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Aline Barros e o “Demônio de Bolso”



Aline Barros e o “Demônio de Bolso”

Falar de fé no Brasil é literalmente “pisar em ovos”. Isso porque é bem tênue a linha que separa o respeito (e a inquisição) entre os cristãos católicos e os cristãos protestantes. Pessoalmente, prefiro nem falar de assuntos ‘polêmicos’ para uma pessoa protestante, pois algumas coisas podem descambar de uma discussão aparentemente simples para uma “guerra santa” capaz de deixar qualquer jihadista islâmico no chinelo 
Recentemente, um post da evangélica Aline Barros me chamou a atenção. Como não tenho formação teológica e nem tenho preparo espiritual ou exegético para falar de fé, me baseio apenas nas informações coletadas de alguém que acompanha a cultura pop japonesa nos últimos vinte anos. E francamente... Pokémon ser um jogo “do demônio”?


Pois bem, para qualquer um que ache que este ou aquele jogo seja obra “do demônio”,basta olhar dentro de si que o ‘demônio’ aparece!
Informando de verdade: Pokémon foi criado por Satoshi Tajiri. Um garoto japonês que na infância curtia luta entre insetos. Já adulto (e trabalhando na Nintendo – Uma gigante japonesa do entretenimento eletrônico), ele cria um jogo para o portátil Game Boy: Pokémon (acrônimo de POcKEt MONsters = Monstrinhos de bolso). A pessoa participa de lutas virtuais entre treinadores Pokémon, ganhando (ou perdendo) monstrinhos. O sucesso do videogame (que foi sucesso no console portátil – entenderam a sacada “do bolso”?) gerou um desenho animado. O que é algo rotineiro no Japão, já que tudo o que faz sucesso gera um anime (desenho animado), que é um comercial em si para a divulgação de vários outros produtos (brinquedos, parques temáticos, roupas, peças teatrais, cards, alimentos, propaganda em aeronaves, material escolar, transporte escolar, álbuns de figurinhas... A lista é vasta!).
É incrível e invejável o fôlego de Pokémon dentro do voraz mercado de entretenimento japonês. Enquanto alguns produtos fazem sucesso de forma temporária para depois desaparecem, Pokémon no Japão ganhou diversas versões em videogames e diversas temporadas em animação. A série estreou em 1997 na TV Tokyo e – aqui no Brasil - a série deu as caras em 1999 no extinto programa Eliana e Companhia da Rede Record, passando posteriormente por diversos outros canais (Rede TV! e Rede Globo) estando atualmente em exibição no Cartoon Network.

E de fato, o desenho animado realmente rendeu polêmicas pelo mundo afora: Em países muçulmanos, a personagem Misty não era vista com bons olhos por ser um tanto quanto “liberal”. Na Turquia, o desenho animado teve a exibição proibida, depois de um garoto ter se jogado da janela (alegando ter os mesmos poderes dos personagens). E nos E.U.A. (na época da febre dos Card Games), crianças eram vítimas de roubos e furtos de cartões raros. Sem mencionar o famoso caso de epilepsia fotossensitiva (quando uma breve cena do desenho animado levou dezenas de crianças para os hospitais). Sim, elas apresentaram convulsões e náuseas - como num ataque epilético - logo após terem assistido esta cena. Felizmente foi um fato isolado, que não mais se repetiu em nenhuma outra série animada produzida no Japão. Ah, e mesmos os episódios trazidos ao ocidente pela distribuidora norte americana 4Kids a partir de 1998, tiveram o efeito ‘pisca-pisca” devidamente editado e tratado. Foi esta a versão que vimos aqui!


Se de fato (como diz o post da Aline) tivéssemos ciência da notícia de crianças terem tido “alucinações, coma, suicídios e parada cardíaca” decorrente do anime... Isso não seria AMPLAMENTE DIVULGADO a ponto da série ter sido CANCELADA no seu país de origem (e termos material jornalístico para consulta AQUI)? Qual empresa seria louca de ter algo que poderia constituir um CRIME para a saúde pública?? E pior, bancar e manter isso em evidência???
Ah, e sobre o nome do protagonista (o “temível” Pikachu): Pika (que para nós tem um ‘outro’ significado ^_^) significa em japonês ‘raios de luz’. E Chu (ou Chuu) é uma onomatopeia japonesa para o som do rato - Nada de mais! Pikachu é um inofensivo rato elétrico. Tão inofensivo para mim, quanto um Coringa ou uma Arlequina (cujas ‘maldades’ estão somente ali na tela do cinema mais perto de você – Felizmente)!


Não é a primeira vez que verei (e lerei) polêmicas sem fundamento referentes ao universo de Pokémon (ou ao universo do anime). ANIMES, MANGÁS, CARTOONS OU COMICS FAZEM PARTE DO UNIVERSO DO ENTRETENIMENTO. PONTO! A Nintendo ou a Warner – neste momento de crise econômica – estão mais interessadas em lucrar algo com os seus produtos, do que corroborar teorias da conspiração sem fundamento ou sentido! Até porque SE a Nintendo estivesse a fim de ganhar MUITO, MAS MUITO $$$$$$$$, ela desenvolveria sem pestanejar sistemas eletrônicos armamentistas que serviriam tanto para o exército japonês (quanto para o exército da China ou da Coréia do Norte)! Mas coisa fantástica e refinada, coisa de deixar o Pentágono ou o Governo americano em polvorosa!

Antes de criticarem um desenho animado como algo repleto de “bruxaria”, “misticismo” ou “satanismo”... Alguém já viu o lado bom da coisa? Quantos garotos e garotas estão saindo da tela do PC para caminharem? Quantos garotos e garotas interagirem agora no universo REAL? 
Se o RJ não fosse um estado tão FDP no que se refere aos índices de criminalidade, eu andaria sim caçando Pokemons com o meu sobrinho. E talvez até embarcasse na onda criando uma música sobre “o-lado-bom-de-ter-amigos-Pokemons”. Uma oportunidade que a Sra. Aline Barros deixou escapar, após todo este festival de besteiras!

É isso ai!...
CR

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Postado por Estagiario | (0) Comente aqui!

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