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CONFISSÕES DO DIVÃ







Os textos apresentados nesta seção buscam ilustrar situações, angustias, problemas e experiências vivenciadas por homens gays. Não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios que tem por finalidade apresentar possibilidades de enfrentamento para as questões representadas.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

Não consigo me afastar do meu “ex”, eu quero voltar!

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com





 
Eu escrevo na esperança de que consiga me ajudar. Estive em um relacionamento de 3 anos e 4 meses e que acabou há uma semana. Há algum tempo atrás tudo andava bem – nossos amigos diziam que éramos um casal perfeito, um exemplo – e, sinceramente, acho que nós éramos... Estávamos sempre juntos, o amor que tínhamos transparecia o tempo todo... No entanto, fui operado e tive que ficar em casa de repouso durante 1 mês e meio. Sou uma pessoa bem ativa e fiquei muito frustrado com essa situação. Meu namorado também não ficou nada feliz em ter que passar por isso comigo.  Depois de tudo voltar ao normal ele pediu-me um tempo. Dizia que eu não era mais o mesmo, que estava muito diferente e que o havia magoado muito. Passaram 2 dias e ele quis terminar esse tempo. Conversamos e nos 2 meses seguintes tudo andou relativamente bem, porém, de lá para cá as coisas foram mudando até que ele terminou tudo. Eu o amo mais que tudo, consigo jurar de pés juntos que ele é o homem da minha vida, não paro de pensar nele. Mantemos o contacto, mas não sei até que ponto poderá ser prejudicial porque eu quero falar com ele ao mesmo tempo em que preciso dar-lhe espaço, mas não consigo me afastar e volto a bater na mesma tecla e insistir no retorno do nosso namoro.
Silas, 25 anos

           
Em primeiro lugar, parece-me importante desmistificar algumas crenças. Fica claro que você sentiu-se muito feliz e satisfeito na sua relação até pouco tempo atrás, mas isso não deve ser confundido com qualquer idealização de relacionamento perfeito/único/insubstituível. Conheço muitos casais que são vistos como exemplo ou como modelos de perfeição, precisamente porque irradiam harmonia e bem-estar, sem que isso corresponda a grandes níveis de satisfação dos dois envolvidos. Entende? Parecem super perfeitos e felizes, mas na verdade não são (seja para um ou para ambos). Não me interprete mal, não duvido de que você tenha sido feliz ao lado do seu namorado. Apenas assinalo a importância de considerar as questões que dizem respeito as necessidades específicas da pessoa que esteve ao seu lado.


O aparecimento de uma doença ou uma simples condição que precise de intervenção médica são acidentes de percurso que podem sim abalar a estabilidade de um casal. Pode acontecer, como você se referiu, de sentir-se muito abatido e frustrado com o fato de estar limitado e, por isso, descarregar na pessoa que esta ao seu lado. Porém, espera-se que o companheiro deva empatizar com a sua fragilidade sem que isso implicasse, no entanto, em uma anulação das próprias necessidades ou a acumulação de tensão.
  
É possível que o seu namorado não tenha sido capaz de exteriorizar no tempo certo aquilo que sentiu e isso implica que possa ter acumulado mágoas, distorcendo a percepção que construíra de você, dele mesmo e da relação de vocês. Mas para que qualquer pessoa se sinta segura ao lado da pessoa que ama, ela precisa confiar na capacidade dessa pessoa de lhe amparar, de lhe ajudar, de secar as suas lágrimas e, pelo que percebo, essa confiança foi quebrada.

Algo está fora do eixo, ele se sentiu magoado pelas mudanças que a condição debilitada lhe impôs, não acho que seja positivo pressioná-lo agora. Ao fazê-lo, você pode estar reforçando aquilo que o afastou de você, fazendo com que ele sinta-se profundamente desrespeitada.

Procure ouvi-lo acerca das suas necessidades e tente respeitar a sua vontade. Compreendo que se sinta muito angustiado e acho que faz muito bem em mostrar o seu amor, mas é crucial que os seus impulsos não o levem a fazer precisamente aquilo que mais o prejudicará - desrespeitar a vontade da pessoa que tanto estima.

O tempo não cura tudo e poderá até contribuir para que o seu namorado escolha afastar-se definitivamente de você, mas se você quer mesmo criar condições para restabelecer a relação, você precisa começar pelo fundamental que é demonstrar que os seus sentimentos são suficientemente sólidos e sinceros a ponto de permitir o afastamento de que o seu namorado hoje precisa.




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Postado por Mac Del Rey | (2) Comente aqui!

2 comentários:

  1. Velho, desencana. Aproveita esse tempo para pensar em você, conhecer novas pessoas... O que for para ser será.

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  2. Porra, que situação cruel.
    Anos atrás eu já levei um pé na bunda. Foi cruel, mas dei a volta por cima.
    Acho já houve tempo de você digerir esta situação e começar a pensar mais em ti, ou seja, delete tudo que lembre ele, evite contatos, e futricar redes sociais dele.
    Desencana senão tu vai ficar na deprê.
    Se permita, saia e de oportunidades para conhecer novas pessoas.
    Abraços e boa sorte!

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