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CONFISSÕES DO DIVÃ






Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.


O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.


Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

O trabalho prejudica demais o nosso relacionamento!

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com





Eu e ele moramos juntos há um ano e estamos juntos há três. Nos amamos, temos muitos objetivos de vida em comum e já adquirimos muita coisas juntos, por exemplo o nosso apartamento. Sempre foi tudo muito intenso e corrido. Mas sempre, SEMPRE encontrávamos tempo para curtimos um ao outro. Nos últimos três meses as coisas tem sido diferente. Estamos sempre cansados, chegamos em casa conversamos um pouco e logo já estamos dormindo. No sábado ele trabalha. Chega sem disposição para nada e no domingo tudo que fazemos é ficar em casa para descansar e juntar forças para mais uma semana. No começo parecia não haver nada de errado com isso, mas agora esta pesando muito. Nos beijamos menos, transamos menos, saímos menos, embora a gente tenha conversado e sabemos que nos amamos muito ainda. Como podemos lidar com isso sem ter que abrir mão do relacionamento ou do trabalho?Nossos casais de amigos não passam por isso e sinto-me envergonhado, como se estivéssemos no caminho errado.

Osvaldir, 28 anos

           
Olá Osvaldir. Seus amigos podem não passar por isso, mas garanto a você que essa é a realidade de muitos casais. Vivem no limite, como se fosse praticamente impossível manter uma relação quando ambos trabalham de forma intensa. Afinal, o que é que é preciso (fazer) para não serem engolidos pelo trabalho e conseguir vivenciar a sua relação? Algumas sugestões podem ser pensadas, lembrando sempre que não é uma formula mágica e que é preciso adaptar e considerar as singularidades de cada relação.

Passar um tempo a dois: Não significa apenas criar momentos a dois, é preciso que haja compromisso do casal. O que é que isso quer dizer? Lidar com esses momentos com a mesma seriedade e a mesma dedicação com que olham para os seus compromissos profissionais. Isso depende smuito do compromisso que forem capazes de assumir um com o outro. Mas quando duas pessoas olham para a sua relação como o projeto de vida mais importante das suas vidas, ambas são capazes de criar tempo para namorar. Mesmo que as carreiras profissionais forem muito intensas.

E como seriam esses compromissos? Isso depende do casal. Há pessoas que se comprometem com saídas semanais que incluem jantar fora ou qualquer outra coisa que preferiam. Outras reservam algum tempo todas as noites para ESTAR a dois. E mesmo que não haja nada para fazer, o compromisso é gerido como importante.

Há também cada vez mais casais que optam por comprometer-se com algumas horas por semana sem celulares. Se ambos têm acesso ao e-mail e às redes sociais através dos telefones, estes momentos 'sem rede' e sem obrigações podem ser a única forma de estar 'lá' por inteiro. E só assim é que as coisas continuam a fazer sentido.

Comunicação: Um dos 'segredos' dos casais que vivem felizes uma vida inteira são as conversas diárias. Mais do que os presentes, a capacidade para resolver conflitos ou a frequência das relações sexuais, é a comunicação no dia-a-dia que faz TODA a diferença.

Esses casais não conversam muito sobre a própria relação.  Eles conversam muito sobre aquilo que mexe com cada um - sobre as vitórias e as derrotas profissionais, sobre as birras das crianças, sobre o processo de emagrecimento de um deles, sobre a multa que o outro apanhou e sobre todas as coisas corriqueiras do dia-a-dia. Não é preciso deixar o trabalho do lado de fora da casa, esse é um erro comum.

Porém, conversar sobre trabalho NÃO é ligar o computador todas as noites e continuar a trabalhar. Também não é falar ininterruptamente e não querer saber da vida do outro. É partilhar sem fazer da pessoa que está ao nosso lado um saco de pancada.

Um gesto significativo, são as SMS enviadas imediatamente antes de uma reunião importante a desejar boa sorte e a mostrar que, no meio de todos os outros compromissos, há um que se destaca (a relação). São os telefonemas ao longo do dia para saber se está tudo bem ou para mandar um beijinho (mesmo que durem 2 minutos).

Estar de acordo com questões fundamentais (Visita dos familiares, Saídas com amigos e outros limites da relação): Não é preciso que um casal esteja sempre de acordo para ser feliz. Mas é preciso que haja acordo em relação ao que é mais importante. Quando os dois membros do casal valorizam a carreira o tempo livre é ainda mais importante parar para conversar sobre o que aquilo que cada um espera do outro. É importante ter a noção de que, para que a relação dê certo, ambos terão de fazer concessões (às vezes até em áreas importantes). Mas é fundamental que cada um seja absolutamente honesto a respeito daquilo de que não está disposto a abdicar. Não adianta empurrar os assuntos difíceis para debaixo do tapete na esperança de que, com o tempo, o companheiro possa mudar. Se há um que quer ter filhos e o outro insiste em dizer que não quer, não é boa ideia esperar que as coisas mudem.

Nenhuma relação está condenada ‘só’ porque os membros do casal não estão em sintonia em alguns pontos. Aquilo que fará ‘dar certo’ é ter uma base comum, um ‘nós’.





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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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