sexta-feira, setembro 26, 2014

HOMOSSEXUALIDADE



Mulher teme fazer carícias anais no homem, mas muitos gostam.




UOL

Você, mulher, já parou para pensar em como reagiria se o seu parceiro sugerisse carícias na região anal dele? E se ele já pediu, você reagiu bem ou mal? Muitas mulheres se espantam com o pedido e associam o desejo à homossexualidade. Porém, de acordo com especialistas ouvidos por UOL Comportamento, essa é uma visão errada e preconceituosa sobre o tema, mas que pode ser mudada.
 
"De fato, há muitas mulheres que recusam o pedido do homem por achar que um pedido desse só pode partir de um gay. Mas é preciso se informar, isso é ignorância. Ela tem de procurar entender o que é isso, como funciona, para tirar essa ideia da cabeça antes de recusar e achar que o parceiro é homossexual, o que é completamente diferente", analisa a sexóloga Carla Cecarello.
 
Eliane Maio, psicóloga, sexóloga e professora-doutora da UEM (Universidade Estadual de Maringá) explica que uma conversa franca sobre o assunto é fundamental na hora de abrir a mente da mulher.

"Sempre digo que existem duas palavras 'mágicas': respeito e diálogo. Para que o casal possa abordar esse assunto, são necessárias conversas, para que sejam explicados os desejos e para que sejam respeitadas as opiniões. Para esse preconceito acabar, a mulher tem de se informar, pois o ânus é uma zona erógena, assim como outras do corpo", diz.
 
A região anal pode proporcionar muito prazer aos homens --o famoso ponto G masculino é a próstata, que é acessada pelo ânus. Mas para que ambos se sintam à vontade com a primeira experiência, a mulher pode massagear a região do períneo masculina (que fica entre o escroto e o ânus, do lado de fora) para, depois, pensar em introduzir o dedo.
 
"As coisas têm de acontecer devagar. A parceira pode fazer uma vez para ver como é. Se for algo muito complicado para ela, tem de conversar. Mas precisa tirar da cabeça os preconceitos. Ele não vai passar a ser homossexual por conta disso", explica ela.
 
A psicóloga clínica e especialista em sexologia Sônia Eustáquia tem visão semelhante, mas alerta para que os limites de cada um sejam respeitados, para que a prática não se torne um problema para o relacionamento.

"Muitas mulheres, mesmo depois de esclarecidas e sensibilizadas a aceitar a fazer essa carícia em seu parceiro, não se sentirão à vontade e vão continuar recusando. Nesses casos, é melhor respeitar, não insistir demais e aproveitar as outras coisas boas que o sexo proporciona", diz ela, que acredita que, quando há um consenso entre os dois, é válido buscar uma terapia sexual para ajudar no processo.
 
Quando ela não gosta de sexo anal

A mulher pode ter mais dificuldade de compreender o desejo do parceiro quando ela não gosta de sexo anal. Isso porque já existe uma predisposição contra a prática e uma trava em relação à região anal, por estar relacionada ao sentimentos de dor e desconforto que já experimentou ou imagina que exista.
 
"O receio pode, sim, ser maior nesses casos. O coito anal, para a maioria das mulheres, é traumatizante, porque é muito dolorido quando não se lubrifica adequadamente. O ânus passa a ser um representante de dor, desprazer e até mesmo de coisa proibida e profana. Ela sabe que pode não doer nele, que pode produzir prazer, mas não se sente à vontade", diz a psicóloga.
 
Se a decisão do casal for tentar, a região anal deve estar bem higienizada. Esse é o primeiro passo para que a experiência não desagrade a mulher nem seja constrangedora para o homem. E, na hora do ato, usar lubrificante à base água é fundamental para tornar a penetração mais fácil, agradável e sem dores.

"Bissexualidade e pansexualidade: qual é a diferença?"




Por Daniela F.

Nota de esclarecimento:
 
Existe MUITA confusão entre essas duas palavras, mais que tudo sobre a pansexualidade. Como essa confusão cria uma demanda de explicações, vou dizer aqui quais são as definições básicas e introduzir algumas das discussões que se dão a respeito. Não pretendo, porém, fazer uma descrição exaustiva de toda a guerra semântica por de trás disso, em outro momento pode ser, aqui a idéia é não complicar ainda mais a vida de quem quer começar a entender o assunto.
 
Em primeiro lugar é importante se localizar onde a pessoa está com relação ao conhecimento do significado das palavras. vou fazer uma divisão em 3:
 
1. Inclui pessoas que nunca ouviram falar em pansexual e as que ouviram e pensam que ser pansexual é sentir atração por coisas que não sejam pessoas, ou seja: animais, plantas, objetos etc… e bissexualidade por atração a ambos os gêneros: homem e mulher.
 
2. Pessoas que entendem pansexualidade como o que realmente é – atração por todos os gêneros ou atração independente de gênero – e bissexualidade como foi definida por décadas: atração aos dois gêneros do sistema binário: homem e mulher.
 
3. Pessoas que entendem pansexualidade da mesma forma mencionada em (2) e bissexualidade como atração a mais de um gênero ou o mesmo e outros gêneros.
 
Para as pessoas mencionadas em (1) vale esclarecer logo de entrada: pansexual não é quem faz sexo com árvore. Essa idéia foi amplamente divulgada depois de uma entrevista com o músico Serguei no programa do Jô, na qual ele diz ser pansexual e relata uma história na qual ele se se masturbou contra uma árvore, o que foi usado para o Jô fazer uma piada dizendo que ele transa com árvore e a coisa se espalhou. Muita gente não viu essa entrevista mas ela repercurtiu bastante e o tal “sexo com árvore” se tornou uma piadinha popular associada à pansexualidade.
 
Mas mesmo quem não chegou a ver ou ouvir falar de tal entrevista pode dar essa interpretação (e frequentemente incluem animais) se baseando na raiz grega “pan” que significa tudo. A conclusão destas pessoas é que pansexual é a atração sexual a TUDO (e não a TODOS os gêneros).
Só que não é assim, pansexualidade é uma orientação sexual como as outras: por seres humanos e nesse caso específico independente de gênero. Atração por animais e plantas tem seus próprios nome e são consideradas parafilias: zoofillia e dendrofilia, respectivamente.
 
O termo pansexual com o significado explicado acima foi criado e é largamento utilizado por pessoas descritas em (2) e é justamente por verem a bissexualidade como uma orientação exclusivamente binária que cunharam a palavra.
A idéia dessas pessoas é se identificarem usando uma palavra que não limite sua orientação a gêneros binários. Um bom exemplo de pessoa pansexual que explica assim sua orientação é a Melissa, que foi convidada para falar sobre o tema no Canal das Bee (o vídeo está muito bacana, vejam).
 
Como ela argumenta no vídeo, a palavra bissexual faz referência ao sistema binário, já que a palavra bissexual tem o prefixo “bi-” que vem do latim bis que significa duas vezes. A palavra pansexual resolve esse binarismo de gênero trocando bi por pan. Entre essas pessoas as opiniões se dividem entre simplesmente usar essa palavra por lhes definir melhor pela não binariedade e pessoas que consideram que a palavra bissexual não só é binária como reforça ativamente o binário de gênero.
 
Já as pessoas -como eu- definidas em (3) consideram a definição de bissexualidade criada pelo próprio movimento bi que diz que bissexualidade é a atração por pessoas de mais de um gênero ou bem pelo mesmo e outros gêneros.
 
Dentro deste enfoque, pansexualidade e bissexualidade seriam em pelo menos uma instância analítica, a mesma coisa dita de duas formas. E mesmo entre essas pessoas as opiniões se dividem entra as que acham ou não necessário existir, usar e se divulgar a palavra pansexual por diversos motivos e pessoas que não tem problema em visibilizar os dois termos mesmo que acredite que são sinônimos, defendendo que cada um se identifica com a palavra que considerar mais confortável.
 
Sei que já disse no começo mas me parece válido esclarecer de novo que esse pequeno texto não pretende ser exaustivo, as divisões em 3 acepções e 4 opiniões com relação ao uso são simplificações didaticamente úteis porém não completas, apesar de abarcar uma BOA parte da população não-monosexual e dos posicionamentos a respeito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário