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DIREITOS

Eu me assumi transgênero e nunca fui tão feliz.




Eu me lembro de ouvir sobre pessoas transgêneros pela primeira vez quando eu tinha onze anos. Tal fulano, um 'pai' tinha passado por uma cirurgia de 'mudança de sexo'. 

Isso era relacionado comigo através de sorrisos e vozes abafadas, faladas em tom de ridículo. 'Ele' tinha uma doença mental e nós não tínhamos que mencionar nada. Eu implicitamente entendi que essa era a causa da fissura que contribuía para uma família em pedaços.

Acho que passei dez anos no armário, se você contar desde a primeira vez que a palavra "gênero" entrou no meu vocabulário interior para descrever o que havia de errado comigo. Quando eu finalmente assumi para todo mundo, bem no mês do Orgulho, a ideia de orgulho parecia distante e pouco familiar - tudo o que sentia era vergonha.

Eu não me olhava em espelhos, eu dizia às pessoas que era okay não identificar corretamente meu gênero (afinal de contas, eu sabia como era), e eu tinha me resignado quando fi a transição puramente pelo meu próprio benefício, sem expectativa de validação do mundo de fora.



Eu fiquei em casa durante a parada.

"Outra palavra bem comum que eu ouvi as pessoas transgênero usarem para se descrever é 'monstro'.'"
Gente demais se sente assim. Mesmo na comunidade queer, ser transgênero pode ser parecido àquelas árvores falsas de Natal - retiradas e celebradas uma vez ao ano, mas em sua maioria largadas em uma esquina do porão e que não são vistas realmente como tão boas quanto a "real".

Eu sabia que fazer a transição seria assim. Eu imaginava isso. Eu sabia que as feministas radicais me odiariam e que os homens heterossexuais cis me veriam somente através do seu próprio ego.

Você pode não saber, mas a palavra número um associada a ser transgênero é "disforia", uma palavra vagamente médica atribuídas às pessoas transgênero em como as pessoas descrevem como os espelhos e as pessoas que você pensava que eram suas amigas agora fazem você chorar.

Mas outra palavra bem comum que eu ouvi as pessoas transgênero usarem para se descrever é "monstro".

Como disse, eu sabia que me esperava toda essa dor antes que eu dissesse uma pessoa sequer. Mas o que ninguém me preparou foi a alegria.

Outra palavra bem comum que eu ouvi as pessoas transgênero usarem para se descrever é 'monstro

"Você já alterou completamente o curso de sua vida para melhorá-la e ser mais verdadeiro com você mesmo?.'"
A primeira vez que conheci alguém que me validou completamente, independente de quem achava que era, ou o que estava vestindo, ou falando, eu tive um pensamento passageiro, "Talvez se eu tivesse um dia como esse quando todos me tratassem dessa forma, seria suficiente".

E então esse dia chegou e eu fiquei surpresa de encontrar que sim, na verdade era suficiente.
Uma hora alguém te chama de bonito (ou lindo, meus caros trans homens), e você pode ver nos seus olhos o que realmente significa. Sua vida começa a se tornar ciência ficção quando as pessoas começam a esquecer seu velho nome, começam a falar do seu velho eu como se você fosse uma outra pessoa e quando você conhece novas pessoas que somente eles conhecem os pronomes corretos. Eles conhecem apenas a pessoa real.

Você começa a olhar nos espelhos novamente. Um dia você descobre que mesmo quando pensa com desdém que parece demais com o gênero errado, você sabe que você não é. Você é real.
Para mim, tornou-se não somente uma transformação do corpo, mas do espírito. No início, eu participei de eventos LGBTQ me sentindo um outsider. 

Com o tempo, eu comecei a ser empurrado pelas vozes queer que eu sempre deveria ter ouvido, ao ser testemunho de histórias de queer mais velhos que sobreviveram na crise da AIDS, ao beber a raiva de alguém recitando um poema de alguém que nasceu com o gênero certo, no corpo certo, mas que ainda se sente como um monstro.

Um sentimento pequeno cresceu em mim, como uma pedra redonda e suave que você tropeça quando é criança, uma coisa especial que eu não sabia que poderia sentir: comunidade.

"Para muitos, assumir-se como transgênero significa que você escolhe viver em um mundo mais perigoso [...] e que você será inevitavelmente exposto às pessoas que desejam ver seu corpo com nojo. 

Mas para mim, também representa comunidade com outras mulheres queer e seu amor crescente pelas pessoas que enfrentaram desafios e ainda assim continuaram puxando por mudanças".

Existem incontáveis pessoas transgênero como eu, cujas vidas não são tragédias gregas antigas, mas comédias, movendo-se do isolamento para a comunidade. Eu cada vez mais me vejo em um lugar onde as pessoas agem de forma paternalista, cumprimentando-me com, 

"Ei, MOÇA maravilhosa" se eles me conhecem, ou me oferecem ajuda, ou me dizem que não conseguem imaginar como minha vida é difícil, quando quase todos os dias minha vida está melhor do que jamais foi.

Afinal, você já alterou completamente o curso da sua vida para melhorá-la e ser mais verdadeiro consigo mesmo?

Uma hora eu refleti sobre a ideia de orgulho e ela se elevou em mim, como uma flor que cresce daquela pedra suave e redonda que eu tenho estado me agarrando. Sim, para muitos, assumir-se como transgênero significa que você sempre terá a tensão com sua família, que você escolhe viver em um mundo mais perigoso e que você inevitavelmente será exposto a pessoas que veem seu corpo com desprezo.

Mas para mim, também representa a comunidade com outras mulheres queer women e o amor crescente por pessoas que enfrentaram os desafios e continuaram puxando por mudanças.

Alguns dias atrás, eu tive uma conversa com um aliado (?) bem-intencionado que me disse que se ninguém fosse descartado pelos pais ou insultado com comentários homofóbicos em banheiros, que não haveria necessidade para a comunidade LGBTQ -- a comunidade seria integrada e aceita amplamente pela sociedade.

Eu não sabia bem como me expressar naquele momento, mas após pensar um pouco eu sei porque eu discordei da ideia: o que muitos parecem não entender é que a comunidade queer é frequentemente melhor.

Nós queremos integrar você na nossa sociedade.

Eu sei que existem elementos problemáticos até mesmo na comunidade queer, mas para mim, e as pessoas amorosas que eu tenho tido a sorte de conhecer desde que me assumi, o "feminismo intersectorial" não é uma frase suja.

É ok que os homens chorem. Se há alguém enfrentando algo que você não entende, você supostamente precisa ouvi-los e não falar por eles. E ser verdadeiro consigo mesmo, como eu estou aprendendo, é visto como belo.

Este ano eu participarei do orgulho. Se eu tiver sorte, talvez conhecerei alguém novo e mostrarei a eles como eles são belos também.

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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