sexta-feira, setembro 05, 2014

HOMOSSEXUALIDADE

Marina Silva esquece vontade de Eduardo Campos e que está em um partido socialista.




Por Allan Johan

Foto: Eduardo Campos ao lado do então coordenador do LGBT Socialista, Luciano Freitas, em maio deste ano, se comprometendo a lutar pela criminalização da homofobia, em campanha do Dia Internacional de Luta contra a Homofobia. Freitas abandonou a campanha de Marina este semana, depois das alterações do plano de ação já divulgado.

Há 12 anos sou filiado ao Partido Socialista Brasileiro, o PSB, no Paraná. Um partido que escolhi e onde me mantive por acreditar ser o mais próximo da minha linha de pensamento, que é uma política para o coletivo, com respeito à base, aos ideais socialistas, a uma política de cara limpa e ações corajosas. O PSB, porém, não é um partido perfeito, nenhum o é, tanto que sempre votei em candidatos à presidência apoiados pela coligação. Há a discussão interna de que não faz sentido ser um partido sem candidatos, então ao menos estava orgulho deste ano termos um candidato para chamar de nosso. Mas não votaria em Eduardo Campos pois já havia decidido justificar meu voto na eleição anterior, só que depois da tragédia que ocorreu e face às propostas de Marina Silva, vislumbrei uma mudança na política nacional que nós brasileiros tanto evocávamos, sobretudo depois das manifestações de junho do ano passado.

Me iludi. Marina rasgou seu plano de ação feito em conjunto com Campos depois que um pastor e seus colegas evangélicos fizeram coro contra as propostas pró gays do programa da candidata. Era o programa de Eduardo Campos, produzido por sua base, e talvez eu tivesse decidido votar nele se soubesse das propostas antes. Um trabalho de sensibilização de anos do nosso grupo interno LGBT que surpreendeu até os gays do partido tamanho comprometimento com uma sociedade igualitária. Marina e alguns de seus colegas são novos no PSB e fazem o jogo da velha política de conchavos e sequestram o espírito socialista. Não temos mais Guel Arraes e nem Eduardo Campos para nos guiar e Marina me parece cega.

Jamais um partido socialista aceitaria abaixar a cabeça para religiosos, ou mudaria a discussão de base desta forma. Decisões na forma de canetadas não condizem com uma democracia socialista. Tenho certeza de que a primeira exigência de Campos para aceitar Marina entre nós foi de que ela respeitasse nosso Manifesto Socialista e o Estado Laico. Ouvir Marina repetir que é uma mulher de fé e que consulta a Bíblia para decisões é um tanto quanto desmotivador. Nossa Bíblia é o Manifesto Socialista.

Nosso lema é “Socialismo e Liberdade” e não há liberdade e nem socialismo quando nos julgamos superior ao outro, seja por nossa fé, cargo, histórico, orientação sexual ou amigos. Marina não apenas “brincou” com a esperança dos LGBTs que iam votar nela, que estavam se preparando para fazer campanha para ela, ela humilhou a todos quando pegou a sua religião e defendeu, afirmou, que a homofobia não deve ser criminalizada pois “todos são iguais perante a lei”, repetindo o discurso religioso de que uma lei que criminalize a homofobia seria uma regalia aos LGBTs. Ou mesmo quando afirmou que a palavra “casamento” remete a sacramento, pondo seu ponto de vista “de fé” no lugar da demanda de quem tem um direito negado. Igualdade não aceita porém. Ou se é igual ou não se é.

O debate está sendo transformado em uma questão de religião e de confiança. Marina conclamou que era possível um governo de todos mas já deixou claro que opta pelo conveniente. Marina porém não segue as coligações estaduais e se nega a poiar candidatos que não a agradam. Será que ela manterá sua palavra quando perceber que o apoio deles será crucial em um segundo turno? A nova política nasceu velha. Perdão a todos os socialistas mortos na longa luta do nosso ideal pluralista, mas chegar ao poder deste modo contraria tudo o que eu acredito.


"O que explica a obsessão de Malafaia e da direita religiosa com os homossexuais?"





Por Kiko Nogueira

Silas Malafaia declarou seu voto em Marina num eventual segundo turno. Há dias, ele “denunciou” nas redes sociais a abordagem da questão LGBT no programa da candidata do PSB.
 
Causou rebuliço. Em menos de 24 horas, Marina mudou o texto, alegando “erro da coordenação”, para júbilo do pastor e de suas ovelhas. “Claro que apoio Marina. Depois que o ativismo gay retirou apoio a ela, vou de cabeça”, disse à Folha.
 
A motivação política de Malafaia está sempre ligada à sua obsessão pelos homossexuais (e, em segundo plano, pelo aborto). É uma briga antiga. Em 2012, apoiou Serra para a prefeitura em São Paulo porque não podia deixar que Haddad, “autor do kit gay”, fosse eleito.
 
De cada dez frases histéricas, onze falam em homossexualidade, doze são para atacar ativistas LGBT ou algo que o valha. É sua bandeira, sua razão de vida, seu evangelho.
 
Malafaia, porém, não está sozinho. Esta se tornou uma questão central para evangélicos fundamentalistas no mundo todo. (A própria Marina, assembleísta, fica visivelmente constrangida quando encara o assunto. No Jornal da Globo, depois de muita insistência, declarou que casamento é como está na Constituição, “apenas para pessoas de sexo diferente”.)
 
De acordo com o professor americano Austin Cline, da Universidade da Pensilvânia, “o ‘pecado’ da homossexualidade é importante porque a direita evangélica precisa de algum grupo para atacar como parte de seu esforço para restaurar sua dominação social, cultural e política”.
 
A desculpa é a defesa dos “valores da família”, como insistia o saudoso Marco Feliciano. “Não é mais socialmente aceitável atacar judeus, os antigos bodes expiatórios destes cristãos”, diz Cline. “Ateus e humanistas continuam alvos fáceis, mas eles não têm o mesmo impacto emocional dos gays (embora os três possam ser alvejados da mesma maneira que os judeus costumavam ser)”.
 
Um pastor episcopal chamado Tom Ehrich, escritor, baseado em Nova York, fez uma autocrítica. Afirma que a “agenda política ‘cristã’ tornou-se nada mais do que eleger candidatos que irão lidar corretamente com temas como o aborto e a homossexualidade”.
 
“Nós falamos que nos importamos com as Escrituras, mas os versos que pegamos da Bíblia sobre, digamos, homossexualidade são significam reverência pelas Escrituras. Prova: nós nos sentimos livres para ignorar o que o resto da Bíblia prega”.
 
Para ele, “denominações religiosas inteiras reduziram sua mensagem pública a regulamentações sobre sexo. É como se os quatro evangelhos não fossem suficientes. Seria necessário escrever um novo livro para Deus, em que o propósito da humanidade se reduzisse aos genitais e aos gêneros”.

*Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.


Noite e namoro: É mais difícil namorar quando se trabalha na noite?




Quem conhece o pessoal da noite, promoters, DJs, barmen, sabe que a reclamação é constante: Para quem trabalha em clubes, arrumar um namoro não é tarefa fácil. Então perguntamos para alguns leitores e amigos o que se passa na intimidade destes profissionais que sempre vemos mas pouco sabemos de suas vidas diurnas para entender a situação.

Alex Laperuta, 29 anos, sócio do Lucci Meeting Club, de Curitiba, é categórico em afirmar que o assédio é grande então o difícil não é encontrar alguém mas encontrar alguém que entenda o trabalho e ossos do ofício. “É mais difícil por causa do assédio, muita gente em volta, etc ...  uma vez que o namo não tem cabeça , sem chance... Cabeça para entender e conviver, do contrário, é "tranquilo", afirma ele que está namorando.

Para o DJ Fábio Voguel, 28, de Joinville, “é mais difícil ter um relacionamento sério e duradouro. O que atrapalha são os horários que geralmente não coincidem com os da pessoa, ajuda quando essa pessoa trabalha na noite ou tem tempo para te acompanhar nas madrugadas”, dá a dica o rapaz que também engatou um namoro este ano.

O promoter Leo Gross, 40, da Concorde, de Florianópolis, já acha mais complicado. Para ele, “99,9% dos pretendentes ficam com o pé atrás”, revela o paulistano, que está solteiro. Ao ser perguntado por quê, ele revela que há um preconceito com quem trabalha na noite. “Pré julgam quem trabalha na noite, como infiel, biscate, boêmio, que vive na noite, que gosta de ter vários peguetes. Em suma, acham que promoter é promotel”, desabafa. “São poucos os que aceitam a rotina de quem trabalha na noite e acabam não tolerando o assédio de clientes também”, conclui ele.

Parece que a vida de quem trabalha de noite não é fácil e o assédio é grande. Trabalhar na balada cansa e a rotina é diferente de quem trabalha de dia. O segredo, nos contou outro promoter, é não fazer propaganda dos namoros, por isso ele não quis participar da matéria.  E faz sentido. Apesar de geralmente quem trabalha na noite conhecer seus parceiros no local de trabalho, o certo seria não misturar local de trabalho e namoro, pelo menos durante o expediente. Ciúme, pedido de atenção e outras cenas comuns podem atrapalhar tanto o trabalho quanto o namoro. A lógica é clara: Se o namorado é advogado, você não vai ao escritório ou em uma audiência acompanhar o trabalho dele, então quem trabalha na noite não deve se dividir entre relação e o atendimento na balada.

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