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MINHA VIDA GAY

"Fui jovem infeliz por conta de uma adolescência roubada pelo preconceito"


Rodolfo Faraone sofreu agressões ao participar do programa


Adolescência roubada pelo preconceito.


Fui um jovem ácido e infeliz por conta de uma adolescência roubada pelo preconceito. Eu sempre enfrentei tudo, mas minha grande guerra era comigo mesmo: me aceitar e saber perdoar olhares maldosos, comentários abusivos. Sair por aí com o cabelo azul e um soco inglês para brigar com os homofóbicos não ia mudar nada, apenas me igualaria a eles.

Durante toda a vida Rodolfo teve apoio da família

Nem sempre a homofobia vem sozinha, muitas vezes ela vem acompanhada do machismo, sexismo e principalmente do ódio e isso às vezes ocorre dentro da própria comunidade gay, que te dita regras de como se vestir e se portar.

Familiares em risco

Tudo o que aconteceu comigo e com minha mãe foi muito triste. Aliás, é triste quando se você mesmo coloca em risco as pessoas que ama. Mas a compreensão tem que partir do prejudicado. Não coube e nem caberá a mim julgar, até porque não conheço a realizade dessas pessoas. Só as desejo amor e um pouco de sabedoria.

Apoio da família.

Por opção deles, minha família sempre esteve a meu lado. Eu nunca precisei fazer discurso para contar para minha família que era homossexual, tudo aconteceu de forma natural. Tenho na memória até hoje algo que eles falaram: "Sempre soubemos. Você tem três irmão héteros e cada um tem sua maneira de se mostrar e essa é a sua. A gente te ama e entende que você nasceu assim. Sempre foi diferente dos outros".

Sou muito grato por todo esse apoio e infelizmente tenho amigos que não tiveram a mesma sorte que eu. De vez em quando empresto, minha mãe para eles.

Pai de um garoto de 2 anos.

Hoje sou pai de Lorenzo, que completou 2 anos agora. Ele tem contato com gays e não acha estranho, pelo contrário, para ele é muito natural. Uma vez ele me perguntou se um casal de amigos meus que havia dado um beijo se amava. Respondi que sim e ele rebateu: "Igual a vóvó e o vovô? Eu e você?". Eu e minha mãe nos emocionamos porque as crianças são puras entendem mais de amor do que nós.

Não lembro de um dia acordar e pensar "Ah! essa aqui é minha mãe hetero, e vou amá-la". Não, ela sempre esteve ali, e com o Lorenzo é o mesmo. É uma criança saudável, alegre e muito amada.  Na paternidade descobrimos que vamos doar todo amor que temos à alguém sem esperar que isso volte. Às vezes uma risadinha dele já valeu a pena tudo.

*Rodolfo Faraone participou do programa "Troca de Família" há 7 anos. Hoje, com 27 anos, é formado em moda e pós graduado em jornalismo de moda. Atualmente trabalha como barista e produção de moda.


'Não quero ter barba': menina transgênero comenta temores pós-transição.




BBC acompanhou por um ano duas das mais jovens transgêneros do Reino Unido; Lily e Jessica nasceram meninos mas assumiram identidade de meninas

Jessica tem nove anos e iniciou sua transição no ano passado
Em maio do ano passado, Lily (nome falso), de 7 anos, foi para a escola usando uma saia e foi chamada por um nome de menina pela primeira vez. Ela nasceu menino, mas aquele "dia da saia" marcou sua transição para a vida como menina.

Aparentemente, tanto ela quanto seus colegas de classe lidaram bem com a mudança. "Quando fui para a escola aquele dia, todo mundo disse 'Oi, Lily, você fica bem de saia'. E eu dizia 'ahh, obrigada'."

"Foi meio natural, mas mais constrangedor porque a meia-calça fazia minhas coxas coçarem muito. Depois parou de ficar constrangedor."




Lily foi à escola de saia pela primeira vez em maio do ano passado

Lily - que não é seu nome verdadeiro - havia começado a usar roupas femininas havia pouco tempo, em janeiro de 2015. "É meio diferente, mas na maior parte do tempo é igual, porque eu continuo como eu fazia quando era menino", diz ela.

Transgênero é um termo usado para descrever uma pessoa que não se identifica com o gênero com o qual nasceu - elas podem querer ser vistas como pertencendo a um gênero diferente ou mesmo como de nenhum gênero.

No Reino Unido, há apenas um centro especializado em problemas de gênero para crianças e adolescente, o Tavistock and Portman NHS Trust.

No último ano, 167 crianças com 10 anos ou menos foram encaminhadas para este centro, quase o dobro do ano anterior. O dado inclui três crianças de três anos.

Os psicólogos das clínicas do centro avaliam que o aumento se deve ao fato de a sociedade estar se tornando mais acolhedora.

Pesadelos

No ano passado, a reportagem da BBC conversou com Lily e com outra menina, Jessica - também não é seu nome verdadeiro -, que tem nove anos. Neste ano, a BBC voltou a acompanhá-las para saber como estava sendo a transição.

À época, Jessica estava indo para a escola como menina havia dois meses.

Ela parece uma típica menininha quando fala com animação sobre ter as orelhas furadas. "Eu queria parecer uma menina, queria fazer isso imediatamente", diz.

Mas seus pais dizem que sua vida está começando a ficar mais difícil.

Jessica vem pedindo bloqueadores de hormônios

"Foi um ano muito bom, a escola está sendo ótimo e agora ela vai conseguir mudar seu nome oficialmente para Jessica, já que ela tem autorização do pai", diz a mãe, Ella.

"Mas ela tem tido pesadelos de que vai morrer como um homem, que ela vai ter barba. Ela está começando a pedir bloqueadores de hormônios."

"O problema com crianças é que elas acham que tudo vai acontecer imediatamente, que ela vai acordar e vai ser isso, vai ter acontecido", diz o padrasto da menina.

Eles acham que os hormônios podem ser responsáveis pelo que está acontecendo e dizem que estavam com esperança de ter outro "ano simples" antes da chegada da puberdade de Jessica.

Jessica diz que é difícil quando as pessoas esquecem de tratá-la como uma menina. "Fico um pouco chateada e zangada e eu não gosto, e não consigo controlar meu humor muito bem", diz.

Acompanhamento médico.

Ela diz estar ansiosa pelo dia em que seu gênero não será mais uma questão. "Eu não vou acabar sendo um menino para sempre, porque eu vou ser uma menina, eu sei disso. Mas às vezes eu não fico tão confiante", diz.


Alex, que tem relacionamento com mãe de Jessica, fez transição e passou a viver como homem


No Reino Unido, jovens transgêneros podem receber atendimento no sistema público de saúde, o NHS, mas nesta idade este apoio vem como atendimento psicológico. Intervenções médicas só são consideradas quando eles se aproximam da puberdade, quando podem receber bloqueadores de hormônios.

Estes bloqueadores atrasam as mudanças físicas associadas à puberdade, dando mais tempo ao jovem para se decidir se quer viver como homem ou mulher. Aos 16 anos, um paciente pode tomar hormônios de transição de gênero. A cirurgia só pode ser feita a partir dos 18 anos.

Jay Stewart, diretor do Gendered Intelligence - organização que dá apoio a jovens transgêneros - dizem que é comum que a vida seja vista como mais complicada na puberdade. Ele diz que a combinação de apoio social, psicológico e fisiológico pode ajudar.

"Essas dificuldade não afetam todos os trans, mas há uma narrativa presente de jovens de que o corpo deles está se desenvolvendo de uma forma que eles não querem. Os serviços, como as escolas, devem saber que essas mudanças visíveis que a puberdade traz podem ser estressantes porque sabemos que elas terão impacto na forma como ela é tratada pela sociedade."

Os pais de Lily dizem que ela parece feliz e ainda não pensa com muita profundidade sobre o futuro. Mas foi um ano importante para toda a família.

Lily, que estava pedindo para viver como menina havia anos, tomou as rédeas do ritmo da mudança ao dizer a sua escola que ela queria ser conhecida como menina. "Ela que foi em frente com isso", diz a mãe, Jen.


Escola de Lily fez reuniões para planejar transição

A família teve inúmeras reuniões com a escola para planejar a transição. Quando Lily usou uma saia pela primeira vez, a diretora fez uma reunião com os alunos sobre aceitar diferenças.

Para Jen, foi emocionante. "Era um dia muito importante, um dia oficial em que aquele menino deixou de existir e agora tínhamos uma menina."

O irmão de Lily, de 9 anos, notou pela primeira vez que ela era diferente quando quis comprar um vestido rosa e brincar com bonecas e fadas. Ele diz que e relação dos dois "é normal".

Os dois estudam na mesma escola - ela diz que "todo mundo está ok" com isso lá.

Transição

"Eles [os outros alunos] me perguntavam, antes das reuniões, 'por que seu irmão gosta de coisas de menina'. E eu dizia 'porque ela é assim'. Estou muito orgulhoso pelo que ela passou, ela está muito bem no momento e ninguém está fazendo bullying com ela nem nada, está tudo bem", diz.

A vida doméstica de Jessica também passou por uma grande mudança.

Seus pais biológicos se separaram e sua mãe está em um relacionamento com outra mulher, Alex, desde que ela era bebê. Em fevereiro de 2015, Alex também decidiu fazer a transição e começou a viver como homem.

"Eu não queria fazer nada sobre isso até sentir que Jessica e a família estavam mais estáveis. Achei que agora era uma hora para eu ser honesta comigo mesmo, acho", diz ele.

Irmão de Lily diz que situação 'é normal'

"Eu me sentia da mesma forma que Jessica, mas não entendia ou sabia até pesquisar sobre o que estava acontecendo com Jessica. Então, na mesma hora eu me entendi."

Mas o casal não acredita que a transição de Alex possa ter influenciado Jessica.

Se fosse o contrário e Alex tivesse feito a mudança antes, e depois Jessica, eu acharia que houve influência", diz Ella.

Algumas pessoas podem achar que isso é só uma fase, que vai passar. A mãe de Lily, Jen, diz que é difícil para as pessoas entenderem quando não passaram por esta situação.

"Isso é uma condição médica, não é uma escolha, eles nasceram assim. Pessoas que estão fazendo a transição já adultos dizem que sabiam desde cedo. Só estavam tentando dar apoio a nossa filha para que ela tenha mais tempo de vida sendo quem ela quer ser", diz.

*Todos os nomes foram alterados para esta reportagem. As crianças, as famílias e as escolas concordaram com as entrevistas.

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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