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CONFISSÕES DO DIVÃ









Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

A síndrome de Peter Pan existe mesmo?

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandreamorim17@hotmail.com


 

Olá, tenho um grupo de amigos inseparáveis. Eu, mais um outro homem e uma mulher. Somos todos gays e amigos desde o final da adolescência. Acompanhamos as vidas uns dos outros desde então, altos e baixos, relacionamentos, crises e tudo que se possa imaginar. Porém, nosso amigo que hoje tem 39 anos nunca deixou de morar com os pais. Eu e minha amiga nos preocupamos muito com ele e com esse fato que no mínimo sempre nos pareceu estranho. Ele é muito dependente dos pais emocionalmente e em algumas fases da vida até financeiramente. Ele nunca consegue manter um relacionamento amoroso por muito tempo por que isso assusta qualquer pretendente. E seus únicos amigo somos nós. Buscando na internet li algo sobre uma síndrome de “Peter Pan”, onde a pessoa se recusa a crescer e tornar-se responsável pela própria vida. Ela existe mesmo? E existe um tratamento para isso?
Alan, 36 anos
          

Olá Alan. Sim a síndrome de Peter Pan existe.

A comodidade da casa dos pais, onde não se tem muitas responsabilidades além do “dever de casa” e de organizar o quarto, a comida está sempre quentinha na mesa e além disso tem a super proteção dos pais, são coisas das quais pode ser difícil se libertar. No entanto, chega uma hora que esse rompimento natural acontece. Exceto para aquelas pessoas que podem ser portadoras da Síndrome de Peter Pan.

Essa síndrome que não é considerada uma doença (pois não é referenciada nos manuais de transtornos mentais), se caracteriza por certos traços da personalidade que estão associados a uma imaturidade psicológica e pelo narcisismo.

Em resumo, são pessoas que se negam a envelhecer e que permanecem dependentes dos pais, emocional e financeiramente. Muitas pesquisas já foram feitas em busca de se descobrir uma causa comum, o que parece comum as pessoas com essa síndrome é que ao invés de viverem as mudanças psicológicas naturais da adolescência, elas “pulam” essa etapa.  Elas passam diretamente da infância para a fase adulta, esquivando-se justamente da adolescência onde uma série de etapas do desenvolvimento da personalidade são importantes.

Esta síndrome, foi descrita e aceita na área da Psicologia desde a publicação do livro The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up ou “síndrome do homem que nunca cresce”, escrito por Dan Kiley, em 1983. Mas desde então, nada se estabeleceu para que ela pudesse ser identificada e classificada como um doença ou transtorno mental.

Sintomas da Síndrome de Peter Pan:

A Síndrome de Peter Pan se mostrar-se por meio de traços da personalidade do indivíduo, que se nega a crescer e é bem mais frequente nos homens do que nas mulheres.

Entre os seus principais sintomas, estão a irresponsabilidade, a dependência, a ansiedade e o conflito relativo ao papel sexual.

A irresponsabilidade característica da síndrome, pode ser o resultado da falta de limites ou punições no processo de criação e educação dos filhos. Nesse aspecto, podemos encarar a educação dos pequenos como uma importante fase de prevenção a complicações como a Síndrome de Peter Pan.

Já a ansiedade, neste caso, se apresenta como uma profunda insatisfação consigo, embora, muitas vezes, não o demonstre diretamente e pode estar, da mesma forma, ligada à forma como o indivíduo é criado e educado.

E o conflito sexual se apresenta como um desconforto no ato sexual ou falta de clareza do que prefere ou gosta de exercer.

Não existe um tratamento especifico, o caminho mais eficaz para o tratamento da Síndrome de Peter Pan é a psicoterapia. Nesse processo, será realizado um trabalho voltado para o autoconhecimento, tentar recuperar o que foi perdido pelo passar da adolescência. O tempo de tratamento é bem relativo e vai depender das respostas de cada paciente




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Postado por Mac Del Rey | (2) Comente aqui!

2 comentários:

  1. A vida é feita de escolhas, nos quais, cada um vive da forma que julga melhor, o importante é ser feliz!

    Eu mesmo não abandono o conforto da casa de meus, e vivo muito bem, embora às vezes, falta uma certa liberdade...

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  2. Às vezes, a pessoa mora com os pais ou com um dos pais, porque é o filho que sustenta e cuida do progenitor. Neste caso, não é Síndrome de Peter Pan, mas esse filho precisa achar um tempo para se dedicar à vida amorosa romântica, caso ele sinta essa necessidade.

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