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CONFISSÕES DO DIVÃ







Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

Como posso reconstruir minha autoestima depois de ter sido brutalmente rejeitado?

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandreamorim17@hotmail.com



Olá, tenho um amigo de adolescência, meu melhor amigo desde os 13 anos na verdade. Eu me apaixonei por ele em torno dos 16 anos. Nessa fase nós tivemos alguns pequenos contatos sexuais, tipo masturbar um ao outro. Nunca nos beijamos na boca ou houve penetração. Naquela época nenhum de nós se assumiu gay ou tinha consciência disso. Aos 18 eu me assumi para mim e para o mundo, inclusive para ele. Continuamos sendo amigo e eu me apaixonei mais ainda. Agora aos vinte anos ele ficou com um cara pela primeira vez e disse ter certeza que também é gay. Primeiro eu explodi de ciúmes e depois eu vi a oportunidade que sempre esperei. Porém ao me declarar ele foi cruel. Disse que nunca namoraria comigo, que eu não sou o tipo dele, que eu dou muita pinta, e um monte de coisas horríveis. Não sei nem se consigo levar a amizade adiante, estou com minha autoestima destruída. Fazem três semanas e eu só consigo chorar. Como posso superar isso? Como posso reconstruir minha autoestima? Devo procurar por terapia?
Rodrigo, 20 anos
          

Não é um caminho fácil superar uma rejeição amorosa. É muito ruim a sensação de ser rejeitado por alguém, sobretudo quando essa pessoa é alguém que você ama muito. Esse tipo de situação acaba com a autoestima da pessoa mais confiante possível. Mas não adianta ficar se sentindo o ser mais desprezável do mundo. É preciso levantar a cabeça, deixar a depressão de lado e continuar a vida. Não é por uma rejeição amorosa que sua vida chega ao fim. Você não pode deixar esse caso destruir sua autoestima e determinar quem você é. Ainda existem diversos outros amores a serem vividos por você, então comece pelo amor a si mesmo.

A palavra “rejeição” é forte e carregada de muitos significados negativos. O seu primeiro passo pode ser tirar essa palavra do seu vocabulário. Chega de pensar que você é uma pessoa que foi rejeitada por quem mais ama, que sofreu uma rejeição amorosa. É preciso olhar com outros olhos. Decepções amorosas acontece com todo mundo e todas as diversas fases da vida, isso não é uma exclusividade sua. Então comece a se olhar no espelho e ver quem você realmente é, valorizando seus defeitos e suas qualidades, suas conquistas pessoais e profissionais. Sobretudo não se culpe pelo que quer que tenha acontecido. Tampouco procure outros culpados. As coisas são como são no jogo do amor, não há lógicas, tente aceitar. Você merece sorrir, ser feliz, se abrir para um futuro relacionamento com alguém que te valorize e enxergue quem você é.

Não será fácil, principalmente no início, mas você vai precisar agir com inteligência emocional. Tente elevar sua autoestima amando a si mesmo em primeiro lugar. Quem você é e sua felicidade não são determinados por terceiras pessoas! Valorize-se acima de tudo. Valorize a sua companhia, a sua história, o que você tem a oferecer e acrescentar na vida de outra pessoa.

Esse é um momento em que seus amigos podem ser de grande ajuda. Mantenha-os por perto. A presença de amigos te estimula à sair de casa, fazer atividades que te relaxem e descontraiam, que te façam esquecer tudo relacionado à rejeição amorosa. Você vai voltar a gostar da sua própria companhia e vai perceber que existem diversas pessoas que te amam, te aceitam e te valorizam como você é.

Em alguns casos é preciso por um período de luto. Sim, enterrar os mortos, chorar as dores, concertar o que ficou disso tudo e esquecer o que passou. Se você sentir essa necessidade, não tenha medo de vivê-la! Faça o seu luto e você se sentirá melhor preparado para um novo amor. Não tenha pressa para nada, nem pense que nunca mais irá amar alguém. Apaixonar-se outra vez irá acontecer tão naturalmente quanto respiramos.

O tempo é um bom remédio. Se ficar muito difícil, você pode sim procurar por ajuda no processo terapeutico.




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Postado por Mac Del Rey | (1) Comente aqui!

Um comentário:

  1. Olá Rodrigo, eu passei por isso a um ano atrás e vou falar pra vc, não foi fácil, foi difícil, muito, ainda mais a pessoa que eu amava era meu primo, fiquei apaixonado por ele por mais de 5 anos e quando resolvi finalmente me declarar pra ele nossa foi o fim do mundo pra mim, ele riu de mim, debochou, fez meus outros primos se distanciar de mim, fiquei isolado com minha tristeza, mas consegui superar, hj voltamos a conversar, ele msm viu como me deixou e acabou me ajudando a dar a volta por cima.
    Superei mas criei um trauma que não consigo chegar em outros garotos, não consigo fazer novas amizades, simplesmente nao consigo, então chore, chore muito pq alivia, ajuda a superar e nunca se esqueça que os nessas horas são essenciais para não entrar numa depressão, meus amigos e até msm meu primo q me destratou tanto foram essenciais.

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