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CONTOS DO LEITOR



A Floresta Negra

(Parte II)

 


O sino bateu e eu nem havia conseguido comer o meu lanche. Ele se levantou e me deixou sozinho para trás. Não consegui entender qual era o problema dele. Havia rabugice duplicada. Joguei meu lanche no lixo e fui ao banheiro o mais rápido que pude. Esbarrei com Jacke no caminho.
- Irmão você é doido de ficar perto daquele garoto. – Ele disse rapidamente. – O pessoal fala que a família dele está envolvida em crimes terríveis.
- Que crimes? – Perguntei curioso.
- Não sei ao certo. Uns dizem uma coisa e outros dizem outras. Falaram que o pai dele estuprou uma criança de dez anos e a mãe já foi suspeita em um assassinato.
- Isso é apenas o que dizem Jacke. As pessoas não sabem o que falam. – Disse. – Você que deve tomar cuidado com quem vai começar a andar. Não quero que te convençam a usar maconha e...
- Sabe que eu não faria isso. – Ele protestou.
- Você pode não querer fazer, mas podem te convencer ou te forçar.
- Relaxa Tay, não vamos falar disso novamente. Agora preciso ir. – Ele disse se afastando. – Nos vemos na saída, me espere no portão.

~~~ϿϾ~~~

Os dias estavam se passando rapidamente. Comecei a conhecer melhor os alunos da minha sala e estava me dando bem com todos. Conversar com Luke estava ficando mais fácil, pois a cada dia ele se abria aos poucos, respondia algumas das minhas perguntas sem protestar. Mas as fofocas não paravam. Todos me alertavam do quão doido eu estava sendo por ficar perto dele, e sinceramente não conseguia compreender. Inventaram tantas histórias sobre a família dele que eu não sabia qual poderia ser verdadeira, então decidi ignorar tudo o que falavam e o convenci a ir à minha casa para finalizar o trabalho que eu deveria entregar no dia seguinte.

- Qual é a dele? – Luke perguntou ao perceber que Jacke passava em frente a porta do meu quarto a cada dez minutos.
- Não é nada. Ignore. – Eu disse fechando a porta do quarto.

Era incrível como ele dominava tão bem a matéria e também como ele conseguia explicar cada detalhe como se tivesse vivenciado. Concluímos o trabalho antes do esperado e depois de um lanche da tarde que eu mesmo preparei, saímos caminhando por dentro da floresta que se estendia no fundo do quintal da minha casa. Era de fácil acesso, pois não havia matagal, apenas a grama curta e as gigantes árvores, onde a maioria eram pinheiros.

- Por que todos falam coisas absurdas sobre você? – Perguntei.
- Talvez elas não tenham algo melhor para fazer.
- Qual das histórias é verdadeira? – Arrisquei em perguntar.
- Acredita em alguma delas?
- Não sei se deveria.

Houve um momento de silêncio no ar.
- Por que insiste em conversar comigo? – Ele perguntou. Não havia um tom grosso em sua voz, como era de costume.
- Eu sento ao seu lado em todas as aulas, não tenho escolha, então achei melhor tentar ser seu amigo do que ter que fingir em todas as aulas que não te conheço. – Respondi. – Mas tentar ser seu amigo é mais difícil do que pensei. Não sei por que você dificulta tanto.
- Achei que você iria dar ouvidos ao que dizem sobre mim e iria se tornar igual a todos os outros que debocham e falam pelas minhas costas. – Ele disse. – Mas eu estava enganado... Quando estou perto de você eu começo a sentir algo que faz tempo que não sinto.
- Como assim? – Perguntei estranhando.

Ele demorou um pouco para responder. Talvez estivesse em dúvida se realmente falava ou não.
- Estou gostando de você.
Parei de caminhar e o encarei. Não consegui segurar e comecei a rir, mas parei ao perceber que ele não estava rindo também.
- Não pode estar falando sério... – Eu disse ainda tentando acreditar que ele havia dito aquilo.
- Sim, estou falando sério! Eu gosto de você. – Ele insistiu.
- Luke, você não pode estar gostando de mim...
- Eu sei o que sinto. Sei que estou gostando de você...
- Para! Não sabe o que está dizendo! – Exclamei.
- Não diga isso...
- Mas você nem me conhece! – Exclamei. – E eu nem te conheço! Tudo o que sei de você é o que dizem!
- Esse é o problema! Nem eu me conheço! Eu não faço a menor ideia de quem eu sou! – Ele disse. Havia magoa em sua voz. – As pessoas falam tantas coisas ruins de mim que estou começando a acreditar nelas!
- Eu sinto muito Luke, mas estou tentando ser seu amigo, apenas isso... – O alertei. – Não sou contra esse tipo de sentimento...



Ele se aproximou devagar. Tentei me afastar, mas ele foi mais rápido e me beijou. Meu corpo ficou paralisado e completamente arrepiado. Eu não podia acreditar que ele estava fazendo aquilo. O empurrei com força para trás e ele se chocou com o tronco de uma das árvores.
- Você é louco! Não acredito que teve coragem de fazer isso!
- Tay...
- Sai! – Exclamei.
- Por favor não...
- Saí daqui! – Dessa vez gritei.


Ele não hesitou. Virou as costas e voltou rapidamente pelo mesmo caminho que viemos. Me sentei apoiando minhas costas em um tronco de árvore próximo. Eu havia sido dominado pela sensação horrível de ter cometido algo proibido, embora tivesse sido a força, eu me sentia um ser humano desagradável... Mas eu tinha que admitir que nunca havia ganhado um beijo tão bom como aquele. Talvez eu devesse ter nojo de mim mesmo por admitir aquilo. Passei quase uma hora perdido em pensamentos perturbadores e depois voltei para a casa.

- O que foi querido? – Perguntou minha mãe enquanto estávamos jantando ao redor da mesa de vidro. – Parece preocupado. É algum problema no colégio?
- Não. Eu estou bem. Está tudo bem... – Respondi evitando encará-la pois minha mãe era muito boa em descobrir mentiras. Mas percebi que Jacke já havia descoberto.

Após o jantar, ajudei minha mãe com a louça e depois subi para o meu quarto. Jacke me seguiu e fechou a porta logo depois de entrar.
- Fala! – Ele disse.
- Falar o que? – Perguntei.
- Sou seu irmão! Conheço você mais do que a mamãe! Sei quando está acontecendo algo, está na sua cara! Você sempre foi péssimo para esconder as coisas. – Ele disse. – Desembucha e fala logo o que aconteceu!
- Não aconteceu nada! – Disse.
- O que ele fez?
- Qualé Jacke. Você tem que parar com esse seu lado de se importar de mais com as coisas...
- Eu sou o seu irmão! – Ele exclamou. – Sei o que dizem sobre aquele garoto! Além do mais o vi saindo da floresta e indo embora, enquanto você só voltou de lá uma hora depois! Ele te ameaçou?
- Ele não fez isso!
- Sabe que não vou desistir até você dizer a verdade né?

Infelizmente eu sabia bem como era a insistência irritante do Jacke. Não havia muitas alternativas. Ou eu dizia a verdade ou inventava uma.
- Ele disse que gosta de mim...
- O que! Ele é gay? E disse que gostava de você?
- E me beijou.
- Não pode estar falando sério! Você deixou ele te beijar? Tayler você ficou maluco? Por que você não socou a cara dele? Não posso acreditar nisso! – Jacke parecia mais incomodado do que eu deveria estar.
- Não deixei ele me beijar... pelo menos não muito. O empurrei... Foi muito rápido...
- Eu vou arrebentar a cara dele!
- Jacke você não vai fazer isso!
- Está defendendo ele?! É isso o que estou ouvindo Tayler?! – Havia raiva em sua voz. – Você tem ideia do que ele fez?! Tem ideia do que vão falar se isso espalhar?!

- Só não quero que complique mais a situação... Nem que arrume confusão.

Ele me lançou um olhar esquisito. Jacke era um garoto bom, gentil e alegre, mas sabia ser violento. Ele disse boa noite e se retirou do quarto batendo a porta. Me joguei na cama com medo do que poderia acontecer no dia seguinte. Como eu olharia para Luke durante o resto do ano agora? Devia me sentir envergonhado? Furioso? Talvez eu devesse pedir para mudar de sala. Não! Acho que eu não estava sendo sincero comigo mesmo, pois eu havia realmente gostado. Era algo diferente, que eu nunca havia experimentado, e que era simplesmente bom. Por que eu me sentia tão ruim em relação a algo que havia sido bom? Apenas por que as pessoas diziam que era proibido e nojento? Desde quando as pessoas eram perfeitas para sair julgando as outras por elas fazerem algo que a sociedade abominava? Talvez eu não devesse ignorar ou se zangar com Luke, mas sim pedir desculpas a ele por eu ter sido tão rude na floresta.

Não sei dizer se foi um alivio quando entrei na sala de aula e o seu lugar estava vazio. O professor disse alguma lição de moral por eu ter chegado atrasado, mas nem dei atenção. Luke não havia ido em nenhum tempo de aula aquele dia. Eu queria falar com ele, queria satisfações... Queria ter certeza de algo.

No intervalo, encontrei a única garota que ainda falava com o Luke.
- Por que você quer saber onde ele mora? – Ela perguntou.
- Preciso falar com ele urgente. Ele não veio hoje. – Disse.
- Tudo bem, mas não diga que foi eu que te passei. – Ela disse escrevendo o endereço em um pequeno pedaço de papel e me entregando logo em seguida.

Na hora da saída, pedi que Jacke fosse embora, pois não iria com ele. Menti sobre o que eu iria fazer. Ele me encarou desconfiado, mas não disse nada, apenas foi embora. Através das informações que a garota havia colocado no papel e da ajuda do GPS do meu celular, logo consegui encontrar o local indicado. Não era uma casa comum, era uma pequena mansão luxuosa. Me aproximei da porta com receio e toquei a campainha. Não demorou muito e a porta se abriu.
- Boa tarde querido, em que posso ajudá-lo? – Disse uma mulher que devia ter idade suficiente para ser a mãe dele. Ela estava bem vestida e parecia ser uma pessoa gentil.
- Desculpe incomodar, mas é que eu precisava falar com o Luke...
- Luke? – Ela perguntou surpresa. – Você é amigo dele?
- Bem... O Luke não gosta muito de ter amigos, mas eu tento.
Ela sorriu.
- Por favor entre, talvez esteja com fome ou queira tomar algo. – Ela disse fazendo um gesto para que eu entrasse.
- Não quero incomodar senhora.
- Oh querido, não está incomodando. Não recebemos muitas visitas... Principalmente o Luke. Entre por favor. – Ela insistiu gentilmente. Aceitei o convite e entrei, afinal, ela parecia muito feliz com a minha presença. – Se quiser pode esperar aqui na sala de estar, eu vou chamá-lo. Ele deve estar no quarto.

Ela desapareceu pelo corredor da casa enquanto eu olhava alguns quadros e umas fotos de parede do passado da família. Parecia uma família feliz.
- Eu acho que ele deve ter saído... – Ela disse voltando. – Agorinha ele estava aqui, mas acho que saiu.
- Sabe onde ele poderia ter ido?
- Luke não saí muito de casa, mas as poucas vezes que saí, ele geralmente vai em um riacho não muito longe daqui. Fica a um quilômetro fora dos limites da cidade, através da rodovia 26. – Ela disse.
- Qual o nome da senhora?
- Pode me chamar de senhora Heston. – Ela respondeu sorridente. – Mas também pode me chamar como você preferir, eu não me importo muito como me chamam.
- Senhora Heston, posso fazer uma pergunta? Talvez uma pergunta estúpida...
- Claro querido. Se eu puder responder, assim farei.
- A cidade inteira espalha histórias horríveis sobre a sua família. Não consigo entender o motivo... Afinal, nenhuma delas parece ser verdadeira. – Disse. Eu via o óbvio ali. Aquela era uma família tão feliz quanto qualquer outra, e a senhora Heston não parecia uma assassina nem uma maconheira. – Por que inventaram tantas histórias?

Ela pareceu triste com a pergunta, mas pediu que eu me sentasse em uma das poltronas luxuosas e confortáveis da sala de estar. Ela se sentou em outra que ficava ao lado.
- Já faz quatro anos que meu marido matou o nosso vizinho Phil. O vizinho era uma pessoa que fazia de tudo para arranjar confusões com as outras pessoas, principalmente com o meu marido. Um dia Phil bebeu demais e tentou brigar com meu esposo que por si acabou revidando. Phil estava armado e tentou atirar nele, mas ele foi mais rápido e conseguiu tirar a arma da mão do Phil... Meu marido atirou logo em seguida. – Ela disse. – Por mais que meu esposo estivesse zangado naquele momento, não cabia a ele tira a vida do Phil, mas assim ele fez. Meu marido foi condenado a prisão, e a família de Phil espalhou todas as histórias que você provavelmente deve ter ouvido.

- Eu sinto muito senhora Heston. Sei que seu marido é um homem bom e não quis tirar uma vida de propósito. – Disse. – Mas pelo menos agora sei a verdade. Saiba que desde o começo, não acreditei em nenhuma dessas histórias.
- Obrigado querido. Meu marido era um homem bom sim. – Agora percebi que ela estava aflita. – Ele teve uma parada cardíaca o ano passado... Não conseguiu resistir...


Fiquei sem palavras. Aquele clima foi quebrado quando Luke entrou na sala de estar pela porta da frente. Ele se assustou ao me ver.
- Ai está o meu lindo. – Disse a senhora Heston. – Querido, seu amigo quer falar com você.
- Não somos amigos. – Disse Luke mudando sua expressão. Percebi que ele estava zangado. – Mas talvez ele queira conhecer o meu quarto.

A senhora Heston se retirou sorridente. Segui Luke até o seu quarto. O ambiente era aconchegante, e extremamente... Limpo. As paredes eram tão brancas quanto as nuvens e o chão era revestido por cerâmicas brancas e pretas, criando um enorme tabuleiro de xadrez. Havia um cheiro de perfume masculino no ar. A cama estava arrumada de um modo tão perfeito que me recusei a encostar um dedo no lençol. Havia algumas prateleiras de mogno branco embutido em uma das paredes, e nela estava organizado alguns livros da literatura americana.

- Pode começar explicando o que está fazendo na minha casa. – Ele disse se sentando na beirada da cama e tirando o tênis.
- Eu... Eu meio que quero falar com você...
- Quer falar comigo?! Mas você foi bem claro ontem. – Ele disse zangado.
- Preciso pedir desculpas por ter sido um idiota ontem... Acho que fiquei muito nervoso diante da situação...
- Essas palavras não significam nada para mim. – Ele disse tirando a camiseta e colocando uma outra. – Eu não quero ver ninguém hoje, então se puder ir embora...
- Me beija! – Disse antes que ele pudesse terminar de falar.

Ele me lançou um olhar surpreso. Percebi que ele mexeu os lábios em uma forma de deboche. Me aproximei mais.
- Vai. Eu quero que faça mais uma vez...
- Não! Você quase me bateu ontem e então vem até a minha casa como se nada tivesse acontecido e me pede para beijar você novamente? Isso é ridículo! – Ele disse. – Por favor vá embora. Você não devia estar aqui.

O encarei por alguns segundos. Eu não sabia ao certo se me sentia decepcionado ou magoado. A culpa era completamente dele por eu estar ali, daquele beijo proibido, mas que havia sido diferente e bom. Não me despedi, apenas virei as costas e me dirigi para fora da casa.

~~~ϿϾ~~~

No dia seguinte, fingi que não o vi ao entrar na sala de aula. Sentei ao seu lado como se ele não estivesse ali. Percebi que ele me olhou de lado várias vezes durante a aula, mas fingi que estava prestando atenção na explicação da professora de Biologia. Na hora do intervalo, me sentei na mesa da Neyce e dos seus colegas apenas para provocá-lo. Assim que terminei meu lanche, me dirigi ao banheiro para fazer as coisas básicas como arrumar o penteado. Gelei quando o vi entrar atrás de mim logo em seguida.

- Virou um dos brinquedos da Neyce agora? – Ele perguntou se aproximando.
- Eu acho que não é da sua conta.
- Se quer me aborrecer vai ter que ser melhor do que isso.
Ele começou a tocar levemente minha cintura e depois senti o calor do seu corpo ao encostar no meu. Me arrepiei com o ar ofegante da sua respiração batendo no meu pescoço.
- Para! – Me afastei sendo grosso. – Não posso... Aqui não. Na verdade, acho melhor não fazermos isso nunca mais. É o certo.
- Mas você queria que...
- Isso foi ontem! E você disse não!
- Foi você que Zombou quando eu disse que gostava de você! Foi você que me empurrou quando te beijei! Naquele momento eu me senti o pior ser humano, me senti um nada...
- Queria que eu agisse como?! Você chega em mim de uma hora para a outra e diz que gosta de mim e depois me beija sem a devida permissão... Como acha que eu fiquei naquele momento? Era algo novo, algo que eu nunca havia experimentado... – Disse aumentando o tom da minha voz.
- Então por que não me deixa te tocar agora? Afinal você queria isso ontem...
- E você disse não! Estou confuso! Eu não faço a menor ideia do que está acontecendo comigo! Uma hora eu me arrependo de não ter deixado você me beijar e então eu quero experimentar novamente, mas em outros momentos paro para pensar no quanto isso é errado e que se eu fizer isso vou decepcionar toda a minha família...
- Não vai decepcionar... É a sua família! Eles te amam e devem te apoiar em suas escolhas, devem ficar ao seu lado.

Alguns garotos entraram no banheiro fazendo barulho e brincadeiras um com o outro. Luke me lançou um último olhar e depois se retirou. Terminei de arrumar meu penteado e me retirei logo em seguida. Depois de uns dez minutos, o sino bateu e voltei imediatamente para a sala, mas Luke não estava mais lá. Seus pertences haviam desaparecido misteriosamente. Meu celular vibrou no bolso.

“Ei. Estou indo embora. Não me espere na saída”. – Li a mensagem do Jacke.
Passei as próximas três aulas seguintes sozinho, sem saber ao certo o que havia acontecido com Luke. Talvez tivesse passado mal ou pediu para ir embora mais cedo. Talvez ele estivesse tentando se afastar por que sabia que aquilo estava sendo difícil para mim. Mas eu não estava me conformando com pensamentos. Resolvi passar na casa dele para saber se estava tudo bem.

Me assustei quando a porta da sua casa se abriu. Fiquei mudo, paralisado... Seu olho esquerdo estava completamente roxo e havia várias manchas avermelhadas espalhadas pelo seu rosto. Ele me encarou com receio.
- O que aconteceu?! – Perguntei assustado.
- Nada.
- Fala! – Exclamei. Eu sabia realmente quem havia feito aquilo, mas queria que não fosse verdade. – Foi o meu irmão?! Foi o Jacke que fez isso?!
- Olha eu estou bem...
- Luke!

Ele respirou fundo antes de começar a falar.
- Depois que saí do banheiro, seu irmão me seguiu e dois colegas dele me seguraram enquanto ele encheu de socos. Ele foi bem especifico do porquê estava fazendo aquilo comigo... Você contou a ele sobre nós.
Virei as costas para ele e fui indo embora. Eu estava com muita raiva, com muito ódio. Jacke não tinha o direito de fazer aquilo.
- Tayler! – Luke me chamou enquanto me seguia. – Deixa isso quieto! Ele levou suspensão e eu estou bem. Afinal a culpa é minha mesmo...
- Foi eu que contei ao Jacke sobre o beijo. A culpa é toda minha por ele ter batido em você. Eu juro que ele vai pagar por isso!

Luke não me impediu, afinal devia ter ficado com medo do modo furioso que eu me encontrava. A caminhada foi longa até a minha casa e assim que cheguei, entrei e fui direto encontrar Jacke. O achei na cozinha preparando um sanduiche.
- Tay... – Mas eu acertei a cara dele com um soco antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa. Ele cambaleou para trás. – Mas o que! Por que fez isso?!
- Isso foi por ter batido no Luke. – Eu disse me aproximando e dando outro soco. – E isso foi pela sua covardia!

Ele me empurrou forte, o que apenas me deixou mais nervoso. Corri e joguei meu corpo sobre o dele e caímos sobre a mesa de vidro da cozinha. A mesa se quebrou completamente e eu caí deitado sobre o seu corpo. Jacke me empurrou para o lado para se livrar do peso do meu corpo de cima dele. Continuamos deitado no chão.

- Droga. – Resmunguei. – Você está bem?
- Acho que essa foi a primeira vez que brigamos de verdade. – Ele disse rindo.
- A mamãe vai virar uma fera. Ela adorava essa mesa.
- Acho que cortei minhas costas. – Ele reclamou. De fato percebi que ele tinha vários cortes pelo corpo e um pedaço enorme de vidro encravado no braço direito.

O ajudei a se levantar. Ele colocou seu braço por trás do meu pescoço e o ajudei a chegar até o sofá da sala de estar. Peguei uma toalha limpa e uma garrafa de álcool que nunca havia sido aberta.
- Eu vou tirar isso do seu braço. – Disse. – Fique quieto. Se ficar se mexendo vou acabar machucando mais.
- Tira logo! Está doendo!

Fui puxando devagar enquanto Jacke gemia de dor. Assim que consegui remover o vidro, joguei o álcool sobre o ferimento e limpei com a toalha. Até que ele conseguiu suportar a dor sem gritar muito.
- Por que me bateu por eu ter defendido você? – Ele perguntou. – O garoto merecia, afinal o que ele fez foi algo muito sério... Não sei por que está zangado comigo.
- Por que eu gosto dele... – Disse.
- Não pode estar falando sério...
- Eu estou muito confuso ainda com isso, mas eu sei que gosto dele, sei que gosto de ficar perto dele... E eu preciso muito de você agora... Preciso muito que seja meu irmão e me apoie...

Ele ficou mudo, como se não soubesse o que dizer, mas então quebrou o silêncio.
- Eu nunca deixei de te apoiar um único dia... Nem você. Você sempre me apoiou e esteve comigo. Somos irmãos... Devemos ficar juntos, aconteça o que acontecer... Até mesmo na surra que vamos levar quando a mamãe chegar em casa.

Eu ri e o abracei... Aliás Tentei, afinal ele estava todo machucado.
- Vai tomar um banho. Eu vou dar um jeito de limpar a cozinha. – Disse indo procurar qualquer coisa que me desse segurança ao catar os cacos de vidro.


(CONTINUA – Parte Final)
 


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Postado por Mac Del Rey | (2) Comente aqui!

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