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CONFISSÕES DO DIVÃ






Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.
Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.
Bem, vamos ao tema de hoje:


Não aguento mais a relação com meu Pai... “Pais Tóxicos”, o que fazer?

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandreamorim17@hotmail.com






Eu sinceramente não me considero um filho ruim. Nunca usei drogas, nunca fumei um cigarro sequer, nunca reprovei de ano na escola ou tirei notas baixas, nunca me meti em uma briga, nunca cheguei de porre em casa, nunca faltei com o respeito com os meus pais ou outros familiares, porém desde que eu me entendo por gente meus pais, principalmente meu pai, me julga pelo o que eu faço ou deixo de fazer da MINHA VIDA PESSOAL. E isso não é somente com o fato de eu ser gay. É referente a tudo mesmo, minhas escolhas profissionais, da faculdade, das roupas que eu uso, da minha alimentação e de tudo mesmo que você possa imaginar. E eu já tenho 24 anos de idade. Acredito que eu sou mais um das muitas pessoas que sofrem abusos dos seus pais. E eu realmente cheguei ao meu limite. Hoje eu sinto que meu pai me destruiu por dentro, arruinou muita coisa na minha vida e tenho a impressão que vou passar a vida reconstruindo a minha autoestima. Finalmente vou me mudar e acho que a distância física vai ajudar um pouco. Eu nunca o vi como uma boa pessoa e a impressão que tenho é que ele só vai para de infernizar minha vida o dia que morrer (ou nem isso). A voz dele já está dentro de mim, dizendo que eu sou o maior erro da vida dele, que eu nunca serei ninguém e que nunca vão me respeitar. Parece absurdo, mas é isso que eu ouvia do meu pai toda vez que cometia um erro (seja esquecer as chaves de casa, ou algum erro mais expressivo na minha vida). O fato é que eu não aguento mais a relação com meu Pai. Eu penso em me mudar e nunca mais falar com ele, mas não há ninguém que me apoie nessa decisão. Eu preciso me afastar dele definitivamente ou de fato eu nunca vou conseguir chegar onde quero. Existe na psicologia algo sobre isso? Será que com terapia eu consigo ajuda?

Ruben, 24 anos

           
Olá Ruben. Primeiramente gostaria de começar lembrando que todos os pais cometem erros graves. TODOS. Embora nas últimas décadas, tenhamos visto gerações de pais melhores e com uma preocupação constante com o desenvolvimento dos filhos. Mas ainda há erros e estamos definitivamente longe de qualquer perfeição. Nenhum pai ou mãe consegue, por inúmeras razões, atender com afeto às necessidades de seus filhos. Mesmo que conheçam a teoria, colocar em prática nem sempre é fácil ou até mesmo possível para todas as pessoas. É comum que a maioria dos pais gritem de vez em quando. É comum que se descontrolem. É comum que adotem uma postura excessivamente controladora. Até pode acontecer que se enervem ao ponto de dar uma palmada, quando criança. Isso NÃO os transforma em maus pais. Somos humanos. Temos os nossas limitações e defeitos. E ainda que, na maior parte do tempo estejamos “lá” para os nossos filhos, é esperável que falhemos sem que isso provoque grandes danos. O importante é que as crianças cresçam “inundadas” de demonstrações claras de amor e afeto.

No entanto, há sim casos de pais que não erram apenas pontualmente. Há pais que erram de forma continuada. Há crianças que lidam diariamente com padrões de relacionamento que as destroem por dentro. Esses são os casos de pais tóxicos.

Os pais tóxicos assumem comportamentos abusivos, muitas vezes de forma disfarçada, e causam assim inúmeros danos e traumas a personalidade de seus filhos. Às vezes, os abusos estendem-se até à idade adulta. O que parece ser o seu caso.

Exemplos de comportamentos abusivos: 1) Usar a violência física para “educar”. 2) Criticas excessivas. Dizer à criança que ela não presta para nada. 3) Imposição das regras através do medo. 4) Colocar nos ombros da criança responsabilidades dos adultos. 5) Chantagear. 6) Humilhar privada ou publicamente. Entre outros.

No consultório Psicológico, é comum que os adultos que foram vítimas de comportamentos abusivos dos pais apresentem problemas de autoestima e muitas vezes assumem comportamentos autodestrutivos.

Em sua grande maioria, esses sentimentos estão associados ao fato de terem crescido com a sensação de que eram responsáveis e/ou merecedores dos abusos. Quando se é criança, é mais difícil perceber que o erro não está em si e sim nos pais. É muito mais difícil perceber que aquele adulto, que deveria amar e proteger, não é, na verdade, uma pessoa de confiança. E à medida que o filho cresce, é comum que ele torne-se um adulto inseguro, que carregue consigo sentimento de culpa e de inadequação.

A terapia pode lhe ajudar SIM. Hoje adulto, você percebe que não é responsável por aquilo que lhe fizeram quando era uma criança e pelo que também continuou sendo feito até hoje. A terapia vai ajudá-lo, entre outras coisas, a desenvolver estratégias para libertar-se da influência dos abusos – independentemente da relação que atualmente exista com os seus pais.

Sobre distanciar-se definitivamente de seus pais, ou do seu pai, você terá que lidar com uma norma social muito forte que nos é imposta desde muito cedo, de que “pai é pai e mãe é mãe”, ou “pai e mãe são para sempre”. É por isso que você dificilmente vai encontrar apoio. Mas já existem estudos e pesquisas que apontam a importância de divorcia-se de pais tóxicos para conseguir viver a própria vida.

Os filhos quando adultos são muitas vezes alertados e “ameaçados” de que ao se divorciar de seus pais, eles irão pagar um preço por isso. Dizem que vão se arrepender eternamente ou que isso se repetirá com seus filhos, pois indiretamente você estaria ensinando isso para eles. Não necessariamente. Em uma situação como essa você pode ensinar aos seus filhos, por exemplo, que ninguém tem o direito de controle sobre outra pessoa. Que os relacionamentos para serem saudáveis precisam ser livres. Não existe nenhum relacionamento tão sagrado que não possa e não deva ser destruído por motivos de abuso, crueldade e maldade. Se nós queremos ser amados, devemos agir amorosamente.




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Postado por Mac Del Rey | (2) Comente aqui!

2 comentários:

  1. Estes lances de atritos com os pais são normais.... Aqui também temos, faz parte.
    O amor supera as diferenças de idias, pensamentos e tal.
    Reflta!

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  2. texto muito bom, eu tb com o meu pai não tenho um relacionamento, sempre sendo inferiorizado, ofendido, ridicularizado, com agressões físicas tb, mas com o tempo e a separação tudo melhora tenha sua casa sua vida ganhe seu dinheiro, seja independente e feliz

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