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MINHA VIDA GAY

“UM PAI LEVOU O FILHO ADOLESCENTE PARA VER O NAMORADO E RESTAUROU MINHA FÉ NA HUMANIDADE".




Por Marcio Caparica

Ativista conta como presenciar uma cena que deveria ser corriqueira fez com que ele revisse alguns de seus próprios preconceitos - contra héteros
 
Traduzido do artigo de Benjamin O’Keefe para o site Huffington Post
 
Sabe aqueles momentos que parecem ter saído de um filme? Você sabe quais são – quando você literalmente fica esperando começar tocar uma música inspiradora no ponto em que uma cena comovente chega a seu clímax bem na sua frente? Bem, eu fui testemunha de uma que valia um Oscar.
 
Esse fim de semana eu estava em um Starbucks, escrevendo – eu sei, não dá pra ser muito mais clichê que isso – quando eu percebi que um homem e seu filho entravam na loja. Meu gaydar me informou imediatamente que eu estava na presença de alguém como eu. O garoto era muito bonito, vestia uma camiseta da Lady Gaga e um par de jeans enrolados, e parecia ter por volta de 16 anos. O homem que parecia ser seu pai, e só poderia ser descrito como um homem com jeito de homem, estava acompanhando-o. Com uma estatura corpulenta e intimidadora, ele vestia uma camisa com estampa de camuflagem e um par de jeans sujos.
 
Pouco depois outro garoto, mais ou menos da mesma idade, atravessou a porta. Ele caminhou até o primeiro menino e abraçou-o com carinho. O pai acenou para o garoto com a cabeça, severo, num cumprimento bem macho. “Oh-oh”, pensei, ele não parecia ser o tipo de cara que estaria super feliz de ter um filho declaradamente gay. Os garotos se dirigiram até o balcão para pedir seus cafés carésimos e o pai pagou a conta.
 
Depois que os dois receberam suas bebidas e se sentaram, o pai disse aos garotos “Tratem de se comportar”, e apertou a mão dos dois (eu disse que ele era homem com jeito de homem). Ele falou para seu filho ligar quando quisesse voltar para casa, e saiu da loja. Virado para a porta da frente, eu vi o pai parar em frente à vitrine. De costas para a porta, sem se darem conta de que o pai ainda estava observando, os garotos se aproximaram e deram-se um beijo. Para minha surpresa, a reação do pai foi abrir um sorriso enorme. Seu filho estava apaixonado, e não fazia diferença que era com um garoto.
 
Do lado de dentro eu estava pirando. Eu me segurei porque estava num lugar público, mas eu queria chorar de alegria por causa do momento lindo que eu testemunhei. Mas daí eu me liguei; eu havia acabado de ser preconceituoso com alguém. Eu tinha presumido que, como esse homem se encaixava em um certo estereótipo, ele automaticamente seria contra a igualdade, e de jeito nenhum seria a favor da sexualidade de seu filho.
 
É fácil se tornar cínico e desiludido, especialmente quando parece que todo dia nós ouvimos histórias devastadoras como a de Leelah Alcorn, que acabou com a própria vida por causa da rejeição que sofreu de seus pais depois que se declarou trans. Eu mesmo tive que enfrentar a rejeição de grande parte da minha família conservadora por causa da minha sexualidade – algo que levei anos para superar. Tendo dito isso, me ocorreu que, para um grupo que muitas vezes sofre de tanto preconceito, as pessoas da população LGBT também podem ser muito preconceituosas. Nós às vezes pressupomos que as pessoas nos odeiam por causa de nossa identidade – e muitos sem dúvida odeiam mesmo – mas não podemos nos esquecer que há pessoas que são muito melhores do que nós lhes damos crédito.
 
Para cada história de alguém que escreve “VIADO” na porta do apartamento de um casal gay, há uma de um pai que sorri quando vê seu filho gay adolescente beijar o menino de quem gosta abertamente. Para cada história horrível sobre sair do armário, há a história de uma família que trata seus membros amados com respeito e aceitação.
 
Não há dúvida de que não devemos subestimar as lutas que nossa comunidade enfrenta. Nós não devemos mostrar apenas as histórias boas e ignorar as ruins. Não devemos parar de lutar pela igualdade só porque alguns já a alcançaram. Mas eu tenho que dizer, quando vierem aqueles dias em que parece que tudo está contra nós, agora eu tenho a cena que eu presenciei num Starbucks – uma cena de amor e aceitação vinda de onde eu menos esperava – para me dar uma razão para sorrir.

Assassinos de homossexuais celebram primeiro casamento gay em prisão na Inglaterra.




Os dois cumprem prisão perpétua por crimes diferentes e se conheceram na cadeia
 
Seja por ironia do destino, ou não, o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo em uma cadeia na Grã-Bretanha tem como protagonistas dois homens condenados por assassinar gays. Os dois cumprem prisão perpétua por crimes diferentes e se conheceram na cadeia.
 
Marc Goodwin, de 31 anos, foi condenado por espancar até a morte Malcolm Benfold, de 57 anos, em Blackpool, no ano de 2007. O marido dele, Mikhail Gallatinov, de 40 anos, foi preso em 1997 pelo assassinato de Adrian Kaminsky, de 28 anos, em Manchester. Os dois crimes foram motivados por homofobia, conforme ficou provado nos tribunais.
 
A cerimônia, ocorrida na última sexta-feira (27), durou cerca de 15 minutos e teve a participação de quatro parentes deles. A mãe de Gallatinov se disse “orgulhosa” do filho.
 
Por outro lado, o irmão de Benfold, que tem 68 anos, irritou-se com a notícia.
 
— Como você pode sair e matar um homem por ser gay e, em seguida, ter um casamento gay na prisão? Eu não consigo ver qualquer lógica nisso.
 
Um porta-voz do sistema prisional ressaltou que o casamento não gerou custos aos cofres públicos e que os dois não poderão dividir cela.

Criança politicamente incorreta fala sobre bullying gay e assusta internautas.




Crianças são inocentes, não têm freios e falam exatamente o que pensam. É bem verdade que elas também nascem sem preconceito e tudo que repetem, são ensinamentos dos adultos que os cercam.

Para o bem ou para o mal, esses pequenos garantem boas risadas e se transformaram nas sensação das redes sociais. Introdução feita, é hora de você conhecer o danado do Paulinho, mais uma personagem hilário, criado pelo talentosíssimo Rapha Vélles.

Na real, você já deve ter visto o "pequeno" fazendo suas sandices nas TV, como na Praça é Nossa, Hebe, Faustão e Superpop. Agora, ele ganhou espaço ilimitado no Youtube, mais especificamente no "AP do Rapha", o novo canal de humor da internet. Confira!


VOCÊ É GAY? (ft. Christian & Gusta)




VAI TER BEIJO GAY, SIM! (contra a homofobia)


 
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FOFOCAS DE CELEBRIDADES- GOSSIP´S

“Cheek to Cheek”, de Lady Gaga e Tony Bennett, desaparece da Billboard 200.




Passados seis meses arrasando nas paradas americanas, o disco "Cheek to Cheek", de Lady Gaga e Tony Bennett,  parece ter deixado definitivamente a Billboard 200, o ranking de álbuns mais importante dos Estados Unidos.

Mas não pense que isso é ruim. Muito pelo contrário! O álbum de jazz mais bem sucedido do ano passado conquistou o certificado de ouro em solo norte-americano e alcançará a marca de 1 milhão de cópias vendidas mundialmente nas próximas semanas.

Vale lembrar que a intensa divulgação do material já está finalizada. Agora, Gaga e Tony se preparam para seguir com os shows da "Cheek to Cheek Tour", que serão retomados no próximo mês e vão rolar até agosto de 2015.



Este é o vídeo mais poderoso contra o racismo de todos os tempos.




A gente poderia escrever centenas de palavras neste artigo para condenar o racismo, mas temos certeza que você é contra e não compartilha esse tipo de crime.

No entanto, é fato que o preconceito com pessoas negras é um mal que ainda assombra a humanidade. Diversas campanhas já foram feitas para combatê-lo, mas nenhuma foi tão impactante como essa que foi feita na Lituânia.

Esta experiência sobre o racismo tinha o objetivo de fazer as pessoas refletirem sobre o assunto e captar a sua reação ao ler um comentário racista na internet para um homem negro. A campanha era bem simples, a produção montou um cenário e convidou algumas pessoas para uma suposta entrevista para participação de um comercial.

Enquanto eles aguardavam a entrevista que nunca aconteceriam, sentavam ao lado de um negro que pedia ajuda para ler algo que postaram sobre ele, já que ele não dominava ainda muito bem o idioma. Com certeza, apenas olhando as expressões dos convidados, podemos notar que todos sentiram repulsa aos comentários e se desculparam por ele ter que ter ouvido isso. Isso mostrou com força que o racismo é real, por mais que muitos não queiram ver, ele machuca muitos, física e mentalmente.

Você vai ficar com um nó na garganta ao assistir isso...


Laís Souza se incomoda com a  definição de 'atleta gay'.


Laís ficou tetraplégica enquanto esquiava no início de 2014


A ex-ginasta Laís Souza declarou com naturalidade, em fevereiro, sua bissexualidade, ao dizer que tem namorada. “Já tive uns namorados, mas hoje estou gay”.

Em entrevista recente à revista Glamour, no entanto, Laís se disse incomodada de a terem rotulado como gay, enquanto ela enfrenta desafios maiores, como a tentativa de voltar a andar e que, isso, sim, deveria ser o foco.

“Hoje estou solteira. Mas o sexo é normal: posso beijar, transar e amar da mesma forma. Acontece que esse assunto me chateia. Desde que sofri o acidente, ganhei muitos rótulos. Primeiro, era a atleta acidentada. Depois, a atleta paraplégica. Agora, sou a atleta gay. Eu sou ‘só’ a Lais Souza! Por que minha opção sexual [sic] tem que ser manchete?! Quebrei o pescoço, poxa! A gente precisa de manchetes pra isso, pra que cada vez existam mais pesquisas que me tirem da porcaria dessa cadeira!”, disse.

E esclareceu: “As pessoas acham que o que mais mudou na minha vida foi o sexo. Gente, nem de longe essa é a questão! Sou bissexual e todo mundo sempre soube disso em casa – mas as pessoas em geral só souberam agora, porque acabei deixando escapar numa entrevista. Nunca achei importante falar publicamente disso. O que tem demais eu já ter namorado homens e mulheres? Como disse, quando sofri o acidente estava começando um relacionamento com uma mulher, só que o namoro acabou já no início da recuperação. Preciso focar em melhorar.”

Apresentador da Record faz comentários homofóbicos e ofende atrizes da Globo.




Parece que a concorrência está incomodada com o romance vivido pelas atrizes Nathália Timberg e Fernanda Montenegro na nova novela das 21h da Globo, "Babilônia". Pelo menos é o caso do apresentador Claudio Luiz, que comanda a versão sergipana do "Balanço Geral", que vai ao ar na TV Atalaia, afiliada da Record, a TV comandada por bispos da Igreja Universal, em Aracaju.

Parece que os comentários homofóbicos de Claudio durante o programa não são uma novidade. Nos últimos dias, o jornalista fez uma série de observações preconceituosas — mas a da última segunda (23) chamou a atenção dos espectadores por conta do ódio.

Para rebater algumas críticas, Claudio se refere as “duas velhas sem vergonha que estavam sem beijando em rede nacional”. No vídeo, o apresentador ainda usa o velho “não tenho nada contra, tenho amigos gays (…), mas eu não concordo com isso“.

Confira!


Websérie gaúcha Garotos Noturnos conta vida de garotos de programa.




Estreou em dezembro na internet a websérie Garotos Noturnos baseada no espetáculo teatral do mesmo nome de autoria do dramaturgo gaúcho Gladston Ramos. Com muito esforço, o texto virou um seriado para internet dirigido pelo próprio autor. Tuco, Marcelo e outros personagens contam seus medos, convívio familiar, depressões, sexualidade, drogas e todas as peculiaridades desta profissão que envolve marginalidade, prazer e ganância.
 
Gravado em Porto Alegre, o bacana é que mostra lugares conhecidos e tem ainda atores gatos em cena. Claro que tem sexo, palavrão e muitas histórias curiosas. “Eu não sou garoto de programa jogando bola em um sábado a tarde, ou tomando sorvete em um shopping, mas você que na noite paga para usufruir do meu corpo, se me ver, vai virar o rosto de lado e vai dizer que ali está o verme da sociedade”, afirma Marcelo em uma das cenas.
 
Os dilemas dos personagens estão sempre presentes na trama que aborda com veracidade o ambiente marginalizado de forma humanizada, dando voz às questões que envolvem pessoas que buscam ser felizes, como todas as outras. 

Confira o primeiro episódio da série:


Voyeur do banheiro.




Cuidado quem usa o banheiro de um famoso shopping de Curitiba para “bater uma”... ao lado pode estar um vizinho que grava a diversão alheia e publica na internet. Encontramos no Xvideos três flagras de rapazes feitos pelo tarado do banheirão que se aproveita da fraqueza alheia para fazer vídeos...

Pelados, famosos exibem volume e pelos pubianos para Mario Testino.




Você já havia visto o ator Rômulo Neto completamente pelado, mostrando seu belíssimo corpo para as lentes de Mario Testino.

Acontece que não foi só ele que tirou a roupa para o fotógrafo peruano, aclamado no mundo todo. Testino, que já fotografou para as capas de revistas mais importantes do mundo e clicou de Princesa Diana, passando por Madonna, Kate Moss e indo até Margaret Thatcher, vem fazendo uma série de fotografias nas redes sociais chamadas “Towel series”, em que ele fotografa vários famosos só de toalha branca.

A gente selecionou as melhores fotos dos meninos e, em todas elas, eles deixam aparecer aquele caminho da felicidade...

O ator Cauã Reymond


O top internacional Francisco Lachowski


David Gandy

O modelo brasileiro Danilo Borgato



O astro do futebol Cristiano Ronaldo


O modelo Nikolai Danielsen



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FANTASIAS SEXUAIS





















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HOMOSSEXUALIDADE

Torcedor do palmeiras usa termo homofóbico e leva bronca ao vivo de repórter da ESPN.




"Por que a dura de Gabriela Moreira no torcedor do Palmeiras é importante".




Por Ubiratan Leal


Gabriela Moreira é uma das melhores repórteres esportivas da TV brasileira. E não é uma das melhores repórteres mulheres, é uma das melhores repórteres no geral. Quando fazia parte da equipe carioca da ESPN Brasil, revelou várias irregularidades na organização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Ela já merecia reconhecimento do público por isso, mas muita gente só prestou atenção a seu trabalho nesta quarta, por causa de sua bronca ao vivo no ar.
 
Agora temos mais um bom motivo para reconhecer o seu trabalho. A atitude da repórter foi importante, ainda mais em uma sociedade que tem dificuldade em entender os efeitos de pequenas ações na criação de um ambiente de homofobia muito mais amplo e perigoso. Muita gente não entende qual o problema da “brincadeira” do torcedor palmeirense e talvez esteja praguejando contra a jornalista por moralismo exagerado.
 
Minutos depois, dentro do Allianz Parque, a torcida verde usou o mesmo adjetivo do entrevistado do vídeo acima sempre que Rogério Ceni ia chutar a bola. Uma atitude que se tornou comum em estádios brasileiros (e que já fez o STJD ameaçar o Corinthians de punição). Uma atitude que pode ter tirado um pouco da alegria de todos os palmeirenses gays que têm motivos para se sentir atingidos e deixaram de ter a felicidade completa de uma vitória contundente contra um grande rival.
 
Como a Trivela bate nessa tecla há um bom tempo, vamos relembrar um texto nosso, publicado em 13 de março do ano passado, explicando por que a sociedade precisa tomar cuidado com essa homofobia que parece inocente, mas não é.

Por que “bicha” é xingamento?

por Leandro Beguoci
 

Os torcedores do Corinthians que chamaram Rogério Ceni de bicha, sistematicamente, provavelmente não sabem. Mas o ato foi tão ruim para eles quanto para o rival são-paulino.
 
Houve uma época em que os jogadores do Ajax eram recebidos pelos rivais ao som de vazamentos de gás. Os rivais do time de Amsterdã imitavam o som com a boca e tentavam transformar o estádio numa gigantesca câmara de extermínio, de mentirinha. A razão era simples e horrível. Ao longo dos anos, os judeus holandeses se identificaram com a equipe. Até hoje, alguns dos seus torcedores mais ardorosos, mesmo quando não têm nenhuma relação com o judaísmo, se identificam como “Os Judeus”. Grosso modo, é um equivalente aos fiéis corintianos. Mesmo um torcedor ateu ou agnóstico do time do Parque São Jorge se identifica como fiel – inclusive o que só acredita em Deus ou em alguma energia durante pouquíssimos segundos de uma final de campeonato.
 
Os rivais do Ajax imitavam o som de gás porque, como quase todo mundo sabe, aproximadamente 6 milhões de judeus foram exterminados na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos deles foram envenenados e morreram em câmaras de gás. A Holanda foi um dos países mais afetados pelo extermínio. Antes da invasão alemã e do colaboracionismo de autoridades do país, cerca de 155 mil judeus viviam por lá. Depois da guerra, só restavam 14,3 mil. Muitos foram mortos em Amsterdam. Outros tiveram de enfrentar longas jornadas de trem até os campos de concentração. Uma dessas pessoas foi a menina Anne Frank, cujo diário se tornou um dos testemunhos mais fortes e dolorosos de um período medonho da história. Embora ela fosse alemã, a família vivia na Holanda.
 
Apesar dessa história horrível, ainda hoje alguns rivais do Ajax cantam “Lá vai o trem do Ajax para Auschwitz”, em referência a um dos maiores campos de extermínio da história. E isso acontece mesmo na Holanda, um país liberal e tolerante. Isso mostra que algumas questões continuam mal resolvidas. O antissemitismo, afinal, continua existindo, embora mais tímido.
 
E isso, claro, não acontece só na Holanda. Porque isso é um padrão: transformar uma das características de uma pessoa em uma ofensa contra essa mesma pessoa. O xingamento , frequentemente repetido, coloca o ofendido em uma posição inferior no mundo. De tanto ouvir frases sobre como os judeus são ruins, algumas pessoas se sentem confortáveis em repetir o som que matou milhões de pessoas para os descendentes dessas mesmas pessoas. O adversário vira inimigo. Ele perde uma porção da humanidade simplesmente porque é diferente de mim. E, ao perder uma parte da humanidade, ele me autoriza a fazer o que eu quiser com ele.
 
Ou, de uma forma muito esquemática: essa pessoa é judia e torcedora do Ajax. Eu não sou judeu e sou rival do Ajax. Portanto, não ser judeu e não torcer para o Ajax me colocam numa posição melhor, superior. Eu posso subjugá-la, mesmo que seja com palavras. A rivalidade me autoriza a humilhá-la, a fazê-la sofrer. Eu sei que não é tão direto assim. A vida é mais sutil. Talvez quem xingue nem pense nessas coisas, mas o efeito final é o mesmo. Um xingamento é uma humilhação porque o xingamento cria uma escala de diferença. O ofendido se torna inferior ao ofensor. Faça um exercício simples: pense no quanto você se sentiu humilhado quando foi ofendido na escola porque era gordo, porque era magro, porque tinha dente torto. Pense no que você sentiu. Pense em como você se sentiu à parte do restante dos seus colegas. E pense que, de repente, 20, 30 mil pessoas começam a cantar em todos os jogos “gordo nojento, gordo suado, gordo escroto” para ofender um rival do time adversário.
 
Era preciso fazer essa introdução para falar sobre racismo e homofobia nos estádios do Brasil e da América Latina. Em cada país, a intolerância e o ódio se manifestam de alguma forma. Não nascem do nada. Têm causas, têm raízes que às vezes nem nos damos conta, e acabam ganhando expressão no futebol. O professor Hilário Franco Júnior, no fantástico livro “A Dança dos Deuses”, explicou muito melhor do que eu como a violência, física e verbal nos estádios, mudou ao longo dos anos, seguindo algo nefasto que acontecia do lado de fora dos gramados. Ele também mostra que as coisas mudam, e continuam mudando. Só que, hoje, nós gostamos de dizer que chamar um jogador de bicha sempre foi assim, sempre será assim e nunca mudará. Mas é preciso pensar. Por que bicha é xingamento? Por que algumas pessoas insistem em comparar negros a macacos? O que transformar isso em ofensa diz sobre nós mesmos?
 
O grito de “bicha, bicha, bicha”, contra o principal jogador da equipe rival, contra o atleta mais controverso do seu adversário, em um estádio lotado, só esquenta ainda mais esse caldo de ódio – mas tão confortável para gente violenta e mesquinha.
 
A comparação entre negros e macacos é mais simples, sem sutilezas. A gente pode não se dar conta disso, mas estamos falando que a outra pessoa é um bicho. Um animal. Pode parecer gozação de bar, pode parecer inofensivo, mas foi exatamente isso, historicamente, que justificou a escravidão e a morte de milhões de pessoas. Afinal, como você escraviza alguém? Rebaixando essa pessoa à condição de coisa, de besta. Nos EUA e no Brasil, isso foi claro. Negro igual a bicho e bicho igual a uma propriedade que eu posso dispor como eu quiser. Mas também aconteceu na África e no Oriente Médio. Para justificar a escravidão de pessoas que viviam no mesmo lugar, às vezes da mesma cor, era preciso transformar essas pessoas em rivais de ódio, em rivais torpes, e puni-los com a perda eterna de liberdade. É preciso tirar dessa pessoa aquilo que a faz igual a mim.
 
Ao longo dos anos, felizmente, estamos aprendendo que negro não é coisa, não é bicho e tem os mesmos direitos que qualquer outra pessoa. O Brasil até conseguiu dar grandes passos, diminuindo drasticamente o ódio, mas ainda não conseguiu dar igualdade de oportunidades às pessoas. Alguns estudos recentes mostram que descendentes de escravos, sem políticas públicas claras, podem levar décadas para chegar ao que hoje chamamos de classe média alta. Afinal, seus pais, avós e bisavós partiram de menos do que nada. Enquanto não alcançarmos essa igualdade de condições, talvez a gente ainda conviva com casos de racismo abjetos. Porque os negros, enquanto estiverem nos trabalhos mais mal pagos, vão continuar sendo vistos como preguiçosos, indolentes, que não se esforçam suficientemente. Como pessoas, no final das contas, piores do que aquelas pessoas que nós achamos que somos: trabalhadores, esforçados, dedicados. Mas nós partimos de outro lugar. E, infelizmente, a cor da pele foi critério durante muito tempo para contratar alguém ou para promover alguém em uma empresa. A gente gostaria que fosse diferente? Claro que sim. Mas as coisas são como são. Ao tratar o racismo como caso menor, nós compactuamos com uma longa história de sofrimento e humilhação.
 
E então chegamos à homofobia nos estádios. Eu sei que muitas pessoas que brincam com os colegas de arquibancada, chamando uns aos outros de bichas, bichinhas, e aí, seu veado, não vão bater em homossexuais nas ruas. Muitas delas têm parentes gays, amigos gays. E eu sei que justamente por isso muitas ficam ofendidas com a patrulha ostensiva. Por isso é preciso colocar as coisas em perspectiva. Muitas pessoas estão fazendo as coisas sem pensar.
 
Muitos de nós estamos acostumados a usar homossexualidade como xingamento, por muitas e muitas razões históricas que não caberiam neste texto. Enfim. Isso é tão natural, tão rotineiro, que nem nos damos conta de que estamos repetindo, como se fosse banal, o mesmo esquema que autoriza holandeses antissemitas a imitar uma câmara de gás ou racistas a insistir em bestializar os negros. Estamos transformando uma característica de uma pessoa em ofensa. Estamos dizendo que ser gay é uma coisa tão ruim que chega a ofender e machucar mesmo quem não é gay. Mas, sinceramente: qual é o problema em ser gay?
 
Nós não sabemos ao certo por que algumas pessoas são gays. Também não sabemos por que algumas pessoas são negras. Ou por que algumas pessoas são canhotas. Nós não sabemos um monte de coisas, mas aprendemos a odiar algumas delas s sabe-se lá por qual razão. Canhotos, por exemplo, foram estigmatizados durante décadas e apanhavam até aprender a escrever com a mão direita. Ser canhoto, na lenda popular, significava ser influenciado pelo demônio. E isso atingia ricos e pobres. O rei George VI, da Inglaterra, é um dos canhotos que apanharam e sofreram até que aprendessem a escrever apenas com a mão direita. O ódio surge por razões difíceis de explicar.
 
Só que as pessoas são o que são. Desde que isso não mate outra pessoa, não viole aquilo que se costumou chamar de direitos fundamentais, não há nada que possamos fazer. Ser gay, ser negro ou ser canhoto são fatos da vida. São características que não violam o direito de outras pessoas. Um assassino pode te tirar a vida. O que um gay tira de você? Nada. A pessoa é o que é e ninguém tem nada a ver com o que ela faz ou deixa de fazer.
 
Ao usar gay como xingamento em um estádio, nós estamos fazendo aquilo que não gostamos que seja feito conosco. Estamos dizendo, mesmo sem perceber, sem nos darmos conta, que as pessoas gays são inferiores. Não gostamos de ser patrulhados, intimidados ou ofendidos. Mas estamos patrulhando, intimidando e ofendendo pessoas iguais a nós ao transformar homossexualidade em xingamento. Isso não faz parte da graça do futebol. Isso só mostra sobre o quanto não pensamos nas consequências das nossas palavras e das nossas ações. Nós agimos sem refletir e nos comportamos como uma manada descontrolada, que não pensa nas consequências das suas ações.
 
Portanto, quando uma torcida imensamente popular, como a do Corinthians, repete como um mantra “bicha, bicha, bicha” em um estádio, ela está reforçando a ideia de que ser gay é ruim. Uma torcida que luta contra preconceitos, que passou anos tendo de escutar “silêncio na favela”, está reproduzindo em outra torcida a violência que costumava sofrer. E isso não é engraçado. Isso não é parte do esporte. E, um dia, pode se voltar contra os próprios corintianos. Contra qualquer pessoa, na verdade.
Estamos transformando uma característica de uma pessoa em ofensa. Estamos dizendo que ser gay é uma coisa tão ruim que chega a ofender e machucar mesmo quem não é gay. Mas, sinceramente: qual é o problema em ser gay?
 
Não é de hoje que a torcida do Corinthians diz “vai pra cima delas, Timão”. Isso já era ofensivo, mas diluído num “delas” maroto. Mas, ao chamar o goleiro rival de bicha, sistematicamente, usando a palavra que muitos intolerantes usam contra as suas vítimas, a torcida do Corinthians, mesmo sem se dar conta disso, está dizendo que gays são inimigos, são adversários. Os torcedores do Corinthians que fizeram isso talvez não saibam, mas estão dando combustível para intolerantes e malucos de toda espécie. Afinal, essas pessoas não precisam de muita coisa para fazer barbaridades. Elas só precisam ter certeza de que isso não é recriminado ou não terá consequências. Até na civilizada Suécia acontece. Um torcedor do Malmö, militante contra a homofobia nos estádios, foi morto por defender direitos iguais para heterossexuais e homossexuais.  Já no Brasil, infelizmente, há muitos e muitos casos de violências contra gays. As pessoas apanham nas ruas e são surradas com lâmpadas, como os jornais vêm reportando faz algum tempo.
 
Portanto, o grito de “bicha, bicha, bicha”, contra o principal jogador da equipe rival, contra o atleta mais controverso do seu adversário, em um estádio lotado, só esquenta ainda mais esse caldo de ódio – mas tão confortável para gente violenta e mesquinha.
 
A única maneira de mudar essa situação é parar de dizer que gays são piores do que heterossexuais. Não há solução intermediária. É parar de repetir que ser gay é ser ruim. Foi assim que diminuíram os espancamentos e linchamentos de negros. Primeiro, a sociedade conteve as ofensas. Depois, passou a dizer: pare de ofender porque as suas ofensas têm consequências. Nos casos mais graves, passou a criminalizar as ofensas. Foi assim que a Europa conteve o antissemitismo, com leis e medidas contra a intolerância. Mas até a Europa está profundamente atrasada no combate ao racismo e à homofobia, como mostra a faixa bizarra que a torcida do Bayern de Munique estendeu na Alemanha.
 
Mas leis, a gente sabe, não bastam por si. É preciso que as nossas atitudes mudem, especialmente nos lugares em que essas atitudes podem fazer alguma diferença. Landon Donovan, capitão do Los Angeles Galaxy e principal ídolo do futebol nos EUA, deu um exemplo fantástico e acolheu Robbie Rogers, gay e seu colega de equipe. O futebol é importante demais para a nossa vida, no Brasil. Ele não pode ser tratado como uma parte distante, separada da sociedade. O futebol é encantador porque ele resume, em 90 minutos, as tensões e alegrias de uma vida inteira. O futebol é um amplificador daquilo que acontece nos lugares mais profundos da sociedade e o estádio, uma amostra do que aceitamos e recriminamos. Mas o futebol não precisa ser só uma caixa que reproduz o que acontece fora dele. O futebol pode ser uma ferramenta para a mudança.

Durante muito tempo, ser italiano significava ser sujo. Ser nordestino, vagabundo. Argentino, objeto de botinadas. Porém, os estádios colocaram, lado a lado, agressores e agredidos. Os agressores passaram a ter de aplaudir os agredidos, como aconteceu com os jogadores nordestinos. A aversão de brasileiros a argentinos começou a diminuir quando os gringos começaram a jogar aqui e a mostrar paixão pelos times que amamos. Não é o bastante, longe disso, mas os campos deram passos importantes nas últimas décadas. Os torcedores provaram que não eram reféns do ódio de alguns retranqueiros sociais. Na Alemanha, a torcida do St. Pauli deu um exemplo fantástico em abril de 2013. Levou para as arquibancadas a faixa “Futebol é tudo, até gay”. O St. Pauli foi o primeiro clube que se notícia a ter um presidente que saiu do armário, Cornelius Littmann.
 
Porém, ainda falta muito para que o futebol se torne, como ele gostaria de ser, um ambiente em que qualquer um pode ser o que quiser. Afinal, uma das coisas que distinguem o futebol de outros esportes é que um Baixinho pode ser um dos maiores artilheiros da história do Brasil e um gordinho, o destaque do último Campeonato Brasileiro. Falta um passo, um passo decisivo. Falta eliminar completamente a violência contra gays e negros. Afinal, quando eles falam, não é para pedir privilégios. Eles querem ser tratados exatamente igual a você. Quando um gay se manifesta, ele ou ela não está pedindo mais direitos. Está pedindo os mesmos direitos que você tem: andar tranquilamente pelas ruas sem correr o risco de apanhar porque está de mãos dadas com a pessoa que ama. Um negro não está pedindo privilégios. Ele quer apenas o direito de não ser julgado pela cor da pele. Ou, no Brasil do começo do século 20, não ser obrigado a passar pó de arroz no rosto para ser aceito como branco.
 
Combater o preconceito, no final das contas, é uma maneira de contribuir para que o futebol e a sociedade melhorem. Preconceito, afinal, é uma porta escancarada para a violência. Hoje, é contra gays. Amanhã pode ser contra qualquer outra pessoa, por qualquer outra característica. Os judeus, por exemplo, eram muito bem integrados à Alemanha antes do nazismo. A França, embora com um longo passado antissemita, teve um primeiro-ministro judeu antes de colaborar com Hitler na Segunda Guerra. As coisas mudam para pior, infelizmente. Claro, é muito difícil acabar completamente contra o preconceito, é claro. Mas é possível estar atento quando ele aparece e agir a tempo para estancá-lo. É o mesmo movimento do grande craque que sabe se antecipar ao movimento do marcador, driblar o oponente e marcar um baita de um golaço.
 
Nós, torcedores, somos melhores do que o preconceito. Os retranqueiros sociais não podem vencer esse jogo.

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NOTICIAS DO MUNDO GAY

Assassinos homofóbicos  se casam na prisão.




Um casal bastante incomum se fez na prisão de Full Sutton, em East Yorkshire, na Inglaterra. Ambos os detentos que se uniram estavam presos por crimes homofóbicos.

Marc Goodwin, de 31 anos, foi condenado por espancar até à morte Malcom Benfold, em 2007. O seu marido, Mikhail Gallatinov, de 40 anos, foi condenado pelo homicídio de Adrian Kaminsky, de 28 anos, em 1997. Eles se conheceram na biblioteca da prisão.

Goodwin tem dez anos de pena para cumprir, enquanto Gallatinov está a um ano da sua primeira audiência de avaliação da liberdade condicional.

A cerimónia, que durou 15 minutos, aconteceu na capela da prisão na presença de quatro familiares.

A família de uma das vítimas está revoltada. “Como é possível matar um homem por ele ser homossexual e depois casar com outro homem na prisão? Não consigo perceber a lógica” – disse Tony Benfold, irmão de Malcolm Benfold, ao jornal The Telegraph.

“Espancaram o meu irmão com toda a violência até ele morrer, mas parece que a vida na prisão lhes corre bem, enquanto, aqui fora, a família sofre”, disse.

Governador americano assina lei que  pode discriminar atendimento a gays.



Homofóbico deixou seu Estado um pouco mais intolerante


O governador do Estado norte-americano de Indiana, Mike Pence, assinou possivelmente a lei mais intolerante de sua carreira esta semana.

O Ato de Restauração da Liberdade Religiosa permite que qualquer empresa recuse o serviço a uma pessoa baseado em suas crenças.

O motivo principal da lei ter sido aprovada e agora assinada é pelo casamento gay ser uma realidade em boa parte do país. Pela nova lei, igrejas, empresas de cerimoniais e até confeitarias poderão se recusar a realizarem a união gay ou fazer bolos para um evento do tipo.

O homofóbico, no entanto, não considera que a lei seja discriminatória. “Este projeto não é sobre a discriminação, e se eu achasse que legalizaria a discriminação de qualquer forma, em Indiana, eu teria vetada”, disse.

Celebridades como Miley Cyrus e Ashton Kutcher e a senadora Hillary Clinton mostraram seu repúdio à legislação intolerante usando a hashtag #BoycottIndiana.

Suécia cria pronome  de gênero neutro..


Termo entrará na próxima versão do dicionário sueco, em abril

Um pronome já bastante usado na Suécia vai entrar oficialmente para a língua sueca. “Hen” é um das 13 mil novas palavras que integrarão a nova versão do dicionário do país, que será lançada em 15 de abril.

No idioma de lá, existem os pronomes “han” para o gênero masculino e “hon”, para o feminino. Quando se trata de gênero desconhecido, pessoa transgênera ou mesmo se quem fala considera que não é importante dizer o gênero, usa-se “hen”.

Segundo o site Opera Mundi, o termo surgiu na década de 1960 e passou a ser usado com mais frequência nos últimos anos pela comunidade trans do país.

Recentemente, a expressão saiu da esfera do ativismo e passou a ser encontrada em reportagens da imprensa sueca, livros e até em decisões judiciais. “Para aqueles que já usam o pronome, é obviamente um fortalecimento agora que estará no dicionário”, comentou Sture Berg, um dos editores, à Agence France-Presse.

O dicionário da Academia Sueca é atualizado a cada dez anos. O critério de entrada de determinados termos e expressões é determinado conforme sua frequência de uso e relevância na sociedade.

Igrejas inclusivas LGBT são  capa de Veja Brasília.


Número de fiéis nessas instituições não para de crescer


O crescimento das igrejas inclusivas no Distrito Federal ganhou reportagem de capa da Veja Brasília desta semana.

O texto destaca a Comunidade Athos, que foi inaugurada em dezembro de 2005 com apenas cinco membros e hoje conta com mais de 300 fiéis.

A pastora Márcia Dias disse à reportagem que pretende aumentar seu rebanho em mais 200 indivíduos. Para isso, formou três novas células com o intuito de atender às regiões administrativas de Ceilândia, Gama, Planaltina, Samambaia, Santa Maria, Sobradinho e Taguatinga. Grupos também serão abertos nas cidades goianas de Formosa, Rio Verde e Luziânia.

A Cidade do Refúgio é a que mais cresce no País. A unidade do DF, em Taguatinga, começou numa sala pequena e já mudou de endereço duas vezes para abarcar o grande número de seguidores que quadruplicou.

“Não é porque a igreja é inclusiva que aceitamos o pecado, claro. A única diferença está na forma como interpretamos a homossexualidade”, diz o pastor Alexandre Feitosa, que é autor de cinco livros sobre a Bíblia e a homossexualidade.

Feitosa defende a ideia de que as igrejas tradicionais devem rever suas posições, pôr os trechos condenatórios em contexto, estudar as traduções e olhar a questão gay com maior empatia.
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PAPO ABERTO



Nosso entrevistado de hoje é o jovem escritor Ícaro Trindade. Seu livro de estreia, “Garoto à Venda”, é um sucesso na Amazon. Eu pessoalmente recomendo, pois foi um dos melhores livros que li atualmente.





Ícaro Trindade



Mac: De antemão, gostaria de dizer que gostei muito de teu livro. Eu praticamente o li em 3 dias, e isso como hobby quando o tempo permitia. Então, seus leitores estão curiosos para conhecerem quem é o jovem escritor que está fazendo tanto sucesso na Internet. Por favor fale um pouco sobre você.




Ícaro: Sou Ícaro Trindade, tenho 19 anos. Nasci e vivo em Passo Fundo - RS. Escrevo desde os 13 anos, mas atualmente sinto vergonha do que escrevia naquela época. Achei que não tinha talento para a coisa, e fiquei cerca de 4 anos sem escrever nada. Mas, em outubro do ano passado decidi tentar novamente, porque sempre tive essa vontade enorme de compartilhar histórias. Tinha coisas que eu queria ler, mas não encontrava ninguém que as escrevesse, então percebi que talvez eu que devesse escreve-las. Meu primeiro livro foi “Lua Escarlate”, que está prestes a ser lançado pela Editora Maresia e meu segundo, “Garoto à Venda”, lançado dia 23 de forma independente na Amazon.












Mac: Você se inspirou em algum caso ou alguém em particular para compor os personagens e a história?











Ícaro: O contexto da trama, um garoto sendo vendido para um milionário, não foi criado por mim. Como cito na sinopse, me inspirei em Okane ga Nai, onde um garoto é leiloado pela máfia devido dividas de um parente. Mas, assumo que não gostei do anime. Como leio bastante, percebi que havia vários livros falando situações de sequestro, onde a mocinha acaba por se apaixonar pelo sequestrador. Mas, isso não fazia sentido para mim, quer dizer, se eu fosse sequestrado ou vendido, na primeira oportunidade ia cortar o pinto do cara (risos). Mas, como eu queria escrever algo assim e sou apaixonado por distopias, utilizei como plano de fundo para a história um governo autoritário, em um planeta completamente fictício, por mais que lembre o nosso em muitos aspectos e é claro uma boa dose de Síndrome de Estocolmo. Meu objetivo era fazer os leitores se perguntarem se Ianto deveria amar Eric ou mesmo se o que ele sentia era verdadeiro ou apenas fruto da síndrome.












Mac: Embora seja um mundo fictício, o tráfico de gente, principalmente para prostituição ou escravo sexual é bem mais presente que se imagina. Alguma conotação política ao direcionar o foco para esse tema?











Ícaro: Como em Alendor (o país fictício) qualquer violação da lei é punível com pena de morte, por mais pequena que seja, na verdade a prostituição não se faz muito presente no país. Como mencionado em um dos primeiros capítulos, não é nenhum pouco seguro, por isso acaba havendo esse comércio ilegal de escravos sexuais, que consegue ficar mais oculto, até mesmo por haver ajuda de uma parcela da polícia. Mas, acaba sendo acessível somente a pessoas muito ricas e influentes. Mas, nesse sentido, não acho que se diferencia tanto de nossa Terra, pois sabemos que coisas assim acontecem mais do que deveriam.












Mac: Fale a nossos leitores sobre a Síndrome de Estocolmo e como ela está presente em seu livro











Ícaro: A Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico que normalmente afeta vítimas de sequestros ou que tornam-se reféns em assaltos. Costuma acontecer muito rápido, questões de poucos dias. Como uma forma de proteção, a vítima acaba por identificar-se emocionalmente com o sequestrador. Passam a considerar que ele está certo e a polícia errado, que essa pessoa está lhe protegendo do mundo exterior. Isso é bem visível em Ianto, que após ser exposto e tratado como um objeto é comprado por Eric, que tenta ao máximo deixa-lo confortável em seu novo lar. Primeiramente o garoto se vê revoltado e apavorado com a situação,  mas a partir do momento em que Eric passa a ajudar sua família e tenta ser carinhoso com ele, ele começa a se questionar se não teve sorte em ser vendido, ao invés de ser executado após o crime que cometera. A descoberta da sexualidade acaba por tornar suas dúvidas ainda maiores e como ele se vê sem saída, afinal mesmo que fuja não há o que ser feito, ele tem que aceitar esses sentimentos ou lutar contra. Aí só lendo para descobrir 












Mac: Violência sexual, traição, sadomasoquismo, mas também momentos de puro amor estão presentes em seu livro. As cenas fortes entre Ianto e Eric são descritas com tanto realismo e emoção, que contagia e transporta os leitores para ao lado da cama. Alguma experiência pessoal nesse caldo de emoções?











Ícaro: Talvez (risos). Brincadeira, muito do que escrevo acabam sendo baseadas em experiências pessoais sim. Acredito que  isso ajude a tornar o texto mais intenso e real para o leitor.












Mac: Seu livro, ao contrário de muitos que abordam a temática gay, não termina em tragédia, muito pelo contrário. Algum projeto para uma continuação, ou encerra por aqui e parte para outros projetos?











Ícaro: Meu objetivo era dar um final justo para a história. Quanto se haverá continuação, por enquanto vou deixar meus personagens viverem suas vidas sem minha interferência e acho que eles estão felizes com essa decisão, afinal já sofreram bastante (risos). Mas, haverá um novo livro, intitulado ''Compra-se Garoto'', onde narro a mesma história, mas pelo ponto de vista de Eric. Então, descobriremos o que acontecia fora daquele apartamento onde Ianto ficara preso durante quase todo o livro. Além dele, meu primeiro livro ''Lua Escarlate'', um romance homoerótico sobre lobisomens logo sairá pela Editora Maresia e também estou trabalhando em sua sequência, Lua Negra. Ideias para novas historias não faltam, só tempo para escrever todas. (risos)












Mac: Muito bom. Obrigado pela entrevista. Tenho certeza que nossos leitores irão apreciar ainda mais seu livro.

Ícaro: kkkk, espero que sim.




O livro Garoto à Venda pode ser adquirido na Amazon, pelo preço simbólico de R$ 5,99, menos que um cafezinho e um pão de queijo.




Garoto à Venda

Em um planeta fictício semelhante a Terra, no país de Alendor, as pessoas são divididas por castas e vigoram leis rígidas contra a criminalidade. Ianto pertence a uma das mais baixas dessas castas, e em um momento de desespero tenta roubar comida para ajudar sua família, mas é apreendido pela policia especial. Quando acreditava que a pena de morte seria seu único destino, ele é surpreendido ao ser levado até um lugar luxuoso, onde é leiloado para alguns dos homens mais ricos e poderosos do país, num comércio ilegal de escravos sexuais. Após ser comprado pelo magnata Eric Pitz, sua relação com o novo dono toma rumos inesperados e terá que aprender a lidar com novos sentimentos que irão surgir em si. Afinal, o dinheiro é capaz de comprar amor?



Descubra nesse livro excitante e surpreendente!

Inspirado em Okane ga Nai e A Seleção, Garoto à Venda é um livro cheio de sexo, paixão, drama, surpresas e reviravoltas.






BOA LEITURA !!!


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Postado por Mac Del Rey | (5) Comente aqui!

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