Slide 1 Slide 2 Slide 3

CONFISSÕES DO DIVÃ




Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.
Bem, vamos ao tema de hoje:

A amizade entre casais gays sempre acaba em troca de parceiros?
Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com


 

Escrevo muito chateado. Tenho um relacionamento de quatro anos e meio e nunca tivemos amizades com outros casais gays. Vivíamos em uma bolha e, pasmem, muito felizes. Porém, começamos a conversar sobre o futuro, sobre ter filhos e sobre como poderia ser importante que não fôssemos os únicos gays na vida de nossos filhos. Foi então que decidimos “caçar” outros casais gays que habitam o nosso face para tentarmos tornar real a amizade que até então era virtual. Eliminamos os “ex’s” de um e de outro e ficou um punhado de casais disponíveis. A partir desse momento a escolha foi aleatória. Convidei “o fulano e seu companheiro” para ir ao cinema com a gente. Passado o primeiro encontro, bastante desconfortável, mas agradável, trocamos telefones. Mais alguns encontros e as conversas começaram a ficar estranhas. Convite para baladas Gays, convites para dormirmos na casa deles, convites para usar drogas... SIM! EU ACHO TUDO ISSO ESTRANHO! Não somos assim e deixamos muito claro (Eu acho). E que droga, por que sempre tem que ser assim? Queremos só amizade... Sair... Conversar... Viajar... Sem troca de casais, sem drogas, sem baladas gays! Depois não querem ser considerados promíscuos! Por que as amizades entre casais gays sempre acaba em troca de parceiros?Com meus amigos héteros isso não acontece.
Cláudio, 29 anos
           
Olá Cláudio! Acho que primeiro precisamos pensar algumas afirmações que você fez.

A monogamia não é exclusividade do modelo de relacionamento heterossexual. Nem tão pouco está intrinsecamente atrelada à heterossexualidade. Basta pensar que em algumas culturas orientais os relacionamentos poligâmicos são marcas próprias de sua cultura.

Para além da questão cultural, há também uma série de singularidades que fazem com que as pessoas escolham essa ou aquela maneira de se relacionar, entre as múltiplas possibilidades que existem.

O fato de ser homo ou hétero (ou qualquer outra classe identitária) não é necessariamente o que determina os arranjos de sua maneira de se relacionar. Existem muitos casais héteros que também praticam as trocas de casais, mesmo que você não tenha amizade com nenhum deles.

No entanto, concordo com você que quando se trata do relacionamento entre dois homens, isso pode (nem sempre é) ser um pouco mais complicado. Isso se deve a um conjunto de fatores culturais e sociais de vertentes machistas, fatores genéticos e fisiológicos, mas que de maneira nenhuma se resume a isso.

Uma traição passa a ser traição quando o casal exige a monogamia como condição (por quaisquer que sejam seus motivos) e um ou ambos os parceiros infringem essa regra.

Ainda que você ache tudo isso muito estranho, para algumas pessoas não é. Alguns casais optam por acordos mais “abertos” e buscam administrar sua relação de outra maneira. Não há como dizer se “este”, “aquele” ou “aquele outro” é a melhor opção. Por que somos diferentes, temos necessidades e desejos diferentes. O que faz sentido e traz felicidade para aquele casal pode não trazer a mesma satisfação ou realização para outro. Sendo assim, é certo dizer que “este”, “aquele” ou “aquele outro” não funcionam igualmente para todas as pessoas.

E isso            não tem nada a ver com promiscuidade. Esse é um pensamento preconceituoso e moralista. Acredite a monogamia não é um pré-requisito para haver o respeito, a confiança e a consideração em um relacionamento.

E tudo bem também se você e seu companheiro são felizes com a exclusividade sexual. Muitos casais também são.

Respondendo a sua pergunta diretamente: Não. Nem sempre a amizade entre casais gays termina em troca de casais. Essa é uma possibilidade, mas não é uma norma.

O que vocês podem fazer é deixar clara a sua intenção, as suas vontades, os seus desejos e dialogar para chegarem a um entendimento.


É preciso cuidar com o isolamento, mesmo que ele seja uma opção. É muito comum que os casais gays isolem-se busquem se firmar e “fugir” da interferência de outras pessoas, mesmo que inconscientemente. O isolamento às vezes pode minar a relação, e tornar as coisas insuportavelmente monótonas.


Ter poucos, mas bons amigos ou outros casais para compartilhar momentos e experiências podem ser de fundamental importância para a manutenção do relacionamento. O mais importante é o respeito e a ajuda recíproca entre os parceiros. Uma vida social pulsante seja curtindo um cinema, teatros, restaurantes e muitas viagens (entre tantas outras possibilidades), podem ajudar a fugir da rotina sorrateira que cedo ou tarde, por longos ou breves períodos, afligem todos os relacionamentos.



Poderá gostar também de:
Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

0 comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...