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HOMOSSEXUALIDADE

Relação entre pais e filhos gays.

 
 
 
Já comentei algumas vezes que, apesar de não ser uma regra doutrinária, muitos filhos gays possuem um padrão de relação e afeto: com as mães, há uma proximidade, uma sintonia, quando não uma amizade permanente e aparentemente imbatível. Com os pais acaba acontecendo o oposto, quando se estabelece uma relação de divergência, se não de competitividade, intransigência ou suposta nulidade.
Será que esse padrão se estabelece pela cultura machista, quando na formação de um indivíduo se repele gestos afetuosos e carinhosos entre pai (homem) e filho (homem)? Quando também há a cobrança para que o filho, que é gay, cumpra determinadas funções ou posturas ditas “de homem” perante a família e sociedade, atendendo lacunas de uma cultura mais tradicional?
 
E depois, se um filho gay possui algum tipo de refração ou referência negativa ao arquétipo masculino (figura do homem), que primordialmente se estabelece com o pai, como se formará as nuances pela busca de um parceiro afetivo (igualmente homem)? O quanto não se acaba projetando refrações e referências negativas neste outro, numa mistura de repelência e, ao mesmo tempo, do desejar? Ou também, o quanto não se projeta neste outro homem um ideal e expectativas de afeto, ternura e carinho, daqueles sentimentos e emoções que não foi ou não é possível se acolher da própria figura masculina original que é o pai?
 
Nesta mesma mistura psicológica, é tão comum notar homens gays estabelecendo equilibradas relações afetivas com amigas mulheres (projeção do arquétipo da mãe?), quando afetividade, afeição e emoção são fluentes sem turbidez nesta relação entre o gay e a amiga. Mas bastou se formar um contexto no qual se está a frente de um outro homem com um interesse afetivo, que determinadas travas emocionais se estabelecem, como se o outro – homem – fosse motivo de interesse e perdição ao mesmo tempo. Por um lado, o desejo e a vontade de se encontrar no outro igual. Por outro, a influência de determinados repertórios que vem à tona, consciente ou inconscientemente, e que colocam o outro como um tipo de desafio.
 
Percebo que parte das questões que circundam relacionamentos gays, afetivos e sexuais, tem em algum nível a influência desses elementos, em maior ou menor grau. Por minhas passagens por aí, seja próximo de heterossexuais ou gays, é notável o quanto as pessoas tendem a repetir modelos e padrões de relação espelhados em seus pais ou, no mínimo, sofrem a influência/cobrança para cumprí-las.
 
No ambiente heretonormativo vi casos, por exemplo, do pai ter se distanciado de todos os parentes e familiares depois do casamento e passado a viver a família da esposa em encontros sociais, aniversários e festas de final de ano. Desta mesma família, pelo menos um dos filhos cumpriu o mesmo “ritual” e, quando estabeleceu o namoro e, posteriomente, o casamento, se afastou de seus próprios familiares para viver o universo relacional da esposa.
 
Vi pais mais autoritários (ou neste caso até mães), aparentemente condutor@s de suas famílias, “perderem” seus filhos homens por esposas igualmente autoritárias, como se a ausência da autoridade – agora que se assume a vida de casado – se tornasse uma lacuna a ser preenchida por outr@ com a mesma energia. E assim dar prosseguimento ao entendimento de família.
 
As histórias se repetem mais do que se pode perceber conscientemente e, entendo que há uma zona de segurança natural nesta repetição, talvez de natureza até mesmo biológica. Bem ou mal, estes são lastros culturais estabelecidos em algumas famílias. Bem ou mal, o ser humano funciona (também) desse jeito.
 
E quando somos gays, será que tendemos a nos colocar em padrões? Aí existe um caldo de possibilidades que, talvez, a própria natureza do gay – por justamente não se enquadrar necessariamente em modelos culturais pré-determinados – permita uma maior elasticidade (ou criatividade? Ou aflição?). Mas tudo, de novo, me parece depender das referências e influências dos costumes familiares. Este é um ponto de partida.
 
O matrimônio, por exemplo, é projeto de alguns gays. Será que estabelecemos relações matrimoniais cumprindo uma essência primitiva da segurança que o companheirimo nos confere? Ou é simplesmente o gay assumindo o modelo cultural ditado, anteriormente, por casais heterossexuais? Talvez ambos. As duas motivações apontam pelo desejo de segurança.
 
Talvez, quando se nasça numa cultura familiar mais tradicional, mais se exija o cumprimento de alguns costumes e hábitos, para a perpetuação do mesmo, da tradição. Assim, dependendo da personalidade, do entendimento de mundo e da afeição / apego que o gay tem pelos elementos da tradição, mais resistência terá de se afastar dos mesmos e, consequentemente, mais barreiras e “pensamentos sabotadores” terá para avançar com a própria homossexualidade. Parece que os caminhos da homossexualidade e a herança cultural familiar são contraditórios para algumas mentes.
 
 Se isso for uma crença, realmente será.
 
Muitos gays ainda não conseguem sentir ou enxergar intersecções entre a homossexualidade e expectativas sociais. Entre mostrar o dedo central para a sociedade, virar as costas e sair andando – quase que num ato egoísta ou de libertação – e atender as demandas da família com todo esmero, tal qual o filho pródigo, altruísta, há uma matiz de variação e, no sentido da naturalidade de cada indivíduo, não existe o julgamento do que é o melhor.
 
Por exemplo, sabendo que a nossa cultura não conte que é comum e normativo casais gays se juntarem e terem filhos, envelhecerem juntos e dividirem a aposentadoria, o gay que idealiza o mesmo, “casamento” e “filhos”, em comunhão com a vontade de dar herdeiros e atender as demandas de seus pais como avós, tende a enxergar um breu para homossexualidade neste sentido. O breu pode representar a incerteza de que, como gay, não há claramente essa estrada, como se só heterossexuais pudessem seguir esse caminho. Há pessoas que se identificam e que se asseguram a esse modelo, o que as afasta de tentativas mais expressivas de caminhar pela própria homossexualidade. Por quanto tempo? Sabe-se lá, desde que seja o tempo de cada um.
 
Outros gays vão assumindo uma postura refratária à cultura predominante e se atiram mais às cegas naqueles meios que suspostamente determinam vivências homossexuais. Saem de casa mais cedo, fazem dos amigos a família e assumem uma postura mais desgarrada na aprendizagem fora de casa. Delimitam com mais consciência a influência das relações familiares, vão buscar segurança em outros vértices para quiçá, depois de um tempo, resgatar laços com os pais, diferentes daqueles estabelecidos em tempos anteriores.
 
Há ainda aqueles que constróem um tipo de “vida dupla”, “hétero de dia e em espaços públicos e familiares” e “homossexual a noite em espaços privados”. Vão seguir por esse perfil por longos anos.
Muitos filhos gays, ainda, preferem adotar a imagem de filhos (solteiros) para seus pais. Pensar em trazer um parceiro para perto da família, mesmo que entitulado como “amigo”, é algo distante já que a configuração da homossexualidade só se estabelece em par e nem sempre se está pronto para lidar com os debates que a assunção sugere. E dependendo do nível de independência da relação familiar, não existe a necessidade do filho estabelecer esse encontro.
 
Todas essas ocorrências são possíveis, atuais, dentre outras mais e quem, afinal, pode julgar? A homossexualidade, em algum nível é uma ponto de ação ou inação. Os pais também.
De todo modo, família, quase que irremediavelmente e em se tratando de seres humanos, serão centros de referência. Seja postivita, negativa ou todas as variações dessa matiz que são os relacionamentos familiares. Inclusive para aqueles que não tiveram pais ou se fazem “sem pais” na vida.

PERGUNTAS & RESPOTAS

 
 

Pelos tem que tê-los.

 
 
“Oi! Tentarei ser direto, então.
Fisicamente falando, gosto de pêlos, em todos os lugares e principalmente os pubianos, namorava um garoto bem peludinho e agora que terminamos tenho a sensação que vai ser difícil encontrar um outro do mesmo jeito.
Sei que isso pode ser uma tara ou algo assim, mas não vejo muita graça nos depilados, devo mudar? Isso pode me prejudicar em futuros relacionamentos? Fisicamente só me atraio por homens peludos, com barba, etc.
 
Anônimo por Formspring
 
~*~
 
Na boa, não acho que ter preferência seja prejudicial. Mas procurar um menino EXATAMENTE igual ao seu ex, daí é doideira. Ninguém vai ter a mesma quantidade de pelos que ele. Isso é fato.
Quanto a relacionamentos futuros, claro que essa preferência vai restringir sua relação com pessoas menos trabalhadas no jeito Tony Ramos de ser… Mas, se um cara lisinho tira a roupa na sua frente e nada acontece, não tem jeito. Nem adianta tentar.
 
Agora, se acha que essa coisa pode ser mudada e se sente incomodado com isso, mude. Até porque, sinceramente, a coisa já está bem difícil por aí, se você tirar os cidadãos lisos da fila de possibilidades, sua vida amorosa pode ficar mais complicada… Eu falo por mim, não curtia ficar com caras barrigudos, me broxava, agora abri exceções quanto a esse quesito, tem uma certa circunferência abdominal que acho aceitável num ser humano masculino, se passar de X cm eu chamo o próximo da fila! A gente acaba diminuindo exigências quando a oferta é pouca… Ou quando a oferta é demais, pra todos os menos exigentes, se é que você me entende.
Pensa assim, se um cara tiver cérebro, inteligência, senso de humor, pegada boa, um pênis que funcione e for participativo na hora do sexo… Tanto faz se ele é peludo ou não! Mas, se pra você é fisicamente impossível ter ereção com caras depilados ou lisos naturais, deixa esses pra mim que não tenho preconceito com isso e tenho muito amor pra dar.
 
Bjus.

~*~


Como não se apegar ao cara que só quer uma transa?

 
 
 
Não aguento mais ser assim, toda a vez que saio com alguém, mesmo que para uma noitada. Acabo me apegando e sofro muito quando a pessoa não me liga no dia seguinte. Some. Fico pensando o que fiz de errado. Não entendo porque dizer coisas do tipo que quer algo sério e depois de transar fingem que nem existo.
 
O que devo fazer?”
 
~*~
 
O que você deve fazer é ficar esperto. Antes de entregar seu coração de bandeja para alguém, espere.  Aperte o freio. Observe. Conheça a pessoa melhor. Saia com ela várias vezes.
A grande verdade é que não acredito que todas as pessoas façam isso de maldade. Sabe? Enganar para conquistar. Algumas realmente acreditam no que dizem, mas acabam fazendo tudo ao contrário. Dizem que detestam sexo por sexo, mas fazem. E por aí vai.
Bjos.


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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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