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DIREITOS

Seus Direitos.

 
 

Abrigos LGBT acolhem pessoas que estão em situação de vulnerabilidade.

 
A Casa Transvest é um dos exemplos de abrigos que acolhem pessoas LGBT
 
 
A criação de abrigos LGBT está ajudando a acolher pessoas que foram expulsas de casa e estão encontrando dificuldades.
 
Pessoas LGBT em situação de vulnerabilidade podem buscar ajuda de abrigos que acolhem aqueles que foram expulsos de casas quando assumiram o gênero ou a orientação sexual. Casa Transvest, Casa Nem, Casa 1 e Projeto Camargo Casa de Missão Amor Gratuito são alguns exemplos de casas de acolhimento que mostram orgulho e superação. As informações são da "Agência Brasil".
 
Criadora da Casa Transvest, Duds Falabert, de 35 anos, contou para a agência de notícias que levava uma vida de homem heterossexual casado quando descobriu a transfobia. Além de não se socializar no meio LGBT, a professora de literatura em colégios tradicionais de Belo Horizonte tinha medo que a busca por sua verdadeira identidade de gênero levasse ao desmoronamento da carreira e da vida pessoal. Vendo a situação de vulnerabilidade em que essas pessoas se encontravam, Duds percebeu que a criação de abrigos poderia ajudar pessoas trans que perderam casa, empregos e oportunidades.
Ainda quando se identificava como homem, Duds fundou a Casa Transvest, que começou como curso pré-vestibular no ano passado e há três meses acolhe transexuais desabrigados. "Tinha todos os privilégios do homem cisgênero e heterossexual, e usei isso a favor do projeto", conta ela para a Agência Brasil. Além de ensinar e acolher pessoas, Duds também se sentiu acolhida pelos amigos que criou no projeto. "Não tive uma socialização gay antes, porque enquanto homem, era heterossexual”, explica.
 

 
“Esse foi um dos motivos que postergou minha decisão, porque a gente costuma acoplar gênero a orientação sexual, e eu sabia que não era gay. Quando consegui dissociar isso, descobri que minha questão era de gênero."
 
A procura por vagas é alta e, atualmente, a Casa Transvest conta com sete pessoas, mas a ideia é que sejam 40 pessoas até o fim do ano. Segundo Duds, é possível perceber as mudanças que o acolhimento proporciona: "A primeira é o empoderamento da identidade trans. É a pessoa começar a sentir orgulho da sua identidade. E eu percebo que há também uma desconstrução da violência que elas traziam em si. No começo, a gente percebia muita violência nos atos e nas palavras, mas como a gente oferece afeto e educação, isso se transforma."
 
As hóspedes trazem marcas em comum, como terem sido expulsas de casa ainda na adolescência. Além disso, elas não terminaram o ensino fundamental e também não conseguiam trabalho. Por isso, estudar no projeto é uma condição para a estadia na Casa Transvest.

"Quando são expulsas nessa condição, elas entram nessa vulnerabilidade toda. A escola é transfóbica, as empresas não abrem espaço, a família expulsa porque é transfóbica também, e elas não conseguem acolhimento do Estado", conta ela. "Por não reconhecer que mulheres trans e travestis são mulheres, o Estado coloca no abrigo masculino. E lá elas são violentadas, estupradas."
 
Casa Nem
 
A Casa Nem serve de inspiração para outros abrigos e já chegou a acolher mais de 60 pessoas LGBT ao mesmo tempo. O abrigo sobrevive com doações e renda de eventos para oferecer ações educacionais e profissionalizantes e atualmente busca se expandir para áreas periféricas da região metropolitana do Rio de Janeiro. Há dois meses, 12 pessoas estão abrigadas na Casa Nem da Baixada Fluminense, em Mesquita. A idealizadora do projeto, Indianara Siqueira, conta que uma nova casa deve ser aberta na zona oeste.
 
"Temos desde pessoas expulsas de casa pela família até pessoas vindas de vários locais do Brasil. Outras são pessoas que perderam seu emprego no momento que iniciaram a transição [de gênero]. Temos histórias felizes, de pessoas que vieram e depois a família veio buscar. E temos histórias tristes, de pessoas que nos procuraram para morrer”, lembra.
 
Outra ideia do projeto é fazer um atendimento especializado para mulheres que estão em situação de violência, sejam elas LGBTs ou não, mas para isso é preciso parcerias. O modelo da Casa Nem está servindo de exemplo pelo mundo e Indianara já recebeu contato de ativistas do Chile e da Argentina.
 
Casa 1
 
São Paulo também tem seu exemplo de casa de acolhimento de pessoas LGBT. O ativista Iran Giusti, fundador da Casa 1, conseguiu doadores fixos e o apoio de grandes marcas para o projeto. "A gente quer cada vez mais relacionamento com mais marcas, especialmente marcas interessadas em financiar mudanças estruturais mesmo", diz ele. "Estamos engatinhando, e as empresas estão começando a engatinhar também."
 
De acordo com Iran, é papel do governo acolher a população LGBT em situação de vulnerabilidade. "A gente coloca muito na conta da estrutura familiar a questão da LGBTfobia, mas vai muito além disso. É só uma parte do processo. O Estado não dá conta dessa estrutura."
 
A Casa 1 abriga, por até três meses, LGBTs expulsos de casa e, desde janeiro, 34 pessoas passaram por lá. Atualmente, das 20 vagas disponíveis, 14 estão ocupadas. Para Iran, mais vivência e empatia nasce da troca de experiências entre diferentes membros da comunidade LGBT. Além da convivência, os abrigados participam de atividades culturais abertas ao restante da sociedade, como laboratórios de criação, aula de dança e curso de idiomas.
 
Abrigo Cristão LGBT;
 
O Projeto Camargo Casa de Missão Amor Gratuito, fundado pelo reverendo Célio Camargo, em Maringá, no Paraná, já existe há sete anos. Paula Warmling, de 29 anos, coordena o espaço, e sua própria busca por viver sua identidade de gênero se confunde com o seu voluntariado.
 
"Na época que eu cheguei, eu ainda era o Paulo e não conseguia me aceitar como a Paula, uma mulher trans. Foi com o reverendo que comecei a me aceitar, graças a ele, que me aceitou e já tinha uma visão mais ampla sobre transexulidade. Eu sabia que eu era algo além, porque não sabia quem eu era", diz a voluntária. Ela já tinha sido aceita pela família quando se assumiu como um homem homossexual, mas viu que a situação ficou mais difícil quando se declarou mulher trans. "Minha mãe não aceitava, mas depois de muita luta consegui que vissem que sou mulher. Hoje, me amam e me aceitam”, conta Paula.
 
Apesar de funcionar com doações da Igreja Católica em Maringá, a Casa de Missão não exige qualquer conversão religiosa. Além de voluntária, Paula é pastora e defende que a mensagem do cristianismo é o amor. "O modo com que as igrejas fundamentalistas pregam, que é pecado, faz a comunidade LGBT ter um trauma das igrejas", diz ela.
 
Como todos os abrigos, a Casa de Missão também precisa de recursos para funcionar e, pela primeira vez em sete anos, o abrigo passou um mês fechado no primeiro semestre de 2017. "Precisamos de doações de produtos de limpeza, higiene pessoal, recebemos cestas básicas. Mas o que a gente mais precisa no momento é a parte financeira. Se não tiver o financeiro, tudo fecha. Temos contas atrasadas e precisamos de ajuda".



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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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