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CONFISSÕES DO DIVÃ







Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.


O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.


Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

Acho que estou com problemas de ansiedade

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com







Acho que sofro de ansiedade, você pode me ajudar? É o seguinte: fiz uma cirurgia de extração de um siso incluso há mais de cinco anos atrás. Porém, a cirurgia não correu bem e o dentista não conseguiu extrair o dente. Ele me disse que não poderia mais me ajudar e, mais tarde, se houvesse algum problema eu deveria procurar por outro especialista. Antes disso eu nunca havia tido problemas de ansiedade. Naquele mesmo dia quando saí do consultório, tive uma angústia e ansiedade tão grandes que não consigo descrever, por preocupação do que poderia acontecer ao tal dente do siso não extraído. Passei noites com insônia, dias inteiros angustiado, suava muito, quase que entrava em pânico. Tentei sair mais com meus amigos, para tentar esquece e me sentir melhor, mas até receber a resposta deles, me sentia muito pior, com uma ansiedade indescritível, com medo de eles não poderem. Eu estava sempre com a cabeça a mil e com uma ansiedade insuportável. Até quando eu chegava em casa e não havia ninguém eu me desesperava. Eu que sempre gostei de ficar sozinho. O tempo passou e eu fiquei bem novamente. Mas durante esses anos tive mais dois episódios semelhantes. O 2.º episódio aconteceu quando conheci meu atual namorado, fiquei com medo de ter complicações com o dente e ele se afastar de mim por conta disso. O 3.º episódio, muito intenso também, ocorreu no fim de 2014, quando fui fazer o exame do vestibular. Mesmo com meu namorado e amigos me apoiando, me desesperei e quase abandonei a prova. Outra vez os mesmos sintomas de angústia. Será que esses pensamentos assim tão recorrentes são um sinal de algum transtorno sério? Ou trata-se de ansiedade extrema?
Carlos, 21 anos

           
As diferentes situações que você descreveu Carlos são condizentes com níveis muito elevados de ansiedade. Estas crises de ansiedade são muito mais freqüentes do que possa imaginar e são ainda mais na população masculina.

Estão normalmente associadas à dificuldade em vivenciar e gerir emoções negativas como a tristeza e traduzem-se no medo exacerbado de não conseguir controlar alguma coisa. Mas observe que, a primeira situação que você descreveu é de fato preocupante, é comum que as pessoas sintam medo em uma situação como essa. Mas o medo não pode ser algo que nos domina e descontrola totalmente. Pelo contrário, o medo protege-nos, impede-nos de cometer erros graves ou de corrermos riscos desnecessários.

O fato deveria ter conduzido você a dar os passos necessários para garantir a sua saúde. É possível que o médico/dentista que o atendeu não tenha sido muito claro em relação aos procedimentos que deveria seguir e, por algum motivo você sentiu-se muito inseguro e emocionalmente não preparado e adiou buscar por uma solução definitiva.

Mais tarde o medo de não controlar a realidade à sua volta traduziu-se nas saídas com os amigos. De fato, ninguém consegue controlar tudo, todos os procedimentos, mas isso não implica que vivamos assustados. Imagino que naquela época era extremamente difícil estar sozinho porque isso implicaria uma angústia e uma sensação de desamparo insuportável. Nesse momento, você fez o recomendável, procurou pessoas com quem pudesse dividir seu sofrimento, direta ou indiretamente. Porém, identificar a origem real dessas crises de ansiedade implica provavelmente uma análise muito mais cuidada e morosa.

O medo de não controlar tudo voltou em outros momentos de sua vida. O que chama mais atenção e deve ser entendido como alerta, é que embora esses episódios não sejam tão recorrentes, os seus medos tentam impedi-lo de concretizar alguns sonhos, o que, sendo muito freqüente, não deixa de ser uma fonte de angústia.

Não é possível determinar, com tão poucas informações, se esses episódios são sintomas de um quadro mais delicado. Sugiro que procure um profissional e compartilhe com ele a situação. Você também precisa refletir sobre o que quer para si bem como sobre aquilo que é capaz de suportar em termos da gestão da ansiedade e do comprometimento do seu bem-estar.





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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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