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CONFISSÕES DO DIVÃ





Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

Como posso ajudar meu irmão diagnosticado com TPB?

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com


 


Acho que eu vou começar dizendo que não sou gay. E se isso não deixa obvio, eu também não sou um leitor assíduo do site. Eu escrevo pelo meu irmão caçula de 20 anos. Ele é gay e já o vi muitas vezes lendo esse site, principalmente essa parte do psicólogo. Meu irmão precisa de ajuda. Aliás todos da minha família estamos precisando. Meu irmão depois de idas e vindas a psiquiatras foi diagnosticado como tendo Personalidade Bordeline. Ele até iniciou uma terapia mas não conseguiu levar a diante. Quando eu perguntei a ele o porquê, ele me disse que simplesmente não consegue aceitar. Ele prefere não se tratar. Porém, dia após dia tem sido mais difícil lidar com ele e para ser sincero eu não sei bem o que é. Estive morando um tempo fora do país, na Austrália e quando voltei encontrei meu irmão sofrendo, meus pais sofrendo e não sei exatamente por que e o que eu posso fazer para ajudar. Gostaria de entender como lidar com uma pessoa que tem o transtorno borderline. Obrigado.
João, 27 anos

           
Oi João. Pode ser realmente muito difícil lidar com pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) quando desconhecemos a doença e quando não há acompanhamento especializado. Acredito que por isso sua família esteja sofrendo tanto, pois, a instabilidade emocional, a irritabilidade fácil, o medo da rejeição e a impulsividade dificultam os relacionamentos interpessoais.

Podemos resumidamente dizer que o transtorno de personalidade  Borderline, também conhecido como Transtorno de Personalidade Limítrofe, é um transtorno com sérias oscilações de humor e impulsividade. Uma pessoa com o diagnóstico borderline possui muita dificuldade em lidar com as próprias emoções.

Entre as principais características da pessoa com TPB é que ela costuma viver relações intensas, porém com instabilidade e agressividade, tendo dificuldade em lidar com situações desagradáveis. É bastante característico a presença de dificuldades nas relações interpessoais, baixa autoestima, costuma reagir muito impulsivamente e possui grande instabilidade do humor.

Não é incomum que os familiares e amigos não consigam ajudar essa pessoa. E acabam sofrendo junto e muitas vezes até mais que a própria pessoa. Porém essa dificuldade está diretamente relacionada a instabilidade emocional, a irritabilidade fácil, o medo da rejeição, a impulsividade e as explosões de fúria da pessoa diagnosticada. Esses traços acabam tornam os relacionamentos praticamente impossíveis, instáveis e/ou desajustados. Aos familiares e amigos fica um sentimento de impotência e fracasso.

Por isso é tão importante o acompanhamento especializado, que certamente irá facilitar o relacionamento. Esse é o primeiro passo.

O segundo passo é tentar compreender as características específicas da personalidade bordeline, buscando entender as tendências no modo de reagir e se comportar dessas pessoas.

A pessoa com TPB tem prejudicada a sua capacidade de lidar com situações de estresse, buscar melhorar a comunicação no ambiente familiar pode ser de grande ajuda, uma vez que a boa comunicação pode contribuir para estabilizar um ambiente mais calmo e tranquilo.

Quando estiverem mais familiarizados das características especificas do TPB perceberão que essas pessoas convivem com um grande medo da solidão e de términos de relacionamentos. Por isso, uma situação simples como a viagem de alguém da família pode se tornar um gigantesco problema.

Isso nos leva a ter que manter um cuidado com essas questões. Para o bem estar do seu irmão, é necessário tentar manter uma rotina domiciliar, preservar p contato rotineiro entre familiares e amigos próximos, a fim de reduzir o sentimento de rejeição e abandono.

Um dos passos mais importantes é manter-se atento às ameaças de suicídio e às automutilações, pois essas são características do border. Nesses casos dê mais atenção a pessoa, converse e passe mais tempo com ela, compreenda suas angústias e aflições.

Tenha sempre em mente que, que independente da gravidade do transtorno psicológico ou mental, as terapias, o acompanhamento médico e o apoio dos entes mais queridos é o que irão melhor o estilo de vida de qualquer pessoa.




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Postado por Mac Del Rey | (3) Comente aqui!

3 comentários:

  1. Nossa interessante esse transtorno ainda não tinha ouvido.
    Quero fazer o curso de Psicologia e lendo as analises referentes aos depoimentos e muito gratificante pois, ler um caso e tentar de alguma forma ajudar ja e de grande valia.
    Eu também tenho um irmão Gay, mas ele não tem esse nenhum transtorno mas me coloco na situação desse irmão que a esse site escreve. Iria fazer a mesma coisa. Acredito que iria conseguir manter um ambiente agradável, pois sou muito observador e próximo então consigo ver os casos que estão acontecendo com ele e se esta feliz ou se pode vim a haver algum conflito.
    Bom mas eu acredito que seja difícil pois temos as nossas vidas e sonhos e projetos e tenho que dedica tempo as pessoas que amamos e acabamos nos sobrecarregando por querer cuida de tudo ao mesmo tempo. Espero que vocês consigam ajudar o seu irmão.

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  2. Acho que me vejo com este transtorno, embora não ao ponto de mutilações e suicídio....
    Momentos insuportáveis e agressivos quase sempre...

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  3. Nossa, acho q eu e meu melhor amigo temos isso, as caracteristicas e "sintomas" são praticamente esses. Nunca tinha ouvido falar desse transtorno, muito interessante.

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