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HOMOSSEXUALIDADE

Opinião - Casamento Gay: Só quem não entende é contra




O Ibope revelou uma pesquisa esta semana sobre temas polêmicos com grande rejeição à legalização da maconha, do aborto e 53% de rejeição ao casamento gay. Homens são os mais contrários ao casamento gay, 55%. Mulheres, 49% são contra. Mas os dados mostram que 51% entre os mais jovens, entre 16 e 24 anos, e 55% das pessoas com nível superior são a favor do casamento gay. Pena de morte ficou em quase empate, mas a maioria ainda é contra. A redução da maioridade penal e o programa Bolsa Família chegaram a mais de 75% de aprovação.
 
Mas o que a pesquisa revela: Nada.

Primeiro porque as pessoas não entendem o que é o casamento gay. Grande parte dos gays também rejeita a palavra casamento sem entender. Isso é mais claro entre os mais antigos, tanto hétero quanto os gays e pessoas desinformadas. A pesquisa atesta isso. Realize: Ninguém quer casar na igreja! É uma questão de direito civil e não de capricho.

Segundo, é preciso entender que o termo “casamento” difere de “matrimônio”, apesar de sinônimos, este sim mais ligado à religiosidade. O casamento civil (Certidão de Casamento) se difere principalmente por, na união civil (ou da união estável), o regime de bens ser parcial e no casamento ter a opção de ser universal, além de mudar de status civil de solteiro para casado, adotar sobrenome do outro, criar vínculo de famílias... Legalmente, a relação dos casados não pode ser questionada, ou seja 100% dos bens do parceiro vão diretamente para o cônjuge. A união estável é passível de comprovação e questionamento por parte do Estado ou da família do falecido. Para qualquer coisa, é preciso comprovar e pode ser questionado, andar com um papel pois não consta no RG. A união civil não substitui o casamento e não garante os mesmos direitos do casamento.

A lei diz que toda união civil deve ser facilitada para conversão em casamento e que ambas são consideradas famílias pelo Estado brasileiro. A decisão do STF é um entendimento, não é um direito fundamentado. Precisamos assegurar isso na forma da lei.

Mas parece que pessoas conservadoras querem confundir ao invés de explicar. Os mesmos que são contra o casamento alegam que homossexuais são isso ou aquilo, que possuem estilo de vida que ameaça a família ou o que é sagrado no “casamento” (matrimônio), ou que LGBTs querem tratamento especial. Mas se o casamento é negado como Direito, alegando que não podem reproduzir ou que está errado por algum outro motivo, como podem criticar o homossexual e seu estilo de vida? Se aos heterossexuais fosse negado o direito de casar, não tivessem filhos, seria um grande Carnaval na Terra... (Já acontece mesmo casando...).

Quem é contra o casamento gay é a favor da promiscuidade. Ou seja, não adianta chamar os gays de promíscuos se aqueles que querem casar (não são poucos) e ter uma vida aos moldes bem quistos pela sociedade (alguns seguindo até a hipocrisia dos casamentos heterossexuais) mas não tem esse direito. E esse é o argumento de alguns gays, de que esses moldes não funcionam para os héteros e que não deveríamos seguir. Mas enquanto não tivermos o direito, assim como homem e mulher, casa quem quer, estaremos aceitando ser tratados como seres inferiores, e este é o discurso por trás de ser contra o casamento gay. A lógica é cruel: gays são promíscuos e inferiores, por isso não devem casar... e se não casam, são promíscuos e inferiores


Breve filosofia do sexo oral




Por Alain de Botton

Por que isso é tão interessante e excitante? Poucos filósofos exploraram o assunto com o rigor necessário.

Tem a ver com solidão e aversão de si mesmo. Quando adentramos este mundo, se tivermos sorte, tudo sobre nós é aceitável e adorável, desde os dedos do pé até nossas têmporas. Deitamo-nos nus sobre a pele de nossos pais, eles podem ouvir nosso coração bater, podemos ver a alegria em seus olhos quando eles nos observam fazer nada mais elaborado que criar bolha de saliva ou chupar nossos dedos.

Então, gradualmente vem a queda. O seio é tirado. Crescemos com vergonha da nossa nudez. Áreas sempre em expansão do que nos cerca são proibidas de serem tocadas por outros. Não temos outra escolha a não ser manter, entre nós e os outros, uma distância mínima de 60 centímetros (ou melhor, 90 centímetros) todo o tempo, para deixar absolutamente claro que presença indesejável não tem intenção alguma de se intrometer no espaço pessoal de alguém. Nós crescemos resguardados. Nós chegamos à vida adulta, expulsos do paraíso, repulsivos a quase todo mundo com quem encontramos.

Mas, no fundo, nunca nos esquecemos das nossas necessidades inatas: ser aceitos como realmente somos, em todos os aspectos; ser amados apenas por existir.

Daí a importância do sexo oral. Soa nojento quando pensamos em fazê-lo com uma pessoa esporádica -- e este é o ponto. Nada é erótico se também não for, com a pessoa errada, revoltante. Mas com a pessoa certa, no exato momento em que o nojo poderia estar no auge, sentimos apenas aceitação, acolhimento e permissão. A natureza privilegiada do relacionamento é selada com um ato que, com outra pessoa, seria doentio.

É algo "rude" -- no melhor sentido. A vida normal continuamente exige que sejamos educados. Não podemos ganhar respeito ou afeição de alguém sem reprimir severamente tudo que é ostensivamente "ruim" dentro de nós: nossas secreções, nossa agressão, nossa leviandade, nossa fragilidade, nossa luxúria. Não podemos simultaneamente ser aceitos pela sociedade e revelar quem realmente somos. Daí o êxtase erótico (que é mais precisamente apenas um alívio emocional) quando o sexo oral permite nosso eu secreto, com todos os lados "maus" e sujos, ser visto e endossado de maneira efusiva por alguém de quem gostamos.

O laço de lealdade entre um casal fica mais forte conforme as coisas ficam mais explícitas. Quanto mais inaceitável nosso comportamento seria se apresentado ao mundo em geral, mais nos sentimos como que se estivéssemos construindo um refúgio de aceitação mútua.

O sexo nos libera por um tempo da torturante dicotomia entre o imundo e o puro. Literalmente nos purifica -- ao envolver os lados aparentemente mais sujos no seu jogo. De maneira ávida, podemos pressionar a boca (o aspecto mais público e respeitável de nossa face, a morada da linguagem e da articulação) nas partes mais contaminadas do outro -- o que simboliza uma aprovação psicológica completa, assim como um padre aceitaria um penitente culpado de muitas transgressões de volta ao seio da Igreja Católica com um suave beijo na cabeça.

O prazer do sexo oral é, desta forma, profundamente rico e significativo. Primeiramente, não diz respeito a uma sensação fisiológica agradável, mas a uma questão de aceitação. Diz respeito a um fim para a solidão.

Texto publicado originalmente no The Philosopher's Mail por Alain de Botton

 

Trilha Especial: Lily Allen - "Littlest Things"


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