terça-feira, setembro 16, 2014

MINHA VIDA GAY

Gay de 18 anos é encontrado morto em Goiás, polícia não descarta homofobia.




REVISTA LADO A

Na manhã de hoje (10/09), em Inhumas, Região Metropolitana de Goiânia, João Antônio Donati, de apenas 18 anos, foi encontrado morto com marcas no pescoço indicando sufocamento, pernas com hematomas e a boca cheia de papéis. A polícia suspeita de homofobia em razão da indicação de mals tratos à vítima antes de sua morte e os requintes de crueldade empregados no crime. Para a Lado A, o delegado local afirmou que ainda é cedo para afirmar o que aconteceu mas que está confiante de que o caso será solucionado. O rapaz trabalhava em um famoso bar local e era muito querido.

Segundo dados do GGB, um homossexual é morto a cada 36 horas no país. O congresso nacional rejeita aprovar uma lei que puna estes crimes de ódio que vitimam não apenas LGBTs mas até heterossexuais confundidos com homossexuais. A educação e respeito que deveria vir das escolas também não é ensinado por conta de políticos religiosos que barram iniciativas que abordem o respeito à diversidade da sexualidade humana nas escolas com o falso argumento de defender as crianças da exposição à homossexualidade, como se isso fosse influenciar em sua orientação sexual.
 
Até a data de hoje, apenas em 2014, foram registrados 206 assassinatos de homossexuais no Brasil pelo site Homofobia Mata, do Grupo Gay da Bahia (GGB). Casos de morte de travestis, gays, bissexuais e lésbicas de todas as classes sociais e pelos diferentes motivos atrelados a sua sexualidade, inclusive suicídios e envolvimento com a marginalidade por condição emposta por ser diferente, a chamada homofobia social.

Mas todo caso de um gay jovem e bonito (leia-se branco) sempre choca mais, outra prova de nossa sociedade altamente excludente e preconceituosa. Mais uma morte, mais uma tragédia em um país que uma vida tem pouco valor, menos ainda se você for gay, lésbica, bissexuais ou transgênero.


Suspeito de matar jovem gay em GO é preso e confessa crime, diz polícia.




G1

Segundo delegado, os dois tiveram relação sexual antes do homicídio. Rapaz foi identificado por ter deixado RG perto do local onde corpo estava.

Ação conjunta das Polícias Civil e Militar prendeu na tarde desta sexta-feira (12) um rapaz de 20 anos suspeito de matar o jovem João Antônio Donati, 18, em Inhumas, na Região Metropolitana de Goiânia. A vítima, que era homossexual, foi encontrada em um lote baldio da cidade com hematomas pelo corpo e com pedaços de papel dentro da boca. Segundo a polícia, o suspeito confessou o crime.

A polícia chegou até o suspeito depois de encontrar a identidade deles próxima de onde o corpo foi encontrado. De acordo com o delegado Humberto Teófilo, responsável pelo caso, o jovem foi detido em uma fazenda de Inhumas, onde trabalhava em uma plantação de tomates. Em depoimento, ele disse que manteve uma relação sexual com João no mesmo terreno onde ocorreu o crime.

"Após a relação, os dois acabaram se desentendendo e entrando em luta corporal. Ele matou o João asfixiado, pegou o papel que estava em um lixo e colocou na boca dele, segundo ele, porque estava 'muito nervoso'", contou o delegado ao G1.

O suspeito também disse a polícia que não é homossexual, mas que já se relacionou com outros homens. O rapaz também afirmou que não conhecia a vítima.




Carona

Donos do bar onde João trabalhava há cerca de duas semanas disseram ao G1 que pediram a um cliente que levasse a vítima para casa na madrugada em que o crime ocorreu, na quarta-feira (10). “Quando foi por volta da 1 hora, fechamos o bar e meu marido pediu que um cliente desse carona ao João. Essa foi a última vez que o vimos com vida”, lamentou a comerciante Graça de Maria.

Segundo os proprietários, o cliente do bar já prestou depoimento à Polícia Civil. "Ele disse que levou o João até a esquina da rua onde ele morava e que ele estava muito apressado, como se fosse encontrar alguém. No entanto, não o viu com ninguém", relatou Graça. A Polícia Civil descartou qualquer participação do cliente na morte.

Mesmo trabalhando no bar há pouco tempo, João era um velho conhecido dos proprietários. "Ele sempre vinha ao bar acompanhado da mãe e ficamos amigos. Meu marido é espanhol e o fato do João ter morado lá na Espanha por dois ou três anos nos aproximou ainda mais. Aí a gente precisava de ajuda no bar e o contratamos", explicou a dona do estabelecimento.

Crime

Laudo do Instituto Médico Legal (IML), concluído na quinta-feira (11) aponta que a vítima lutou com o agressor antes de morrer e que ele possuía diversas marcas de hematoma pelo corpo. O documento concluiu também que a vítima morreu asfixiada e que não havia nenhuma fratura no corpo.

“Ele tinha diversos hematomas pelo corpo, no olho, no nariz. E como não tinha nenhuma fratura, pode indicar que alguém ficou segurando o rapaz enquanto ele não conseguia respirar. Mas só as investigações podem esclarecer certinho como se deu toda essa dinâmica do crime”, disse o delegado ao G1, na quinta-feira. Ele afirmou que não foi pedido nenhum outro laudo em relação ao corpo da vítima.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais e causou revolta em internautas de várias partes do país, que já marcaram protestos em cidades como Inhumas, Belo Horizonte e São Paulo no próximo sábado (13).

Teófilo informou que a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República entrou em contato para pedir informações sobre o caso e cobrar atenção à investigação. Em nota, o órgão também manifestou “suas mais profundas condolências à família e aos amigos de João Antônio, apelando às autoridades do estado para que deem ao caso a devida atenção”.


 #JustiçaParaJoaoDonati




Por Jean Wyllys

Vocês podem imaginar que não é nada fácil para mim ter que lidar com isso. A imagem do rapazinho morto, jogado num terreno, não sai de minha cabeça. Não sai da minha cabeça a revolta por ver uma vida abortada dessa maneira tão torpe. Não sai de meu coração a tristeza de ver que toda a alegria que ele esbanja nessa foto que postei se foi pela mão de algozes cheios de ódio por nós LGBTs. Não deixo de me imaginar no lugar dele (sim, pode ser qualquer um de nós ou dos que amamos). Mas não podemos deixar que o medo se apodere de nós e nos empurre para o armário e para o silêncio. É isso que eles querem. Mas se depender de mim não vão ter!
 
#JustiçaParaJoãoDonati
 
Enquanto os principais candidatos à Presidência da República fazem jogo de "aproximação" e recuo em relação aos direitos de LGBTs, a partir de cálculo eleitoral e não de um sincero compromisso com o bem de todos cidadãos e cidadãs desse país, mais um homossexual é brutalmente assassinado pelo fato de ser homossexual (de pertencer a essa comunidade da qual eu também faço parte e tão alijada em sua dignidade e direitos).
 
Se, em homicídios semelhantes anteriores (e são muitos os homicídios motivados por homofobia), policiais e conhecidos difamadores da comunidade LGBT questionaram a motivação torpe e rechaçaram a evidente ligação entre os homicídios e os discursos de ódio pregados por fundamentalistas religiosos e fascistas, neste caso mais recente a motivação homofóbica é inconteste: o bilhete deixado na boca de João Antonio Donati - jovem de apenas 18 anos, encontrado morto em um terreno baldio em Inhumas, GO, com as duas pernas e o pescoço quebrados- deixou claro o recado: "vamos acabar com essa praga".
 
Lembro-me que há exatos quatro anos, em meio ao turbilhão da campanha que me elegeria deputado federal pelo Rio de Janeiro, recebi a notícia do assassinato de Alexandre Ivo, um menino de 14 anos espancado e torturado até a morte por ser homossexual - crime até hoje sem solução!
 
Quando vejo a história se repetir sem que haja, por parte dos poderes públicos (e agora por parte dos principais candidatos à Presidência da República), um aceno para apresentar um plano exequível pela cidadania LGBT que contenha o combate ao bullying; que ponha limite ao discurso fundamentalista religioso, à intolerância e ao preconceito; quando vejo isso acontecer, aquele sentimento de revolta e impotência que tive com o assassinato de Alexandre voltam a me assombrar.
 
Como já escrevi em outros casos, um brutal assassinato como este deveria ser uma notícia que comoveria a sociedade e chocaria a todos, independentemente de suas diferenças, como aconteceu no caso do menino Bernardo. Em outros países, essa notícia seria manchete de capa de todos os jornais. A Presidenta falaria em cadeia nacional. O país inteiro reclamaria justiça. Os poderes públicos reagiriam de imediato. Aqui, não.
 
Aqui, muitos farão de tudo para provar que não existe intolerância no caso em questão e que um recado como “vamos acabar com essa praga” não tem um vínculo direto com os discursos de ódio proferidos por canalhas que, em nome de uma fé que não têm, interpretam mal o texto sagrado para usá-la contra a população LGBT, pregando o ódio e convocando a violência. Quem não se lembra do caso do jovem Kaique, que foi encontrado no viaduto da 9 de julho, em São Paulo, com uma barra de ferro atravessada em sua perna? Esse caso transformou-se em um suicídio, mesmo as pistas todas indicando que foi um crime motivado por homofobia. Ou do caso do próprio Alexandre Ivo, que foi simplesmente apagado dos noticiários? Sem querer minimizar o caso do jovem Bernardo, mas porque o seu é mais merecedor de uma manchete de jornal do que os demais?
 
Eu já disse uma vez e vou repetir. Cada uma dessas vítimas tem um algoz material — o assassino, aquele que enfia a faca, que puxa o gatilho, que "desce o pau", como o pastor mala pediu numa de suas famosas declarações televisivas. Mas há outros algozes, que também têm sangue nas mãos. São aqueles que, no Congresso, no governo e nas igrejas fundamentalistas, promovem, festejam, incitam ou fecham os olhos, por conveniência, oportunismo, poder e dinheiro, cada vez que mais um LGBT é morto. El@s também são assassinos.
 
Até que ponto vamos ter que esperar para que alguém tenha a coragem de pôr um fim nisto?
 

RS- União homoafetiva
Gaúchas que driblaram lesbofobia e se casaram afirmam: Só queremos ser felizes!




A tarde de sábado (13) foi a prova de que provocações, ameaças e até incêndios não devem intimidar na luta pelos direitos LGBTs. Prova disso é que, contrariando os homofóbicos, Solange Ramires e Sabriny Benitez selaram, sim, a união homoafetiva em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul.

Desde que anunciaram formar o primeiro casal entre pessoas do mesmo sexo a participar de um casamento coletivo - ao lado de 28 casais heterossexuais - do Centro de Tradições Gaúchas (CTG), elas foram constantemente ameaçadas.

Na última quinta-feira (11) o barracão onde aconteceria a cerimônia foi incendiado por um ataque homofóbico (reveja matéria AQUI). Como não houve tempo de recuperar o espaço, a cerimônia ocorreu no fórum da cidade.

Apesar de serem apenas um dos casais a oficializarem a união, Solange e Sabriny foram bastante aplaudidas quando chegaram. Enquanto a primeira esteve com vestido de noiva clássico e Sabriny foi de smoking e sapato clássico.

No altar, uma bandeira do arco-íris, que simboliza a diversidade sexual e de gênero, foi estendida na mesa onde os noivos trocaram as alianças. "Queremos agora é ser feliz", declarou Sabriny sobre a união celebrada.

Para evitar novos ataques, foi montado um esquema de segurança pela Brigada Militar gaúcha e apenas os noivos e familiares tiveram acesso à rua Barão do Triunfo, onde fica a sede do judiciário. A juíza Carine Labres, que teve e iniciativa de incluir o casal formado por mulheres, também teve proteção 24 horas desde quinta-feira.

A Polícia Civil já identificou quatro suspeitos de terem ateado fogo no CTG.



Curta: Replay


O drama aborda a homossexualidade masculina, não como fato principal, mostrando ao público a superficialidade e volatilidade das relações atuais, algo quase que descartável, focando uma juventude limitada, onde suas palavras são sempre as mesmas e as abordagens uma mera repetição destas. Os mesmos diálogos são repetidos com a intenção de mostrar o vazio das relações. Lugares, situações e pessoas diferentes, mas no final, era tudo um "replay"?
 

Um comentário:

  1. Gay de 18 anos é encontrado morto em Goiás, polícia não descarta homofobia.

    Hedy Tenório disse tudo nesse video e mais um pouco concordo em 100% com tudo que ele disse!

    Video : https://www.youtube.com/watch?v=MUyA8zV0Uc8

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