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CONFISSÕES DO DIVÂ







Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:


Eu e meu namorado discutimos muito! Existe um limite que mostre que tem algo de errado no nosso relacionamento?

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandreamorim17@hotmail.com


 

Eu e meu namorado estamos juntos desde 2012. Ainda não moramos juntos, mas estamos sempre um dormindo na casa do outro. Nos últimos quatro meses nós discutido muito, não vejo outros casais discutindo tanto quanto nós. Discutimos por coisas pequenas e grandes, parece que não temos concordado em mais nada além do fato de que ainda queremos ficar juntos. Alguns amigos já perceberam e nos chamaram atenção. Porém, mesmo tendo consciência do nosso “problema” não conseguimos evitar. Existe um limite que mostre que nosso relacionamento não é saudável? Tenho medo de nos machucarmos de maneiras irreparáveis e destruirmos aquilo de bom que construímos. O que podemos fazer para melhorar?
Julian, 27 anos

           
Olá Julian. Sabemos que em longos relacionamentos sempre há discussão. O que pode variar é a frequencia e a intensidade, mas SEMPRE haverá discussões. Nenhum casal está eternamente bem e em harmonia. A presença das discussões pode ser um termômetro do quanto o relacionamento está saudável. É preciso que tenhamos um equilíbrio, o excesso ou a falta de discussões é que são sinais de preocupação.

É comum que o casal tenha opiniões diferentes sobre os mais variados assuntos e, ao expor essas opiniões, pode acontecer um certo conflito. Cedo ou tarde isso acontece, não há como escapar disso. Discutir e, por vezes, desapontar um pouco a pessoa que amamos é algo comum. Ninguém é perfeito, nem mesmo aos olhos apaixonados do outro, e ninguém concorda em absolutamente em tudo.

Imagino que tudo isso você já saiba. Mas quando sabemos que as discussões estão excessivas? Como saber que precisamos de ajuda?

Quando um casal começa a discutir “por tudo e por nada” é um sinal de alerta. As discussões podem acontecer porque um esqueceu de pagar as contas do mês ou porque o outro esqueceu o creme dental aberto. Quando um casal chega a esse ponto, as coisas podem perder o controle e, mesmo que o casal tenha “consciência do problema” e tente evitar tais situações, as discussões podem repetidamente estar carregadas de golpes que ferem o outro.

Essa crise no relacionamento, de um modo geral, segue um padrão. Ambos assumem um papel que ajuda na manutenção desse ciclo, e por conta disso não conseguem sair dele facilmente.

De um lado temos alguém que insiste, que não sossega enquanto o conflito não encontrar uma solução e do outro lado está o outro parceiro que espera uma explosão e tenta se livrar, que não quer que chegue a esse ponto. No entanto o efeito é contrário, quanto mais um tenta evitar, mais o outro se sente ignorado e continua insistindo. Se o caso de vocês for esse, então o melhor é procurar por ajuda.

Discutir excessivamente torna-se um grande problema por que são situações difíceis de lidar e que quase sempre exigem um tempo para que o casal possa se recuperar. Depois de qualquer discussão, principalmente as que não encontram uma solução consensual, é comum que ambos se sintam magoados e chateados um com o outro. A maneira como cada um lida é singular, mas o mais recorrente é um tratamento de frieza e distância do parceiro.

Por esse motivo que o tempo é tão importante. Se não houver tempo para restaurar as coisas, se depois de uma difícil discussão surgir outra e mais outra, os dois irão cada vez se sentir menos compreendidos e abandonados na relação. Outros sentimentos podem surgir em um dos parceiros ou dos dois, como rejeição, raiva, desprezo, entre outros.

Logo o sofrimento constante leva a insegurança. Com as sucessivas discussões vem também o medo. Medo de voltar para casa, de falar livremente o que pensa, de conversar com o parceiro. Sente-se melhor fora de casa com os amigos ou no trabalho. Mas não precisa ser desse jeito.

Um profissional capacitado vai ajuda-los a expor aquilo que sentem de maneira a sentirem-se mais acolhidos mas também ajudando-os a identificar os ciclos viciosos que mantém. Ele irá mediar o conflito e ajuda-los a encontrar um caminho melhorar a relação, faze-los sentirem-se seguros e conectados novamente.

É importante lembrar, que a presença de discussões é positiva quando sinaliza que ambos acreditam que há coisas na relação que precisam e podem ser mudadas. Quando o casal desiste de discutir, ficam mais distantes, a esperança é perdida e demonstra que pelo menos um dos dois já desistiu da relação.





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Postado por Mac Del Rey | (1) Comente aqui!

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