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MINHA VIDA GAY

Cristão hétero fingiu ser gay por um ano para superar seus próprios preconceitos.




Cristão hétero fingiu ser gay por um ano para superar seus próprios preconceitos.

Timothy Kurek nasceu e cresceu em uma família cristã evangélica. Estudou em escolas cristãs e se graduou em uma universidade considerada conservadora. Heterossexual, Kurek tinha uma opinião muito bem formada a respeito da homossexualidade: para ele, a relação entre pessoas do mesmo sexo tinha origem pecaminosa e isso poderia ser curado com a ajuda da igreja.

Em 2008, porém, uma situação específica fez com que Kurek tivesse uma epifania que mudou sua vida e, especialmente, a forma como enxerga as questões de sexualidade e gênero. Em uma noite desse ano, ele estava se divertindo com um grupo de amigos em um karaokê e conversava com uma jovem que tinha acabado de conhecer, a Liz.

A certa altura da conversa, Liz perguntou ao novo amigo: “Como é possível que você seja cristão?”. Antes de Kurek elaborar qualquer resposta, a jovem começou a contar a sua história. Lésbica, ela estava vivendo um momento particularmente difícil, que foi a rejeição da própria família, também cristã, ao saber sobre sua orientação sexual.

O pai de Liz a deserdou assim que soube de sua orientação sexual e disse que não poderia dar suporte a uma filha lésbica. A mãe falou que ela só poderia voltar para casa quando tivesse “curada”. Ao ouvir a história da jovem que, a essa altura, chorava nos ombros de Kurek, tudo o que ele pensava era em encontrar uma forma de curar a homossexualidade da moça. Para ele, esse era o seu papel como cristão: ler para ela os seis trechos da Bíblia que condenam as relações homossexuais.

Antes de começar a falar alguma coisa a respeito da tal cura, Liz acabou indo embora e Kurek teve uma espécie de epifania: de repente, ele percebeu que talvez seu papel como cristão não devesse ser o de propor uma cura ou citar trechos bíblicos para aquela mulher. Em vez disso, ele imaginou que ela talvez precisasse de um amigo com quem pudesse conversar, desabafar. Ela não precisava de cura, mas sim de atenção e respeito.

“Talvez aquela voz [que dizia para ele citar os trechos bíblicos e propor a cura] não fosse a de Deus. Talvez aquela voz fosse o resultado de duas décadas de convívio em uma bolha religiosa hiperconservadora”, disse Kurek em sua apresentação no TEDx Talks.

Assim que teve esse clique de que possivelmente Liz precisava de atenção, e não de cura, Kurek sentiu a necessidade de entender os conflitos pelos quais a jovem estava passando. E como um heterossexual pode entender perfeitamente os conflitos pelos quais um homossexual passa? Não tem como. E foi por isso que Kurek resolveu dizer para sua família, seus amigos e os membros da igreja que frequentava que ele era gay, mesmo não sendo.

Essa declaração foi a forma que ele encontrou para entender como uma pessoa passa a ser vista por aqueles com os quais convive a partir do momento em que fala a respeito da própria orientação sexual. Por um ano, Kurek viveu como se fosse gay: ele se revelou para as pessoas que conhecia e começou a frequentar os espaços voltados à comunidade LGBT.

A primeira reação dos amigos, familiares e membros da igreja de Kurek, ao descobrirem que ele era gay foi um silêncio absoluto: “Da noite para o dia eu deixei de existir [para eles]”, resumiu. A verdade é que Kurek sentiu na pele a rejeição que tinha feito Liz chorar naquela noite no karaokê. Assim como aconteceu com ela, o jovem agora via aqueles com os quais conviveu a vida inteira o tratando como se ele fosse um completo desconhecido.

Foi aí que ele sentiu não apenas o poder dos rótulos sociais nos quais nos encaixamos, mas o medo que alguns desses rótulos, como o de “gay”, podem trazer para uma pessoa e para aquelas que fazem parte da vida dela. Uma vez que foi ignorado por sua família, seus amigos e sua igreja, Kurek passou a frequentar os ambientes LGBT.

A partir daí, ele decidiu integrar times esportivos para gays, participou de projetos sociais que arrecadam dinheiro para ajudar portadores de HIV, fez parte da organização e da parada gay e ainda conseguiu um emprego em uma cafeteria cujos frequentadores são homossexuais, em sua maioria.

No dia em que conseguiu o emprego, Kurek saiu do estabelecimento e acabou entrando em um karaokê, também voltado para o público LGBT. Ele disse ter entrado no estabelecimento esperando ouvir músicas da Madonna, da Cher ou da Lady Gaga. Em vez do estereótipo, Kurek encontrou uma música completamente diferente e que ele já tinha ouvido antes.

Depois de passar por duas portas duplas, Kurek se deparou com uma cena que não esperava: “Nunca mais vou esquecer o que vi. No palco, um homem estava vestido com roupas de mulher, com as mãos erguidas e os olhos fechados. Eu olhei para a plateia e todos estavam fazendo exatamente a mesma coisa. E, então, ela falou o refrão e meu queixo caiu: ‘Nosso Deus é um Deus maravilhoso que reina acima do céu com sabedoria, poder e amor’”, contou ele.

Esse mesmo refrão já tinha sido ouvido por Kurek inúmeras vezes na igreja que frequentava antes. Ao contrário do que esperava, aquele cristão se passando por gay acabou escutando, dentro da comunidade LGBT, a mesma música gospel que ouviu durante toda a sua vida na igreja onde foi educado religiosamente. “E eu fui educado a crer que pessoas gays não acreditavam em Deus”, revelou.

Essa experiência o fez confrontar mais um de seus preconceitos: gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros podem, sim, ter uma fé religiosa e expressar essa fé da mesma forma que os heterossexuais fazem. “Eu aprendi que o rótulo ‘gay’ e o rótulo ‘cristão’ eram termos autoexcludentes”, explicou Kurek, que se viu surpreso ao presenciar um ritual religioso dentro da própria comunidade LGBT mostrando que fé independe da orientação sexual do fiel.

Durante um ano, Kurek teve uma convivência intensa com homossexuais e transgêneros, de modo que foi, aos poucos, derrubando um a um seus preconceitos. Conviver com essas pessoas fez com que ele entendesse que elas eram normais, que não precisavam de cura, já que orientação sexual não é doença.

O que Kurek quer nos mostrar com tudo isso é o poder da empatia, que é o exercício de se colocar no lugar do outro. Se dizer para todos que conhecia que era gay, mesmo não sendo, foi o exercício que ele precisou fazer para respeitar homossexuais, ótimo. A experiência de empatia vivida por ele acabou rendendo a publicação de um livro, no qual aborda o tema de maneira mais profunda.



É fácil julgarmos as atitudes alheias sem saber com base no que elas são tomadas. Quando um julgamento é fácil, possivelmente ele tem base em preconceitos, e não em informação. Se você quiser conhecer mais detalhes da experiência de Kurek, assista ao vídeo acima – as legendas em português podem ser ativadas nas configurações do vídeo. Aqui no Mega nós também já falamos um pouco a respeito da suposta “cura gay”. Conte para a gente qual é a sua opinião sobre o assunto.

Comercial com beijo gay exibido no horário nobre da TV Globo é denunciado no Conar.




Quem disse que seria fácil? Quando a gente anunciou que a TV Globo estava exibindo um comercial no horário nobre, que mostra dois casais homossexuais se beijando, nosso público amou. No entanto, a iniciativa da emissora carioca acaba de ser denunciada ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). O Grupo Dignidade, que coordena a campanha, foi notificado a apresentar sua defesa em um prazo de cinco dias.

A propaganda chama-se “Eu odeio berinjelas”. No vídeo, criado pela agência OpusMúltipla especialmente para a ONG, a sogra oferece ao genro, durante um jantar, um prato que contém berinjela. O jovem começa a imaginar uma série de “crueldades” contra o ingrediente (afogar, esfaquear, pisotear, explodir), mas, ao final da reflexão, só responde: “Não, obrigado”. Na cena seguinte, dois casais gays se cumprimentam com um “selinho” em um restaurante, enquanto o locutor diz: “Com orientação sexual é a mesma coisa: você pode discordar, mas tem que respeitar”.

A reclamação foi remetida ao Conar em 14 de outubro. Segundo a queixa, o comercial “é uma forma de fazer lavagem cerebral em crianças”. A reclamante ainda afirma que o vídeo “transparece que as pessoas são agressivas somente pelo fato de não achar correto ser homossexual”. Ela diz, também, que os LGBT “pedem respeito, mas esquecem de respeitar outras pessoas” e que o ideal seriam “comerciais que estimulem crianças a se tornarem pessoas de bem”.

O diretor executivo do Grupo Dignidade, Toni Reis, afirma que “o comercial não ofende a dignidade de ninguém, apenas pede respeito à orientação sexual, tendo em vista os altos índices de violências e discriminação contra pessoas LGBT no Brasil”. Uma equipe de 18 advogados já prepara o texto de defesa perante o Conar, que vai, então, avaliar se o comercial deve ou não ser retirado do ar.


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Postado por Andy | (1) Comente aqui!

Um comentário:

  1. Sobre o comercial, A alegaçao de ``lavagem cerebral`` nao tem nenhuma conotaçao desta pratica no video, tao frequente em igrejas conservadoras incitando os fieis a doarem bens em TODOS os cultos, sem dizer da venda de artigos de procedencia duvidosa como: Agua do Rio Jordao, toalhas e lenços benzidos, azeite do Monte das Oliveiras, etc, que nao tem nenhum efeito milaculoso, mas feito a crer aos fieis, durante os cultos. Comercio explicito de enganaçao. Mostram se ovelhas em peles de lobos.
    Isso , sim e´, `lavagem cerebral``, prometendo os ceus e infernos nas venda de terrenos paradisicacos a custa do suor dos fieis incautos (sem mencionar de crença no imaginario) e de dificuldades na saude e questoes financeiras. Parte da irresponsabilidade dos governantes, nestas questoes e igrejaqs e´o meio mais acessivel e barat. oMILAGRES nao existem e Jesus Cristo virou mercadoria de comercio puro de exploradores.

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