Slide 1 Slide 2 Slide 3

CONFISSÕES DO DIVÃ








Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

Tristeza ou Depressão?

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com






Oi Dr. Alexandre. Como é que alguém sabe se a tristeza que sente é só tristeza ou se ela está com depressão? É uma questão de intensidade? Ou de duração? É preciso que haja outros sintomas associados para se considerar que uma pessoa não está apenas triste? Uma pessoa consegue fazer um diagnóstico em si próprio? Tenho um amigo que de vez em quando está muito triste, as vezes ele chora dias seguidos. Eu tento ajudar e faço perguntas como: Você acha que está deprimido? Precisa de ajuda? Mas se ele estiver mesmo deprimido ele sabe disso? Eu agradeço se você puder me explicar um pouco sobre isso.
Jean, 19 anos
          

Oi Jean. A confusão é comum, hoje Fala-se tanto de depressão que há quem não possa ver alguém a chorar dois dias seguidos para colocar o rótulo: está deprimido. É preciso fazer alguma coisa! Procurar um psicólogo, tomar antidepressivos, sair para espairecer, etc.

E aí começamos uma luta para fugir de uma emoção que é, afinal, tão comum: A tristeza. É absolutamente comum que nos sintamos tristes em resposta a alguns acontecimentos. A morte de alguém de quem gostamos, o fim de uma relação, uma doença, uma briga com alguém de quem gostamos muito e diversas outras situações que podem deixar-nos tristes. E muitas vezes essa tristeza não desaparece ao fim de dois dias.

Cada pessoa tem o seu ritmo e embora algumas pessoas não precisam de mais de um par de horas para chorar e seguir em frente, há outras que precisam falar e vivenciam com mais intensidade a sua angústia.

Há quem sinta vontade de se isolar para lidar com a situação e há quem faça de tudo para estar com outras pessoas e, assim, não sofrer tanto.

Mas a tristeza é comum e adaptativa, o que significa que é saudável que a sintamos e que a exteriorizemos quando a vida nos rouba a vontade de sorrir.

Também é comum que as pessoas que gostam verdadeiramente de nós sintam-se aflitas ao ver que estamos nos afundando em um estado de tristeza profunda. É natural que nesses casos essas pessoas sintam uma sensação de impotência e que assumam a vontade de fazer alguma coisa.

Mas as vezes o que a pessoa que está triste mais PRECISA é viver a sua tristeza.
Isso é preciso para que ela possa seguir em frente, para poder conseguir lidar com o que está dentro dela, compreender o que aconteceu e então conseguir fazer alguma coisa por si.

Quando invadimos esse espaço para tentar ajudar, podemos sem querer acabar prejudicando a pessoa ao interromper esse processo de compreensão de quais são as suas necessidades. Não é fácil ver alguém que gostamos triste, porque isso também mexe com as nossas emoções. Mas, na maioria dos casos é preciso fazê-lo. O que não significa que você deva se afastar, muito pelo contrário, você deve estar presente. No entanto, deixe que parta da pessoa um pedido de ajuda, deixe que ela diga do que precisa.

Como saber que a tristeza não é apenas tristeza, não é algo comum e nem adaptativo? Explicando de maneira simples: Quando você percebe que a pessoa já está triste há meses e não dá qualquer sinal de que a intensidade da sua dor comece a diminuir. Ou quando percebemos que a pessoa não está apenas triste – deixou de comer, ou de dormir, ou de conseguir trabalhar (Esses são sintomas de um quadro depressivo). Há uma limitação do desempenho das tarefas do dia a dia. Não há vontade de lutar pelo que quer que seja. Ou então a pessoa até continua a trabalhar e a fazer aquilo que se espera que ela faça mas deixou de sorrir e anda permanentemente mal-humorada sem que se consiga vislumbrar a hipótese de mudança. E então, sim, é preciso fazer alguma coisa.

E o que podemos fazer para ajudar alguém que parece estar com depressão? Mostramo-nos disponíveis. Para ouvir, para ajudar, para estar “lá”, para procurar ajuda especializada, para ir com ela à consulta, para a ouvir de novo. E dizemos, com afeto, que “é normal” e que “vai passar”.





Poderá gostar também de:
Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

0 comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...