Slide 1 Slide 2 Slide 3

MINHA VIDA GAY

Saber namorar.



POR: MVG

Cada vez que o tempo passa, eu venho acumulando experiências em relacionamentos. Acredito que namorar não requer necessariamente uma aptidão, mas a vivência. Logo, a moral da história desse post é assim: quer namorar? Se joga sem muitas vaidades ou caprichos. Pode doer no final, mas depois que você permite passar e/ou perdoar (e essa permissão é exclusivamente sua), vale a pena se jogar de novo.

– Sabe, eu ainda não sei se estou preparado para um namoro – comentei hoje para o Rafael.

– Eu a mesma coisa… dá tanto trabalho.

– Dá mesmo… namorar é uma responsabilidade.

– A gente já tem tantas responsabilidades com a profissão, estudo, família, amizades.

Conscientes da responsabilidade que se é estar num namoro, na sexta nos encontramos na Liba e ele veio dormir em casa. Passamos o sábado juntos e, mesmo sendo um terceiro encontro, eu tinha um aniversário no dia e ele não se incomodou em me acompanhar, assim como hoje o deixei em seu apartamento, conheci seu gato que trata como um filho, seus axolotes e pudemos tirar um bom cochilo durante a tarde.

Ele, apesar de ter 25 anos, somou alguns namoros, incluindo um “viver junto sob o mesmo teto” durante oito meses. Sempre teve predileção por caras mais velhos e jurou até bem pouco tempo atrás que não se envolveria com um outro. Falou isso pra mim, que tenho 38 anos, dando gargalhadas de certa “fatalidade”. E eu que, na minha idade, tentei alguns encontros (sem sucesso) com caras da minha faixa etária, venho me supreendendo com um meninão que namorou um tanto, viveu altos e baixos comuns a quem se permitiu entregar algumas vezes e que já acumulou calos inevitáveis por isso.

O Rafa me inspira a algo que tive com o Beto: me confere paz. É interessante isso e validam aqueles que já se atreveram vivenciar: há relacionamentos que nos dão alto tesão. Outros nos enchem de inseguranças e, mais alguns, nos conferem discussões e DR’s sequenciais. Outros nos divertem e nos animam com papos afins. Mas há aquelas pessoas que entram em nossas vidas e que nos trazem um sentimento de paz acima de outros detalhes. E só vivendo algumas histórias, com pessoas diferentes, para adquirirmos esse discernimento de maneira mais apurada.

Relacionamento dá trabalho, é uma responsabilidade, tanto eu como ele estamos concientes disso e não sabemos se estamos preparados para uma nova história. Já até levei o tema para a terapeuta e, de fato, a questão de saber se um namoro cabe hoje na minha vida é legítima.

Mas tem uma equação aí no prefácio com o Rafael: colecionamos certa experiência em namoros + não estamos com pressa + sabemos o que não queremos repetir. Qual o resultado?

– Já vivi tantas histórias, já passei altos perrengues com ex-namorados, que quando um novo relacionamento começa a entrar nisso ou naquilo, logo bate uma preguiça. Já sei onde pode dar – comentou o Rafael.

– Sei bem como é. Fulano começa com compartamento X ou Y, atitude A ou Z e eu já sinto qual pode ser o próximo ato. Preguiça extrema (rs).

Longe de querer fazer désdem daqueles que tiveram importância na minha vida um dia; ter certa resistência para um novo relacionamento não quer dizer que não vá acontecer pois, na prática, acima da razão e dos poderes reflexivos, se envolver por alguém faz parte dessas coisas que não se faz escolhas.

Apesar de ambos conscientes de tudo isso e mais um pouco dessa história que é um namoro entre gays, a influência de amizades e tudo que vem no pacote de uma certa homonormatividade, não estamos deixando de ter tais lapsos de consciência e, ao mesmo tempo, nos permitindo conhecer.

Hoje eu sinto um pouco mais o que o Cazuza dizia, da sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida. Fruta mordida, faz todo sentido.

Uma História Real (Relato de um Leitor)


IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA


Esta é uma história real escrita por um dos nossos leitores, fã e seguidor. Ele narra para nós um pouco de sua história.

“Sou Bissexual. Era eleição. Claro no interior do Maranhão a política sempre mexe com a cidade inteira; e sempre me divertia muito com meus amigos. Estávamos juntos na porta de casa, todos riamos e sabíamos que nosso candidato ia vencer.

Estava tudo normal como de costume... Foi quando vi um cara sair de um carro. Ele estava de óculos, e como só um de meus amigos sabia sobre minha opção sexual, mostrei o rapaz pra ele discretamente... Ele era lindo; e eu ria porque sabia que ele nunca olharia pra mim... Não demorou muito falando no celular e voltou a entrar no carro, e assim, sumiu na rua. Triste não é?

E como eu havia dito, nosso candidato venceu (não me julguem por conta da política , eu gosto da folia) e por isso houve uma passeata de comemoração. Fomos eu e meu amigo de moto, e como minha mãe era professora, eu era um que estava de frente na folia; mais quando olhei pro lado quem tava lá? Isso mesmo: ele; e de óculos. Como ‘eu sou uma anta’ pra perceber as coisas, quem me mostrou foi Paulinho meu amigo.

Ele parecia olhar pra mim com um sorriso lindo no rosto, mais eu tentava me convencer que não era pra mim. Foi quando ele me chamou discretamente. Eu nem pensei direito – e meu amigo me atiçando muito – então sai feito um louco pra esquina em que ele tava. Fui para um lugar mais acima, mais discreto; e ele veio atrás com um carro, eu não acreditei. Mais também como iria acreditar?

Ele chegou junto... disse-me o seu nome: Flavio. E eu disse o meu: Alexandre. Pegou meu numero e então marcamos de nos ver em um lugar mais tarde, porque claro eu tava suado da folia e muito desarrumado.

Após banhar-me, meu amigo deu-me carona até quase saindo da cidade, pra ninguém ver. Então o Flávio apareceu e entrei no carro, ele era apaixonante. Fomos para um motel – o engraçado e que sempre que íamos aos motéis, eu ia no banco de traz e ficava deitado pra ninguém me ver – Quando estávamos juntos lá, nós conversamos muito; e eu nem acreditava no que ele falava: ele dizia que tava naquela cidade do interior do maranhão à trabalho, por uma empresa, e que já estava há pelo menos 01 ano na cidade. Assustei-me e pensei comigo mesmo: ‘como eu não o tinha visto antes?’. E foi assim que começou.



Eu não morava mais na cidade, havia me mudado pra Teresina (PI), e sempre que eu podia voltava à cidade.

Ele havia me dito que sempre me observava e dizia: ‘Nossa que garoto lindo, por que ele não olha pra mim? Será que ele curte? Eu passo tão de vagar mais ele não olha, já até desci do carro disfarçando falar no celular mais ele não me olhou’. Ele mal sabia que eu o tinha visto falando no celular.

Então eu estava muito feliz por ouvir aquilo, não acreditava no que estava acontecendo, transamos, foi ótimo (tem detalhes que acho melhor não contar, não quero que confundam minha historia com conto erótico, kkk).

Todavia, eu tinha que voltar pra Teresina no outro dia, eu estava triste. Mas quem não estaria? Voltando pra casa, como eu tinha o nome dele, procurei-o no ‘facebook’ e achei.

Passaram-se os meses, eu estava cada vez mais freqüente pela cidade. Encontrávamos-nos como amigos para o povo não comentar; ele adorava carinho e eu amava isso.

Só que alguns problemas surgiram: Certo dia marcamos de nos encontrar e ele ficou me esperando com o carro, mas eu não fui. Ele se sentiu humilhado. E cada vez mais surgiam contratempos, até que em um certo momento eu me perguntei se realmente eu gostava dele. Então eu pedi um ‘tempo’ para nós; e ele pediu que eu não parasse de falar com ele. Eu fiz o contrário, tratei-o como inexistente, por pelo menos 02 meses.

Meu coração gritava e meu amigo falava pra mim: ‘volta a falar com ele’.
Meu amigo falava que ele sempre comentava sobre mim, eu demorei pra falar, mais daí decidi pedir pra nos encontrarmos. E aconteceu, eu fui, entrei no carro, ele tava sem o sorriso que me alegrava sempre, cara franzida, meio acarretado de trabalho, então fomos a uma lanchonete ele precisava encomendar uns sorvetes para empresa.

Conversamos sobre meu sumiço. Eu o disse que ainda o amava e que queria ele de volta. Mas o que ele respondeu? Ele disse: ‘você sumiu, muito tempo passou, eu não posso simplesmente dizer ‘sim’. Pra voltarmos tenho que pensar, você me machucou muito, eu te jurei amor eterno’ (e a cada palavra meu coração sangrava. Ele tava certo eu tinha feito aquilo tudo, fui cruel, ele não me merecia, ele precisava de alguém melhor – pensei). Então os sorvetes chegaram. Entrei no carro depois de ajudar a por a mercadoria dentro, e ele foi me deixar em casa.

Assim que cheguei em casa, fui pra cama e chorei muito (ao som de The One That Got Away); mais no dia seguinte, bem cedo, uma mensagem: ‘amor eu te amo muito-muito, não quero te perder, vamos voltar, você é meu e eu sou teu. E como no começo, eu te dizia: ‘eu te amo mais que o mundo mundial’. E eu te perguntava o quanto você me amava, e então você respondia: 3 metro acima do céu. Então seja meu’. Eu pulava de alegria, éramos muito discretos.

A parte que eu não contei, é que ele tinha 39 anos, mas parecia ter 25, e eu tinha 18. Ele falava que eu era o velho da relação; e eu dizia que ele era a criança. Ele estava certo: eu era chato, todo metódico. Já ele não, era um crianção (como um nato baiano – eu amava o sotaque dele, principalmente quando ele dizia: ‘amor, eu te amo viu, mais que o mundo mundial’).

Passou-se o tempo, e ele sempre que podia ia pra Salvador ver a família, ele tinha comprado passagem pra mim; ele queria me apresentar a todos por lá. Porém dois meses antes da viagem, fiquei sabendo que o contrato da empresa que ele trabalhava havia acabado e que a empresa iria voltar pra Salvador. Fiquei muito triste com a notícia. Não tanto com a noticia, mais com a forma que foi contada Ele voltou pra casa e sumiu, eu sempre o perguntava: ‘você vai voltar né’? E ele dizia que ‘sim’, mais eu sabia que ‘não’. Ele falava: ‘amor não me esquece’! Foi então que ele decidiu me contar que não voltaria mais, até então eu não sabia disso; eu fiquei acabado, sem chão.

Por que ele não me contou antes de viajar? Por que ele fez isso comigo? Ligou-me e por telefone me disse isso! Eu o disse que não iria esperar e que tava tudo acabado. Ele me xingou, disse que me odiava, eu sempre muito frio. Mas eu sabia que ele xingava e dizia que me odiava por que isso era o contrario.

Porém com o tempo voltamos a nos falar, pois claro, nunca nos esquecemos; ele em Salvador e eu em Teresina. Mas o destino ainda não havia decidido parear nossos caminhos, e então seguimos como amigos. Ele diz que nunca achou ninguém como eu; e que o amor da vida dele ainda era eu. E eu dizia o mesmo.

E essa é a minha história com o amor maior que o mundo mundial, e a 3 metros acima do céu. E que infelizmente despencou, mas que se reergueu e que seguiu em frente. Eu ainda o amo muito e sei que também ele me ama.

E foi assim que uma eleição de 08 de outubro se tornou um dia especial, dia também que me fez gostar de política, kkkk .

Ah sim, a passagem? sim fomos pra Recife, passeamos e teve muita historia por lá, mais não vou me estender demais. Essa é outra história... Bom Dia, e obrigado, eu nunca havia compartilhado minha história com ninguém.

Ass.: Alexandre”.

Poderá gostar também de:
Postado por Andy | (0) Comente aqui!

0 comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...