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HOMOSSEXUALIDADE

Cartunista Laerte fala de sexualidade e comenta transição de Bruce Jenner.




Por Thaís Sant´Anna

"Sou transgênero. Não conheço Bruce Jenner, mas, pelo que soube, vive algo semelhante", diz ele, que também assumiu a identidade feminina.
 
Recentemente Bruce Jenner - padrasto de Kim Kardashian - decidiu falar publicamente sobre sua transição de gênero em entrevista a uma TV americana. O ex-atleta revelou que desde criança sentia ter uma "alma feminina" e afirmou que seria a última entrevista como Bruce antes de assumir completamente como mulher.
 
No Brasil, o cartunista Laerte - conhecido por personagens como os Piratas do Tietê, Hugo, Gato e Gata, entre outros - passou por processo semelhante. Em entrevista ao EGO, Laerte falou um pouco sobre a sua própria transição de gênero e fez questão de esclarecer que não é um 'crossdresser' - homens que sentem prazer ao se vestir total ou parcialmente como mulheres - e de se definir como transgênero. Confira:
 
Crossdresser X transgênero

"Não sou crossdresser. Quando comecei meu movimento pessoal, juntei-me a um grupo de pessoas que adotavam essa identidade, mas minha experiência me levou a entendê-la como uma forma específica de transgeneridade, assim como a travestilidade, a transsexualidade e as inúmeras formas de expressão e comportamento não-binário. Sou uma pessoa transgênero."
 
Como aconteceu a descoberta

"Fiz essa descoberta pelos olhos da minha hoje amiga Paula Malfittani, que percebeu, numa tira onde meu personagem Hugo se travestia, uma desenvoltura que traía o desejo de quem a tinha feito. A partir daí, reconheci a natureza transgênero em mim e a aceitei. Depois de alguns anos, era um processo tão intenso que não vi mais motivo para mantê-lo como uma atividade extraordinária (e secreta) - e resolvi viver publicamente como pessoa transgênero."
 
Bruce Jenner e preconceito

"Não conheço Bruce Jenner, mas - pelo que soube - vive algo semelhante. Para pessoas como ele (ou ela, não sei como ele prefere) e - em certa medida - eu mesma, não chega a ser um risco muito grande, uma vez que já existe um reconhecimento em relação a capacidade de trabalho, a talento, a reputação etc. Mesmo assim o estranhamento não é pouco. Para a maior parte das pessoas é algo que pode liquidar a vida afetiva, familiar, social e profissional. Para a maior parte das crianças e jovens trans, significa a violência, a exclusão, a marginalização, o fechamento de portas e o desprezo geral.
Eu tive o apoio da minha família, meus amigos, minhas relações de afeto e consegui manter meu patamar de presença profissional no meio em que trabalho. Para isso contei com a sorte de ser cercada de pessoas inteligentes e abertas."
 
Orientação e redesignação sexual

"O modo como defino minha orientação sexual também mudou. Quero dizer - se me entendo como mulher, o fato de ter desejo por homens faz de mim uma pessoa heterossexual? O fato de não ter modificado minha genitália faz desse um desejo homossexual? Ou estamos precisando (como me parece) de uma nomenclatura menos moralista, que aprecie o que se passa nos sentimentos das pessoas em vez de nas relações sexuais em que se envolvem? Dito tudo isso, digo que meu desejo, durante a vida, se dirigiu tanto para homens como para mulheres. E não pretendo fazer cirurgia de redesignação sexual, embora considere um implante de seios. Ainda estou pensando."

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