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CONFISSÕES DO DIVÃ







Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única. 

Nossa principal idéia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.


O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.


Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.


Bem, vamos ao tema de hoje:

 

Sofro violência doméstica (violência entre casais Gays)


Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com



 


Estou morando junto com meu companheiro há 8 anos. Somos completamente apaixonados e vivemos momentos inesquecíveis que mudaram nossas vidas para sempre. Porém já fui agredido fisicamente e psicologicamente diversas vezes por ele. Os motivos são os mais variáveis e ultimamente até por questões muito pequenas, como esquecer de passar a roupa dele. Nunca pensei em denunciá-lo ou me separar dele até agora, mas as agressões têm aumentado de intensidade com o passar do tempo. Já tive que faltar o trabalho por vergonha dos hematomas em meu rosto. Tenho medo, ele diz que se um dia alguém souber ele vai me bater até me matar. Outras vezes ele é tem carinhoso e cuidado comigo que até me deixa confuso.

Emerson, 35 anos 

           

A violência doméstica é um fenômeno social complexo que esta presente em diversas relações e camadas sócias. Pode manifestar-se direta ou indiretamente e é um problema que não costuma obedecer nenhum tipo de padrão (ao contrário do que se pensa), podendo estar presente e afligir qualquer pessoa, de qualquer classe social, raça ou etnia, religião, idade e grau de escolaridade.

           
Além das conseqüências físicas, as conseqüências psicológicas podem ser devastadoras: depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, comportamento antissocial, perda da autoestima, apatia, distúrbios sexuais, distúrbios do sono, pânico, abuso na ingestão de substâncias, fobias, dentre outras.


As violências entre casais homossexuais ainda são muito invisibilizadas, e existem alguns mitos sociais que contribuem para isso. A sociedade tende a interpretar as relações homossexuais como igualitárias e, portanto, imunes à violência íntima. Outro mito é pensar que o vinculo que mantém essa relação é exclusivamente sexual e pensa-se que por isso a vítima poderia abandonar a relação com mais facilidade.


Nada disso é verdade. Assim como nas relações heterossexuais, a vítima sente-se isolada, vulnerável e presa à relação. Às vezes o sentimento de prisão está associado ao amor que sente pelo companheiro (agressor), ou ainda pelo fator de dependência financeira, que implica rendimentos, negócios, aquisições conjuntas.            

           
Mas eu assinalaria uma importante diferença na violência entre casais homossexuais: o preconceito. Sabemos que os gays são intensamente discriminados em diversos setores da sociedade. Inclusive em instituições publicas e/ou privadas que deveriam acolher e proteger essa vítima. Consequentemente essa discriminação potencializa o sentimento de abandono, de solidão e desamparo. Mais um fator que funciona na manutenção e na perpetuação dessas relações. Em casos mais severos, a homofobia pode ainda gerar baixo auto-estima ao ponto do sujeito acreditar que é merecedor ou culpado pela violência.


Os gays vítimas de violência em geral (e infelizmente) encontram menos apoio. Por vezes, os familiares nem sabem que eles têm uma relação íntima. Expor a violência torna-se inviável quando se acredita que isso irá justificar a imagem negativa que a família tem sobre a homossexualidade. Em muitos casos, as vítimas chegam a preferir manter-se em um relacionamento íntimo violento a encarar as represálias da família.


Como eu disse no inicio, é um problema complexo. A respeito dos serviços de proteção é importante destacar que não há casas abrigo para homens. Pensando em possibilidades de enfrentamento: Cada caso é um caso, mas indiscutivelmente você deve lutar pela sua integridade física e psicológica. O risco de vida é real e deve-se buscar uma rede de apoio que lhe forneça segurança. É muito importante que você procure por apoio e proteção, seja com seus familiares ou em instituições publicas. Você pode buscar por ONG’s que trabalham em prol dos direitos humanos, elas podem acolher seu sofrimento e ajudá-lo a enfrentar essa situação.






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Postado por Mac Del Rey | (2) Comente aqui!

2 comentários:

  1. que isso viado....melhore...vai morrer por causa de rola......
    SE AME EM 1º LUGAR bjs

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  2. Já vivi algo parecido. Tudo começou com tapinhas evoluindo para a porrada por qualquer motivo. Depois vinham as desculpas, o sexo gostoso, e novamente as agressões. No final de alguns meses acabei numa delegacia e não tive outra alternativa a não ser mudar de cidade e emprego. Hoje vivo no Rio de Janeiro, acovardado e traumatizado só em pensar em encontra-lo novamente. Foram muitas ameaças e só com muita coragem e determinação consegui me livrar dessa relação doente. Fuja enquanto há tempo, porque certamente ele cumprirá a promessa de lhe matar.

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