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HOMOFOBIA

Estudante morto no Rio havia denunciado homofobia e estupro no Campus da UFRJ.




No último sábado, o estudante de Artes Diego Vieira Machado, de 30 anos, foi encontrado morto em um matagal na Ilha do Fundão, às margens da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, dentro do campus da Universidade Federal onde o rapaz estudava e morava. Sem as calças e com sinais de espancamento, o crime chocou a comunidade acadêmica da Universidade que tem sérios problemas de segurança.
 
Em abril deste ano, Machado fez uma denúncia grave, a de que seguranças de uma obra dentro do campus teriam torturado e violentado um rapaz. A denúncia não ganhou repercussão, mas o estudante deixou anotado em sua rede social: “Ontem, os seguranças das obras do campo de rugby violentaram e torturam um rapaz, o deixando nu e humilhado na rua e atiram contra outros rapazes na quadra da educação física. Nossa segurança interna Diseg, que levou meia hora pra chegar, sendo que eu levo 15 minutos andando pra chegar da prefeitura do campus (onde eles ficam) até o alojamento (lugar que o rapaz buscou pra se proteger), não registrou a ocorrência, não levou o rapaz pra fazer averiguação ou ao medico, e ainda usaram (sic) desculpas do tipo, 'mas o que você estava fazendo aí'. Essa é nossa segurança, que nos protege, chamando a PM para alunos e acobertando seus comparsas estupradores.... Espero que todas tenham um bom dia depois dessas noticias”, escreveu ele.
 
Para familiares, Machado não reportou ameaças mas acreditam que o crime tenha sido por vingança. O programa Rio sem Homofobia informou que amigos haviam denunciado que Machado sofria ameaças homofóbicas e que eles foram reportadas para a Polícia Civil. Pichações hommofóbicas em banheiros e mensagens entre os alunos de cunho homofóbico estão sendo investigadas pela Reitoria da UFPR. O estudante manifestou a vontade de sair do campus, onde morava há pouco mais de um ano e chegou a pedir dinheiro emprestado para uma tia. Alto, lutador de judô e taekwondo, Machado  era natural de Belém do Pará e chegou ao Rio em 2010 para estudar, inicialmente Letras. Machado era contra rótulos e tinha uma sexualidade fluída, segundo amigos.

Delegado diz ter 4 suspeitos e que Diego Vieira, morto na UFRJ, sofria homofobia.



Fábio Cardoso, da DH, ouviu seis amigos da vítima nesta segunda-feira. Rapaz tinha 30 anos e foi achado morto com marca de agressão.

A Divisão de Homicídios (DH) já tem pelo menos quatro suspeitos de envolvimento no assassinato do estudante de letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Diego Vieira Machado, de 30 anos. Foi a que informou na noite desta segunda-feira (4) o titular da unidade, delegado Fábio Cardoso, que ouviu seis amigos da vítima ao longo do dia para obter informações que ajudem nas investigações.

"Os relatos das testemunhas confirmaram aquilo que a gente já tinha informação, de que a vítima era homossexual, circulava bem e era querida no campos, mas que sofria algum tipo de preconceito e ameaças, ameaças essas de cunho homofóbico e racista. Algumas pessoas foram elencadas como sendo pessoas que participavam dessas ameaças contra eles", disse o delegado.

Cardoso revelou que alguns dos suspeitos são estudantes, outros não.

Ao todo, foram ouvidos nesta segunda seis amigos de Diego. Eles deixaram a DH sem falar com a imprensa.

Segundo o coordenador do Programa Rio Sem Homofobia, Claudio Nascimento, que acompanhou os depoimentos, os seis estão muito assustados e temem algum tipo de perseguição. Nascimento destacou que os ouvidos, cinco mulheres e um homem, eram amigos de Diego e conviviam com ele no alojamento para estudantes da UFRJ na Ilha do Fundão, onde o crime ocorreu.

Claudio Nascimento também enfatizou as características de crime ódio na morte do estudante.

"Força bruta, requinte de crueldade e tentativa de humilhação da imagem da vítima, quando a coloca nua, isso dá sim características de crime homofóbico", afirmou Nascimento ao comentar a forma como Diego foi morto.

O delegado Fábio Cardoso disse ainda que aguarda as imagens de câmeras de vigilância do campus para auxiliar nas investigações. Ele também solicitou exames complementares no corpo da vítima para melhor análise das circustância sua morte.

"Sabemos que ele levou golpes na cabeça, mas não sabemos qual foi a causa da morte", destacou.

Nos próximos dias, novas testemunhas são esperadas para prestar depoimento na DH.

Situação preocupante

O coordenador do programa Rio Sem Homofobia, Claudio Nascimento, disse que já entrou em contato com a UFRJ para para cobrar maior apoio no combate à descriminação nas dependências da instituição.

"Estamos muito preocupados primeiro com as denúncias todas, não só em relação ao Diego mas com relação a outros casos de descriminação na universidade anteriormente. Preocupados também com as mensagens homofóbicas e racistas que ocorreram ao longo desses últimos meses", destacou. 'Crime covarde e cruel'.

Titular da DH, o delegado Fábio Cardoso já havia sugerido que a linha de investigação considera que Diego tenha sido vítima de crime de ódio. "As equipes da DH que estiveram no local, verificaram que ele era homossexual e vinha recebendo ameaças homofóbicas e racistas. O corpo foi encontrado sem calça, apenas com camisa. Ele teria sido abordado no campus e agredido na cabeça. Está sendo feita a necropsia. É um crime covarde e cruel, que precisa de uma resposta rápida.", explicou Cardoso.

Diego teria saído na noite de sábado do alojamento da UFRJ para praticar exercícios na região. Apesar do laudo da necropsia não estar pronto, Cardoso afirma que o corpo estava com marcas de agressões na cabeça, o que indica que o golpe possa ter sido a forma que o criminoso usou para imobilizá-lo.

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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