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PAPO ABERTO


Nosso entrevistado de hoje é o escritor  Fabrício Viana. Formado em psicologia e autor de várias obras sobre a diversidade sexual, entre eles "O Armário" (sobre a homossexualidade e os processos psíquicos que envolvem a entrada e saída do armário), "Ursos Perversos" (contos homoeróticos pesados) e o recém premiado "Orgias Literárias da Tribo" (coletânea LGBT de contos, poesias, crônicas e textos não eróticos que representam o universo LGBT).



Fabrício Viana


Atualmente está lançando seu mais novo livro, o “Theus”. E é sobre esse livro que vamos conversar a seguir:





Mac: Depois do tremendo sucesso que foi "O Armário", o público esperou durante um certo tempo por algo emblemático no mesmo estilo. Aí você lança "Theus", que te garanto tão ou mais emblemático que o até então insuperável O Armário. De onde vem essa inspiração. Algum caso real?

FV: Sim, quando pesquisei para escrever O Armário em 2006 deparei-me com vários grupos religiosos e pessoas que pregavam a “cura espiritual da homossexualidade”, um destes grupos aqui no Brasil era o MOSES – Movimento pela Sexualidade Sadia. Felizmente hoje, após 15 anos de existência, fechou. Mas na época eu encontrei depoimentos de pessoas que se submeteram as palestras de exgays, workshops e tudo o que podemos imaginar para a “conversão sexual”. Eram depoimentos tristes e, na minha visão dentro da psicologia, desumano. Quando imaginei escrever o livro Theus, mesmo sendo uma obra de ficção, queria narrar alguma história deste tipo. O mais interessante é que hoje, embora tenhamos sites, blogs e estudos sobre a homossexualidade de forma mais fácil, grupos como estes ainda existem e são muitos. Não só no Brasil mas também no exterior. A maioria deles, depois de algum tempo, acabam sendo desmascarado como o famoso Exodus. O problema é que até isso acontecer, muita gente acaba se perdendo com eles e tendo uma vida bastante conturbada: afinal, como explico no livro O Armário, os desejos homossexuais não somem assim do nada, quanto mais reprimido, mais forte ele fica.


Mac: Os problemas de um jovem que descobre a sexualidade em meio a uma comunidade pequena, com ideias conservadoras e homofóbicas, já são assuntos que identificam muitos, agora essa pitada religiosa foi o sal da terra. Gostaria que falasse um pouco sobre isso.


FV: A religião sempre foi um problema absurdo para muitos homossexuais. Embora seja possível hoje um homossexual ser aceito plenamente em algumas delas, especialmente nas igrejas inclusivas (cito várias delas no livro Theus), ela ainda é um retrocesso não só na questão homossexual mas na própria sexualidade humana. Theus foi escrito para mexer com este conteúdo psicológico: conflitos entre a religião e a homossexualidade. Mostrar possíveis saídas. Ainda que seja uma obra de ficção.


Mac: Cura Gay e charlatanismo estão intimamente ligadas. Seu livro desmarcara de vez esse "pretensos profetas da verdade". Alguma pesquisa para retratar com tanta propriedade o que está pro trás da cortina desses "Sepulcros caiados"

FV: Sim, tudo foi fruto das minhas pesquisas. Hoje, com a facilidade da Internet, eu esbarro em livros, sites e blogs onde muita coisa parece ser “pró-homossexualidade” mas que, se você observar com cautela, condenam ferozmente a homossexualidade. Um dos meus leitores disse na minha fanpage que sua mãe lhe deu o livro “Saindo do Armário” e que, ao ler, eram depoimentos de ex-gays tentando convencê-lo a deixar o "homossexualismo" de lado. Nós, de fato, não temos noção da quantidade de material que surge querendo promover a "cura religiosa da homossexualidade". Theus entra nesta questão, justamente para levar o "fogo" (conhecimento) aos meus leitores.


Mac: Junior ter se mantido puro, apesar de ter sofrido tantas amarguras e "safadezas" mostra um lado belo do ser humano, que não necessariamente tem que se render às tormentas. Seu lado de psicólogo se manifestou nessa construção do personagem?

FV: Sim. Totalmente. Apesar de ter escrito e publicado até agora quatro livros (muito não?), não me considero uma pessoa literária: não cursei letras, não tenho paciência para a alta literatura e assuntos relacionados. Mas meus textos tem sempre um conteúdo psicológico muito forte e que pode até mesmo incomodar leitores desavisados. A maioria, felizmente, gostam do que eu escrevo por serem textos incomuns: recebi elogios recentes, por exemplo, do meu livro “Ursos Perversos”. Mesmo sendo uma obra de contos eróticos gays pesados, no meio das estórias eu indico livros reais e remeto o leitor à muitas reflexões. É incrível, mas este é o meu estilo. Claro que por conta da minha formação em psicologia ligadas ao meu prazer, que é escrever.


Mac: Por falar nisso, uma passagem muito forte do seu livro é o diálogo entre Junior e Leandro sobre relações entre casais, culminando em relações abertas. Fiquei curioso sobre a pesquisa desenvolvida sobre o tema. Quando teremos esse resultado?

FV: Essa pesquisa eu venho realizando há anos nas horas vagas. De fato, eu não sei quando irei terminar. Mas pretendo em até três anos. Os diálogos dentro do Theus sobre relacionamento aberto é muito rico, instigando o leitor a querer conhecer mais deste universo. Eu só não escrevi mais sobre ele no Theus para não sair da história. Mas gostei de colocar lá pois mesmo não tendo muitos adeptos (e, de fato é algo que não serve para muitos), acho que leva meus leitores a "pensarem fora da caixa", ampliando a percepção romântica e restrita que temos sobre nossas relações afetivas e sexuais. Como eu disse, todo este lado psicológico e comportamental são características dos meus textos. Esse é mesmo meu maior diferencial.


Mac: Durante todo seu livro, aparecem sequências de números aparentemente sem sentido, mas que ao final, surpreende a todos como muito revelador (não vou contar, leiam e tenham uma surpresa!). Essa idéia foi genial, além de original, ao mesmo tempo deve ter lhe dado muito trabalho para escrever as sequências. De onde tirou tal idéia, e qual a repercussão - se é que já teve feedback - nos leitores?


FV: Eu conheci um rapaz, há anos, que morava no centro, tomava antidepressivos e passava o dia rabiscando cálculos matemáticos em cadernos. Foi um lance rápido que tivemos. Não lembro seu nome e nem seu rosto. Sou péssimo de memória. Mas eu uni essas características peculiares a uma brincadeira que eu mesmo fazia quanto mais novo. Desta mistura nasceram os números “aparentemente sem sentido”. E eu espero que muitos leitores se emocionem quando descobrirem, nas últimas páginas do Theus, tudo o que isso representa. Como eu disse, estes números estão espalhados por todo o livro. É mesmo  uma ideia original. Até hoje não vi nada parecido em livro algum e que, se o leitor tiver paciência, poderá ter acesso a um conteúdo adicional. Repercussão? Acredito que terá muita. Mas precisamos aguardar. De todos os meus livros, Theus promete ser o de maior sucesso.


Mac: Por fim, uma pergunta pessoal que eu gostaria de fazer, mas garanto que centenas de seus leitores também desejam: já tem projeto de um novo livro, ou é muito cedo para pensar nesse assunto?

FV: Não. Theus me desgastou muito. Me sinto, neste momento, triturado. Parece que fui espremido. Não é uma sensação boa. Mexeu com muitos conteúdos. E nem todos são meus, mas no ato de escrever, por ter cursado teatro stanislavskiano por alguns anos, eu senti tudo intensamente para ser o mais autêntico possível. Por exemplo, a questão do abuso sexual sofrido pela personagem Maiara. Eu nunca sofri abuso em minha vida, falaria abertamente se tivesse, mas eu escrevi com tanta emoção que fiquei muito indignado com o pai dela. Mais ainda por ele ser pastor. Porém, tudo ainda é muito recente e nunca devemos dizer nunca quando se trata de escrever um novo livro. Afinal, tem muita coisa no Theus que vai surpreender o leitor, como os números matemáticos produzidos pelo personagem Gabriel e que estão espalhados por todo o livro: capa, capítulos e contracapa. Me da até vontade de chorar quando eu lembro do que eu escrevi. Afinal, também sou humano. Por isso espero que Theus agrade muitas pessoas, e os façam querer conhecer meus outros trabalhos literários.


Saiba mais sobre o Fabrício Viana clicando no vídeo abaixo:


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Serviço


Tarde de autógrafos do livro Theus: do fogo à busca de si mesmo.
Autor: Fabrício Viana

Data: 04 de Junho de 2015 (Feriado) 

Horário: das 15h às 16hs

Local: 19ª Feira Cultural LGBT no Vale do Anhangabaú (tenda de Literatura)




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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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