor, direitos fundamentais que nos harmonizam neste eterno estar de mudanças. Somos seres cambiantes. Demandas outras comporão nossas necessidades do futuro, futuro este que está sempre em mudança. Portanto o que é ser um homem e que é ser uma mulher? O que é família hoje em dia?




Estamos defronte de um novo homem, mas que sempre demandará dele HUMANIDADE. Não é possível ainda que estas questões sejam tão caras para uma outra minoria religiosa que, tal qual sistemas fascistas ou do gênero, reclamavam uma pureza de raças e de ideologias. Assusta-me a ideia de uma nova diáspora, ou pior, uma nova perseguição e extermínio (no sentido mais rasteiro ao mais catastrófico) em nome de terminologias completamente retrógadas. Estamos sob uma nova fragmentação das terminologias, dos rótulos. O mundo é um lugar para experiências e não para determinar o que não deve ser feito. Somos uma possibilidade de mudança e a mudança nos lança para um campo próximo do que quer se denomina felicidade. Não podemos mais tolerar e achar que a intolerância é apenas uma teimosia opiniosa. Não podemos aceitar um discurso normatizador das experiências humanas.

O que dizer das novas ideias que surgiram há tanto tempo, as revoluções que nos transformaram em seres mais preparados para conviver em comunidade? Partimos de um monoteísmo em direção a uma plêiade de possibilidades de viver uma religiosidade qualquer. Partimos de sistemas totalitários para aprendermos que nossa vocação é a democracia de governo e de pensamento. Lutamos pela igualdade de direitos. Acabamos com a escravidão. E de alguma forma todas essas mudanças subjugavam o homem pelo homem, para dar lugar as liberdades, a felicidade.

A agenda gay não é uma demanda específica, ela é um espelho desta contemporaneidade que se expressa pelo genuíno direito de exigir a igualdade, preceito igualmente aquilatado em nossa Constituição.




 Estamos sempre em mudança. Mas a mudança não é apenas um capricho ou prerrogativa de uma necessidade qualquer, ela requer componentes sócio-antropológicos e uma  ética inclusiva, que se harmonizam para promover princípios básicos de respeito, civilidade, urbanidade, ou seja, valores completamente observáveis nesse processo humanístico de nossa formação. Não podemos ficar parados, tratando problemas novos com fórmulas arcaicas.

O mistério das mudanças é o respeito de ao pensar no outro, ver-se a si próprio.

Casamento Gay: entendeu ou precisa desenhar?



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