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MINHA VIDA GAY

Estudante gay do ITA se forma de vestido, salto e maquiagem em protesto contra homofobia.




A formatura do jovem Talles de Oliveira Faria, aluno de engenharia do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), virou palco para um protesto contra a homofobia denunciada por ele na instituição de São José dos Campos (SP).

No último fim de semana, Talles despiu-se da beca na hora de receber o diploma e revelou um vestido vermelho e salto alto. 

De maquiagem e cabelo descolorido, o agora engenheiro fez questão de se liberar das amarras que, segundo ele, são impostas pelo regulamento do ITA, próprio da carreira militar.

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, Talles conta que chegou a ficar alguns dias preso por pintar cabelos e usar maquiagem:

"Por ser uma instituição extremamente sexista, sinto-me oprimido por querer usar maquiagem, pintar o cabelo (mesmo que de cores discretas), coisas que são permitidas a mulheres e não negadas pelo regulamento a pessoas do sexo masculino. Os militares então usam disso e mais algum erro que querem encontrar em você para que seja punido."

O jovem também foi alvo de uma sindicância interna por ter se vestido de mulher em uma manifestação no Dia Nacional Contra a Homofobia, em 18 de maio passado.

De acordo com o G1, Talles se viu obrigado a deixar a carreira militar depois desse episódio. Do contrário, corria o risco de não se formar.



Ele acredita que sua orientação sexual, que nunca escondeu na universidade, afetou sua permanência por lá.

Escritas atrás de seu vestido de formatura, as palavras dirigidas à instituição foram: "Excelência em machismo, falsa meritocracia, elitismo, homofobia".

Ao G1, a reitoria do ITA nega discriminar estudantes com base em orientação sexual, gênero, classe, raça e religião e diz que repudia atos de homofobia.

As 20 provas de Talles Faria de que a 'Aeronáutica não é homofóbica, mas...'




Você conheceu a história do engenheiro Talles de Oliveira Faria. Em sua formatura no prestigiado ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), ele fez um protesto contra a homofobia enfrentada por ele e outros LGBT na instituição.

Na hora de receber o diploma, despiu-se da beca para revelar um vestido vermelho com salto alto. De maquiagem e cabelo descolorido, fez questão de se apresentar exatamente como gosta de estar.

Apesar de milhares de comentários de aprovação, muita gente criticou a atitude de Talles porque não se tratava da ocasião adequada nem da instituição para aquele tipo de gesto — e roupas. Alguns leitores do HuffPost Brasil justificaram as críticas:


Caio Christófani Inteligência não é só sinônimo de sucesso. A falta de habilidade social dele em lidar com as regras sociais (apenas usar a roupa que deveria usar na cerimônia) mostram isso. Isso não é protesto, é desequilíbrio emocional. Lamento por ele.

Frederico Burlamaqui 
Homofobia realmente é uma coisa horrível, porém é preciso ser razoável: O concurso para o ITA informa claramente que trata-se de uma instituição militar, regida...Ver mais


Em resposta à reprovação, Talles Faria postou no Facebook uma lista de 20 motivos sempre precedidos pela frase "a Aeronáutica não é homofóbica, mas". São ocasiões em que a Força Aérea foi realmente discriminatória, de acordo com a experiência dele.

São casos que vão de piadas com os estudantes efeminados ou com o comandante "que tem trejeitos" até ameaças de desligamento de cadetes que saíram do armário.

O engenheiro sentiu-se oprimido no decorrer dos estudos ao perceber que os gays que havia na Aeronáutica eram tacitamente obrigados a ficar em silêncio sobre sua sexualidade e a agir exatamente como homens heterossexuais:

"A Aeronáutica não é homofóbica mas quando você é viado, você tem que ser perfeito: voz grossa pra ser respeitado, sem trejeito, as maiores notas, o melhor físico, nunca falar de homem ou agir de forma descontraída. Nunca falar sobre sua sexualidade. Você pode ser viado desde que nunca aja como um. Pode ser viado mas tem que ser como se fosse hétero. O padrão militar é hétero, mas a Aeronáutica não é homofóbica."

Foi pelo incômodo com a "hipocrisia" e a "violência" testemunhadas que Talles decidiu protestar no último fim de semana:

A seguir estão, as 20 provas de Talles Faria de que a Aeronáutica não é homofóbica, mas...

1. A Aeronáutica não é homofóbica, mas não tinha nenhum LGBT assumido em toda a EPCAR quando entrei em 2009. Mais de 900 alunos, nenhum LGBT. Todos os meninos falavam apenas de garotas e se apaixonavam apenas por garotas.

2. A Aeronáutica não é homofóbica, mas faziam piadas com os estudantes mais efeminados. Ser efeminado é ser viado e ser viado é ser piada. Ninguém quer ser piada, ninguém quer ser LBGT.

3. A Aeronáutica não é homofóbica, mas em todas as escolas militares sabíamos do caso do aluno homossexual da escola da Marinha. Motivo de piadas por anos.

4. A Aeronáutica não é homofóbica, mas um certo professor militar de um certo cursinho elitista aí é conhecido por todos os alunos por seus discursos de ódio contra LGBTs em suas aulas.

5. A Aeronáutica não é homofóbica, mas seria o fim das FFAA quando fosse criado um coletivo LGBT na AFA (Academia da Força Aérea).

6. A Aeronáutica não é homofóbica, mas os instrutores e militares em posições de poder desejam boas férias com as namoradas, fazem piadas com puteiros e quando citam homossexuais é pra debochar e dizer que “chave com chave não abre porta”.

7. A Aeronáutica não é homofóbica, mas existe professor que para explicar transistores é preciso falar que tem transitor macho e transistor fêmea e que não existe meio termo.

8. A Aeronáutica não é homofóbica, mas "não existe elétron triste, não tem elétron com problemas psicológicos, não tem elétron gay”, disse certo professor.

9. A Aeronáutica não é homofóbica mas todos os meus amigos LGBTs morriam de medo que alguém os descobrisse e os desligasse.

10. A Aeronáutica não é homofóbica mas quando descobriram que dois amigos meus estavam namorando na EPCAR tiraram um deles do Código de Honra e começaram a perseguir o outro com punições.

11. A Aeronáutica não é homofóbica mas quando os alunos LGBTs foram descobertos, os discursos de ódio saíram do armário. Amigos se afastaram, viraram as costas. Esse sentimento é terrível, perder alguém que você se importa e que você achava que se importava com você por causa de sua orientação sexual.

12. A Aeronáutica não é homofóbica, mas durante formatura militar “Vocês sabem onde está fulano (LBGT assumido)? Deve estar chupando pau por aí.” Todos riem. Denunciamos. Ninguém ouviu nada. Caso encerrado.

13. A Aeronáutica não é homofóbica, mas faziam piadas e imitavam os trejeitos e as vozes do nosso comandante por que achavam que ele era viado.
Se era, ninguém sabia, continuaria invisível e piada, mas a Aeronáutica não é homofóbica.
Heterossexual é exposto, é divertido, é público, é o decoro da classe, é a moral e são os bons costumes.
Homossexual é vergonhoso, deve ficar escondido e só ser mencionado para ser piada. Homossexual é depravado, é nojento, é desrespeitoso.

14. A Aeronáutica não é homofóbica, mas quando os cadetes da AFA ficaram sabendo que tinha homossexual assumindo-se, prometeram desligar todos. “Vou fazer pedir pra ir embora. Aqui não tem viado. Vai pagar flexão até pedir pra ir embora.”. E isso aconteceu.

15. A Aeronáutica não é homofóbica, mas quando homossexuais assumidos ousaram ir para a AFA, foram perseguidos por cadetes escolhidos para serem “Líderes”. Ouviram “eu sei que você é viado e vou fazer você pedir desligamento.”

16. A Aeronáutica não é homofóbica, mas nosso amigo, cadete mais antigo da AFA, o qual também não era assumido, prometeu que tentaria não deixar que outros cadetes perseguissem nosso amigo LGBT assumido que ousou ir pra AFA.

17. A Aeronáutica não é homofóbica, mas pintar cabelo é coisa de mulher. Escureça esse cabelo e se apresente amanhã.

18. A Aeronáutica não é homofóbica, mas só vamos permitir que Aspirantes deixem de ser Aspirantes no ITA quando forem viados. Ao menos, o primeiro caso.

19. A Aeronáutica não é homofóbica, mas usar maquiagem é coisa de mulher.

20. A Aeronáutica não é homofóbica mas quando você é viado, você tem que ser perfeito: voz grossa pra ser respeitado, sem trejeito, as maiores notas, o melhor físico, nunca falar de homem ou agir de forma descontraída. Nunca falar sobre sua sexualidade. Você pode ser viado desde que nunca aja como um. Pode ser viado mas tem que ser como se fosse hétero. O padrão militar é hétero, mas a Aeronáutica não é homofóbica.

O HuffPost Brasil entrou em contato com a Aeronáutica sobre esse caso e as críticas de Talles, mas ainda não recebemos uma resposta oficial.

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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