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CONFISSÕES DO DIVÃ








Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:


Estou desesperado por que sei que meu namorado irá terminar comigo!

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com




As ultimas semanas foram de grande sofrimento para mim. Não tenho conseguido dormir, vou deitar com o coração acelerado. Estou sentindo  dores de estômago e suores frios. Por outro lado tento esquecer, seguir em frente, concentrar em mim. Fico repetindo mentalmente que meu namorado não pode ter tanto controle sobre mim. Mas na verdade estou em pânico desde que ele me disse que queria separar. Estou destruído. Além dos sintomas físicos, psicologicamente não estou bem também. Parece que vou enlouquecer, sinto raiva e medo ao mesmo tempo. Eu tenho vontade de gritar com ele, discutir, mas no fim só choro compulsivamente. Não há nada que me anime. Não há mensagens de motivação que me acalmem. Todos me dizem que vai tudo isso vai passar que o tempo vai consertar as coisas ou eu irei encontrar outro cara, mas é como se o meu cérebro não fosse capaz de processar essa mensagem. O que está acontecendo comigo?

Jonathan, 25 anos

           
Jonathan, tenho certeza que alguns leitores vão reconhece-se nesta descrição? Você não está sozinho. Estas sensações são muito mais “comuns” do que você possa imaginar.

A maioria de nós, seres humanos, sente-se em pânico quando a pessoa que amamos nos “abandona”.

E sim, essa sensação toma o controle de nós quando uma relação acaba sem que estivéssemos à espera. Algumas vezes é possível sentir essa sensação ou algo muito semelhante quando enfrentamos discussões fortes com a pessoa amada. Independentemente das características de cada um, há algo que nos une: esta necessidade de nos ligarmos a outras pessoas – salvo algumas exceções.

Somos seres sociais, vivemos em sociedade desde que nascemos. As outras pessoas são peças importantes em diversos momentos de nossas vidas e parceiras em muitas conquistas. A criança depende do adulto para se alimentar, se proteger, entre tantas outras coisas. O adolescente depende financeiramente dos pais, por exemplo, entre tantas outras possibilidades. E os adultos também possuem suas necessidades em relação ao outro. Em maior ou menor grau, todos dependemos, sobretudo emocionalmente, das pessoas que amamos, em particular da pessoa que escolhemos para viver ao nosso lado. E não entenda dependência necessariamente como algo ruim.

Quanto o primeiro sinal de rompimento surge entre um casal, sentimo-nos ameaçados.

Quando você discute com o cara que ama e ele dá sinais de que “não quer saber” ou “não se importa” com o que você sente, o seu corpo reage: você pode ficar tenso, confuso, irritado. É o sentimento de rejeição que deixa você acelerado e com a evidente sensação de pânico.

Isso acontece porque o nosso cérebro processa aquela discussão (ou a ruptura) como uma ameaça. É como se a sua vida estivesse em risco. Por isso sentimos o medo, uma inquietude, uma aceleração e um vontade gigante de resolver tudo na hora.

O fim de um relacionamento é um acontecimento de extrema dor, que só é ultrapassado pela perda física de alguém próximo. Quando o parceiro que amamos vai embora (ou dá sinais de que pretende fazer isso), é comum sentir que as nossas necessidades afetivas estão ameaçadas e em virtude disso muitas pessoas são controladas por suas emoções. Pode ser uma experiência realmente assustadora para algumas pessoas. E não é difícil ouvi-las descrever tal situação com a clássica frase: “Parece que o mundo vai acabar”.

Algumas pesquisas científicas mostram que não há nada de incomum nesta reação. O fato pode ser avassalador, pois esperamos que uma ligação tão intensa como a de uma relação amorosa não se rompa. Mas nem tudo é ruim, é possível lidar com a situação sob uma outra perspectiva, mais positiva:

1) Como eu disse no inicio você não está sozinho nesse barco. Sei que parece que você é o único que entende o que está sentindo e que ninguém mais entende a seu desespero. Mas na verdade muitas outras pessoas já passaram ou estão passando pelo mesmo que você. Além do efeito tranqüilizador dessa verdade, há o fato que compartilhar o que você está sentindo com amigos pode lhe ajudar muito.

2) Outra boa noticia, apesar de clichê é: Tudo isso vai passar! Com o tempo as coisas dentro e volta de você encontram seus lugares. E, mais cedo ou mais tarde, você vai conseguir ultrapassar este momento difícil. É preciso paciência e entender que certo nível de sofrimento faz parte da vida e que, gradualmente, você vai voltar a sonhar novamente.

3) As vezes o tempo passa e o sofrimento teima em continuar, mas mesmo assim é possível fazer alguma coisa. Isso acontece por que para algumas pessoas é mais difícil retomar o controle. Essa falta de controle faz com que permaneçam com os sentimentos ruins, sentindo-se desencontradas, tristes e ainda com raiva. É quando os amigos já não aguentam mais ouvir você falando do ex. A família não tem mais paciência e insiste que você siga em frente. Mas ainda a tarefa parece impossível para você. Estas dificuldades também comuns a algumas pessoas e podem ser enfrentadas com a ajuda de terapia. Aceitar o próprio sofrimento e tomar atitudes para tentar superá-lo já é meio caminho andado para que isso aconteça.





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Postado por Mac Del Rey | (2) Comente aqui!

2 comentários:

  1. Já passei por isso, no inicio é o fim, mas o tempo lhe mostrará que você se livrou de um peso angustiante.
    Além disso, insistir em algo que tem tudo para acabar, estará apenas adiando o fim que ocorrerá a qualquer momento.

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  2. Como em todo relacionamento, tanto hetero e homo, essa fase acontecem.

    Assim penso, o que resolve em grande maioria e´o dialogo, um ultimo recurso. onde as coisas que nao foram ditas, sejam ditas, nao para promover uma discussao de defeitos alheios , mas para solucionar a continuidade do relacionamento.

    O desgaste do relacionamento e inevitavel em qualquer relacionamento, o que deveria ser evitado por novas atitudes, quebra de rotina, palavras de incentivo e de carinho para com o parceiro, O que deve prevalecer sempre e´o respeito e a amizade, o companheirismo.
    Se isso nao resolve, entao o relacionamento esta fadado ao fracasso e cada um deve procurar um novo relcionamento, pois a fila anda... e quem sabe. ambos sejam mais felizes .A dor da separaçao e´insuportavel , mas o tempo se encarrega de curar as feridas.

    Na fase do `luto``, nao relembre as coisas do passado, mas motive-se numa ``nova vida``
    um outro renascimento, com novas posturas, póis aprendeste com essa liçao da vida.

    Nesta grande escola que e´a vida, estamos aqui para aprender e nos tornarmos mais fortes .

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