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CONFISSÕES DO DIVÃ




Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.
Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

Esperar por um amor de cinema pode comprometer a relação

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com


 


Desde os 16 anos eu tento encontrar o cara certo que irá me fazer feliz. Tive três namoros e não foi exatamente o que eu buscava. Acho que sou muito azarado ou tenho o dedo podre para escolher meus parceiros. Costumo me jogar de com tudo e investir na relação, mas vejo que nem todo mundo faz o mesmo e continuo namoro após namoro procurando o cara certo. Eu procuro um cara que seja engraçado, carinhoso, atencioso, que abra a porta do carro, que me acorde com um beijo, que quando esteja com um problema conte comigo e com nosso amor. Às vezes acho que isso só existe nos filmes, outras vezes fico esperando encontrar o meu amor de cinema ao esbarrar em alguém em uma cafeteria. Será que não existe mesmo?
Ícaro, 20 anos

           
Olá Ícaro. Quem nunca sonhou em encontrar um relacionamento assim? Alguns de nós costumamos sim pensar que gostaríamos de ter aquela relação “perfeita”, feliz e apaixonada que vemos em alguns filmes. Outros se espelham em relacionamentos de pessoas que conhecem que mesmo longe da ficção parecem ser relacionamentos ideais. Porém, viver a caça de algo perfeito ou igual ao do outro pode trazer grandes prejuízos ao seu bem-estar e ao seu relacionamento.

Pesquisadores da Albion College, em Michigan, nos EUA, apresentaram dados que concluem que as pessoas que se envolvem com as relações ficcionais transmitidas em séries, filmes ou novelas têm mais dificuldades em sustentar seus relacionamentos. Uma publicação do jornal britânico The Daily Mail, que divulgou amplamente a pesquisa, mais de 300 pessoas casadas foram convidadas a falar sobre seus sentimentos, satisfação, expectativas e comprometimento no relacionamento e foi concluído que quanto mais elas acreditavam no sucesso dos romances fictícios, menos se mostraram dispostas a manter a estabilidade de seus relacionamentos.

Isso acontece por que ao idealizarmos os relacionamentos fictícios, corremos um sério risco de confiar que as relações possam acontecer de uma forma mágica. Esquecemos que há necessidade de se empenhar. Que para o relacionamento manter-se é preciso esforço, acordos e entrega de ambas as partes. Os conflitos fazem parte de qualquer relação e para superá-los é preciso entrega, respeito, generosidade e muito dialogo.

Quando nos deparamos com os defeitos do outro voltamos há pensar que pode haver em algum lugar um cara perfeito a nossa espera, assim como é mostrado no cinema. Mas todos têm características que não são compatíveis com outras formas de ser e pensar, o que chamamos de defeitos.

O maior problema pode estar quando ficamos presos nessa obsessão e ficamos sempre em busca desse alguém, esperando esbarrar com ele em uma cafeteria. Fechamos-nos para investir em um relacionamento real, em tentar administrar as nossas e as qualidades e defeitos do outro. Nesses casos é comum a troca de parceiro ou mesmo ficar longos períodos sem se relacionar.

Os relacionamentos estáveis, duráveis, felizes são construídos, não acontecem ao acaso ou sem nenhum esforço... Pense por exemplo nas suas amizades, quantos pequenos “sacrifícios” você já teve que fazer?
           
O meu melhor conselho é que você olhe a sua volta, veja o que não esta bem para você e ao invés de desistir busque encontrar o motivo e uma solução que melhore a situação. Nem sempre é possível fazer isso sozinho e talvez você precise buscar por ajuda especializada, mas tente.





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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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