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MINHA VIDA GAY

Historia do Miguel, homem trans!


Criador da comunidade ‘Homens Transexuais’ diz que namorada o encorajou a lutar por sua identidade


Miguel Marques poderia ser apenas mais um jovem de 20 anos. Isso se ele não tivesse que lutar contra o corpo, a família e enfrentar as dificuldades de ser um homem transexual no Brasil. Pela sua marcante história – que, diga-se de passagem, está apenas começando – ele resolveu criar a comunidade Homens Transexuais no Facebook e promover algo que, em sua opinião, o grupo tanto precisa: respeito, voz e visibilidade.

O grupo, que conta com mais de três mil pessoas, três novos administradores, Felipe Kaito, Leonardo Peçanha e David Christian, e uma foto do super-homem ao topo, divulga exemplos de homens que nasceram com o sexo biológico feminino em imagens, reportagens e quadrinhos. “Ter visibilidade é o que mais precisamos para conquistar o nosso espaço nesta sociedade repleta de preconceitos e padrões”, revela Miguel.

A página é frequentada por LGBTs e cis héteros interessados em homens trans. “A maioria das fotos é de transexuais de outros países, pois a maioria dos brasileiros não gosta muito de mostrar as caras, pelo medo da repressão”, explica Miguel, que admite não gostar de se expor, mas que supera a timidez em prol da luta.

“Se não mostrarmos a cara, não conseguimos nossos direitos. Estou mostrando a cara, não só por mim, mas por todos”. Abaixo, a história de Miguel ao NLUCON.

“RASGUEI O VESTIDO EM UM ANIVERSÁRIO”

- Miguel, você prefere que eu utilize ‘trans homem’, ‘homem transexual’, não utilize a palavra transexual?

- Coloca aí ‘homem transexual’, apesar de transexual ser só um rótulo e eu ser um homem como qualquer outro.

Na infância, jogava bola, cartas de anime e assistia desenhos como Dragon Ball Z e Cavaleiros dos Zodíacos. Tendo referência qualquer figura masculina, ele se via como mais um menino. Até que a mãe resolveu colocar em sua frente um vestido para usar no aniversário.




“Eu não queria ficar de vestido na frente dos meus amigos, mas ela me obrigou e eu rasguei a peça. Minha mãe me levou para o quarto e me bateu, me obrigando depois a voltar para a festa. Aquilo foi traumático”, lembra.

Depois, foi obrigado a usar cabelos até a cintura e passou a ser trancafiado dentro de casa, tornando-se um adolescente retraído e triste. “Era um cárcere privado”, define. Ele explica que a mãe se tornou autoritária, conservadora e agressiva depois que se separou do pai, quando Miguel tinha cinco anos. Na verdade, era a personificação do preconceito social que enfrenta até hoje.
“Ela se apegou ao catolicismo e até hoje coloca a religião acima do amor de mãe”, lamenta.

ENCAIXANDO-SE

- Miguel, o que te ofende? 
- É quando misturam sexualidade e gênero. Fico ofendido quando dizem que os homens trans são mulheres masculinizadas que não se aceitam. Isso é desrespeito e falta de conhecimento.
O garoto sentia-se diferente, porém, sem referências na mídia ou no convívio social, não conseguia expor em palavras o nome para o grupo que se encaixava. Conheceu o mundo gay e lésbico, mas não se identificou e nem achava que poderia se enquadrar.

“Passou pela minha cabeça: ‘Se não é isso, o que pode ser?’. Uma coisa curiosa é que eu sempre gostava apenas de mulheres héteros. Quando passei a usar a internet, busquei respostas e vi uma notícia sobre um homem grávido e depois sobre o João Nery. ‘É isso, me encaixei: Sou um homem que nasceu no corpo errado’”.

Apesar de saber o que é, não podia nem pensar em revelar nada para a família.  Guardou as informações em uma caixa escondida e só falou sobre si para uma grande amiga do colégio. “Ela reagiu tranquilamente, foi bem positiva. Esse desabafo foi importante porque pude, pela primeira vez, falar para alguém o que eu sentia. Essa experiência me fez sentir um pouco mais liberto”. 

Com o tempo, driblava a timidez e aproveitava algumas pequenas brechas da mãe para viver a sua sexualidade. E obtinha sucesso com mulheres héteros ou bissexuais, que viam o homem que ele é, mesmo antes da utilização de hormônio masculino e das primeiras transformações.

 “As héteros abriam uma exceção para mim, pela minha aparência natural de menino. Em algumas situações, nem dizia o meu sexo anatômico, porque era apenas um ficar. Já aconteceu até de alguns gays me flertarem, sem saber do meu sexo anatômico”.
Até que aos 17 anos teclou com uma garota de Salvador na internet e se surpreendeu quando ela corajosamente foi até Feira de Santana, onde ele morava, só para encontrá-lo. “A partir do que senti por ela tive coragem de me assumir como homem, sair de casa e viver a minha vida”.
“O AMOR ME DEU CORAGEM PARA ME LIBERTAR”

O encontro foi marcante e mudou a vida de ambos. “Quando a conheci, me apaixonei e não tinha coragem de contar que sou um homem transexual, mas precisava. Afinal, ela era hétero e estava confusa por estar gostando de mim, achando que estava se tornando lésbica por isso. Ela reagiu extremamente bem e agradeceu por eu ter clareado a mente dela”.

Apaixonado e aceito, Miguel se sentiu revigorado, com vontade de viver e com impulso para ser feliz como sempre quis. Saiu de casa, pediu para a mãe dar parte da pensão que recebe do pai e se mudou para Salvador. “Depois, contei para a minha mãe. Ela ficou um tempo em silêncio e disse que sabia que eu tinha lutado contra isso, mas que ao mesmo tempo não aceitava a situação. Ela não me trata por Miguel e isso me machuca muito. Já meu pai foi positivo e até veio me visitar”.

Ele iniciou o tratamento hormonal – sozinho, pois segundo ele não há endócrinos que atendam homens trans em Salvador - e sonha com as cirurgias e mudanças na documentação. “Ainda não fiz nenhuma cirurgia por falta de dinheiro, mas meu pai se comprometeu a me ajudar. Meu sonho é conseguir realizar todas as minhas cirurgias com sucesso, trocar meus documentos e logo ficar sossegado na vida, ter minha casa e trabalho”.

Aliás, outra dificuldade que ele enfrenta atualmente é de se inserir no mercado de trabalho. “Procuro há bastante tempo, mas as pessoas veem o meu RG feminino e nem cogitam a minha entrada. As oportunidades para trans são poucas. Hoje, sobrevivo da pensão que meu pai me dá”.

NA REDE

- Ainda há muita desinformação?
- Com certeza! A principal coisa que as pessoas devem saber é que somos homens como qualquer outro, mas que nasceram em um corpo de mulher, que somos homens presos num corpo de mulher. É assim que descrevo.
 
Por sua história e desinformação sobre o grupo – há pessoas que não sabem sequer que existem homens transexuais - viu a necessidade de criar a página no Facebook há um mês e interagir com outros garotos trans.

Levando esclarecimento ao público e firmando a existência de homens com o sexo biológico feminino, ele até poderia ser mais um jovem de 20 anos. Mas não. Assim como o herói que estampa comunidade em que modera, Miguel está mais para um super jovem, que já encontrou a sua Lois Lane e o seu lugar no mundo. Voa!
 
SITE ORIGINAL: http://www.nlucon.com/2013/07/criador-da-comunidade-homens.html


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Postado por Andy | (1) Comente aqui!

Um comentário:

  1. Admin, if not okay please remove!

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