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CONTOS DO LEITOR


A Floresta Negra

(FINAL)

 


Eu levei duas broncas. Uma por ser o responsável por quebrar a mesa e a outra por deixar Jacke completamente ferido. Ele estava bem, mais ainda reclamava de dor. Desisti do jantar, pois queria evitar o olhar “maligno” da minha mãe.
“Como você está?”. – Enviei uma mensagem para o Luke através do WhatsApp.
“Meu olho ainda está roxo, mas já está melhor”. – Ele respondeu. Aquela era a primeira vez que conversávamos virtualmente.
“Sinto muito por isso. Não vai acontecer novamente ”.
“O que você fez?”.
“Consegui quebrar a mesa da cozinha usando o Jacke *-*”.
“○.o Acho que sei o que me aguarda seu eu te irritar alguma vez... ♥☺”.
“Nada vê. Não faria nada contigo. ☻♥♥”.
“Te amo S2”. – Ele mandou. Dessa vez demorei alguns segundos para saber o que mandaria de volta.
“Eu também...”.

Não obtive mais mensagens. Coloquei o celular ao meu lado e abracei o travesseiro, como se fosse o Luke. Eu costumava abraçar o travesseiro quando eu estava gostando de uma pessoa e ela não estava presente.

A floresta estava sombria. O sol havia se escondido no céu nublado. Começou a chover e a trovejar. Luke segurava minha mão enquanto corríamos pela trilha tentando achar qualquer abrigo que nos impedisse de tomar um banho, mas foi em vão. Ele me puxou e nos jogou no chão lamacento.

- Nãoo! Por que fez isso. Olha como estou! – Exclamei.
- Está lindo. – Ele disse sorrindo e me dando um selinho rápido. Logo em seguida, o empurrei de leve e joguei uma bola de lama nele.
Senti o chão a minha volta tremer e a rachar. Em menos de alguns segundos, fui sugado para uma imensidão escura, como se estivesse caindo em um poço sem fim.

Acordei num pulo. Eu nem lembrava de como havia adormecido na noite anterior. Era sexta-feira, o dia da semana que todos odiavam, pois havia aulas chatas e sono acumulado. Jacke estava suspenso, então aquele dia era perfeito para matar aula com o Luke, ele só não sabia disso ainda. Minha mãe levaria eu e Sofie para o colégio e depois iria trabalhar. Me arrumei e tomei um café leve antes de partir.

No colégio, encontrei Luke sentado em um dos bancos do pátio. Me aproximei devagar. Ele sorriu ao me ver.
- Quer fazer uma coisa doida hoje? – Perguntei.
- Que tipo de coisa doida?
- Matar aula. Só nós dois... – Disse.
- Isso parece errado. – Ele disse sorrindo. – E é legal fazer coisas erradas de vez em quando. E também por que se for com você, eu topo qualquer coisa.
Sorri. Saímos rapidamente para fora do colégio. Tentamos não chamar muita atenção, mas as pessoas são curiosas... Elas têm olhos de águia, principalmente linguarudos e fofoqueiros.
- Sabe que vão falar neh? – Ele me alertou.
- Eu não me importo com o que as pessoas falam. Nunca me importei.

Peguei em sua mão e o arrastei para uma padaria próxima, famosa por seus bolinhos recheados com nutella. Conversamos e rimos muito enquanto lanchávamos. Depois ele me mostrou um pouco da cidade, os lugares em que as pessoas mais gostavam de ir, as praças e os monumentos. Paramos em um monumento especifico.
- Você namoraria comigo? – Ele perguntou.

Demorei para arranjar coragem e dizer uma resposta sincera.
- Estou aprendendo aos poucos a gostar de você... É esquisito as vezes, mas eu sinto algo. Pra ser sincero, acho que você me deixa mais confortável.
- Confortável?
- Eu gosto da sua companhia, gosto de estar perto de você. Acho que é o termo correto a se dizer. – Disse. – Alguma coisa mudou em mim, algo que surgiu logo após aquele beijo. Não paro de pensar no modo como aconteceu, a sensação... na forma em que eu queria que se repetisse...
- Quer que eu te beije agora? – Ele perguntou de um modo tão fofo que eu não conseguiria recusar. Mas ele deu uma sugestão melhor. – Bem, se quiser podemos ir para a minha casa. Minha mãe não está lá.
- Eu adoraria.

Senti um certo desconforto quando ele me levou para o seu quarto. Talvez não fosse desconforto, mas vergonha. Ele segurou minha cintura carinhosamente e me puxou de encontro com seu corpo que estava quente. Senti ele acariciar minhas costas lentamente.
- Não precisa ficar nervoso... Se quiser que eu pare...
Mas o empurrei e o prensei contra a parede.
- Me beija! – Pedi.

 

Ele me beijou intensamente enquanto acariciava meu peito e minha barriga. Comecei a dar vários selinhos em seu pescoço de uma forma carinhosa.


Tiramos a camisa um do outro e ficamos no carinho e no beijo por um bom tempo. Depois fomos para a cama decentemente. Deitei sobre o seu peito e ele começou a me fazer carinho e cafuné. Cafuné sempre havia sido o meu ponto fraco. Me deixava mole e com sono.
- Eu amo você Tayler...
- Sabe aquela pergunta? A resposta é sim. Eu ficaria feliz se pudesse namorar você. – Disse.

Ele sorriu. Ficamos horas deitado e conversando. De vez em quando ele me beijava rapidinho e dizia coisas fofas. Pensei que iria cochilar em cima do peito dele, mas me lembrei que precisava voltar para casa.
- Eu preciso ir vida. – Me levantei e coloquei minha camiseta novamente.
- Mas eu queria tanto que ficasse mais... – Ele disse fazendo biquinho.
Eu ri.
- Mas eu quero, queria ficar o dia todo aqui, mas realmente preciso ir. Ninguém em casa pode suspeitar que eu matei aula. Se minha mãe souber ela vai jogar um monte de sermão em cima de mim. Espero que entenda... Mas a amanhã a gente se vê, ou podemos sair hoje à tarde.
- Tudo bem meu amor. – Ele disse colocando sua camisa e me levando até a porta.
Antes que eu pudesse sair, ele me deu um beijo de despedida.
- Eu te amo.
- Eu também.

Enquanto voltava, eu pensava em tudo o que tinha acontecido, o quanto havia sido bom aqueles poucos momentos com ele. Mas meus pensamentos felizes cessaram quando entrei em casa. Muitas das nossas coisas haviam sido encaixotadas novamente. Jacke me encarou animado.
- O que está acontecendo? – Perguntei estranhado a situação.
- Querido? – Disse minha mãe surpresa ao me encontrar na sala. – Que bom que veio mais sedo, assim pode nos ajudar.
- Ajudar? O que está acontecendo? – Perguntei.
- Vamos voltar para nossa casa novamente. – Disse Jacke contente.
- Espera! Por que? Não! Não podemos voltar! – Eu estava apavorado por saber sobre aquilo.

- Querido, hoje recebi uma ligação do meu ex-chefe e ele me ofereceu outra proposta de emprego muito melhor do que eu tinha. – Explicou minha mãe. - É irrecusável. O salário que ele está disposto a me pagar vai nos ajudar a ter uma vida muito melhor.
- Não podemos ir! – Exclamei. Jacke me olhou como se soubesse o que eu estava sentindo. Meu coração estava apertado... Eu tinha que tentar impedir aquela mudança.
- Tayler! Não vou recusar a proposta... – Disse minha mãe com um tom arrogante em sua voz. – Precisamos melhorar a nossa vida...
- Mas foi você que disse que isso era uma nova vida e...
- Uma nova vida que ninguém queria! – Ela exclamou tão alto que me assustei. – Vocês mal olharam na minha cara quando estávamos nos mudando para cá e agora não querem voltar?

 

Fiquei em silêncio. Meus olhos estavam cheios de lágrimas e meu coração estava destruído.
- Arrume suas coisas... – Disse minha mãe. Ela parecia chateada por me ver daquele jeito. Mas nada a faria mudar de ideia. – Não temos tempo a perder. Vou buscar Sofie no colégio e depois volto para ajudar.

Assim que minha mãe saiu, encarei o Jacke que parecia preocupado comigo.
- Eu sinto muito...
- Não! – Exclamei zangado. – Eu sei que é tudo o que você quer!
- Tay...
- Eu preciso fazer uma última coisa... Pode arrumar minhas coisas?! – Pedi.
- Tudo bem. – Ele concordou com a cabeça.
Saí e comecei a correr o mais rápido que pude em direção a cidade.

Dizem que o bom dura muito pouco... Devia ser uma frase verdadeira. É em nossos momentos felizes que a vida dá uma rasteira e nos joga de cara na lama. A vida é assim, repleta de altos e baixos.

Luke sorriu ao abrir a porta, mas escondeu o sorriso quando percebeu que eu estava quase chorando. Me aproximei rapidamente dele e o abracei. Um abraço forte e quente, como se fosse o último que eu daria em toda a minha vida.
- O que foi amor? – Ele perguntou enquanto me levava para dentro da sua casa. – Por favor me fale o que está acontecendo...
- Essa é a última vez que vamos nos ver... – Disse limpando as lágrimas. – Eu só queria passar mais alguns minutos com você...
- Espera?! Por que?!
- Vamos voltar para a nossa casa anterior. – Respondi. – Minha mãe recebeu uma proposta de emprego melhor e ela não quis recusar.

Ele ficou em silêncio. Percebi o quanto aquilo o havia magoado. O abracei novamente e não o larguei.
- Você não pode me deixar sozinho aqui nesse fim de mundo onde todos me odeiam... – Ele resmungou. – Não posso perder a única pessoa por quem me apaixonei...
- Eu não tenho escolha...
- Fica aqui comigo... Você pode ficar aqui em casa... Minha mãe não vai se incomodar... Ela...
- Luke, você não faz ideia do quanto eu queria poder ficar. Queria que as coisas fossem simples... Mas tenho uma família que eu a amo tanto quanto gosto de você. – Disse. Ainda estávamos abraçados.
Ele permaneceu em silêncio por quase um minuto.
- Quero que deixe o endereço da sua outra casa. – Ele pediu. – Quero te mandar presentes...

Assenti positivamente com a cabeça. Encarei seus lábios, mas a iniciativa de beijar foi completamente dele. Um beijo lento e delicado que me permitiu sentir o ar quente da sua respiração. Aquele foi o último beijo, um último abraço e uma despedida completamente dolorosa.

~~~ϿϾ~~~

As árvores passavam rapidamente diante dos meus olhos enquanto minha mãe dirigia para fora dos limites da cidade através da rodovia 26. Vi rapidamente ficar para trás, o riacho em que Luke costumava ir. Eu sentiria muita falta daquele lugar. Jacke segurou a minha mão. Ele estava preocupado comigo, como sempre...

A nossa vida voltou como era antes, Jacke estava feliz, minha mãe estava feliz, Sofie estava feliz... Mas ali não era mais o meu lar. Eu estava me afastando dos meus antigos amigos e das garotas que gostavam de mim. Comecei a passar mais tempo sozinho em meu quarto, perdido em pensamentos e evitando ao máximo mandar uma única mensagem para Luke. Conversas virtualmente apenas machucaria ambos. Eu precisava esquecê-lo... Mesmo que isso fosse completamente difícil.

~~~Ͽ 1 Mês Depois Ͼ~~~
~~~Ͽ 14 de Novembro, Sábado Ͼ~~~
08:13h

Aquele era um dos dias raros em que os moradores acordavam e o sol dominava a cidade. Não consegui dormir até mais tarde. A cama não estava agradável. Eu me virava de um lado para o outro e mesmo assim parecia que estava deitado sobre uma rocha. Então levantei e me arrumei para ir à conveniência mais próxima. As ruas estavam praticamente desertas, o que me preocupava, pois os moradores reclamavam de um suposto assaltante que rondava aquela área. Continuei mesmo assim. Só faltava uma quadra.
- Tayler?! – Ouvi uma voz conhecida me chamar. Era um tom alegre, um timbre maravilhoso.

Me arrepiei ao se virar. O sorriso que ele lançou ao me ver era o mesmo de alguém que tivesse acabado de encontrar um baú de diamantes, ou um punhado de ouro. Corri desesperadamente até ele e me joguei em seus braços com sorrisos de alegria.
- Ah meu deus! Eu nem acredito que está aqui. – Disse alisando seu rosto enquanto ele gargalhava de felicidade. Aquelas era uma das poucas vezes que pude vê-lo sorrir de verdade. – Como você está?
- Estou maravilhosamente feliz por estar aqui. Eu ia tocar a campainha da sua casa mas então vi você saindo...
- Por que está aqui Luke...? – Perguntei estranhando. Era uma pergunta estupida da minha parte, mas eu via em seu rosto que ele não estava ali apenas de passagem ou apenas para me ver.
- Ué eu quis vir... Queria te ver e... Eu pensei que iria gostar... Você me deu o seu endereço e eu não tinha nada a perder... – Ele parecia incomodado com a minha pergunta, pois gaguejava em algumas palavras.
- Acredite, eu amei te ver. Não sabe o quanto estou feliz...
Mas então ele entendeu a minha expressão no rosto e começou a explicar a situação.

- Minha mãe faleceu semana passada... Não foi uma morte dolorosa. Foi silenciosa. Aconteceu enquanto ela dormia...
Fiquei paralisado com aquela notícia.
- Eu sinto muito... – senti um aperto no peito, não apenas pela sua perda, mas sim por que ele estava sozinho.
- Não sinta. Ela está em um lugar melhor. Longe de tudo que a machucava... E está com meu pai. – Ele disse. – Depois disso, eu parei para pensar e cheguei a uma conclusão de que não havia mais nada para mim naquela cidade. Um lugar repleto de lembranças tristes e de pessoas que me viam como um monstro. Então vendi a casa e comprei um apartamento aqui perto. Cheguei com a mudança ontem. Eu queria ter vindo atrás de você antes, mas já estava tarde e eu estava cansado...
- Então, como é que vai ser as coisas agora? – Perguntei.
- Eu não faço a menor ideia... Vou estudar e arrumar um emprego... E se você quiser, podemos ir ao cinema todos os fins de semana. – Ele sugeriu sorrindo.
- Só se eu ganhar um beijo depois de cada filme...
- Bem, quanto á isso, vou adiantar. – Ele disse passando o dedo levemente nos meus lábios.
E então me beijou.


FIM
ESPERO QUE TENHAM GOSTADO 

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Postado por Mac Del Rey | (1) Comente aqui!

Um comentário:

  1. Linda história,é uma pena que hoje não exista esse amor de conto de fadas,infelizmente!

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