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CONFISSÕES DO DIVÃ







Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.


O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.


Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:


DIVÓRCIO RECENTE – Não tenho certeza se fiz a escolha certa

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com




Oi! Eu recentemente separei do meu marido. Chamo de marido porque chegamos mesmo a casar em cartório. Nossa relação durou 12 anos. Essa decisão eu tomei pensando que o que sentia por ele era apenas uma grande amizade e um enorme carinho, quase como um irmão. No entanto, ao ver tristeza dele, ao sentir sua ausência, relembrar as memórias do nosso passado feliz e sentir o vazio deixado pelo abandono de nossos projetos em comum, fui invadido por uma angústia e tristeza enormes. Hoje eu tenho duvidas se terei tomado a atitude certa ou se terá sido o desgaste da nossa relação de 12 anos que não me tenha deixado ver se ainda sinto amor por ele. Esta história é mais complexa do que isto, passávamos por uma fase que as discussões eram o ponto central da nossa relação, faltava companheirismo, amizade, tolerância e energia para melhorar a nossa vivência. Fico me perguntando o tempo todo o que aconteceu ao "para sempre", ao "amor infinito", ao "para o que der e vier", ao amor que eu sei já senti com todas as minhas forças por ele e desejo do fundo do coração voltar a sentir. Conheci outras pessoas, mas não me imagino para sempre com ninguém que não seja ele. Sinto-me em um barquinho à deriva, sem rumo e sem saber onde encontrarei um porto seguro. Nunca antes na vida tive tanto medo como tenho agora. Apesar dos desentendimentos ele sempre me fazia sentir seguro e eu sabia que sempre poderia contar com ele. Será que isso irá passar? Vou conseguir dormir tranqüilo novamente?
Ithalo, 39 anos
          

O fim de uma relação amorosa está quase sempre associado ao fato de que pelo menos um dos membros do casal já não se sente feliz. Pode ser difícil determinar se ainda há amor, ou se o amor que existe está mais próximo do fraternal do que do romântico, mas torna-se progressivamente clara a ausência de felicidade.

            Nesse processo, há quem recorra à ajuda da terapia de casal para avaliar até que ponto é possível reconstruir a relação. Identificar as lacunas existentes e desenvolver habilidades que possam ajudar nesse processo cheio de decisões importantes. Mas há algo que nenhum terapeuta de casal pode se responsabilizar: não é possível fazer com que uma pessoa volte a apaixonar-se por outra.

Quando a crise se instala e a distância emocional entre os companheiros cresce, é natural que surjam dúvidas e que os problemas se traduzam em dificuldades de comunicação e sensação de incompreensão.

Como a generalidade dos casamentos/relacionamentos longos e felizes é baseada numa profunda amizade e união entre os parceiros, é esperável que, mesmo quando o amor romântico desaparece, haja angústia, sentimentos de perda e luto. De um modo geral, é desejável que depois de uma ruptura de relacionamento cada uma das pessoas possa fazer esse luto, essa reconstrução, para que, mais cedo ou mais tarde, volte a amar.

Acontece que não raras vezes, por exemplo, a vida nos surpreende e uma nova paixão acaba por ser precisamente o alerta de que algo não está bem na relação original. Em outras vezes os sinais são sutis e pode acontecer de só percebê-los tarde demais.

Consigo compreender as dúvidas que sente em relação ao futuro. A distância física que os separa poderá ser determinante para a recuperação da sua estabilidade e para a avaliação dos seus sentimentos. Nestes processos é fundamental permitir que o tempo dê uma ajuda. A dor ou o desespero associado ao fracasso de um casamento são sempre ultrapassáveis. Logo vai chegar o dia em que a paz voltará a dominar a sua vida, você vai conseguir dormir tranqüilo novamente e conseguirá avaliar com mais clareza se deve ou não reatar seu relacionamento. Essa é uma decisão apenas sua.




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Postado por Mac Del Rey | (2) Comente aqui!

2 comentários:

  1. Situação complicada, pois acho quase que impossivel manter uma relaçã duradoura com tesão intenso, ou seja, pode ser que chegue um momento que a essência é afeto, amizade e companheirismo.
    O que você acha que manté um casal com 40 anos juntos?
    Enfim, por outro lado, chega um momento que é hora de cada um seguir seu rumo...
    Nã confunda amor com comodismo, e pode ser que seus pensamentos sejam comodismo.
    Acho que o tempo lhe dirá o que você irá fazer.

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  2. Concordo com o Ro Fers. Acho impossível que algumas coisas não se percam com o tempo. Por outro lado se ganha muito com ele tb. Companheirismos, qualidade de vida, segurança, estabilidade e amizade são outras coisas que sustentam um relacionamento. E o amor se sustenta sobre tudo isso.

    Sobre o blog: É a melhor sessão sempre. Venho toda semana e parece que minha semana só começa na quarta, depois de ler os textos dessa sessão. Obrigado.

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