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CONFISSÕES DO DIVÃ








Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.
Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:


Para que serve a decepção?

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandreamorim17@hotmail.com


 

Estou cansado de me machucar e me decepcionar. Eu sempre entro de cabeça nos meus relacionamentos e eles simplesmente não duram. O maior tempo que namorei foi 1 ano. Eu tento fazer de tudo para dar certo e no final acabo sendo traído ou o cara dizendo que não quer mais se prender. Eu não acho que me decepciono fácil, pelo menos na maioria das outras áreas da minha vida isso não acontece com tanta frequência. Mas a minha vida amorosa é um verdadeiro desastre. Queria poder fazer algo com todas essas decepções. Afinal para que ser a decepção? Deveria servir para alguma coisa boa pelo menos.

Nelson, 23 anos

           
Olá Nelson. Decepção é uma palavra dura, com um efeito negativa, e todos nós sabemos o que é sentir isso. Todos nós já nos decepcionamos alguma vez na vida. Mas precisamos compreender que cada sentimento tem sua razão de existir. Não dá para fugir dos sentimentos que nos fazem mal, tentar fazer isso pode custar um preço alto, e desenvolver uma imaturidade para lidar com o sofrimento e com outras questões da vida é talvez o maior deles.

Vamos encarar a decepção. Esse sentimento de gosto ruim pode surgir de muitas maneiras, e se relacionar a diferentes aspectos de nossas vidas, principalmente naqueles que envolvem relacionamentos com pessoas importantes – inclusive o relacionamento que temos com nós mesmos.

Ao nos decepcionamos, fica implícito também que haviam expectativas que não foram alcançadas. Entender que existe uma relação entre a decepção e as expectativas que criamos é o primeiro passo para aprendermos a lidar com esse sentimento.

Se a decepção é consigo, normalmente ela serve para repensarmos se não estávamos iludidos com um excesso de confiança. O excesso de confiança pode gerar um ferimento muito grande quando falhamos. A decepção aqui, nos serve como um medidor para reavaliar qual tamanho e força temos, e começar a correr atrás do prejuízo.

Quando não conseguimos reavaliar isso claramente, a decepção poderá tornar-se um grande problema. Pois ao invés de nos impulsionar para lutar e melhorar, o indivíduo se entregar a um fatalismo, a uma passividade e se tende a desistir. Nesse sentido ele pode até fazer uma reavaliação, mas ela terá um resultado contrário fazendo com que ele enxergue uma imagem ilusória sobre sua real capacidade.

Não menos difícil é quando nos decepcionamos com alguém com quem nos relacionamos. Quanto maior a expectativa e o sentimento envolvido, maior o choque quando esse outro se mostra de uma forma que não esperávamos. Nos relacionamentos amorosos isso acontece com frequência, em maior ou menor grau, e serve para quebrarmos as projeções que fazemos (inconscientemente) em nossos parceiros. Quando nos apaixonamos nos envolvemos por uma série de expectativas ilusórias e com as decepções (grandes ou pequenas) elas vão sendo derrubadas. Dentro do relacionamento amoroso a decepção é uma ferramenta, que precisa ser encarada com maturidade, desse modo ela nos faz conhecer melhor quem está ao nosso lado.

É doloroso mas é de grande ajuda. Pois isso te faz ver o outro como ele realmente é e não como imagina (ou gostaria) que ele seja. É possível dizer que somente após esse processo é que existe amor. Pois a rigor, quando se ama alguém, ama-se suas qualidades e defeitos.

O ditado que diz que “o amor é cego” se refere a essa dificuldade que temos de ver a pessoa amada claramente como ela é. Mas cabe ressaltar que nem todas as decepções amorosas estão relacionadas com expectativas criadas. Por exemplo, quando no início da relação um ou o outro fingem ser uma pessoa que não é apenas para conquistar o parceiro, cedo ou tarde isso levará a uma grande decepção. Aí é quando ouvimos “mas esse não é o cara que conheci”. Talvez não seja mesmo, nem nunca tenha sido ou nunca será. Foi apenas uma encenação. A pergunta nesse momento deve ser: Será então que vale a pena ficar insistindo em uma relação com uma pessoa que fingiu ser outra durante os primeiros encontros (semanas ou meses)? Você tem condições de recomeçar com essa pessoa que conhece agora?

Enfim, são muitas coisas para pensar e aprender com elas! Precisamos ser capazes de suportar as decepções sem fugir delas só assim elas nos ajudarão a amadurecer.




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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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