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MINHA VIDA GAY

Com passas ou sem passas.



POR: MVG

Vai se aproximando aquele momento do ano em que, para muitos gays, certo terror ou preguiça se estabelece: a reunião familiar no Natal. O terror ou a preguiça está exatamente naquela hora que a tia, a avó, o tio ou o avô chegarão com a fatídica, ensaiada e recorrente pergunta: “Cadê a sua namorada, Zezito?”

Daí, as reações são as mais diversas: pagamos uma de hétero desencanado, ficamos nervosos, ruborizados e sem graça, inventamos uma desculpa lavada, saímos rapidinho de cena, assumimos que somos gays, impetuosamente, causando alvoroço na família e assim por diante.

Muitas vezes, trataremos a época e Natal como “hipocrisia” justamente porque esse fato, das velhas e temíveis perguntas, nos consomem todos os anos, transbordando e tornando-se motivo suficiente para a tal hipocrisia das festividades.

Mas existem aqueles gays que, independentemente das barreiras com a própria homossexualidade – quando existe certo “enfrentamento” diante a reunião familiar – gostam desse momento, o Natal. Eu, por exemplo.

Raríssimas foram as vezes que tal hipocrisia de final de ano se estabeleceu. “A males que vem para bem” e meu pai sempre brigado ou desentendido com algum parente, manteve-se distante dos convites familiares. Meu repertório infanto-juvenil foi assim e, na infância e na adolescência, passava junto com as famílias de amigos, na casa de praia. Eu realmente adorava, era o meu referencial e, sempre, era muito divertido.

As vezes, ainda pequeno, eu me ressentia de ter que passar distantes de primos e tios, diferente da maioria das pessoas que eu conhecia. A convenção, para quem é criança ou jovem, tem um sentido de inclusão importante. Na adolescência, cheguei a questionar para minha mãe porque meu pai se colocava tão reativo à possibilidade de estar junto com os parentes. Demorei anos para entender. Entender para aceitar.

A medida que fui crescendo e as redes sociais foram se estabelecendo, fui notando que “Natal” tinha tal sentido de hipocrisia muito forte para alguns que sempre celebraram com seus familiares. O discurso tem sido o mesmo, todos os anos: “vivemos o ano inteiro sem trocar ideia para chegar nesse dia, juntar todo mundo e fingir felicidade. Vem sempre aquele tio ou primo mais bem sucedido na vida e fica ‘jogando na cara’ dos demais”.

Nunca, “nunquinha” colhi tais impressões no meu repertório particular. Nem tive o “tio chato” que ficava questionando a namorada que nunca chegava.

Esse ano, de súbito, meu pai resolveu chamar meu tio (irmão dele), minha tia e meu primo para a reunião. Claro que ele seria incapaz de ligar pessoalmente, provavelmente para não ouvir de cara qualquer recusa. Fez a minha mãe ligar e para a surpresa geral, inédita, eles toparam.

Eu como um bobo-feliz, aproveitei meu domingo passado longe do Rafa (ele ainda está no martírio do TCC e provas de final de ano) e corri cedo para comprar os presentes. Dei sorte e peguei o primeiro domingo do mês no qual as lojas dos shoppings abriram às 10h! Estacionamento vazio, lojas vazias e, assim, muita calma para escolher os presentes, embora eu faça essa coisa com agilidade.

Havia combinado com a mamãe, no dia anterior, que ela compraria os presentes das meninas e mulheres (minha tia, minha cunhada e minha sobrinha) e eu compraria a dos rapazes (e um pra minha sobrinha também). Foi divertido… fazia tempo que eu não gastava um montão de dinheiro com tanto prazer e sem parcimônia. Não estou podendo como a maioria dos brasileiros, mas devido ao ineditismo eu me permiti. Foi prazeroso, mesmo.

Enquanto andava no shopping, liguei para meu primo para saber o tamanho que meu tio vestia. Nisso, ele se ligou no gesto e se prontificou a levar presentes também. Perguntou tamanho de roupa e etc. Show.

Não estou esperando algo estonteante. Mas é a minha sentimentalidade pelo momento. Pode ser ingênuo, pode ser babaca, mas estou me deixando levar. Resolvi parar de sofrer com as dores da nossa sociedade, das condições políticas e econômicas. Assumi desse papel, lendo muito, antes mesmo das eleições de 2014, até agora.

Parece que tais cenários viraram a maior parte do referencial dos brasileiros e não nos culpo por isso. Mas estou feliz, de novo, de ter saído desse vício, dessa compulsão de ter que tomar partido e de ter uma opinião formada. Virei minha chave. Cansei.

Até brinquei recentemente com um amigo:

– Sauna gay, se não cuidar, vira um vício louco. Tomar partido nesse contexto político é a mesma coisa. Tudo putaria. Feliz por ter entrado e saído com autonomia!

Colhi gargalhadas. Gargalhadas, sorrisos, afeto e paz. É o que eu preciso nas coletivas de final de ano a começar pelo Natal.

Vídeo mostra a vida de homens héteros que fazem sexo gay para sobreviverem.



O quão longe você iria para conseguir dinheiro? O próximo episódio da série True Life vai mostrar como é a vida de dois atores de filmes pornô gay que fazendo gayforpay para conseguir mais dinheiro. A tradução já está óbvio, mas é quando um cara hétero mantém relação sexual com outro cara por dinheiro.

Para quem nunca viu falar, o programa está no ar desde 1998 e consiste em mostrar as vidas dos participantes (aleatoriamente), seus problemas e como eles lidam com isso.

Um dos participantes deste episódio é o conhecido Vadim Black (Luke) da MEN.COM, com milhares de seguidores nas redes sociais (e fotos em todos os lugares) ele faz pornô gay para conseguir dinheiro, mas precisa esconder isso de sua namorada.

O outro é Ben da Sean Cody, ele é casado e recentemente entrou na industria porno para dar uma vida melhor aos seus filhos… sua mulher acha isso sexy.

A grande pergunta é: será que todos vão entender? Eles são a novidade no mercado gay, e a pressão dos familiares podem fazer com que eles surtem e acabem abandonando a profissão.

Essas namoradas sonsas que só! Como que essas mulheres não tem um amigo gay que já não mostrou um filmes deles pra elas? Não tem como defender, inclusive #TeamVadimBlack.

Transexual é homenageada com a Medalha Tiradentes no Rio.




A transexual Gilmara Cunha recebeu hoje (8), no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Casa. Ela é moradora do conjunto de comunidades da Maré, na zona norte do Rio, preside o grupo Conexão G de Cidadania LGBT de Favelas e é integrante do Conselho Nacional de Juventude. "A nossa luta maior é pela sobrevivência dentro dos espaços do território de favelas. Hoje a gente vive uma época de militarização das favelas, então é preciso resistir porque a sobrevivência, a vida em si, desta população precisa ser garantida dentro desse espaço", disse.

Durante a cerimônia, Gilmara contou que enfrentou muitas dificuldades e preconceito até admitir a sua transexualidade. "Comecei a perceber que os desejos que tinha eram normais, sim, e poderia ser o que eu quisesse. Uma frase vinha na minha cabeça: 'Deixe-me existir'. Precisava tomar essa frase como um mantra, botar na cabeça seguir em frente e enfrentar a família", afirmou no discurso interrompido várias vezes devido à emoção.



Depois de ultrapassar essa fase, Gilmara começou a lutar pelo reconhecimento como pessoa e revelou, que, por isso, não vê necessidade de ter que se apresentar como uma pessoa transexual a todo momento. "Para que nos vejam como pessoas e não como uma identidade".

Para a transexual e tradutora de libras, Alessandra Ramos, Gilmara se destacou pela qualidade e pela força do seu trabalho. "Não tem como não sentir orgulho disso. Isso para mim não tem preço", disse. Alessandra quer que o ato na Alerj se traduza em políticas públicas que garantam mais direitos para a comunidade LGBT e pessoas transexuais.

O superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria Estadual de Direitos Humanos e coordenador do Programa Estadual Rio sem Homofobia e do Rio Com Liberdade Religiosa e Direitos Humanos, Cláudio Nascimento, disse que, em um momento de onda conservadora por que passa o país, é importante homenagear uma liderança do movimento de travestis e transexuais de uma comunidade de favelas e reconhecer o protagonismo de personagens dos territórios de favelas.

"Acho algo altamente simbólico, significativo e ajuda a fortalecer o movimento e a reconhecer que pessoas trans nessas comunidades têm ajudado a fazer diferença no sentido de trazer mais noções de direitos humanos e cidadania", afirmou à Agência Brasil.

Claudio Nascimento disse acreditar que, por meio da homenagem a Gilmara, outros travestis e transexuais também possam se sentir reconhecidas e valorizadas para entrar em um movimento social como ela desenvolve.

O autor da proposta da homenagem, deputado estadual Flavio Serafini, informou que ela está cursando psicologia e pretende atuar, depois de formada, no trabalho de ajuda a moradores da Maré e de outros espaços comunitários. O parlamentar disse ainda que a intenção dele ao decidir fazer a entrega da medalha para a ativista de direitos humanos foi parte de uma estratégia de mudar a leitura da história de preconceitos e de violência da sociedade contra transexuais.

"Gilmara é uma pessoa que nasceu na favela e viveu a vida inteira sempre voltada para, no seu trabalho, pensar a questão social, e isso se casou com a questão da sua sexualidade, até fazer a cirurgia e se transformar em uma transexual, e vem desenvolvendo um trabalho muito importante na Maré", afirmou.


 
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