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CONTOS DO LEITOR


INESQUECÍVEL





Sabe por que você fez o que fez? Porque você já havia visto tudo aquilo antes e sentido a mesma coisa; coisa essa que fez doer bem dentro do seu coração quando ele ainda era puro. Considerar o feito como um erro é uma bobagem, já que o prazer foi mútuo, ainda que casual, como muitos que tem aparecido na sua vida. Uma pessoa de personalidade forte não deixaria que o mundo a atropelasse; exceto se essa pessoa fosse ingênua e totalmente inexperiente para certas coisas da vida. Aí você vai e faz sem culpa, mantendo em sigilo o ato para manter a lembrança como algo inesquecível.

Entretanto, você conta para aqueles que, um dia, foram seu objeto de desejo; eles mesmos, que um dia, por algum motivo (que nem você pode conceber), você nutriu algum tipo de interesse. E ao contar a eles, você se sente mais autoconfiante, independente e até um tanto egoísta, como se quisesse, mesmo que de forma inconsciente, imitá-los. E o prazer não veio do céu; você precisou ir buscá-lo.

Estava longe e, para alcançá-lo, você precisou percorrer estradas imensas. E quem disse que você conseguiu reconhecê-lo logo de cara? Não; você relutou. Por quê? Por medo. De que? De confundir novamente atração e coração; que não são necessariamente opostos, mas, que tem se dividido muito nos últimos tempos.

O prazer apareceu quando já não se havia mais esperança sobre aquele que lhe desprezou (mais um na lista). Ele veio devagar, com todo carinho, o que fez com que você se assustasse por recear qualquer envolvimento mais profundo. E logo você se soltou e deixou que ele dominasse a situação.


Pego de surpresa, você foi ao fundo de toda e qualquer possibilidade de negação. Você tentou se esquivar; disse vários “nãos”, fingiu não sentir qualquer emoção, mas no primeiro beijo, você percebeu que poderia obter algo bem mais interessante do que mentiras. Aí, por orgulho, você se rendeu e abraçou, com todas as forças que lhe restavam, momentos de supremo e divino prazer.

Os corpos se pediam; os olhares eram de fome; havia fúria em ambos; ele queria sexo animal, mas mantinha dentro do peito uma intenção que você fez questão de desprezar por motivos óbvios. Você queria sexo para poder se livrar de qualquer sentimento que pudesse lhe enlouquecer novamente. Aliás, sabia que não tinha qualquer chance de ter quem queria; muito menos, qualquer chance de ter o mais querido; ambos estavam longe. Ambos tinham outrem; e você só tinha a si mesmo.

No quarto, vocês se entregaram de corpo e alma a sensações carnais nunca antes sentidas. Sabiam que tudo aquilo acabaria em poucas horas, por isso, não queriam perder tempo; não queriam se deixar esquecer um pelo outro. Entre beijos e carícias, vocês mantiveram um ritmo sexual intensíssimo, no qual a dor e o prazer já não se separavam. A força dos movimentos era grande; assustadora, mas os beijos, as carícias, as palavras mais quentes mantiveram em você a vontade de continuar ali. E quando acabou o primeiro round, ele estava cansado; você não. Tinha ainda mais gula, mas se comportou até poder experimentar tudo aquilo de novo; o que, diga-se de passagem, era colossal.

Você, querendo saciar uma fome incomensurável, pediu bis e teve. E logo voltaram a se movimentar na busca incessante do prazer mútuo. A cama balançava e as posições iam mudando a cada momento. Havia pura eletricidade ali; nunca havia sido tão forte.

Ao final do segundo e último round, você estava ótimo, satisfeito e pronto para outra com outro, possivelmente. Ele estava cansado, quase morto sobre a cama daquele motel. E mais uma vez você experimentou da casualidade; é o que lhe resta. O amor tentou aparecer, mas você o espantou, já sabendo os sofrimentos que ele causa. As propostas foram tentadoras, mas você ainda estava com os mesmos pensamentos de 3 horas antes. E dali vocês saíram felizes e voltaram ao hotel onde você dividia quarto com um amigo.


Quando a porta se fechou, após a despedida, você sentiu que não o veria mais, mas sabia que ele ficaria na sua mente pra sempre.



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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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