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MINHA VIDA GAY

Ativos, passivos e versáteis.




O Rafa comentou assim algumas vezes: “gays versáteis tem mais oportunidades no final. Ativos e passivos acabam brochando quando sabem que o outro de interesse tem a mesma preferência”. E essa ideia não deixa de ser uma verdade. Existe um aspecto restritivo em ser ativo ou passivo e, no final, tais condições muitas vezes tiram o foco da própria homossexualidade, cujo pilar de definição seria o simples envolvimento sexual e afetivo por outro do mesmo sexo. O interesse existe, mas precisamos saber qual é a do outro para ver o quanto um contato vale a pena.

Dos meus 23 aos 31 anos eu me entendia ativo. Tinha em mente que “ser só ativo” poderia ser algum tipo de bloqueio psicológico já que qualquer homem pode ter prazer anal (pela existência da próstata). Tem homens gays que nem deixam o parceiro encostar na bunda! (rs) Nesse meu período, cheguei a fazer tentativas, algo que doia muito e não conseguia achar um prazer. Nessa minha onda de ter como propósito a superação de meus bloqueios, ficava com essa ideia no radar, mesmo sabendo que naquele tempo não conseguiria fazer diferente.

Aos 31 fui me permitindo mais, com a ajuda do meu ex-namorado. E foi com ele que, pela primeira vez, as sensações de prazer tornaram-se reais. Sei que, a medida que fui me desbloqueando das ideias que me faziam ser ativo, meu parceiro também me estimulava para ser passivo. Talvez, com ele, foi a primeira vez que eu realmente tive a vontade para isso.

De lá pra cá, me entendo como versátil com predisposição para ser ativo. Falo assim pois não me considero um “passivo nato”, não tenho total habilidade e noto que, os gays passivos, tem uma tamanha facilidade e jeito para tal. Prefiro, inclusive, os pintos menores, esses que definitivamente me deixam mais a vontade para ser passivo! (rs)

Imagino que não há um estudo comprobatório para tais assuntos; todo pensamento sobre ativos, passivos e versáteis se resume às minhas vivências e trocas de experiências com outras pessoas. Mas tenho a impressão, algo que já afirmei por aqui, que a nossa cultura prega seus valores e influencia diretamente essa bipolaridade entre “ativos e passivos”. Ser ativo sugere masculinidade “o homem da relação”. Ser passivo o oposto.

A cultura trás essas influências e, por outro lado, o indivíduo gay (no caso os homens), se identificam com os universos masculinos e femininos. Dessas intersecções mistas e variadas, brotam tais predileções.

A heteronormatividade e o modelo cultura (no caso, da sociedade brasileira) são ainda pilares definitivos e influenciadores a todos. Desde pequenos, somos constantemente bombardeados pelos mais diversos valores e informações dos mesmos, absorvemos conscientemente ou não e tal intersecção, do contexto cultural e heteronormativo com aquilo que somos por dentro e individualmente, cria nossas programações.

De alguma maneira, subconsciente, eu fui programado para ser ativo. Pelas influências externas e por quem sou. Tomei consciência dessa realidade e, num exercício longo de desapego, quebra de bloqueios e ressignificação de valores, consigo hoje ser passivo na cama e tenho até desejos, algo que o Rafa já me ajudou com os dedos (rs).

Poderia morrer de vergonha de tratar desse assunto com tanta abertura. Mas a sensação de constrangimento é justamente o sinal de que há algum bloqueio ou desconforto interiorizado sobre essa realidade: ativos, passivos e versáteis. Culturalmente, ainda, é um tremendo tabu falar de sexo. Imagine então, dessas nuances do sexo gay, que tanto nos definem ou nos confundem? Para o gay ativo é seguro ser ativo. Para o gay passivo é seguro ser passivo. E posso sugerir que, para o gay versátil, em sua profunda intimidade e subconsciente, sexualidade é muito menos questão. É muito menos motivo para vergonha ou constrangimento.

Muitos homens franceses, heterossexuais, tem a cultura do fio terra com as suas mulheres no ato sexual. O que há de diferente entre o francês e o brasileiro?

TABU: Acabando com o preconceito entre ativos e passivos.




Pergunta Reflexão do novinho R.P. (Ele não autorizou a publicação do nome)

Bom dia Gay Discreto sou R.P. , estou casado com o cara que realmente amo e estamos juntos desde 2009. Começo a dizer, sou ativo e sempre fui, o conheci aos 33 e ele 18, ja de inicio fomos morar juntos , faziamos 5 Vezes ao dia, nunca tinha feito passivo, e com o tempo surgiu e me assustei. Mas percebi que sem saber trazia sim preconceito e resolvi o conflito mental de ser subjugado ; vi que minha auto defesa em ser ativo , me dava poder de ser o macho Alfa e debandar na hora que eu queria, vi que quem se comporta assim é porque primeiro não confia, e no intimo verdadeiro não se abriu de fato a você ,vivem como gafanhoto aqui , ali e acolá . Por trás desse comportamento se esconde o verdadeiro 'eu' que só será resolvido  após auto aceitação do que é, do que quer,pra isso deixar de Ser só meio de vida e onde ficar ,ser cuidado, ele tem que realmente de verdade acrescentar você em seu futuro,( não adianta mostrar você, não dar, ter tal prova). Descobri que meu companheiro é o amor da minha vida! Não por ser lindo, novo, passivo etc. Mas por me fazer auto aceitar e me ajudar a ver que o preconceito que tinha era meus grilhões ! Percebi que por não o incluir de verdade em minha vida futura , "em hipótese nenhuma faria passivo, primeiro que não gosto".Mas pensei bem e quebrei esse tabu.

O verdadeiro amor , entendera como entendi! E hoje sou mais ativo, mas faço tudo na cama com ele e deixo sim ele me pegar, pois entendi que um homem procura outro pra ter o que não tem com mulheres" no fundo esta escondido em seu sub consciente , a psicanálise mostra de fato isso por trás da armadura , Auto defesa. Se quer so um passivo ; busque uma mulher , se ele não mudar com o tempo , busque quem o merece , pois quem e assim ainda esta aberto a outros que surgira. Muitos estão por comodismo. Boa sorte!

~*~

Boa noite R.,

Super curti tudo que você compartilhou comigo, concordo plenamente com suas afirmações. Creio que seria um ótimo exemplo aos outros leitores. Se eu puder compartilhar a sua história, alterando nome etc... seria ótimo.

Já tive diversos relacionamentos complicados e onde os meus namorados tiveram problemas de auto-aceitação como você, fico super feliz em ver que você conseguiu enfrentar isso. Os homens ou as mulheres da casa são iguais, sem distinções. Num relacionamento heterossexual, o homem se vê muitas vezes obrigado a seguir regras que a sociedade impôs por muito tempo (pagar a conta, ser o chefe da família, o que conversar com os filhos etc..), atualmente isso tudo tem mudado e as mulheres vêm buscando sua igualdade nos relacionamentos. Apesar de saber que existem diversos relacionamentos homossexuais com essas regrinhas entre passivo e ativo, acredito que a felicidade destas pessoas que estão juntas dessa forma é o que importa.

Um relacionamento homossexual precisa ter acima de tudo amor, parceria e amizade. Ultimamente não tenho encontrado pessoas com esses mesmos objetivos, por isso tenho optado por continuar sozinho rs, mas enfim... quanto menos preconceito, mais seremos felizes.
Abraços,

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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