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CONFISSÕES DO DIVÃ






Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

O meu companheiro não me procura mais sexualmente!

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com





Moramos juntos há 12 anos. Tenho neste momento um relacionamento de 16 anos, entre idas e vindas... Terminamos umas três vezes, mas sempre voltamos. O meu marido sempre teve muitos fetiches, entre os quais sexo em grupo. Nunca cedi, pois nem a ideia me deixa confortável. Ele sempre foi muito ativo sexualmente. Nossas relações sexuais eram frequentes, pelo menos duas vezes durante a semana. Porém a mais ou menos dois anos ele começou a distanciar-se sexualmente. Em meio a esse tempo, eu já o coloquei na parede algumas vezes e perguntei o que estava acontecendo, ele ficava irritado e respondia que se eu queria sexo que fosse procurar na rua. Há três meses descobri que ele tinha um celular secreto de onde mandava mensagens para chats e inclusivamente com mensagens marcando encontros. Fiquei furioso e o coloquei na parede novamente - primeiro ele negou, depois, como viu que não havia como negar, disse que nunca havia acontecido nada e que nunca mais iria enviar mensagens. Exigiu que eu nunca mais falasse no assunto, caso contrário ele iria embora de casa. O relacionamento melhorou durante um tempo, mas agora ele volta a estar distante e não me procura sexualmente. Sempre que vai para a cama ou se queixa que está cansado ou está doente de alguma coisa.
Pierre, 39 anos

           
Olá Pierre. Em geral a sexualidade pode funcionar como um termômetro da satisfação do relacionamento. Pelo simples fato de que é muito difícil manter uma intimidade sexual quando há distanciamento emocional entre os membros do casal.

Porém, como já disse aqui em outros momentos, existem múltiplas razões que podem levar uma pessoa a envolver-se (fisicamente ou não) em uma relação extraconjugal, mas, de um modo geral, é mais fácil evitar estas situações quando a comunicação é eficaz.

Acredito que não seja fácil para você abordar estas questões com o seu companheiro, mas não há duvida que uma resolução para este impasse exija um diálogo honesto. Se o seu companheiro inventa desculpas para evitar a intimidade sexual, é porque de fato algo está acontecendo e devemos considerar que talvez também não seja fácil para ele falar sobre isso.

No entanto, isso não quer dizer que não haja nada a fazer. Sei que parece clichê, mas um dos melhores passos para resolver conflitos de relacionamento é o dialogo, não tem jeito. Se for isso que você quer, é preciso tomar coragem e dizer a ele aquilo que sente. É um relacionamento de 16 anos e não de 16 dias, compartilhe com ele os seus sentimentos, as suas dúvidas, a sua ansiedade e proponha-lhe uma conversa honesta. Você precisa estar disposto a ouvir e entender que pressioná-lo só dificultará o processo. A conversa não pode ser apenas um caminho para fazer críticas ou juízos de valor, mas antes para que, juntos, possam conversar sobre alternativas para ultrapassar estas dificuldades.

É possível que depois de tanto tempo algumas coisas se perderam no tempo e que o seu companheiro, hoje, se sinta constrangido em compartilhar com você os seus sentimentos. Pode ser por medo de te magoar ou outra razão, mas o que é importa é que ele se mostre disponível para negociar estratégias de resolução do problema. O mais importante é “que ele também queira resolver as coisas”.

É um processo difícil, em que não devem incluir a anulação dos seus próprios limites. Apimentar a intimidade sexual não implica impor sacrifícios a nenhum dos membros do casal. Submeter-se a qualquer coisa que não lhe dá prazer não irá salvar a relação. Finalmente, se ambos realmente querem reconstruir o que tinham, talvez devessem considerar a hipótese de recorrerem à ajuda de um terapeuta de casais.




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Postado por Mac Del Rey | (1) Comente aqui!

Um comentário:

  1. Acho que ele vê a relação como comodismo. Até rola companheirismo, mas tesão tb é fundamental numa relação.
    E o fato dele ter estes fetiches, além de um celular, tudo indica que ele possa estar aprontando algo.
    Entendo que quem ama finge ou não vê certas coisas, ou até mesmo supera, no qual somente vc poderá mudar sua historia

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