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RELATOS PESSOAIS




Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2016


 


Antes de mais nada deixe-me apresentar, sou um profissional liberal (meu nome é Anderson), carioca com exatos 35 anos de vida.

Os caminhos foram bastante tortuosos para aceitar minha homossexualidade, principalmente porque a ficha caiu realmente na faculdade. Tive depressão, acompanhamento médico, tomei remédios, fui auxiliado por uma psiquiatra, sou muito grato a ela.

A família inicialmente não entendeu. Minha mãe de início passou a tolerar, porém meu pai, que hoje não vive mais conosco, constituiu outra família, nunca aceitou, a ponto de recursar-se a falar com a psiquiatra na época. Aconselhou-me a ir numa zona na Glória, e meter bastante que estas coisas passavam.

Hoje, com mais maturidade, tenho realmente pena da resposta que me deu, pois ser gay não é como trocar uma garrafa de limpol de eucalipto por outra de aroma neutro. a sexualidade não se escolhe, constitui-se de fato no desejo de ser e nascer com este desejo, que em algum momento da vida predomina, para alguns mais cedo outros mais tarde.

Passaram-se 12 anos da data em que aceitei o meu caminho. Já tive desilusões; gostei de um cara mais novo 5 anos, que era gay e não aceitava, descobriu tal fato comigo, disse que desejava outros homens mas que não era “viado”. Chegou a ponto de mesmo sem ninguém saber, demitir-se do trabalho por causa disso. Aconselhei-o a buscar ajuda médica. Trabalhava e sonhava cursar biologia, acredito que tenha conseguido.


Entretanto, uma coisa esta profissional (a psiquiatra não errou), disse que eu deveria dedicar-me a estudar, desenvolver-me profissionalmente, pois a segurança de achar um companheiro numa relação gay seria muito mais difícil e que a figura do andarilho sempre a buscar um novo destino  seria algo semelhante para mim, pois como muitos pacientes que ela atendia (tanto homens como mulheres), não buscavam apenas sexo por sexo. Eu não sentia-me bem com a condição que exercia, já que era o único gay na família. A ideia de ficar solteiro para o resto da vida deixava-me triste.

Digo que hoje, 06 de fevereiro de 2016, ainda moro com minha mãe e irmão mais novo, busco um cara para ficar e se der certo namorar. Não sou exatamente aquele amigo que quando procuram ou encontram na rua alguém, diz ou tem a impressão que é gay, mas tenho períodos que gostaria de quebrar a solidão (ela bate com mais força), com alguém igual a mim, mas que não estivesse apenas a fim de uma transa (pois quem quer isto, pode ir a uma sauna, afinal para isto elas existem). Acho complicado encontrar gays, principalmente no circuito RJ, que não estejam apenas interessados numa transa, mesmo a cidade sendo considerada avançada.

Acho que ainda faltam opções de boates e bares para o público gay, pois num local como este não somos colocados para fora ou convidados para ser retirar, como acontece na lapa, tradicional local boêmio do rio de janeiro, onde já assisti 2 meninas serem expulsas de um bar, por se beijarem.

Portanto, deixem a intolerância de lado e tentem viver a vida da melhor forma possível, busquem viver para vocês e não para os outros.

Anderson Alves

 


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Postado por Mac Del Rey | (3) Comente aqui!

3 comentários:

  1. É realmente complicado em nosso meio achar alguém disposto a compartilhar a vida a dois. Mas sonho com isso e é isso que eu quero, se não, prefiro ficar só!

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  2. Eu nunca tive esperanças de encontrar minha cara metade, mas confesso que no fundo eu tinha este sonho....
    Demorou, mas com o tempo fui contemplado e atualmente vivo um conto relacionamento de quase 4 anos em que nos vemos todos os dias e a saudade continua a mesma do inicio....
    As coisas acontecem naturalmente, embora temos que nos permitir.

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  3. Que relato bacana! Passo por tudo isso que você disse. E realmente achar alguém no RJ que queira algo além de sexo tá bem difícil.

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