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DIREITOS

É mais fácil o pai aceitar uma filha lésbica do que a mãe?




Recentemente, viralizou um vídeo em que um pai e suas três filhas promovem uma "brincadeira": fingem que uma delas é lésbica, como se estivesse saindo do armário, para "trollar" a mãe. Em uma mesa de jantar, a história se desenrola. Ao que parece, eles mostram à mãe uma foto em que a menina, de quinze anos, parece estar beijando outra menina. 

De início, mesmo brava, a mãe afirma que a imagem não é verdadeira e que aquilo é apenas uma brincadeira. Com a insistência da família, sobretudo do pai, ela se convence de que a imagem não é falsa e começa a exigir que a filha entregue o celular, como uma espécie de castigo e maneira de manter o controle sobre a sua vida. O vídeo é problemático, num primeiro momento, por satirizar e banalizar uma situação crítica na vida de mulheres lésbicas e bissexuais. Mas é também problemático por reiterar a histeria da mulher em oposição à tranquilidade do homem.


*Cena do vídeo em que família simula lesbiandade de menina de quinze anos para assustar a mãe




Quando a mulher se levanta e bate na mesa, o homem ri. Quando a mulher grita, o homem diz "vamos conversar". Quando a mulher pega utensílios de cozinha para ameaçar a filha, o homem continua rindo e pede calma. Quando a mulher persegue a filha com uma faca, o homem a segura e o som de suas risadas fica mais evidente. Depois, segurando-a, ele diz: "para! tá louca?". Quando a situação extrapola todos os limites, a mulher é informada de que tudo não passou de uma piada e é levada para o quarto pelo marido. 

Algumas lésbicas têm mais dificuldades em contar para a mãe sobre a sexualidade, outras têm mais dificuldades em contar para o pai; para outras é impossível contar para qualquer um dos dois; e há, ainda, as que não tiveram grande dificuldade em dividir essa parte de suas vidas com qualquer figura da família. 

Sair do armário é uma situação que se dá de maneira particular de acordo com a dinâmica de cada família, e por isso é difícil fazer generalizações. Ainda assim, analisando o vídeo em questão e a posição social que ocupam as mulheres, é difícil não perceber que, na maior parte dos casos, é mais fácil para o pai lidar com a lesbiandade da filha do que para a mãe. 

Em uma cultura em que a maternidade é atividade central na disposição de prioridades da vida de uma mulher, é de se esperar que de nós não seja cobrada apenas a reprodução, mas sobretudo uma boa criação dos filhos no significado tradicional que isso carrega. Quando se trata de uma filha mulher, há uma cobrança dupla: além de ser ela mesma uma mulher que deve cumprir com aquilo que a sociedade espera, ela pôs no mundo uma outra mulher, e seu compromisso é garantir que esta cumpra, tanto quanto ela mesma precisa fazer, o que é socialmente aceito para uma pessoa do sexo feminino. 

O homem, por outro lado, nunca viveu sob a pressão da paternidade. Quando é um pai presente, isso é encarado como uma qualidade, e não como o cumprimento de uma obrigação. Quando é um pai ausente ou não assume os filhos, este é apenas o modus operandi da masculinidade e da paternidade, no Brasil e no mundo, onde os números de abandonos paternos são alarmantes. 

Pela nossa construção sobre o que é ser uma mulher e sobre o que é ser um homem, entendemos também como são construídas as responsabilidades de um pai e de uma mãe no núcleo familiar. Ao homem, de acordo com o que é exigido a ele, é mesmo fácil assumir o papel de um cara boa pinta, tranquilão, que faz brincadeiras e lida bem com a possibilidade de sua filha ser lésbica. À mulher, no entanto, nunca houve a chance de estar em outro estado senão o de colapso nervoso: ela está sempre por um fio de não estar sendo boa o suficiente, de não ser mulher o suficiente e de não ter ensinado suas filhas a serem suficientemente mulheres. Ela é sempre questionada e empurrada a um estado de ruptura de sua sanidade. 

Hoje, mais do que falar sobre a lesbofobia de uma mãe, me interessa falar sobre a leviandade de um pai.

Larissa Rosa - Estudante de jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.

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Postado por Andy | (2) Comente aqui!

2 comentários:

  1. Achei meio exagerado o texto. As vezes, quando uma situação fica tensa, inconscientemente a pessoa começa a dar risada, mesmo querendo na verdade se controlar e agir mais conscientemente. Ali fica mais claro ainda pois se tratava de uma trollagem, inclusive as filhas riem por um tempo. Não é pq se é Homem q ele agiu dessa forma, foi uma reação natural do cerebro em contraste daquela situação.

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  2. Talves a mulher tenha ficado mais irritada, diante dos risos das filhas e do marido. Ou, quem sabe, neste dia, estivesse num estado de nervosismo ou mesmo de uma alteraçao hormonal que ocorre entre as mulheres. Por isso, se diz que os homens nao compreendem as mulheres e vice e versa. Ou que eles sao todos iguais e elas idem... Lembro me de certa vez, ter discutido com uma amiga e claro, via-se que ela estava completamente errada, mas fui contido por outras mulheres e so depois fui entender que as mulheres tem um periodo hormonal, que altera o humor delas...

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